18 maio, 2026

O menino elétrico

Este experimento foi amplamente celebrado na Europa como a famosa demonstração do "Menino Elétrico".
Um menino era suspenso por fios de seda. A seguir, carregado eletricamente por Stephen Gray, que aproximava seu tubo friccionado (gerador de eletricidade estática) dos pés do menino, sem tocá-lo. E demonstrava-se que o rosto e as mãos do menino atraíam a palha, o papel e outros materiais.
Existia um misterioso fluido elétrico que poderia se propagar por algumas coisas... e por outras não.
O que levou a Gray dividir o mundo em dois diferentes tipos de substâncias: isolantes e condutoras. As isolantes como a seda, o cabelo, o vidro e a resina, detinham a carga elétrica em seu interior e não a deixavam passar, enquanto as condutoras permitiam que a eletricidade se propagasse.
Stephen Gray poderia ter sido o exemplo perfeito do cientista cavalheiro (se tivesse sido um cavalheiro). Nascido em 1666, era filho de um tintureiro. Ter um ofício sólido não era uma má posição, considerando a época, mas num período em que, para aprender, era preciso ter acesso a materiais, professores e uma biblioteca, Gray estava em clara desvantagem. Ele se educou por conta própria, graças à sua amizade com pessoas que possuíam bibliotecas e à sua natureza incansavelmente observadora.
No final do século XVIII, os cientistas estavam fazendo grandes avanços na manipulação da eletricidade e o público queria participar da diversão. As demonstrações de eletricidade eram um dos eventos mais populares da época. Para o público, eram divertidas e incríveis. Mas para os meninos que participavam, eram simplesmente incômodas.
Depois de algum tempo, com o menino esuficientemente carregado, entrava em cena o livro. Gray sabia como criar tensão e interesse em sua plateia. Mas ele não revelava seu melhor truque de imediato. Segurando o livro perto da mão do menino, Gray pedia que ele virasse as páginas sem tocá-lo. O menino estendia a mão e a página mais próxima flutuava em sua direção.
Dando continuidade a seu trabalho, Gray convidava uma pessoa da plateia. Colocando-a em um pedestal isolante, ele a fazia dar as mãos ao menino. Embora a pessoa não sentisse nenhuma diferença em seu corpo, ao estender a mão sobre as páginas de um livro ou sobre pedaços de papel soltos, ela  descobria que havia sido investida com o poder do menino.

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