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20 novembro, 2024

Os dedais como suvenires

Uma pequena história na ponta dos dedos (postado em 27/12/2022)

Os primeiros dedais de que se tem notícia foram feitos de pedra, osso e marfim. No terceiro século a.C., eles já eram feitos de bronze.
Quando foi descoberto o zinco, que possibilitou a fabricação do latão, muitos dedais passaram a ser feitos desse metal. Um detalhe típico desses dedais de latão é que eles têm pequenos relevos em sua superfície, para evitar que a agulha escorregue, o que não pode ser reproduzido em dedais de cerâmica, por exemplo.
Houve um tempo em que esses pequenos utensílios foram fabricados de prata e até de ouro. Na China, faziam-se dedais cinzelados, adornados com pérolas e ouro, que eram guardados em requintadas caixas de madrepérola.

Concentrando-nos no tema dos dedais como suvenires (do fr. souvenir, que se traduz por "lembrancinha ou artigo característico do local em que é vendido, geralmente adquirido para presentear alguém"): podemos destacar que muitos deles, que são feitos de aço, resina, cerâmica, porcelana, vidro, papier-mâché, borracha, madrepérola, possibilitam decorações pictóricas relacionáveis aos lugares em que são fabricados.
Os motivos mais recorrentes desses dedais suvenires são bandeiras, brasões, mapas, monumentos, personalidades, escudos, santos e virgens veneradas, flores,animais, trajes, comidas e outros produtos típicos de uma região.
Bons para o colecionador pedir aos amigos e familiares para trazê-los como recordações de suas viagens. São baratos e fáceis de serem transportados.

http://procoleccionismo.blogspot.com/2014/07/una-coleccion-de-dedales-de-todo-el.html


Curiosidade
A dedaleira roxa (Digitalis purpurea), lindas flores em forma de dedais
É uma planta de uso ornamental.
De suas folhas quando secas se extrai a digoxina, um glicosídeo com atuação em problemas cardíacos como insuficiência cardíaca congestiva, fibrilação atual etc.
No entanto, sua janela farmacológica é muito pequena. A dose terapêutica da digoxina é muito baixa e doses levemente aumentadas podem ser letais.

21 março, 2024

Uma jornada intergeracional


Todos os anos, as borboletas monarcas migram cerca de 4 mil quilômetros do Canadá para o México, onde passam o inverno em grandes aglomerações. Elas são conhecidas por realizarem a mais longa migração por invertebrados.
Cada migração das monarcas leva de três a quatro gerações, e cada geração consegue comunicar à seguinte (por uma linguagem que não conhecemos) o chamado e o percurso da jornada intergeracional, à medida que ela vai acontecendo.
No caminho, as lagartas da cada nova geração se alimentam exclusivamente de serralha — o gostinho de casa para esses eternos migrantes.
Sobre a serralha:
Suas folhas apresentam uma seiva branca e pegajosa, que é tóxica para os outros animais. Mas não afetam em nada as lagartas, apenas tornam seu corpo altamente tóxico para os predadores, como pássaros. Três mutações genéticas são a chave para que essa espécie de  inseto tenha se adaptado a uma dieta venenosa.
Uma casa é a serralha da vida humana. Nela, as gerações vivem suas vidas passando costumes, receitas de torta de maçã e traços de personalidade.

22 fevereiro, 2024

O chocallho da cascavel

O chocalho que existe nas serpentes peçonhentas vulgarmente chamadas de cascavéis (gênero Crotalus sp) é, na verdade, uma estrutura da cauda composta por um conjunto de anéis dérmicos formados ao longo da vida destes ofídios. Quando fazem a muda da pele, a porção caudal não se destaca e, assim, fica seca e oca, gerando um som semelhante a um guizo quando o réptil a sacode.
Basicamente, se trata de um órgão de aviso para que elas se protejam contra possiveis pisadas. Notem que, sempre que as cascavéis estão agitando seus chocalhos, elas ficam enrodilhadas com a cabeça "apontada" para o foco, enquanto a cauda fica erguida, e se este aviso não for suficiente, elas dão o bote!
O gênero Crotalus está representado no Brasil por uma única espécie, Crotalus durissus (foto), a qual tem uma ampla distribuição no país. São responsáveis pelo maior número das fatalidades. Seu veneno tem ações neurotóxica, miotóxica e anticoagulante.
Comentário. Uma curiosidade relacionada a elas é que existe uma planta chamada de Crotalária, cujo nome alude ao gênero das cascavéis, porque as vagens deste vegetal fazem um som semelhante ao dos chocalhos das serpentes quando farfalham ao vento.

13 fevereiro, 2023

A planta que evolui para se esconder dos predadores humanos

No sudoeste da China, no alto das montanhas Hengduan, está ficando mais difícil encontrar uma pequena planta.
Denominada Fritillaria delavayi, ela desenvolve de três a cinco folhas verdes brilhantes e um pequeno caule, e, uma vez por ano, produz uma flor brilhante em forma de tulipa, com tons amarelados. Mas aquela flor amarela atraente e aquelas folhas verdes vibrantes começaram a se tornar cinza e marrom nessa espécie do gênero Fritillaria. Cientistas suspeitam que a planta esteja desenvolvendo geneticamente partes descoloridas para se esconder de seu principal predador — nós, os seres humanos.
Em um estudo publicado na revista científica Current Biology, cientistas da China e do Reino Unido descobriram que em regiões onde a Fritillaria delavayi estava sendo colhida em grande número, a erva tinha mais probabilidade de se camuflar.
Enquanto algumas espécies de plantas não crescem tanto quando são colhidas em excesso — porque suas contrapartes maiores são colhidas antes de se reproduzirem — essa erva, utilizada na medicina tradicional chinesa para tratar doenças pulmonares como bronquite ou tosse, pode ser o primeiro exemplo de uma planta ameaçada de extinção evoluindo para se camuflar no ambiente em que vive.
Para testar essa teoria, os pesquisadores primeiro consultaram herboristas locais que mantinham seis anos de registros mostrando onde as plantas cresceram e quantas delas foram colhidas. Eles determinaram quais áreas já haviam sofrido colheitas excessivas e as áreas de mais fácil acesso — em comparação com aquelas localizadas em terrenos rochosos e montanhosos. Por meio de uma ferramenta denominada espectrômetro, que mede os comprimentos de onda de luz para determinar a coloração, eles avaliaram a cor das plantas em diferentes locais e encontraram uma correlação entre o número de colheitas de uma população em um determinado local e a sua cor.
Em áreas menos acessíveis, de baixa transitação humana, as plantas ainda eram de um verde e amarelo brilhantes, mas em locais onde os bulbos eram colhidos em grande número, as cores estavam ficando mais opacas.
"É um artigo muito legal e inovador”, comenta Matthew Rubin, biólogo evolucionista do Danforth Plant Science Center, instituto de pesquisa de plantas em St. Louis, Missouri, que não participou da pesquisa.
"Sabemos que milhares de anos atrás os humanos moldaram a aparência das plantas com a domesticação, a forma como criamos as plantas para consumi-las", acrescenta Rubin. "Esse é um ótimo exemplo de seleção causada por nós na natureza, documentando uma alteração e relacionando de forma bastante convincente essa mudança a uma pressão humana, nesse caso, a colheita."
Sarah Gibbens, National Geographic (11/02/2021)

17 fevereiro, 2021

É mandrágora que chama?




Comentários
"Alguém plantou uma costela de Adão neste jarro."
"Filha do Groot?"
"A natureza se rendeu ao padrão estético da bunda grande."
"Agora eu entendi porque você queria tanto um bonsai".
"Menina, tão expondo teus nudes."
"Um dia passa a ser vista como normal esta planta funkeira." (PGCS)

http://twitter.com/DjShortyBless/status/1233795166051409924

12 abril, 2020

Botânica cibernética

As plantas podem sentir o ambiente, outras entidades vivas, e atuar em resposta. E suas habilidades naturais podem ser integradas em nosso mundo digital. Assim é que já são criadas plantas ciborgues que podem ser acionadas ao clicarmos um mouse sobre as imagens dessas plantas na tela de um computador.


[http://www.improbable.com/2019/10/07/cyborg-botany-study/]

05 maio, 2019

A flor da ressurreição

A rosa-de-Jericó, também conhecida como flor da ressurreição (Selaginella lepidophylla), é uma planta do deserto que cresce no Oriente Médio e na América Central. Enquanto o ambiente apresenta um mínimo de condições, estas plantas vivem e reproduzem-se como qualquer outra planta, crescendo de forma exuberante e muito rapidamente. Mas, nos períodos em que a terra fica seca e a umidade relativa do ar chega perto de zero, a flor da ressurreição se encolhe toda, formando uma bola que é como vai sobreviver por um longo período sem água. Como não está mais enraizada (suas raízes se soltaram do "corpo") e suas folhas estão secas e enroladas, elas podem ser transportadas pelo vento por quilômetros e quilômetros no deserto, até que encontre um ambiente úmido. Então, em contato com a umidade, a bola abre suas folhas secas e rapidamente "retorna à vida".
Extraído de: Flor da ressurreição: a planta que retorna do mundo dos mortos, Diário de Biologia



Poderá também gostar de ver: O ruibarbo do deserto

29 dezembro, 2018

Antes do pote e do cesto: a cabaça

É muito bom falar sobre como o uso do fogo mudou o curso da evolução humana. Mas, depois do passado remoto, ficar de pé diante do fogo como agora é apenas parte da culinária. Muitas outras coisas têm de continuar sendo feitas: esfolar, cortar, transportar e... armazenar.
Talvez seja por isso que as humildes cabaças foram algumas das primeiras plantas a serem domesticadas.
O termo "cabaça" não é botânico, mas é o que você usa. Ele cobre uma variedade de plantas com partes globulares ocas, sendo o termo frequentemente estendido para as plantas em que elas crescem. Muitas estão na família Cucurbiticaea, outras crescem em árvores da família Bignoniacaeae. Em todo o mundo, a mais importante é a cabaça Lagenaria siceraria.
Recipientes úteis e muitas vezes bonitos podem ser feitos de cabaças. Elas variam muito em tamanho: daquelas que você mal consegue abarcá-las até aquelas bem pequenas que você pode segurar na palma de sua mão.



Acima está uma cabaça aberta ao meio que eu comprei em um mercado no sul da Cidade do México. Cortada desta maneira, ela é um par de grandes colheres. Cortada na parte inferior, faz uma tigela. Cortada na parte superior, e conectada com madeira ou palha, faz um jarro. E, cortada de cima a baixo, transforma-se em uma caixa de aninhamento.
São muitos os exemplos das possibilidades de utilização das cabaças.
Da África para as Américas, de Roma para o Japão, e para os confins do norte e sul do Pacífico, as pessoas usaram-nas para muitos fins além da culinária: desde caixas de rapé a cachimbos, a gaiolas de grilos e instrumentos musicais.
Um dos seus usos mais intrigantes foi como uma bainha de pênis. Em Papua, Nova Guiné, na década de 1970, montou-se uma campanha para persuadir os homens a abandonar as cabaças em favor das calças de pano.
No entanto, do ponto de vista da história da comida, as cabaças não são tão limitadas. Leves, disponíveis, são porosas o suficiente para resfriar líquidos por evaporação; estéreis o suficiente para fazer queijo e manteiga; resistentes o suficiente para aquecer e cozinhar; e fortes o suficiente para armazenar carne e grãos. Além disso, o cuidado com que elas são cortadas, pintadas, adornadas e polidas sugere que, não apenas hoje, mas na história da humanidade, comer é muito mais do que simplesmente uma questão de nutrição, mas fundamental para a vida social, cultural e religiosa.

Extraído de: Before the Pot, Before the Basket . . . the Gourd, por Rachel Laudan

04 junho, 2017

Coração de Estudante

Composta para Jango e Edson Luís, Coração de Estudante volta a ser o hino das #DiretasJá; ouça Milton em Copacabana



Quero falar de uma coisa / Adivinha onde ela anda / Deve estar dentro do peito / Ou caminha pelo ar. A música Coração de Estudante, composta por Milton Nascimento e Wagner Tiso, ganhou as rádios do País em 1983. E conquistou um fã especial: Tancredo Neves, o político conterrâneo dos compositores mineiros, que dizia ser uma de suas músicas preferidas.
A canção, no entanto, foi composta originalmente por Tiso para outro líder político. Era um dos temas instrumentais do documentário Jango (filme de 1984), do diretor Silvio Tendler, em homenagem a João Goulart, presidente deposto pelo golpe militar de 1964.
Após o filme ganhar as telas de cinema, Milton decidiu pôr a letra, fato incomum em sua carreira. Baseou-se em Edson Luís, um dos primeiros estudantes mortos pela ditadura militar, em 1968. Os versos foram surgindo um a um, naturalmente. Para batizar, lembrou-se de uma flor (planta) muito comum em Minas, a coração-de-estudante (imagem). A novidade foi lançada durante as Diretas-Já, movimento cujo um dos líderes era Tancredo. "Era o momento da campanha das Diretas e ela começou a se tornar um hino da juventude", recorda Tiso.
A volta das eleições diretas não foi aprovada, mas o político mineiro foi escolhido como o novo presidente, o primeiro civil desde 1964. Porém, morreu antes de tomar posse. Não houve matéria na tevê ou no rádio sobre Tancredo sem a canção como fundo musical, que se encerra com a mistura de tristeza e esperança que permeava o País naquele momento: Alegria e muito sonho / Espalhados no caminho / Verdes, planta e sentimento / Folhas, coração / Juventude e fé.
(Os grifos são meus.)

Fonte: blog Eu Quero Um Samba

Ver também: As músicas favoritas de Juscelino

18 maio, 2012

Embelezamento sustentável



Deu no Likecool.
Este colar vem com um pequeno vaso onde você pode colocar uma planta (não muito grande).
Se chorar não se avexe. Vai regar a plantinha.

03 setembro, 2009

O ruibarbo do deserto

As plantas que vivem em regiões desérticas geralmente apresentam folhas pequenas ou transformadas em espinhos como formas de reduzir suas perdas de água. No entanto, uma que é muito comum nos desertos de Israel e da Jordânia, a Rheum palaestinum, conhecida como o ruibarbo do deserto (imagem ao lado), tem folhas de grande tamanho.
Cientistas israelenses acabam de desvendar o mistério dessa aparente contradição. É que as folhas do ruibarbo do deserto, que chegam a alcançar o tamanho de um metro, dispõem de um eficiente sistema de canaletas para recolher a água da chuva e transportá-la até as raízes da planta. Possibilitando que ela obtenha uma quantidade de água muito maior (até 16 vezes) do que conseguem captar outras plantas da região.
A Rheum palaestinum, portanto, trata-se de uma planta que irriga a si mesma, numa situação talvez única no mundo.

25 outubro, 2008

A planta blogueira

Via GigaBlog

Numa cafeteria em Kamakura, próximo de Tóquio, existe uma planta blogueira.
Graças a sensores nela colocados para que transmitam, através de sinais elétricos, as suas "sensações" para um notebook. E, neste último, a um algoritmo que realiza a "tradução" dos impulsos elétricos em palavras, para que estas, a seguir, sejam automaticamente publicadas em seu blog.
Uma de suas últimas postagens foi aqui inserida para o leitor de EntreMentes avaliar se a planta escreve direitinho.