Séculos depois, os vampiros apareceram no folclore eslavo e dos Bálcãs, já com algumas das características que hoje associamos à sua figura contemporânea: cadáveres reanimados que não suportavam a luz do sol, a aproximação de um crucifixo e, claro, o alho.
A primeira figura do tipo a surgir na literatura inglesa apareceu em 1819, na pele do aristocrata Lord Ruthven, personagem do conto "O Vampiro", de John Polidori. Na sequência: "Varney, o Vampiro" (1847), de James Malcolm Rymer, e a novela "Carmilla", de Joseph Sheridan Le Fanu, na qual a personagem principal é uma vampira.
Mais tarde, em 1897, foi a vez do romance "Drácula", de Bram Stoker, consolidar o arquétipo do imortal que vira morcego e dorme em caixões.
O personagem que inspirou o romance do irlandês Bram Stoker foi o Príncipe Vlad 3º (ca. 1428-1477), que reinou com crueldade extrema na Valáquia, atual Romênia: a ele se atribuem mais de 80 mil mortes. Como ostentava a Ordem do Dragão (em romeno, Dracul), Vlad foi apelidado Drăculea (Filho do Dragão).
Outro de seus apelidos era "Vlad, o Empalador", por sua preferência por esse método de tortura.
Cerca de 550 anos atrás, ele mandou empalar milhares de presos otomanos, também crianças. Esse suplício consistia em introduzir uma estaca ou lança pelo ânus da vítima e deixá-la morrer lenta e dolorosamente por hemorragia.
Cerca de 550 anos atrás, ele mandou empalar milhares de presos otomanos, também crianças. Esse suplício consistia em introduzir uma estaca ou lança pelo ânus da vítima e deixá-la morrer lenta e dolorosamente por hemorragia.
Ele provavelmente sofria, pelo menos nos últimos anos de vida, de hemolacria. Ou seja: vertia lágrimas misturadas com sangue", explica o professor Vincenzo Cunsolo, da Universidade de Catânia. Em casos raros, infecções e lesões podem causar hemolacria – sangue nas secreções lacrimais. Outra causa possível é a presença de um tumor nas glândulas lacrimais.
A ideia genial de Stoker foi, sem dúvida, associar o mito do vampiro a uma figura histórica que realmente existiu. Assim, o quimérico vampiro ganhou tempo e lugar, e uma vida convincente foi-lhe atribuída. Além disso, o personagem criado por Stoker tinha um caráter um tanto charmoso: ele seduzia mulheres, ele não era somente mau, mas de certo forma também trágico. Isso é naturalmente um bom material.
A "vampiromania" atingiu um outro patamar com a invenção do cinema. Conde Drácula, por exemplo, já estrelou centenas de filmes, tornando-se, segundo levantamentos, o personagem literário mais retratado no cinema depois de Sherlock Holmes.
A "vampiromania" atingiu um outro patamar com a invenção do cinema. Conde Drácula, por exemplo, já estrelou centenas de filmes, tornando-se, segundo levantamentos, o personagem literário mais retratado no cinema depois de Sherlock Holmes.
O primeiro filme com um vampiro "de verdade" foi, justamente, uma produção alemã: "Nosferatu", de Murnau, realizado em 1922 com Max Schreck no papel-título e que em breve tornaria o gênero popular.
A partir de 1931, Bela Lugosi passou a incorporar o sinistro e cruel "Drácula, o Príncipe das Trevas". A tal ponto que, com o decorrer dos anos, o ator hollywoodiano de origem húngara passou a se considerar, cada vez mais, um verdadeiro vampiro. Desde Lugosi, os vampiros da tela são cultos e cavalheirescos, marcados por uma boa dose de charme e carisma.
A partir de 1931, Bela Lugosi passou a incorporar o sinistro e cruel "Drácula, o Príncipe das Trevas". A tal ponto que, com o decorrer dos anos, o ator hollywoodiano de origem húngara passou a se considerar, cada vez mais, um verdadeiro vampiro. Desde Lugosi, os vampiros da tela são cultos e cavalheirescos, marcados por uma boa dose de charme e carisma.
Pouco a pouco, o subtexto sexual foi-se acentuando. E modificações comportamentais foram então incorporadas. Lendária é, por exemplo, a cena de "A dança dos vampiros" (1967), de Roman Polanski, em que um "vampiro judeu" não se impressiona nem um pouco com o efeito de um crucifixo cristão.
Em anos recentes, o mito foi revivido – embora numa versão adolescente adocicada.
Quando a série "Crepúsculo" (Twilight) mais uma vez transformou em entretenimento – e bilheteria milionária – o mito dos mortos-vivos sugadores de sangue. Com filmes, baseados nos best-sellers da norte-americana Stephenie Meyer, que injetam um forte componente de erotismo adolescente na narrativa. E, assim, a pálida e confusa saga cinematográfica é a versão contemporânea de uma lenda com longa tradição.
Quando a série "Crepúsculo" (Twilight) mais uma vez transformou em entretenimento – e bilheteria milionária – o mito dos mortos-vivos sugadores de sangue. Com filmes, baseados nos best-sellers da norte-americana Stephenie Meyer, que injetam um forte componente de erotismo adolescente na narrativa. E, assim, a pálida e confusa saga cinematográfica é a versão contemporânea de uma lenda com longa tradição.
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