Mostrando postagens com marcador inquisição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador inquisição. Mostrar todas as postagens

22 junho, 2026

A retratação de Galileu

22/06/1633. Galileu Galilei, sob ameaça de tortura por parte da Inquisição, foi forçado a "abjurar, amaldiçoar e detestar" suas visões heliocêntricas copernicanas.

Galileu diante do Santo Ofício, pintura do século XIX de Joseph-Nicolas Robert-Fleury

A retratação de Galileu ocorreu no Salão Nobre do antigo mosteiro de Santa Maria Sopra Minerva, então sede da ordem dominicana. Foi ali que ele supostamente disse "E pur si muove" (No entanto, ela se move). Por muito tempo, acreditou-se que essas palavras eram uma invenção muito posterior, mas provavelmente datam de 1643 [Fahie, pp. 72-75].
Como consequência, Galileu foi condenado à prisão domiciliar pelo resto da vida, e sua obra "Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo" foi incluída no Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos). 
E a Igreja Católica só reconheceu oficialmente em 1992 o erro no tratamento dado a ele, quando o Papa João Paulo II declarou que Galileu tinha sido vítima de um erro.

22 junho, 2019

A retratação de Galileu

Em 1633 (22 de junho), sob ameaça de tortura pela Inquisição Romana, Galileu foi forçado a "abjurar, amaldiçoar e detestar" suas visões heliocêntricas copernicanas. (*)
A retratação ocorreu no Grande Salão do antigo mosteiro de Santa Maria sopra Minerva, então a sede da Ordem Dominicana. Este é o lugar onde Galileu supostamente disse "E pur si muove" (No entanto, ela se move). Durante muito tempo, acreditava-se que essas palavras seriam uma invenção muito posterior, mas provavelmente datam de 1643 [apud Pat's Blog].

Galileu ante o Santo Ofício, pintura de Joseph-Nicolas (século 19). 
Museu de Luxemburgo

Galileu nunca foi oficialmente preso, exceto pelas poucas horas entre o julgamento e a sentença. Em 1992, o Vaticano declarou oficialmente que Galileu havia sido vítima de um erro.

(*) A oposição religiosa ao heliocentrismo surgiu de referências bíblicas como o Salmo 93: 1, 96:10 e Crônicas 16:30, que incluem texto afirmando que "o mundo está firmemente estabelecido, não pode ser movido". Da mesma maneira, o Salmo 104: 5 diz: "o Senhor colocou a terra sobre os alicerces; ela nunca pode ser movida". Além disso, Eclesiastes 1: 5 afirma que "E o sol nasce e se põe e volta ao seu lugar".

24 março, 2017

O criptógrafo do Renascimento

Della Porta foi o fundador de uma sociedade científica chamada de Academia Secretorum Naturae. Criada em algum momento antes de 1580, a academia foi uma das primeiras sociedades científicas na Europa e tinha como principal objetivo estudar os "segredos da natureza".
Para aderir a ela, o candidato a acadêmico precisava antes de tudo provar que havia feito uma descoberta em ciências naturais. Entretanto, não era propriamente o método científico que era valorizado, mas o caráter "maravilhoso" da descoberta. Mas, com a suspeita de envolvimento com o ocultismo, a Academia acabou sendo fechada por ordem papal.
Della Porta inventou também um método que lhe permitia escrever mensagens secretas no interior de ovos.
Durante a Inquisição Espanhola, alguns de seus amigos foram presos. Usando uma mistura feita de pigmentos vegetais e alúmen, Della Porta escreveu mensagens para eles na casca de ovos, A tinta penetrava na casca do ovo, que é semiporosa. Quando secava, ele fervia o ovo, e a tinta sobre o exterior do ovo era depois lavada.
No portão da prisão, tudo era verificado pela carceragem. Mas, quando o destinatário na prisão tirava a casca, a mensagem podia ser lida na clara do ovo.
(Será que o método ainda funciona?)
Por esta e outras, o italiano Giovanni Battista della Porta (1535-1615) é considerado o maior criptógrafo do Renascimento.
Extraído de: https://pt.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Battista_della_Porta

TESTAMENTO. Na casca de um ovo

24 junho, 2014

As Bruxas do Século XX

(enviado por Fernando Gurgel)
Agora, mais de dois séculos após o término da caça às bruxas, é que podemos ter uma noção das suas dimensões. Neste final de século e de milênio, o que se nos apresenta como avaliação da sociedade industrial? Dois terços da humanidade passam fome para o terço restante superalimentar-se; além disto há a possibilidade concreta da destruição instantânea do planeta pelo arsenal nuclear já colocado e, principalmente, a destruição lenta mas contínua do meio ambiente, já chegando ao ponto do não-retorno. A aceleração tecnológica mostra-se, portanto, muito mais louca dos inquisidores.
Ainda neste fim de século outro fenômeno está acontecendo: na mesma jovem rompem-se dois tabus que causaram a morte das feiticeiras: a inserção no mundo público e a procura do prazer sem repressão. A mulher jovem hoje liberta-se porque o controle da sexualidade e a reclusão ao domínio privado formam também os dois pilares da opressão feminina.
Assim, hoje as bruxas são legião no século XX. E são bruxas que não podem ser queimadas vivas, pois são elas que estão trazendo pela primeira vez na história do patriarcado, para o mundo masculino, os valores femininos. Esta reinserção do feminino na história, resgatando o prazer, a solidariedade, a não-competição, a união com a natureza, talvez seja a única chance que a nossa espécie tenha de continuar viva.
Creio que com isso as nossas bruxinhas da Idade Média podem se considerar vingadas!
Extraído da Breve Introdução Histórica, de Rose Marie Muraro, ao "Malleus Maleficarum" ("O Martelo das Feiticeiras"), um livro escrito em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger. A autora deste prefácio, a brasileira Rose Marie (falecida há 3 dias), foi escritora e líder feminista. Nasceu praticamente cega e sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. É autora de mais de 40 livros e também atuou como editora em cerca de 1600 títulos, quando foi diretora da Editora Vozes.

14 dezembro, 2010

Penso, logo cito - 23

William Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês:
"Herege não é aquele que arde na fogueira e sim aquele que a acende."

Imagem: Directorium Inquisitorum, Nicolau Eymerich, 1376.
Prefácio no website por Leonardo Boff

15 outubro, 2010

FHC e a Contra-Reforma Tucana

SERRA como instrumento de punição
às mulheres que defendiam o aborto
na Idade Média
"Fernando Henrique Cardoso é hoje um velho solitário de Higienópolis, por onde zanza, esquecido, entre moradores indiferentes. Pelas ruas do nobre bairro paulistano, FHC nem curiosidade mais desperta nos transeuntes, embora muitos deles o aceitem como mau professor da aula magna do neoliberalismo ainda ensaiada, agora em ritmo de Marcha sobre Roma, pelo candidato José Serra, herdeiro político a quem despreza. Serra escondeu Fernando Henrique ao longo de toda a campanha eleitoral para só resgatá-lo quando, desfeita qualquer possibilidade de uma vitória digna, os tucanos embicaram em direção à vala golpista do moralismo anti-aborto, do terrorismo religioso e da malandragem política que faz de demônios miúdos símbolos sagrados da cristandade.
FHC é ateu, embora tenha passado seus oito anos de mandato escapulindo das patrulhas religiosas, diga-se, sem muito esforço, apoiado que era pela mídia e pelas representações do grande capital. Era, por assim dizer, um santo do pau oco ostensivamente tolerado por cardeais do PFL que o controlavam, beatos interessados em dividir o pão das estatais a preço de banana ao mesmo tempo em que vendiam indulgências políticas aos cristãos-novos do PSDB, estes, alegremente ungidos pelo papa ACM I, o Herético. Não por outra razão, céu e inferno se moveram, em conluio, para esconder na Espanha o filho bastardo de Fernando Henrique com uma repórter da TV Globo enquanto durasse, na Terra, o reinado do príncipe dos sociólogos. Assim foi feito. Fiat voluntas tua.
Anjo caído na Praça Vilaboim, FHC não é mais sombra do que era, pelo contrário, circula entre os mortais a remoer, aqui e ali, a mágoa de ter sido esquecido pelos que tanto comeram em sua mão. Mesmo agora, que Serra, abençoado pela Padroeira e batizado nas pias da TFP, encorajou-se a falar das privatizações, o velho ex-presidente sabe que, para ele, mesmo as semelhanças se tornaram distantes. Porque se FHC se moveu para a direita pelo viés econômico, embalado pela onda mundial da globalização made USA, Serra decidiu se jogar no precipício do fascismo sem máscaras nem rede de segurança, disposto a arreganhar os dentinhos para defender os fetos que Dilma Rousseff pretende assassinar, segundo avaliação criteriosa de Mônica Allende Serra, postulante ao cargo de primeira-dama e, provavelmente, ao de inquisidora-mor do Santo Ofício tucano.
De alguma maneira, no entanto, nos passos solitários que dá entre a banca de jornal e a padaria da dourada comunidade onde vive, Fernando Henrique Cardoso deve ter lá seus momentos de depressão mundana, ainda que, movido pela vingança, nada faça para conter a insensatez e o ridículo de seus correligionários e velhos companheiros empenhados, no alvorecer do século XXI, a jogar a política brasileira nas trevas da Idade Média. Faria melhor, na quadra da vida em que se encontra, se barrasse, com a autoridade que lhe resta, essa cruzada insana.
Fernando Henrique sabe que foi graças a ele, às alianças e escolhas que fez, que o PSDB, força política nascida como anunciação de novos tempos de ética e de igualdade social, transformou-se na trombeta do apocalipse da Opus Dei, seita fundamentalista católica onde se ajoelha e reza o governador eleito de São Paulo Geraldo Alckmin.
Não é possível não lhe vir, lá no fundo do peito, um quê de amargura ao vislumbrar o quão graúdas e salientes se tornaram as serpentes que plantou em ovos na democracia brasileira, sobretudo a mais virulenta delas, em plena e venenosa atividade, entocada no Supremo Tribunal Federal.
Talvez seja a hora de FHC se confessar."
De Leandro Fortes, publicado no blog Brasília, eu vi

Programa "Roda Viva", 1999. A uma pergunta sobre o aborto
"Eu acho que se deve garantir o direito às mulheres de usarem ou não essa possibilidade. Isso é um direito que as mulheres têm, mas não uma imposição".
Resposta da socióloga Ruth Cardoso, mulher de FHC, falecida em 2008