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11 dezembro, 2020

O jogador de xadrez turco

O jogador de xadrez turco de Maelzel era uma máquina que realmente existia. Construída em 1769, por Wolfgang von Kempelen, foi exibida nos séculos XVIII e XIX em feiras e teatros em Paris, Viena, Londres e Nova Iorque.
Em 1783, em seu hotel em Paris, Benjamin Franklin recebeu uma carta de Wolfgang von Kempelen,  convidando-o a ver e jogar com o autômato que jogava xadrez turco, além de caso quisesse inspecionar a máquina.
Franklin aceitou o desafio e, alguns dias depois, jogou xadrez turco com a máquina no Café de la Regence e perdeu. Embora Franklin fosse um amante do xadrez, ele não mencionou esse evento em nenhuma de suas correspondências, talvez, alguns explicam, porque ele era conhecido como sendo um mau perdedor.  [Tom Standage, The Turk, 2002 Walker Publishing]
Quando Von Kempelen morreu, seu filho vendeu a máquina para Nepomuk Maelzel, um violinista de Viena que também inventou dispositivos musicais como o metrônomo.
Edgar Allan Poe testemunhou uma demonstração do funcionamento da máquina e escreveu o ensaio "Maelzel's Chess Player"  para demonstrar que era uma fraude.[EA Poe: histórias curtas completas (tradução por J. Cortázar), Alianza Editorial, Madri, 2002]
Os aficionados por Poe notaram que o artigo tem um tom, uma voz notavelmente semelhante ao discurso de Dupin em "Os assassinatos na rua Morgue". Na verdade, existem muito mais interseções entre o artigo e o conto. Vários elementos em comum levam a acreditar que houve uma transposição de um para o outro:
Nos dois casos, temos uma sala trancada. Na história, a polícia não sabe explicar como o assassino poderia ter entrado ou saído do local, já que todas as portas e janelas estavam trancadas por dentro. No artigo, o objetivo de Poe é determinar se, dentro da máquina, um ser humano estavria escondido ou se ela continha, como Maelzel gostaria de que sua audiência acreditasse, apenas mecanismos.
Poe descreve em detalhes o ato de Maezel no palco: antes de fazer a máquina jogar xadrez, ele andava pelo palco rolando o autômato à sua frente, enquanto abria e fechava compartimentos e gavetas na máquina para mostrar que ela continha apenas elementos mecânicos. Ele propõe que Maelzel abria e fechava esses compartimentos e gavetas em uma ordem precisa, que permitia que uma pessoa no interior da máquina deslizasse um painel interno e se movesse no momento certo, e assim permanecer oculta. E conclui que, apesar da mecânica da máquina sempre à vista, sempre havia um espaço trancado em seu interior.
Este painel deslizante interno constitui parte da solução de Poe para a farsa no artigo. Ele é transposto para o conto, onde se torna uma janela deslizante que também constitui parte da solução para o mistério da sala trancada de Dupin. Descobre-se que o orangotango entra no apartamento por uma janela e, por acaso, um prego na moldura da janela trava a janela ao sair. O animal, em outras palavras, como a suposta pessoa dentro da máquina, se move graças a um mecanismo deslizante e, portanto, permanece oculto aos vizinhos que chegam ao local no momento em que o assassinato estava ocorrendo. [http://epistemocritique.org/why-an-ourang-outang/]
De fato, como foi mostrado mais adiante, não era a máquina que jogava xadrez, já que havia uma pessoa dentro dela - o jogador de xadrez francês Jacques Mouret - que era quem realmente a controlava.

08 dezembro, 2018

Um autômato do século 21

Um autômato exibe os músculos (força de expressão) numa feira de carros.
É para  refletirmos sobre a longa jornada percorrida por seus construtores para que eles chegassem a este nível de sofisticação.
(barbie doll twerking gifs)
Cronologia
1515 - O leão de Leonardo
1562 - O monge que ora
1700 - A máquina que sabia escrever o nome do inventor
1768 - 1774 - Três autômatos
2018 - Um autômato do século 21 (na imagem acima)

13 outubro, 2018

O monge que ora

Em 1562, Don Carlos, filho de Filipe II e herdeiro do trono da Espanha, estava morrendo. Um mês atrás, ele havia caído de uma escada, e todos os tratamentos médicos não conseguiam curá-lo. Na esperança de um milagre, seu pai rezou e autorizou que o corpo mumificado de um monge do século XV fosse trazido para ser colocado na cama, ao lado do filho.
Em poucos dias, o filho se recuperou de uma maneira considerada milagrosa. E, ao despertar do coma, contou que teve um sonho em que vira um monge orando por ele.
Na verdade, o corpus delicti do tal monge desenterrado esteve diretamente em seu leito, na fervorosa esperança de que ocorresse um milagre. Há inclusive uma litografia espanhola mostrando este evento aparentemente horripilante.
Após a extraordinária e milagrosa recuperação do filho, Filipe II encarregou o relojoeiro real Juanelo Turriano de criar um autômato representando o piedoso monge.
O incrível dispositivo de corda andava em um quadrado, balançando a cabeça enquanto a boca se movia em oração silenciosa, às vezes batendo no peito e beijando a cruz e o rosário. Na história da tecnologia do relógio europeu, o monge que ora é um exemplo inicial e muito raro de um autômato cujo mecanismo está totalmente contido e oculto em seu corpo. Sua presença misteriosa separa-a imediatamente dos autômatos posteriores: não é uma figura graciosa, não é um brinquedo, embora ainda desperte a curiosidade de um espectador do século XXI.
Praying Monk está atualmente no Museu Nacional de História Americana, da Smithsonian Institution, em Washington, DC, e ainda funciona.

26 abril, 2015

A máquina que sabia escrever o nome do inventor

O filme "A Invenção de Hugo Cabret", de Martin Scorsese, foi inspirado em um evento real. Em 1928, o Instituto Franklin, da Filadélfia, recebeu os restos de um autômato de bronze do século 18 que havia sido danificado em um incêndio. Ele havia sido doado pelos descendentes do rico fabricante John Brock Penn.
Eles sabiam que o autômato tinha sido adquirida na França e supunham que fosse um trabalho do inventor alemão Johann Nepomuk Maelzel, famoso por seu metrônomo, seus vários autômatos musicais, bem como por um autômato fraudulento que "jogava xadrez".
Um especialista do Instituto começou a restaurar a máquina e descobriu que o seu mecanismo usava um engenhoso sistema para armazenar cerca de 300 kilobits de informação. Quando ele terminou o seu trabalho, ele colocou uma caneta em sua mão e assistiu ao autômato desenhar quatro ilustrações surpreendentemente elaboradas e escrever três poemas. CLIQUE AQUI



O último poema continha uma surpresa. No rodapé do papel, a máquina escreveu: "Ecrit par L’Automate de Maillardet" (Escrito pelo Autômato de Maillardet). O criador do autômato não era Johann Maelzel, mas o mecânico suíço Henri Maillardet - e este fato só foi descoberto porque ele havia ensinado a máquina a escrever o seu nome!
Pesquisas posteriores mostraram que Maillardet havia criado o autômato em 1700 e, em seguida, exibira-o por toda a Europa. Como ele veio para a América é um mistério. O autômato acha-se hoje em exibição no Instituto Franklin, onde demonstra publicamente seus talentos várias vezes por ano.

Três autômatos | O leão de Leonardo | A pianola

17 outubro, 2013

O leão de Leonardo

No ano de 1515, Giuliano de Medici apresentou a François I, o recém-coroado rei da França, um leão mecânico que caminhava por si próprio.
Deste autômato, projetado por Leonardo Da Vinci, só restavam os seus diagramas. No entanto, foi reconstruído em 2009, no Château du Clos Lucé - Parc (onde Leonardo passou os seus últimos anos de vida).
Vê-lo a se mover, e imaginar que foi visto assim em Lyon, França, há quase 500 anos!



Leia mais sobre o leão em Dangerous Minds.

+ Três autômatos.