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15 abril, 2025

Confissão público-privada dos pecados - 12

Em uma pequena cidade do interior, um padre estava sendo homenageado com um jantar em comemoração de seus 25 anos na paróquia. O prefeito da cidade, que era um membro da congregação, foi escolhido para fazer uma homenagem ao padre e dar um pequeno discurso durante o jantar, mas estava atrasado, preso no trânsito. Enquanto esperavam, o padre achou que seria apropriado dizer algumas palavras de agradecimento à comunidade.
"Vejam bem", começou, "a privacidade do confessionário jamais pode ser quebrada. No entanto, sem entrar em muitos detalhes, posso dizer que tive as minhas primeiras impressões da paróquia com a primeira confissão que ouvi aqui. Eu só posso falar vagamente sobre isso, mas quando cheguei, há 25 anos, achei que tinha vindo parar em um lugar terrível. O primeiro rapaz que entrou no meu confessionário me contou que havia roubado um aparelho de televisão e, quando parado pela polícia, quase assassinou o oficial. Além disso, ele me disse que tinha roubado dinheiro de seus pais, desviado verbas do seu local de trabalho, teve um caso com a esposa do seu chefe, usou drogas, e passou uma doença venérea à sua prima. Eu fiquei chocado, mas com o passar dos dias, percebi que as pessoas da cidade não eram todas assim, e que eu tinha, de fato, chegado a uma paróquia ótima. Hoje vejo como aquele era um caso à parte."
Assim que o padre terminou seu discurso, o político chegou cheio de desculpas pelo atraso. Ele imediatamente começou seu discurso, sem saber o que padre havia falado antes.
"Eu nunca vou esquecer o primeiro dia do nosso padre na nossa cidade", disse o político. "Na verdade, eu tive a honra de ser o primeiro cidadão a confessar com ele..."

Da série: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11

19 setembro, 2020

Discurso sobre o discurso

Antes que eu discurse, tenho algo importante para dizer.
— Groucho Marx

Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta é preciso dizer de novo.
— André Gide

Discurse sobre a virtude e eles passarão como rebanho. Assobie e cante, e terás uma plateia.
— Diógenes de Sínope

No princípio de um discurso os aplausos exprimem fé; no meio, esperança, e no final, caridade.
— Noel Clarasó

Os auditórios não são constituídos por pessoas que ouvem, mas por pessoas que aguardam a sua vez de falar.
— Alphonse Karr

Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.
— António Aleixo (1899 - 1949)

Quando um burro fala os outros murcham as orelhas. Apartes? Ora, esqueçam.


Sobre os discursos com aparte

10 janeiro, 2011

Discursos de posse - 2

Por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)
Certas solenidades nunca perdem aquele ar solene. Pra ficar somente nessa nossa tenebrosa civilização ocidental cito algumas de nossas mais caras solenidades: batismo, enterro, formatura, baile de debutantes (a torturante “Primeira Valsa”), casamento (o delicioso “Último Tango”).
Atualmente, o que existe de mais solene em termos de “pompa e circunstância”?
Ora, não precisa nem pensar muito: é POSSE. Ganha de qualquer solenidade. Escolhe-se tudo do melhor. Melhores roupas, melhores convidados, melhores discursos, melhores recepcionistas... Todos querem brilhar. De qualquer jeito.
E, como toda solenidade que se preza, convidado é a coisa mais interessante de se observar e identificar: a secretária, o apressado, o enfadado, o cansado, o entusiasmado, o “que diabos estou fazendo aqui?”, o “telefonista”, o parente, o amigo do peito, a esposa, o assessor, o...
Pera aí. Aquele não tem definição. Vamos analisar com calma. Está um pouco deslocado. Talvez esteja apenas procurando um lugar onde ficar. Ah sim, o sacrificado...
O sacrificado está desempregado – vai continuar assim -, mas conseguiu um convite com um amigo. “Pra fazer uma social, sabe?”, seja lá o que isto signifique. Pra ir, consultou todos os oráculos: Tarot, faca na bananeira, búzios, baralho, I Ching, borra de café, a mãe. Comprou um terno numa loja de departamentos em prestações a perder de vista, passagens idem, estadia nem pensar, vai voltar com fome ou vai tentar se safar no coquetel. É o que menos tem afinidades com o que está “rolando” na solenidade. Não escuta nem os discursos, sofre-os.
E discurso de posse tem que ser longo. Mesmo que não diga muita coisa. Quem assiste pela primeira vez “E o vento levou...” sabe o significado de esperar pelo final e ele não chegar nunca. Quando você pensa que o filme está acabando ainda tem o triplo de enredo pra “acontecer”.
E discurso de posse, além de longo, tem que ser chato. Pré-vestibular pra monge tibetano. Ou alguma espécie de teste para saber quem está com quem. Exemplo: se o orador for o empossado e o cara ao lado, com o traseiro doendo, disser: “Nossa, como fala!”. Pode escrever: é do lado dos que estão saindo. Os convidados dos empossados são condescendentes. É. Porque é difícil você ouvir um discurso e não ver alguém bocejando ou se revirando na cadeira, tossindo, pigarreando, falando alguma "abobrinha".
Alguns discursos são fatais. Mais fatais do que outros. Parece que o orador entoa um mantra cavalar pra boiada dormir. Como o famoso “hipnotizador de lagartixas”. O próprio nome já diz tudo. O cara começa a discursar e... Pimba! Até as lagartixas relaxam e começam a cair do teto.
Existem filmes que, de tão ruins, viram cult. Discurso, não. E não existe exceção à regra. Só existe o lado de quem você está. Aí, você arremeda um: “até gostei”. Ou fica calado.
Desculpem. Minto. Existem discursos bons, sim. Porém, não são discursos. Foi o orador que os classificou como tal. São simples peças de decoração ou entretenimento. Apenas isto, não servem pra mais nada. Algumas dessas peças são lindíssimas. Um belo exemplo nos dá o Luiz Fernando Veríssimo em uma de suas crônicas: “Não canso de contar que uma vez vi o Millôr Fernandes esperar que diminuíssem os aplausos entusiasmados, que se seguiram à sua leitura de uma magnífica defesa da democracia e dos direitos humanos, para informar que acabara de ler o discurso de posse, na Presidência, do general Médici.”
Discurso sério de posse é longo e chato. Outro dia li uma crônica, acho que do Élio Gaspari, onde ele dizia conhecer alguém cujos discursos eram tão longos e tão chatos, mas tão chatos, que o próprio orador, um dia, não aguentou e cochilou. É sério!
Bom, já são quase dois metros de texto. Pior do que discurso. Quando acordar, continuo...

Ver também...
Discursos de posse -1, O discurso otimista do Barão, As regras do discurso e 2 em 1.

01 setembro, 2010

Discursos com aparte

Primeiro, a definição de aparte.
É a interrupção feita ao discurso de alguém a fim de acrescentar algum comentário ou manifestar uma opinião, seja favorável ou contrária.
Agora, qual é o seu aparte?
- AH, É? TAQUI PR'OCÊ, Ó!

06 maio, 2009

Discursos de posse

Em artigo publicado no Diário do Nordeste, o advogado Paschoal Savastano cita dois dados curiosos referentes a discursos de posse na Presidência dos Estados Unidos da América:
O menor discurso, com 130 palavras, foi o de George Washington(1); o maior, contendo cerca de 8.000 palavras, foi o de William Henry Harrison(2).
A longa oração de Harrison, numa noite fria e tempestuosa, resultou em que ele contraísse uma gripe. E a gripe, por ter evoluído para uma pneumonia, um mês após levou a óbito o nono presidente norte-americano.

Comentários
(1) Sem dúvida alguma, George Washington foi um precursor do Twitter.
(2) William Harrison não levou a sério a maldição que existe contra os oradores prolixos, na qual o articulista e eu acreditamos piamente. Tanto é que nessas poucas linhas, ainda que não estejam destinadas a um discurso, já vou tratando de colocar um ponto final.

22 setembro, 2008

2 em 1

O médico Alfredo Nagel, residente em Indaial - SC, publicou em seu blog a "peça oratória" que abaixo transcrevo.

DISCURSO ANTES DA POSSE
>
Nosso partido cumpre o que promete
Só os tolos podem crer que
Não lutaremos contra a corrupção
Porque, se há algo certo para nós, é que
A honestidade e a transparência são fundamentais
Para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande a estupidez crer que
As máfias continuarão no governo, como sempre
Asseguramos sem dúvida que
A justiça social será alvo da nossa ação
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
Se possa governar com as manchas da velha política
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
Se acabem com os marajás e as negociatas
Não permitiremos de nenhum modo que
Nossas crianças morram de fome
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
Os recursos econômicos do país se esgotem
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política
<
DISCURSO APÓS A POSSE

É o mesmo texto lido da última para a primeira linha.