10 maio, 2019

A verdade mora num poço

"A verdade, meu amor, mora num poço." 
Noel Rosa, no samba "Positivismo"


La Vérité sortant du puits armée de son martinet pour châtier l'humanité (A Verdade vem do poço armada com seu chicote (*) para castigar a humanidade) é uma pintura de 1896 do artista francês Jean-Léon Gérôme.
De acordo com seu biógrafo Charles Moreau-Vauthier , Gérôme dormiu com a pintura acima de sua cama e foi encontrado após sua morte com o braço esticado em direção a ela em um gesto de despedida.
(*) O gato de nove caudas, um tipo de chicote utilizado na flagelação. Consiste de uma base de madeira ou outro material rígido, tendo nove tiras de couro com pedacinhos de metal em suas pontas.

Segundo uma parábola, a Verdade e a Mentira se encontram um dia.
A Mentira diz à Verdade: "Hoje é um dia maravilhoso!" A Verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo.
Elas andam algum tempo juntas e chegam finalmente a um poço.
A Mentira diz à Verdade: "A água esta muito boa, vamos tomar um banho juntas!" A Verdade testa a água e confirma que a água realmente está gostosa.
Elas então se despem e começam a tomar banho. De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge.
A Verdade, furiosa, sai do poço e corre atrás da Mentira para pegar suas roupas de volta.
Vendo a Verdade nua, o mundo desvia o olhar com desprezo e raiva. E a Verdade volta ao poço, no qual desaparece para sempre escondendo sua vergonha.
Desde então, a Mentira viaja pelo mundo vestida como a Verdade, porque o mundo, em todo caso, não nutre nenhum desejo de encontrar a Verdade nua.

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