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12 janeiro, 2019

Cavalaria também é cultura

Aqui está o mais puro exemplo de como temos, muitas vezes, de nos adaptar às atitudes tomadas no passado:
A bitola das ferrovias (distância entre os dois trilhos) nos Estados Unidos é de 4 pés e 8,5 polegadas.
Por que esse número foi utilizado?
Porque era esta a bitola das ferrovias inglesas e, como as americanas foram construídas pelos ingleses, esta foi a medida adotada.
Por que os ingleses usavam essa medida?
Porque as empresas inglesas que construíam os vagões eram as mesmas que, antes das ferrovias, construíam as carroças e utilizavam as mesmas ferramentas.
Por que utilizar essas medidas (4 pés e 8,5 polegadas) para as carroças?
Porque a distância entre as rodas das carroças deveria servir para as estradas antigas da Europa, que tinham essas medidas.
E por que tinham essas medidas?
Porque as estradas foram abertas pelo antigo Império Romano, quando de suas conquistas, e tinham as medidas baseadas nas antigas bigas romanas.
E por que as medidas das bigas foram definidas assim?
Porque foram feitas para acomodar dois traseiros de cavalos!
Finalmente...
O ônibus espacial americano utiliza dois tanques de combustível sólido SRB (Solid Rocket Booster) que são fabricados pela AtK Thiokol, no Estado americano de Minnesota.
Os engenheiros que os projetaram queriam fazê-lo mais largo, porém tinham a limitação dos túneis das ferrovias por onde eles seriam transportados, os quais tinham suas medidas baseadas na bitola da linha.
Conclusão: O exemplo mais avançado da engenharia mundial em design e tecnologia acaba sendo afetado pelo tamanho da bunda dos cavalos da Roma antiga.





Washington at Dorchester Heights, 1806
Esta pintura de George Washington não é tão amplamente conhecida e celebrada como outros quadros do herói norte-americano que foram pintados por Gilbert Stuart (1755-1828).
Algo a ver com a presença da bunda de um cavalo? Ou, de um modo subliminar, com o que a presença dela pode significar?

horse's ass: uma pessoa estúpida ou incompetente

28 dezembro, 2016

A confiança é tudo!

Alguns professores de uma faculdade de engenharia foram convidados a entrar em um avião.
Após todos se acomodarem nos assentos, eles foram informados de que o avião havia sido construído por seus alunos.
Os professores se levantaram e correram desesperadamente para fora do avião.
Somente um deles continuou sentado em seu lugar. Quando lhe perguntaram o motivo de tanta calma, ele explicou:
"Sei da capacidade dos meus alunos e, se foram eles que construíram este avião, tenho total confiança de que não vai dar nem a partida…"
(fazendo a ronda na internet)

Bon mot
Confiança é como borracha. Fica menor a cada erro cometido.

03 março, 2014

O Beijo dos Oceanos

Estamos chegando ao 100º. aniversário da abertura do Canal do Panamá, o "Beijo dos Oceanos", que criou uma comunicação artificial entre os dois maiores oceanos do mundo. O envolvimento dos Estados Unidos nesse projeto ainda é hoje motivo de controvérsias, e a contínua ocupação ianque da Zona do Canal (até 1999) foi certamente um ponto sensível nas amizades e relações pan-americanas. Ocorrendo na esteira de inúmeras atividades de construção do império dos Estados Unidos na aquisição / anexação do Havaí, Porto Rico, Guam e as Filipinas e, por algum tempo, Cuba, a construção e posterior posse do Canal do Panamá selava os EUA como um super poder global. Apesar das conotações imperialistas do envolvimento dos EUA no Canal do Panamá, a criação do Canal também representou um pouco do que havia de melhor na América - criatividade, perseverança e otimismo diante da adversidade.
A ideia do Canal do Panamá era muito antiga - foi lançada em 1534, pelo rei Carlos V de Espanha, apenas algumas décadas após a descoberta europeia do Novo Mundo. Na década de 1860, após o sucesso com o Canal de Suez, entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho, que ligava a Europa à Ásia por uma rota marítima mais curta, a França tentou a construção de um canal através do istmo do Panamá,  Após 8 anos de retrocessos, incluindo terremotos, febre amarela, malária e inundações, os franceses desistiram do Canal do Panamá, e os planos para a construção deste canal ficaram paralisados por mais de 15 anos. Adiante, os norte-americanos retomaram a ideia da construção do Canal do Panamá, mobilizando algumas de suas melhores mentes tecnológicas e de engenharia. Havia muitos obstáculos geológicos, políticos, climáticos, de saúde pública e técnicos, e a luta para completar o canal levou mais de 10 anos.
I took Panama
Assisti a essa peça de teatro em Bogotá, Colômbia, no ano de 1975. Tinha como enredo a intervenção militar de Roosevelt em apoio aos rebeldes panamenhos em sua revolta contra os senhores colombianos. Por haver ajudado o Panamá a tornar-se independente da Colômbia, os EUA receberam concessões financeiras e jurídicas importantes em suas negociações para a construção, a manutenção e a exploração comercial do Canal.
retronaut
O Brasil sem o Acre em 1915, no mapa "The Kiss of the Oceans"
O Acre já pertenceu à Bolívia. Em 1877, começaram a chegar na região grandes levas de colonizadores, quase todos nordestinos, em busca da borracha encontrada na Floresta Amazônica. No final do século, já havia na região 50 mil brasileiros. Em 1899, os bolivianos tentaram assegurar o controle da área, mas os brasileiros, sob a liderança do gaúcho Plácido de Castro, entraram em confronto com as tropas bolivianas e proclamaram o Estado Independente do Acre. O governo brasileiro, então, ocupou militarmente a região e, em seguida, entrou em conversações diplomáticas com a Bolívia. Em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, o Brasil obteve a posse definitiva da região. PGCS

06 maio, 2013

O menor motor V-12 do mundo

Nelson Cunha me indicou o vídeo abaixo, fazendo este comentário:
PARA QUEM TEM UM ENGENHEIRO MECÂNICO EM CASA.



261 peças
222 parafusos
1220 horas de trabalho

02 agosto, 2012

ARRANHA-CÉU. Construção e demolição

O plano para construir na Arábia Saudita
 o edifício Kingdom Tower
com mais de mil metros de altura
Como demolir um arranha-céu sem demolir o bairro em que ele está?
Na corrida para o topo do topo, para construir o edifício que é mais alto (pelo menos temporariamente) do que todos os edifícios, desponta uma questão de duas partes.
Estas torres são caríssimas e o mercado imobiliário é imprevisível, podendo acontecer que um ou vários desses edifícios se transformem em fracassos financeiros.
Então, pode ironicamente surgir a necessidade de derrubá-los.
A pergunta
Como fazer o desmonte de tão altos arranha-céus sem o risco de causar pesados danos à vizinhança deles? E como seria esse trabalho financeiramente possível se a torre precisa ser desmontada porque os seus proprietários ficaram sem dinheiro?
É uma questão apresentada, à maneira de um exercício divertido, para estudantes de engenharia e de finanças.

How to disassemble a skyscraper but not its neighborhood?, Improbable Research

Pós-escrito
Uma pessoa que pensou muito e bem sobre o assunto foi o escritor e ilustrador David Macauley. Décadas atrás, ele publicou um livro infantil chamado Desconstruindo, no qual explica, com palavras e desenhos altamente detalhados, como desmontar carinhosamente o Empire State Building.

25 julho, 2011

Uma ponte até certo ponto

Esta ponte (foto) liga a ilha da Zelândia (Dinamarca) à Suecia, através do estreito de Öresund. Com 7845 metros de comprimento, é a maior ponte rodoferroviária da Europa.
Foi uma solução criada pela engenharia contemporânea para não atrapalhar a movimentação local dos navios.
Inicia-se como ponte, num certo ponto mergulha para se transformar em túnel submarino (deixando acima o espaço necessário para a passagem dos navios), e adiante ressurge como ponte.
Concluída em 1999, a ponte-túnel foi considerada um marco histórico por possibilitar que, sete mil anos após a Idade do Gelo (quando a Dinamarca e a Suécia formavam um só território), estes dois países ficassem mais uma vez fisicamente unidos.

27 junho, 2011

1969: o ano em que secaram as cataratas

As Cataratas do Niágara são um grupo de três quedas d'águas localizadas no rio Niágara, no leste da América do Norte, entre os Estados Unidos e o Canadá. Em 1969, engenheiros do exército norte-americano pararam o fluxo de água em uma delas, nas Cataratas Americanas, com o objetivo de avaliar a estabilidade de seu leito rochoso. Durante os seis meses em que o curso do rio esteve desviado, os turistas podiam caminhar sobre essas rochas (imagem) que, temporariamente, ficaram à mostra.


24 fevereiro, 2010

O mundo sem engenheiros

A Agência de Projetos de Investigação Avançada, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, está preocupada com a escassez de jovens que se interessem em seguir as carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A preocupação da agência se baseia em que o país, com a crescente carência desses profissionais, pode perder competitividade no plano internacional em questões de compreensão e inovação tecnológicas.
O blog particularmente se preocupa com o que poderia acontecer ao mundo se não contássemos com os engenheiros.


30 maio, 2009

Uma flor de casa

Como se fosse um girassol, a casa (na fotografia ao lado) gira sobre uma base circular para acompanhar o movimento do sol, daí o seu nome Villa Girasole. Ela fica nas proximidades da cidade de Verona, Itália. Nessa casa, construída em 1935, há dois motores a diesel que realizam em 9 horas e 20 minutos a rotação completa da casa que pesa 1.500 toneladas.