Mostrando postagens com marcador Pasquim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pasquim. Mostrar todas as postagens

10 abril, 2015

O FEBEAPÁ de Stanislaw

O jornalista Sergio Porto (1923-1968) ficou famoso pelo senso de humor refinado e pela crítica mordaz aos costumes, registrados em artigos de jornais,de revistas e nos livros que publicou sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. Dentre estes: "Tia Zulmira e Eu", "Primo Altamirando e Elas", "Rosamundo e os Outros", "Garoto Linha Dura", além dos FEBEAPÁ 1, 2 e 3.

Esta carteira (sem a foto) foi distribuída com o FEBEAPÁ 2.

O FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo um noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar já presente nos primeiros Atos Institucionais (que tinham a sugestiva sigla de AI). Um deles noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião.
Sua jornada diária nunca era inferior a 15 horas de trabalho, pois Stanislaw também escrevia para o rádio e para a TV, onde chegou a apresentar programas. O excesso de obrigações seria demais para o cardíaco Sérgio Porto, que morreu de infarto aos 45 anos de idade.
Porto não viveu para presenciar o famigerado AI-5. Em sua memória, um grupo de jornalistas e intelectuais fundou o semanário "O Pasquim", em 1969.
Em 1989, foi a vez da Acadêmicos de Santa Cruz homenageá-lo com o enredo Stanislaw, uma História sem Final.

14 setembro, 2009

He, Tarzan

Tarzan é um personagem de ficção criado por Edgar Rice Burroughs no romance "Tarzan of the Apes", de 1912. O escritor estadunidense, até 1965, ainda escreveria mais 23 romances (e alguns contos avulsos) sobre as aventuras desse personagem.
Filho de nobres ingleses, Tarzan foi criado por macacos na África depois que seus pais morreram. Sendo ele uma espécie de adaptação moderna da tradição mitológica de heróis criados por animais (V. lenda de Rômulo e Remo).
Burroughs criou a sua obra sem ter conhecido o continente africano.
A partir de 1919, as aventuras de Tarzan passaram a ser exibidas no cinema. Em 1929, começaram a ser desenhadas para as tiras de jornais e revistas de histórias em quadrinhos. Entre 1966 e 1968, as suas aventuras foram filmadas para a televisão.
Dentre os atores que fizeram o papel de Tarzan no cinema foi o nadador Johnny Weissmuller, que o encarnou em 12 fitas, o seu intérprete mais famoso em todos os tempos. Com ele é que se originou o grito de vitória de Tarzan.
Reproduzido por todos que o sucederam nas telas do cinema, esse grito é uma mixagem dos sons de um barítono, uma soprano e de cães treinados, segundo a Wikipédia.
Embora o cartunista Ziraldo Pinto, num pôster que fez para o Pasquim, tenha identificado um outro mecanismo para a produção do grito.

13 setembro, 2008

O Pasquim e a MPB

O bravo hebdomadário e a música popular brasileira por diversas vezes cruzaram-se nos caminhos.
Em 1970, Paulo Diniz compôs a música "Quero voltar pra Bahia" em homenagem a Caetano Veloso que, naquela época, se achava exilado em Londres. A música de Paulo Diniz, que tinha um refrão em inglês (I don't want to stay here / I want to go back to Bahia), numa de suas estrofes, fazia essa referência ao Pasquim:

"Via Intelsat eu mando
Notícias minhas para o Pasquim
Beijos pra minha amada
Que tem saudades e pensa em mim."

Ainda em 1970, o Pasquim brindava os seus leitores com o encarte de um mini-compacto em uma edição especial. Trazia esse mini-compacto duas músicas: no lado A, "Cosa Nostra", de Jorge Ben, e no lado B, "Coqueiro Verde", um samba de Roberto e Erasmo Carlos, numa gravação do Trio Mocotó. Nessa gravação, havia um momento em que a música era interrompida (à citação de "como diz Leila Diniz") para se ouvir um trecho de uma polêmica entrevista da musa do Pasquim. E a referência ao "velho pasca", em "Coqueiro Verde", encontrava-se na estrofe a seguir:

"Mas eu vou me embora
Vou ler meu Pasquim
Se ela chega e não me vê
Sai correndo atrás de mim."

Não tenho certeza se o Pasquim repetiu a fórmula do encarte de mini-compactos em outras edições. Mas, em 1982, ele lançou o disco "MPB Independente", que reunia alguns dos grandes nomes da música brasileira, como Tom Jobim ("Águas de Março"), Caetano Veloso ("A Volta da Asa Branca"), João Bosco ("Agnus Sei"), Fagner ("Mucuripe") e outros.
E foi em 1990 que aconteceu a grande homenagem à editora do "rato que ruge". Quando a Escola de Samba Acadêmicos da Santa Cruz desfilou no carnaval carioca com o enredo "Os Heróis da Resistência". Entoando o refrão do "Gip, gip, nheco, nheco", o nome da coluna do Ivan Lessa no Pasquim:

Gip, gip, nheco, nheco
Por favor, não apague a luz!
Goze desta liberdade
Nos braços da Santa Cruz.”

Sobre isso eu já falei na postagem de 4 de outubro de 2007.

04 outubro, 2007

Geek-geek, net-net

Para ser o nome de uma seção especializada em informática e internet este título seria um achado.
Mas soa a algo familiar, não é? Pelo menos para aqueles que, aí pelos anos 70, liam o Pasquim e que devem estar, neste momento, se lembrando do "Gip-gip, nheco-nheco". Uma coluna que o Ivan Lessa escrevia no destemido hebdomadário, com o concurso de vários cartunistas do Pasquim nas ilustrações.
O nome, pouco compreensível, fora tirado da letra de um xote que fazia sucesso na época. Para uma coluna que tinha uma fórmula imbatível, a dos aforismos sarcásticos. Eis dois deles: “Baiano não nasce, estréia.” “O brasileiro é um povo com os pés no chão – e as mãos também.” Como já disse alguém, eram “desaforismos” o que Ivan Lessa criava.
Enquanto o escritor “gipava”, os cartunistas do Pasquim (Jaguar, Henfil, Caulos ou Ziraldo) “nhecavam”. Até o dia em que ficou decidido ser apenas o Redi o que cuidaria das ilustrações. Porque, segundo o próprio Ivan Lessa, era “quem dava mais liga”.
Em 1990, a Escola de Samba Acadêmicos da Santa Cruz desfilou no carnaval carioca com o enredo "Os Heróis da Resistência". Uma homenagem ao Pasquim e, por extensão, aos órgãos congêneres pela luta democrática que haviam empreendido durante os chamados anos de chumbo do Brasil.
Assistam ao vídeo do samba-enredo da Santa Cruz daquele ano.



Com o refrão:
“Gip, gip, nheco, nheco
Por favor, não apague a luz!
Goze desta liberdade
Nos braços da Santa Cruz.”
E com a explicação sobre o “não apague a luz” do refrão:
É uma referência a uma das frases que Ivan Lessa criara (“O último a sair apague a luz do aeroporto.”), em resposta a um slogan da ditadura militar (“Brasil, ame-o ou deixe-o.”).

Agora, que faz Ivan Lessa? Escreve uma coluna no website da BBC, em Londres onde vive.