28 maio, 2015

Sobre a domesticação do cão

O cão descende do lobo e essa separação começou há muito mais tempo do que se pensava até agora, conclui um estudo genético
O osso de um lobo com 35.000 anos, encontrado na Sibéria, trouxe um novo olhar à longa relação da humanidade com o cão, mostrando que a domesticação deste animal teria ocorrido mais cedo do que se pensava até agora. Os cães atuais, desde o Chihuahua ao dogue alemão, descendem de lobos domesticados pelos humanos nos tempos pré-históricos, mas quando ocorreu essa domesticação é uma questão ainda em debate.
A equipe do geneticista Love Dalén, do Museu Sueco de História Natural, analisou o genoma de um lobo que viveu na Península de Taimir, num artigo científico publicado na revista Current Biology. Os cientistas tinham encontrado parte de uma costela no solo permanentemente congelado (permafrost) da Sibéria, durante uma expedição à Península de Taimir em 2010.
A descoberta deste osso antigo permitiu aos cientistas, mais uma vez comparando-o com o DNA de lobos e cães atuais, fazer algumas recalibrações. "Utilizámos o genoma do lobo antigo, que foi diretamente datado, para recalibrar o calendário molecular dos lobos e cães e verificamos que a taxa de mutações é substancialmente mais lenta do que foi assumido pela maioria dos estudos anteriores", refere ainda o artigo.
Estudos genéticos anteriores de cães e lobos atuais tinham calculado que os cães tinham começado a ser domesticados entre há 11.000 e 16.000 anos, baseando-se em taxas de mutação genéticas que pressuponham uma determinada velocidade.
Ora, se as mutações genéticas ocorreram a um ritmo mais lento, então os antepassados dos cães separaram-se dos lobos há mais tempo e a domesticação do cão aconteceu mais cedo do que se pensava. Os cientistas então estimaram que a domesticação do cão teria começado entre há 27.000 anos e 40.000 anos.
É provável que o lobo antigo agora estudado tenha feito parte de uma população de lobos que vagueava pelas estepes e pela tundra durante a última Idade do Gelo, caçando presas grandes, como bisontes, bois-almiscarados e cavalos. "Uma das explicações mais simples é que os caçadores-coletores podem ter apanhado crias de lobos, o que é extremamente fácil, e tê-las mantido em cativeiro como sentinelas contra os grandes predadores da última Idade do Gelo, como ursos e leões das cavernas, e outros mamíferos perigosos, como mamutes, rinocerontes lanudos e outros humanos", disse Love Dalén.

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