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23 maio, 2019

Um conforto às famílias dos pacientes

Uma enfermeira do Intermountain Medical Center, em Salt Lake City, é responsável por uma forma de iniciativa para confortar as famílias de pacientes que morreram na UTI respiratória do hospital, relata a TV KSL.
Para consolar os parentes dos pacientes, Lisa Beglarian , imprime a tira do eletrocardiograma de um paciente e a coloca em um tubo de laboratório, com a seguinte mensagem para a família dele:
"Que meu coração seja sempre um suave lembrete do amor que tenho por você".
Aqui está uma foto de uma tira de ECG, com o cartão que Beglarian fez em nome de um paciente:

27 dezembro, 2012

UTI e Praia da Pipa

Registro o recebimento em minha residência destes dois livros enviados por seus autores:
TERAPIA INTENSIVA NO CEARÁ. UTI - LUGAR DE VIDA, de Joel Isidoro Costa e Luiza Helena Amorim, que trata da evolução da terapia intensiva, da implantação das UTI no Brasil, da história da terapia intensiva no Ceará, da formação em terapia intensiva e da regulamentação dessa especialidade, da criação da sociedade e da cooperativa dos médicos intensivistas no Ceará, da crise nas UTI e da situação atual da medicina intensiva no Ceará, dentre outros tópicos. Com esta obra, o médico intensivista Joel Isidoro e a jornalista Luiza Helena produziram a mais importante referência em nosso Estado, quiçá no Brasil, sobre os aspectos históricos e administrativos da terapia intensiva. No terceiro capítulo do livro, das páginas 39 a 41, os autores me surpreendem com a transcrição do meu relato A UTI Respiratória do Hospital de Messejana, originalmente postado neste blog em 19 de novembro de 2006.
A PRAIA DA PIPA DO TEMPO DOS MEUS AVÓS, de Ormuz Barbalho Simonetti, com histórias vivenciadas pelo autor em seus veraneios na Praia da Pipa, Rio Grande do Norte. Reunidas em mais de 400 páginas, juntam-se a essas histórias (que remontam a "um tempo da delicadeza") preciosas informações sobre os costumes, a culinária, a geografia, a fauna e a flora da região. Cada capítulo traz ainda apreciações dos leitores do blog Genealogia e História, no qual o autor antecipou, sob a forma de postagens, muitas das crônicas enfeixadas no livro. Ormuz, que é também genealogista, prepara para publicação um livro sobre a família GURGEL. Aproveite para ver, em Linha do Tempo, os vídeos de sua recente entrevista para o programa "Conexão Potiguar".
Aos autores: agradeço os livros enviados e acrescento que estou lendo-os com grande interesse e prazer.

07 dezembro, 2012

Uma experiência absurda e dolorosa

Prezados amigos,
Passei hoje (27/10) por uma experiência terrível, absurda, dolorosa, que ocorre contra os ditames da natureza: ver um pai e uma mãe jovens enterrando uma filha de menos de três anos de idade.
Trata-se de uma sobrinha linda, meiga, inteligente, que foi submetida a uma cirurgia de amígdalas e adenoides no Hospital(?) da Unimed em Sobral. Coloquei um ponto de interrogação porque não conheço o local mas quem o conhece, favor diga-me se é um hospital ou um disfarce.
Minha sobrinha, numa cirurgia que ocorreu sem problemas (não sei, alguém sabe?), apresentou um sangramento no pós-operatório imediato e, segundo relatos de leigos acompanhantes, começou a ficar cianótica e com intensa dificuldade respiratória. Começa o corre-corre, sem ninguém apto a fazer alguma intervenção benéfica, quando chega um dos médicos (participou da cirurgia) e ao ver o estado da criança, pasmem!, toma-a nos braços e sai correndo em direção ao seu carro, para levá-la à Santa Casa de Sobral. A criança foi levada, junto com a mãe, até o interior do centro cirúrgico da Santa Casa, onde foi improvisado um leito intensivo, com a assistência de diversos e esforçados médicos e outros profissionais, mas numa torre de Babel nada favorável à pequena paciente.
Esforços no sentido de trazer a criança para uma UTI de Fortaleza foram feitos, infrutíferos, pois a criança teve uma parada cardíaca (foi a primeira? foi a segunda?)na entrada do avião. Até então os contatos com familiares eram evasivos, rápidos e mais geradores de ansiedade do que informativos.
Ao final, o corpo da criança foi entregue à família: deformado, edemaciado (minando água, como dito pelos leigos), com marcas de dreno no tórax, traqueostomia e acessos venosos. À família nada mais restou do que agradecer o empenho de todos, o esforço desmedido e a incumbência de enterrar uma infante que foi se submeter a uma cirurgia tão simples como uma adenoamigdalectomia. Esclareça-se aqui que a família sente-se grata e reconhece o esforço dos profissionais envolvidos mas, em todos, ficou uma sensação: faltou alguma coisa!!!! Ou várias coisas???!!!
Não estou aqui culpando médicos, não tenho procuração da família para tal. Não me move raiva ou vingança; move-me a dor. Não participei diretamente dos atos, estava longe, em Fortaleza, sofrendo e antenado continuamente nos acontecimentos. Sabe-se que todo procedimento médico, por mais inocente que seja, tem uma certa margem estatística de evoluir para um desfecho desfavorável. Qual é o nosso papel, de cuidadores da saúde dos outros? Minimizar ao máximo a chance de ocorrer um evento negativo, até porque, citando Murphy, em caso de uma mínima chance de algo desfavorável acontecer, este algo vai acontecer.
Para começar, creio que faltou estrutura ao hospital(?) da Unimed. Aí se leia equipamentos, dependências (UTI), treinamento etc. Não seria o caso de (depois que fosse resolvida a dúvida se se trata realmente de um hospital), de se fazer um estudo das condições desta instituição, envolvendo a própria Unimed, o Conselho de Medicina, a Vigilância Sanitária, o Ministério Público etc, para que se evitem outros sacrifícios de inocentes nos altares dos deuses da Medicina?
Para terminar, creio que falta estrutura ao município de Sobral para resolução de casos semelhantes. Não existe UTI Pediátrica em Sobral. Este escriba, na qualidade de intensivista e auditor da SESA, já fez inúmeras denúncias, nos mais diversos fóruns, desde o tempo em que o atual governador era prefeito daquele município, sobre o absurdo que é a inexistência de leitos intensivos pediátricos em uma cidade que é sede de uma macrorregião de saúde que abrange cerca de 1.500.000 habitantes. Nossa Sociedade Cearense de Terapia Intensiva já publicou vários comunicados na imprensa em que, entre outros casos, denuncia este acinte à saúde da população local. Ressalte-se que para ser sede de macrorregião de saúde, o município se compromete, na pactuação devida, a desenvolver competências e habilidades, entre as quais o atendimento de doenças críticas de todas as faixas etárias.
Sabe-se também que tanto a Santa Casa como o Hospital Regional a ser inaugurado (após sucessivos adiamentos) deverão contar com este tipo de equipamento. Será? Sabe-se que a escassez de recursos humanos capacitados no tema, principalmente médicos, é uma séria realidade e que só será resolvida com a aplicação de medidas específicas (tais como possibilidade de carreira, carga de trabalho adequada, remuneração decente, etc.). Seria muito interessante pesquisar quantos pacientes são encaminhados de Sobral para Fortaleza, mensalmente, com afecções que deveriam, contratualmente, ser atendidas e resolvidas no âmbito daquela macrorregião.
Como sempre fiz, estou disposto a colaborar no sentido de se achar uma solução para este problema. Egoisticamente digo: não quero mais perder nenhum sobrinho por deficiências na assistência à saúde dos cidadãos. E creio que todos os sobralenses também querem isto.
Saliento que escrevo estas linhas sem acesso a dados específicos, o faço apenas com o que tenho guardado na minha cabeça, o momento é de muita dor e não de precisão estatística. Desde já, peço desculpas caso algum profissional sério se sinta atingido com meus comentários.
Despeço-me de todos enviando um beijo à minha querida Isabella, que hoje, de surpresa, se tornou mais uma estrelinha no céu.
Joel Isidoro
(médico e tio)

PARTICIPE DESTA CAMPANHA
LINK para uma petição eletrônica criada por Fabrício G. Brasil, e com 2.625 assinaturas até o momento, em que se pede para pôr em funcionamento uma UTI Pediátrica em Sobral.