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29 julho, 2023

O paradoxo de Aquiles e da tartaruga

Neste paradoxo de Zenão de Eleia (c. 490–430 AC), o herói Aquiles disputa uma corrida de 10 estádios (aproximadamente 1920 metros), permitindo à tartaruga 1 estádio (192 metros) de vantagem. Aquiles é capaz de percorrer, por minuto, a metade da distância até a tartaruga. Em quantos minutos Aquiles alcançará a tartaruga?
A resposta é nunca.
No primeiro minuto Aquiles percorrerá 96 metros (50% da distância de 1 estádio). No segundo minuto ele percorrerá 48 metros (50% da distância até a tartaruga depois de um minuto). No terceiro minuto ele percorrerá 24 metros, depois 12, depois 6, e assim sucessivamente.
Como Aquiles só pode percorrer em cada minuto a metade da distância até a tartaruga, a distância que consegue percorrer em cada minuto se reduz infinitamente, até chegar ao ponto em que seu movimento se tornará imperceptível. Isto porque é impossível reduzir a zero uma grandeza absoluta utilizando decréscimos relativos.
Supondo que a tartaruga se mova a uma velocidade de 1 estádio por hora (0,192 km/h), isto significa que, quando Aquiles percorrer metade da distância até a tartaruga, ela terá percorrido 320 cm (é uma tartaruga atleta, por isso é tão "veloz"). Portanto, ela estará a 195,20 metros, e Aquiles, que percorreu 96 metros, estará a 99,20 metros dela. No minuto seguinte a tartaruga chegará a 198,4 metros e Aquiles chegará a 145,60 metros, estando a 52,8 metros da tartaruga. A tartaruga levará 10 horas para cumprir a distância, mas Aquiles não a alcançará.

A desventura digital dos R$ 50,00 (uma postagem)
Se você pega uma nota de R$ 50,00 e entrega ao barbeiro para pagar o seu corte de cabelo, ele pega a mesma nota de R$ 50,00 e vai ao mercado comprar alimentos. O dono do mercado com a mesma nota vai no lava-jato e lava seu carro. E isso continua e, após 30 transações financeiras, a nota de R$ 50,00 vai pertencer a alguém e continuará valendo R$ 50,00.
Agora se, por exemplo, ao invés de usar uma nota de papel, todos usarem o cartão magnético (crédito ou débito) para pagar o barbeiro, 1,5% vai para o banco. O barbeiro ao pagar o mercado, 1,5% vai para o banco. O dono do mercado ao lavar seu carro e pagar com cartão, 1,5% vai para o banco. Após 30 transações por cartão magnético, os R$ 50,00 já pagaram aos bancos R$ 22,50 de receita bancária, ou seja, perderam-se 45% (30 x 1,5%) do valor da nota de R$ 50,00, para se fazer exatamente a mesma coisa!!! Na prática, destrói-se 45% do valor da nota, para pagar quem NÃO gerou riqueza alguma, mas somente Intermediação - facilitação de pagamento!

Este é o ponto que a maioria das pessoas não entende a respeito de porcentagens. Se nunca houver um desconto de 100%, nunca uma quantia "desaparecerá" por meio de descontos sucessivos. Isso pode ser provado com uma planilha.
É verdade que, após 300 iterações, somente restarão R$ 0,55 mas notem bem que são necessárias 300 iterações. Na vigésima iteração ainda temos R$ 37,52 e na trigésima, R$ 32,26. Portanto, mesmo uma tarifa de processamento de 1,5% não faz o dinheiro desaparecer tão rapidamente quanto o post dá a entender.
Portanto, além da dificuldade para lidar com grandezas proporcionais (parte do paradoxo de Aquiles) a postagem ainda demonstra dificuldade para lidar com cálculos sucessivos (iterações).

José Geraldo Gouvea, in QUORA

04 julho, 2014

Eu amo "Comic Sans"

Em uma singela homenagem à fonte mais desprezada do universo, o blog EntreMentes postou esta nota em ‘Comic Sans’. 
Isto acontece hoje, na primeira sexta-feira de julho, por ser a data em que se comemora o "Comic Sans Day".
Comentário
"La naturaleza humana es tal que si se prohibiera la Comic Sans surgirían grupos clandestinos solo para usarla." – Andrés Diplotti

11 março, 2013

O português, essencialmente - 2

Em 12/02, a postagem "O português, essencialmente", do blog EntreMentes, foi republicada no Luis Nassif Online. Um mês depois, ocupa o 71.º lugar no ranking das postagens mais lidas. No mesmo período, houve um total de 1.842 inserções no Portal.
Dentre os 116 comentários feitos pelos leitores, destaco seis:
1 - Que bom a gente constatar aqui no blog este enorme interesse pela nossa amada Língua Portuguesa-Brasileira!
A propósito, tenho mencionado certas nuances que, reverberadas pelas mídias, impõem rapidamente um novo falar:
- possuir virou moda e está substituindo o ter a trancos e barrancos: possuo mãe, possuo 32 anos, e por aí vai;
- funcionário agora é qualquer pessoa que trabalhe, e não apenas aplicável a quem trabalha no serviço público; e empregado está desaparecendo, pelo menos nas mídias;
- fundo, que jamais deveria designar algo que acresce, que se avoluma, que sustém, é palavra usada no Brasil dos donos da grana para prover segurança financeira imaginem!! Agora mesmo o governo botou em operação o FUNpresp (FUN de fundo). Será que torcem para a montanha de dinheiro derruir desses fundos (de pensão, e outros) para irrecuperáveis buracos sem volta?
Antonio Francisco
2 - Isso é natural, umas palavras entram no uso, outras saem. Ter já substituiu haver, primeiro no sentido de ter mesmo (haver tinha esse sentido antes), depois no sentido de existir. Agora possuir está sendo usado como ter. Pode ser uma moda passageira, pode ficar, ninguém saberá antes de pelo menos uns 50 anos (rs, rs).
Anarquista Lúcida
3 - Li uma entrevista com o Paulo Ronai na qual ele dizia que sendo húngaro e filólogo, por causa da guerra, resolveu nos 1940s vir morar no Brasil. Nada sabia de português e conseguiu pouquíssimas fontes. Disse que só achou um romance na biblioteca. Filólogo e craque no latim e grego, e com facilidade para línguas, achou-se pronto antes de pegar o navio. Teve que parar em Portugal onde teve uma terrível surpresa: não entendeu nada e não conseguiu falar inteligivelmente com ninguém. Decepcionado consigo e triste, seguiu viagem e se preparou para reaprender aquilo que achava que controlava.
Chegando a Santos escutou: "Quer que carregue a mala, moço"; e entendeu a frase por inteiro e clara. Mais alguns minutos, descobriu feliz e espantado que sabia falar e entender o português. O que não entendia era o português de Portugal.
hc.coelho
4 - Algumas dessas citações (nenhuma que fale do espanhol...) são parcialmente verdadeiras. A que fala que o português "é a língua falada por galegos que decidiram ter um país próprio e independente" é historicamente verdadeira: até o séc. XIV as duas línguas ainda eram uma só, o galaico-português (aquela língua das cantigas de amor e de amigo, que antigamente líamos na escola).
As que falam que o "português brasileiro é, essencialmente, o latim sem consoantes" e "o português é, essencialmente, o português brasileiro sem vogais" refletem processos fonológicos que realmente ocorrem no PB e no PE: nós tendemos a "comer" consoantes, e o PE a comer vogais (as palavras querer e crer soam quase igual na boca dos lusitanos), e os versos de Camões ficariam de pé quebrado lidos por um português de hoje --- essa tendência do PE é recente, posterior ao séc. XVIII.
E todas as que falam na diferença entre os dois portugueses com base no ritmo também têm razao, o português brasileiro, que é uma língua altamente melódica (é uma língua de ritmo silábico, como o italiano, ao passo que o PE é de ritmo acentual, como o inglês).
Também têm razao as citações que falam em características "eslavas" do português. Isso se deve à alta palatalização do português, como também ocorre nas línguas eslavas. Minha mãe estava uma vez em Paris e ouviu falar português, mas, chegando mais perto, percebeu que não entendia nada. Era russo... Soa como o português.
Acho interessantíssimo como "definições" feitas na brincadeira, na base do ouvido, conseguem no entanto captar regularidades reais das línguas de que falam.
Anarquista Lúcida
5 - O português moderno é do tempo da independência de Portugal, no século XII, e o espanhol só se firmou por volta do século XV. Não é por Portugal estar mais distante de Roma do que a Espanha e a área de falantes ser menor que se pode pensar no português como uma língua mais recente. O que conta é quando a língua se estabilizou no seu modo escrito.
Talvez tenha se estabilizado precocemente, com o falar continuando a evoluir, porque das línguas modernas é a que mais sofre essas constantes revisões ortográficas (século XIX, anos 1940, anos 1970 e agora.)
Gunter Zibell - SP
6 - "Minha pátria é a língua portuguesa" - Bernardo Soares (Fernando Pessoa), citado por Caetano Veloso: "E deixem os portugais morrerem à míngua, Minha pátria é minha língua, Fala mangueira! (...) Minha língua é minha pátria, E eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria!" http://youtu.be/g-asDtYtOgY
Jair Fonseca

13 fevereiro, 2013

Pela blogosfera - 46

Ontem (12), às 11h27, a postagem "O português, essencialmente", do blog EntreMentes, foi republicada no Luis Nassif Online. Cerca de 10 horas após, encontrava-se em 6.º lugar em número de visualizações e 2.º lugar em número de comentários (88), dentre as 44 postagens inseridas no dia.

19 julho, 2012

Não procrastinem!

Recomendo a leitura desta postagem, de 17/07/12, do Huffington Post. Que tem como assunto a suposta falsificação da certidão de nascimento do Presidente Obama.
Sobretudo recomendo a leitura completa dos comentários à postagem.
Por que não adiar a indispensável leitura
No momento em que escrevo esta nota (19/07/12), já são 24.006 comentários distribuídos em 370 páginas.

15 fevereiro, 2009

Pela blogosfera - 31

A postagem "Cigarros medicinais" (do dia 5) foi também "Leituras dos outros" em Antena Paranóica, o prestigioso blog de Nonato Albuquerque.

12 outubro, 2008

... e a de número (mil e) um

O EntreMentes, para a sua nota de estréia, foi buscar inspiração numa frase do escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa:


É PRECISO QUE ALGUMA COISA MUDE PARA QUE TUDO FIQUE COMO ESTÁ.

Digamos que seja a garantia a que o espírito do Blog do PG sobreviva no EntreMentes com todas as suas qualidades e defeitos. Ah... sim, também com os seus arquivos, links e contador.

Enfim, a de número mil...

Ao publicar a sua milésima postagem o Blog do PG deixa a blogosfera. Advirá desta decisão uma lacuna irreparável?
A resposta é sim, se formos fiar no que diz o dooblet.com, que se encarrega de vascular a internet em busca de substituto para tudo:

SORRY, BUT THERE IS NOTHING YET KNOWN AS A REPLACEMENT FOR BLOG DO PG.
Por outro lado, a resposta poderá ser não, já que Blog do PG é nome de site em estado de super abundância na internet. Dá mais que maria-sem-vergonha, essa erva originária de Zanzibar (como sabem?) que encontrou solo fértil no Brasil (aqui em se plantando tudo dá, lembram?). E também em Portugal, onde viceja o blog PortugalGay.
Mas... calma aí, pessoal. Se alguém se apressou em chamar as carpideiras, dispense-nas já. Antes que começe a rolar a primeira lágrima paga. Pois o que vai acontecer aqui é uma mera troca na "razão social" de Blog do PG para EntreMentes. De forma que nem o endereço eletrônico muda, e vai continuar no velho http://blogdopg.blogspot.com.
Em suma, sai do título uma expressão que evoca algum culto à personalidade e, em seu lugar, entra um mui modesto advérbio. Com uma ampla potencialidade, porém, principalmente pela forma como ele é escrito: EntreMentes. Como a salientar que tudo aqui, de hoje em diante, vai se passar entre duas mentes, a sua e a minha. Aliás, como sempre tem sido.