13 agosto, 2007

“A Tempestade”

O poeta romântico Gonçalves Dias, em “A Tempestade”, deu provas de sua grande virtuosidade no manuseio do metro poético.
Iniciou o poema com versos dissílabos:
“Um raio
Fulgura
No espaço
Esparso
De luz;
E trêmulo
E puro
Se aviva
S’esquiva
Rutila
Seduz!”
Aumentou a sua métrica, progressivamente, obtendo o clímax do poema com versos de onze sílabas:
“Nos últimos cimos dos montes erguidos
Já silva, já ruge do vento o pegão;
Estorcem-se os leques dos verdes palmares,
Volteiam, rebramam, doudejam nos ares,
Até que lascados baqueiam no chão.
Remexe-se a copa dos troncos altivos,
Transtorna-se, tolda, baqueia também;
E o vento, que as rochas abala no cerro,
Os troncos enlaça nas asas de ferro,
E atira-os raivoso dos montes além.”

E, nas estrofes seguintes, Gonçalves Dias reduziu a métrica, gradualmente, para que o poema terminasse como começou. Com versos dissílabos:
“A folha
Luzente
Do orvalho
Nitente
A gota
Retrai:
Vacila,
Palpita;
Mais grossa
Hesita
E treme
E cai.”

Nenhum comentário: