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12 setembro, 2020

Rota 66

A Rota 66, conhecida como a "Main Street of America", foi apelidada de "Mother Road" pelo romancista John Steinbeck. Também foi imortalizada pelo maior escritor da geração beat, Jack Kerouac. Ele passou sete anos percorrendo a via e escrevendo seu "On the Road".
Inaugurada em 1938, a Rota 66 fazia parte do plano nacional de autoestradas dos EUA, que estabeleceu 96 rodovias. O traçado original da 66 tinha cerca de 4 mil km de extensão, cruzando quase 200 cidades e oito estados americanos, indo de Chicago, em Illinois, até Santa Monica, na Califórnia. O exato meio é identificado pela placa “Mid Point”. De lá, são cerca de 1.830 km até cada uma dessas duas cidades.
A rota ficou famosa graças a "Easy Rider" (1969). Mas outros sucessos também se passaram lá, como "Golpe de Mestre" (1973), "Bagdad Cafe" (1987), "Forrest Gump" (1994), além da série "Route 66" (década de 1960) com 116 episódios para a televisão. Em 2012, o livro "On the Road", de Jack Kerouac, virou um filme dirigido pelo brasileiro Walter Salles.
Bagdad Cafe (Out of Rosenheim)
Depois de brigar com seu marido e abandoná-lo na estrada, a turista alemã Jasmin (Marianne Sägebrecht) caminha pelo deserto do Arizona até chegar ao posto-motel Bagdad Café. Recebida com aspereza por Brenda (CCH Pounder), a dona do local que acabou de colocar o marido para fora de casa, Jasmin aos poucos se acostuma com os clientes e hóspedes do motel.
Veja Tributo a "Bagdad Café", com sua música tema "Calling You".
Hoje, muitos trechos da rota foram absorvidos por vias expressas. Ainda há pedaços originais transitáveis, mas que não dão em lugar nenhum. Centenas de moteis ainda permanecem à sua beira; alguns ainda em funcionamento, e outros apenas com a fachada preservada para os turistas fotografarem.


Ainda é possível circular por 85% do traçado original da estrada que, mesmo desativada em 1985, resume a cultura (e a contracultura) dos EUA. (Thais Sant'ana, O que tem de legal na Rota 66? Por que ela ficou famosa? SUPERINTERESSANTE)

17 julho, 2020

Folclore e cultura

Folclore (do inglês folk-lore: "conhecimento popular"). Termo usado pela primeira vez na carta enviada pelo arqueólogo Ambrose Merton - pseudônimo de Willian Thoms - endereçada à revista londrina "The Atheneum", que a publicou em agosto de 1845.
"Do mesmo modo, ninguém aqui vai me ouvir pronunciar a palavra 'folclore'. Os vínculos entre o conceito erudito de 'folclore' e a discriminação cultural são mais do que estreitos. São íntimos. 'Folclore' é tudo aquilo que não se enquadrando, por sua antiguidade, no panorama da cultura de massa é produzido por gente inculta, por 'primitivos contemporâneos', como uma espécie de enclave simbólico, historicamente atrasado, no mundo atual. Os ensinamentos de Lina Bo Bardi me preveniram definitivamente contra essa armadilha. Não existe 'folclore' o que existe é cultura."
"Cultura como tudo aquilo que, no uso de qualquer coisa, se manifesta para além do mero valor de uso. Cultura como aquilo que, em cada objeto que produzimos, transcende o meramente técnico. Cultura como usina de símbolos de um povo. Cultura como conjunto de signos de cada comunidade e de toda a nação. Cultura como o sentido de nossos atos, a soma de nossos gestos, o senso de nossos jeitos."
Trechos do discurso do cantor e compositor Gilberto Gil, quando tomou posse, em 2 de janeiro de 2003, no Ministério da Cultura, durante a gestão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Leia aqui a íntegra do discurso de Gil no MinC.

09 agosto, 2019

Na linguagem dos comedores de batatas

Dan Nosowitz

A batata é nativa da Cordilheira dos Andes, onde, quando os europeus chegaram, ela se tornou a principal cultura de um império tão grande e provavelmente mais grandioso do que qualquer outro na Europa. "Era como pão na França, ou arroz no sul da China", diz Charles C. Mann, autor de "1491: New Revelations of the Americas Before Columbus" (1491: Novas Revelações das Américas Antes de Colombo). Nos Andes há milhares de variedades de batatas e muitos métodos de preparação que ainda são essencialmente desconhecidos em outros lugares, embora a batata seja agora uma cultura global.

Os registros dos Andes pré-colombianos e imediatamente pós-contato não são particularmente bons, mas temos alguns registros que sugerem que a batata tinha tal lugar nas línguas quéchuas da população montanhosa. De acordo com um padre jesuíta do século 17, que passou algum tempo nessas comunidades, o tempo que uma batata leva para cozinhar era usado como uma divisão abreviada do tempo. Então, podia-se dizer que foram precisos três potes de batatas para construir um telhado. Isso continua até hoje.

Os exploradores / conquistadores europeus ficaram completamente perplexos com a batata quando a encontraram. A maioria das culturas básicas do mundo eram grãos de cereais - trigo e cevada, por exemplo, e o arroz já existia na Europa há algumas centenas de anos. Mas um gênero de primeira necessidade no subsolo? A Europa tinha cenouras, beterrabas e nabos, claro, mas nada como a batata. Dentre as principais culturas básicas do mundo, a maioria - incluindo batata, batata-doce e mandioca - é nativa das Américas. (Os outros são taro do sul e sudeste da Ásia e o inhame da África, provavelmente.)

Os espanhóis, nunca tendo visto nada parecido com a batata-doce ou a batata, simplesmente usavam a mesma palavra para ambos, mesmo que as plantas estivessem mal relacionadas. A palavra quíchua para a batata é papa, que permaneceu como "batata" na América Hispânica.

Uma coisa interessante sobre a batata é que é uma cultura realmente incrível, e isso é parte da razão pela qual ela tem uma linguagem idiomática em todo o mundo. É capaz de crescer em quase qualquer lugar e prospera em solo ruim, arenoso e / ou ácido. Ela cresce particularmente bem em encostas rochosas e montanhas, onde as culturas de cereais não se saem tão bem. Não requer basicamente nenhum equipamento para armazenar ou preparar, ao contrário dos vastos silos de grãos, moinhos e fornos comunitários usados ​​até recentemente para produzir pão a partir do trigo na Europa. Mann diz que os pequenos agricultores do norte da Europa obtêm quatro vezes mais calorias por acre de batatas em comparação com grãos de cereais.

Há apenas algo sugestivo sobre a batata. Ela cresce no subsolo e está coberta de terra. Ela pode ser irregular e feia, pelo menos quando comparada a algo como uma maçã brilhante e perfeita, uma espiga de milho dourada ou um tomate vibrante e cheio de suco. Ele pede pouco do seu concurso. Mas pode sustentar muitos, com facilidade e eficiência. É a comida do povo. E é na linguagem que nós, comedores de batata, falamos também.

Extraído de: Hot, Small, or Couch: Why Potatoes Make Great Idioms, Atlas Obsura


ANTES | DEPOIS

14 maio, 2019

A mão que imita uma arma

"Desde o dia primeiro de janeiro deste ano, todo e qualquer crime de ódio cometido neste país traz a autorização implícita de alguém que disputou as eleições usando como símbolo de campanha a mão que imita uma arma. E é nas mãos dessa milícia de mercenários que nós estamos agora." ~ Marcos Bagno


"Quando ouço alguém falar em cultura, saco o meu revólver." A frase, de uma peça antinazista de Hanns Jost, encenada em 1933, ano em que Hitler assumiu o poder, acabaria atribuída a Herman Göring, chefe da Gestapo e braço direito do Führer. Há uma variante, de um magnata de Hollywood: "Quando ouço falar em cultura, puxo o meu talão de cheques". E a versão pacifista dos anos 60, do "mago" Louis Pauwels: "Quando me falam em revólver, puxo a minha cultura". Arnaldo Niskier

Louis Pauwels (Ghent, Bélgica, 2 de Agosto de 1920 - 28 de Janeiro, 1997) foi um jornalista e escritor francês. Em parceria com Jacques Bergier, escreveu o livro "O Despertar dos Mágicos", considerado obra fundamental do realismo fantástico, movimento de grande influência nas artes e na literatura, em particular, e na cultura, em geral. Juntos lançaram, na França, a revista "Planète".

11 novembro, 2018

No país das armas - 2

27/10/2018 - Um tiroteio em uma sinagoga de Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), deixou 11 mortos e 6 feridos na manhã deste sábado. De acordo com o relato de testemunhas, ele entrou no templo armado com um fuzil semiautomático AR-15 e com várias pistolas. O autor da chacina, que está sob custódia, é Robert Bowers, de 46 anos, que possui 21 armas de fogo. Ele gritou insultos antissemitas durante o ataque.

08/11/2018 - Mais um massacre a tiros, desta vez com 12 mortos, em Thousand Oaks, na Califórnia. O atirador foi Ian David Long, de 28 anos. Ele era veterano de guerra e serviu no Afeganistão.
Susan Orfanos disse que seu filho Telemachus Orfanos, de 27 anos, sobreviveu ao tiroteio de Las Vegas do ano passado, que matou 51 pessoas, mas não ao massacre de Thousand Oaks.
"Eu não quero orações", disse ela. "Eu não quero pensamentos. Eu quero o controle das armas... Não. Mais. Armas."
https://abcn.ws/2QxezKC
Os Estados Unidos são vítimas de sua própria cultura belicista. Onde o direito de alguém comprar armas é maior do que o seu direito de não ser morto por elas.


No país das armas - 1

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15/11/2018 - Atualizando ...
Por que médicos americanos estão postando fotos cobertos de sangue:
A NRA reclamou de médicos que protestavam por leis mais fortes de controle de armas nos EUA. Dizendo que eles deveriam "ficar na sua" (stay in your lane). Criticados por grupos pró-armas, os médicos reagiram com uma campanha nas redes sociais. 
Estatísticas indicam que, por causa das armas de fogo, 8,3 mil crianças são hospitalizadas todos os anos nos EUA. E relatos de médicos que cuidaram de vítimas de tiros tomaram o Twitter com a hashtag #ThisIsMyLane.
"A menos que você tenha o coração de alguém parando de bater em suas mãos, você não tem o direito de dizer no que podemos ou não podemos nos meter".

11 novembro, 2016

Sobre a cultura das armas de fogo nos Estados Unidos

Um comentarista acertou em cheio:
Em algum momento, a mídia vai concluir que a cultura das armas nos Estados Unidos é a grande culpada por assassinatos cometidos por policiais que praticam o policiamento agressivo e/ou cometem erros de julgamento. Em algum momento, teremos de reconhecer que, devido ao acesso fácil às armas de fogo, os policiais estão condicionados a assumir que as pessoas podem estar carregando armas.
Como exemplos:
Se você, ao procurar os documentos que devem ser apresentados numa revista, põe a mão de forma rápida no bolso, abre sem anunciar o porta-luvas do carro ou abaixa-se para procurar algo sob os assentos do veículo, o policial de imediato saca a sua arma de fogo porque ele está condicionado a supor que esses movimentos são suspeitos.
Nos países onde as armas são banidas ou não estão prontamente disponíveis, o policial não tem que fazer essa suposição errada e, em seguida, disparar acidentalmente.
Aqui, nos Estados Unidos, os policiais são treinados para a pensar que um suspeito carrega sempre uma arma, o que leva a erros de julgamento e más reações. O treinamento policial tem que mudar, mas também deve-se notar que é difícil de mudar a nossa cultura das armas.
John Walkenbach, Google+


O comércio das armas de fogo nos EUA

06 abril, 2013

A aceitação do humor

Não há prazer maior que o de assistir 
a um amigo cair de um telhado. Provérbio
O humor, dizem, decorre de uma violação benigna da forma como o mundo deveria ser.
As pessoas acham um incidente humorístico quando ele vai contra a maneira como as coisas são normalmente aceitas. Contanto que o evento seja inofensivo (para não incidir no terreno da crueldade).
Um magnata das salsicha, nos EUA, contratou um rabino e um fazendeiro para promover seus produtos suínos. A escolha do rabino foi para fazer o espectador rir por aquele se tratar de um personagem completamente fora do lugar. Ao contrário da contratação do fazendeiro em que não havia qualquer violação das normas.
Disse Peter McGraw:
"É difícil encontrar uma comédia que seja engraçada em várias culturas. Isto porque as formas como as violações são consideradas benignas diferem de cultura para cultura. A comédia que é engraçada em várias culturas tendem a envolver muito humor físico. Nesta forma de comédia, as violações são claras, não importa de onde você seja."
Deste bloguista:
GATO, TIJOLO E FAMÍLIA

26 fevereiro, 2013

Edital bem-humorado

por Marcelo Gurgel Carlos da Silva,
da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Seção do Ceará
Diante da divulgação de que a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará - Secult-CE, em atendimento ao pleito formulado por humoristas locais ao Sr. Governador Cid Gomes, ultima o lançamento de um edital específico para a área de Humor, toma-se aqui a liberdade de propor a inclusão de obras literárias, desse jocoso gênero, entre os segmentos a serem abrangidos no edital em referência.
O Ceará é um grande celeiro de humoristas, que tanto abastece o consumo local, como serve de canteiro para exportação de produtos para outros estados, sendo que esses artistas, para que possam exibir os seus dotes, precisam de uma rede de produção, em que se incluem autores e redatores, sem os quais não serão gerados os espetáculos.
Mesmo considerando que a literatura, em sua diversidade de gêneros, está contemplada em outros editais da Secult-CE, a especificidade do humor torna-o bastante difícil ser cotejado com outros gêneros, para fins de avaliação e premiação, merecendo ser devidamente descolado desses, correndo em raia própria.
Vale destacar, ainda, que há muitos autores cearenses escrevendo textos de humor, o que pode ser comprovado pela existência de uma biblioteca particular, sob a custódia do Prof. Jader Soares, o conhecido humorista Zebrinha, cujo acervo supera a marca de mil títulos, com importante parcela das obras compostas por autores radicados no Ceará.
Muitos desses autores, no entanto, deparam-se com sérias dificuldades financeiras para publicar seus bem humorados escritos, à conta da carência de numerários, servindo de exemplo a falta de patrocínio, escudado em algum dispositivo legal, ou mesmo ancorado no interesse particular; essa insuficiência de fundos poderá, nalguns casos, causar distimias, aumentando o contingente de mau-humorados.
A abertura dessa nova linha de apoio teria forte guarida entre potenciais candidatos e se prestaria para emular o surgimento de novas vocações literárias, fomentando a cadeia produtiva do humor cearense, que tanto cativa o público nativo e os turistas que estão aqui de passagem, e, que, costumeiramente, inserem em suas visitas a assistência a shows de humor, decentes ou esculachados.
Aguarda-se a sensibilidade dos gestores da Cultura, acerca do assunto aqui tratado, pois a versatilidade dos atores pode ser limitada pela pouca oferta de bons e criativos textos de humor, em decorrência da falta de estímulo oficial.

26 janeiro, 2013

The cultural stipend

Brazil to give money to workers to spend on art
BRASILIA (Agence France-Presse).- Despite the economic crisis, Brazil announced Thursday it planned to give workers here a 50-real ($25) monthly stipend for cultural expenses like movies, books or museums.
"In all developed countries, culture plays a key role in the economy," Culture Minister Marta Suplicy said in an interview on national television.
She recalled that popular former president Luiz Inácio Lula da Silva created "Bolsa Família" (Family Grant), the program of conditional cash transfers to the poor which his successor, President Dilma Rousseff, expanded.
"Now we are creating food for the soul; Why would the poor not be able to access culture?" the minister said.
Suplicy said the new incentive, approved by Congress and endorsed by Rousseff late last month, is expected to be introduced some time this year.
"The money will be put in the hands of the worker who will decide how to spend it, by going to the movies, to the theater, to an exhibition or the museum," she explained.
Other possible uses include purchases of books, music or DVDs.
The "Culture Stipend" will be paid through an electronic card, with employers deciding whether to extend the benefit to workers earning up to five times the minimum wages (up to $1,700 a month.)
Employers will cover 90 percent of the cost of the stipend but can then deduct the amount from their income tax. Workers will pay the remaining 10 percent, but can opt out if they choose to do so.
"There are many Brazilians, 17 million, who today earn up to five minimum wages, which could potentially means an injection of $3.5 billion in the cultural sector," Suplicy said in an editorial published in the "Folha de São Paulo" this week.