25 dezembro, 2008

A invenção do sanduíche

John Eduard Montague, o Conde de Sandwich, gostava tanto de jogar bridge que não parava nem para comer. Refeições com garfo e faca poderiam tirá-lo da jogatina. Por isso, a sua comida, geralmente salame, presunto ou queijo, vinha à mesa entre dois pedaços de pão.
É como se explica, de forma reduzida, o motivo que levou o conde a criar o sanduíche. No entanto, até que ele chegasse a esse invento, houve necessidade de muita inspiração e transpiração.
Segundo Woody Allen (imagem), foi esta a "verdadeira" história da invenção do Conde de Sandwich (da qual eu reproduzo apenas a parte de 1736 a 1958).

(...)
1736: Entra (o conde) para a Universidade de Cambridge, a pedido dos pais, a fim de estudar retórica e metafísica, mas demonstra pouco interesse por ambas. Constantemente revoltado com as convenções do mundo acadêmico, é acusado de furto de algumas fatias de pão e de realizar experiências imorais com elas. Finalmente taxado como herege, é expulso da universidade.
1738: Renegado por todos, parte para os países escandinavos, onde por três anos dedica-se intensamente a uma pesquisa sobre queijos. Impressiona-se com a enorme variedade de sardinhas que passa a conhecer e anota em seu bloco: "Estou convencido de que há uma perene realidade, além de tudo que o homem já realizou, na simples justaposição de alimentos. Simplificar". De volta à Inglaterra, conhece e casa-se com Nell Smalbore, filha de um verdureiro. Ela lhe ensinará tudo sobre alfaces.
1741: Vai viver no campo, às custas de uma pequena herança, deixando frequentemente de almoçar ou jantar a fim de economizar dinheiro para comprar comida. Sua primeira obra terminada - uma fatia de pão, outra fatia de pão em cima desta e uma fatia de peru em cima de ambas - fracassa miseravelmente. Desapontado, retorna ao laboratório e começa tudo de novo.
1745: Após quatro anos de trabalho insano, convence-se finalmente de que está às vésperas do sucesso. Numa cerimônia de grande solenidade, exibe para seus pares uma nova tentativa: duas fatias de peru com uma fatia de pão no meio. A obra é rejeitada por todos, exceto por David Hume, que pressente naquilo a iminência de algo importante e o encoraja. Estimulado pela amizade do filósofo, retorna ao trabalho com vigor renovado.
1747: Já sem dinheiro, não pode mais se dar ao luxo de pesquisar com peru ou rosbife, e passa a trabalhar com presunto, que é mais barato.
1750: Na primavera, faz a demonstração de três fatias de presunto empilhadas consecutivamente, o que atrai ligeira atenção, principalmente nos meios intelectuais. Mas o grande público continua indiferente. Três fatias de pão, uma em cima da outra, provocam algum comentário e, embora um estilo maduro ainda não esteja à vista, é procurado por Voltaire, que o convida a visitá-lo.
1751: Viaja à França, onde Voltaire lhe informa que também chegou a alguns interessantes resultados usando pão e maionese. Os dois tornam-se amigos e iniciam uma correspondência que terminará abruptamente porque Voltaire ficará sem selos.
1758: A crescente aceitação de suas experiências junto à opinião pública resulta num convite da Rainha para preparar "algo especial" que ela possa beliscar com o embaixador espanhol. Passa a trabalhar, dia e noite, rasgando centenas de rascunhos, mas finalmente - às 4:17 da madrugada de 27 de abril de 1758 - cria uma obra que consiste de várias fatias de presunto guarnecidas por duas fatias de pão, uma em cima e outra embaixo.
(...)
In: Cuca Fundida

3 comentários:

Unknown disse...

Muito bom o texto! Eu não sabia que o Woody Allen acabou recontando a história do Conde!

Como vai Dr. Paulo? Abraços e felicidades pra você e família.

Unknown disse...

Como vai Dr.Paulo? Não sabia que o Woody Allen acabou recontando a história do Conde mais famoso do mundo gastronômico!

Estou acompanhando seu blog!

Felicidades pra o Dr e família.

Paulo Gurgel disse...

Rafael, olá.
Obrigado pela mensagem.
A história da invenção do sanduíche, segundo Woody Allen, foi transcrita apenas a sua parte central para adequá-la ao espaço de uma postagem.
Dá para perceber que é divertidíssima.
Seu blog está sendo seguido em meu painel. Não quero perdê-lo de vista.
Um feliz ano-novo a você e aos seus.