Julho é tradicionalmente o mês das arraias (pipas) em Fortaleza. Essas brincadeiras, porém, quando incluem o "corte das arraias", podem causar acidentes nas pessoas.
Os acidentes estão relacionados com as seguintes situações:
A linha da arraia, ao ter contato com fios da rede elétrica, poder dar choques.
A linha também poder conduzir, em dias de chuva, descargas elétricas (raios) a partir da atmosfera.
Quedas e atropelamentos dos brincantes que correm nas ruas atrás das arraias "cortadas".
E, por último mas não menos importante, os acidentes relacionados com o cerol, essa mistura de cola com pó de vidro, que é passada na linha da arraia para que fique cortante. Já tem causado muitos acidentes, alguns deles fatais, principalmente em motoqueiros.
Uma reportagem apresentada no "Bom Dia Rio" (28/03/11) mostrou que os acidentes não são exclusivos dos seres humanos:
"Um perigo ameaça os pássaros nos céus do Rio de Janeiro. As linhas de pipa com cerol têm causado ferimentos e mortes das aves. Animais atingidos são tratados por veterinários de uma clínica mantida por uma universidade particular, em Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio.
A clínica recebe cerca de 80 animais por mês, que sofreram algum tipo de lesão, seja por acidente ou por maus tratos. Mas um tipo de ferimento vem chamando a atenção: aves de diferentes espécies são levadas com cortes profundos, todas elas atingidas pela linha de pipa com cerol. Somente no mês de janeiro deste ano, foram mais de 20.
Do alto não dá para perceber, mas o cerol - feito à base de vidro moído e cola - continua sendo usado. Como a linha fica transparente, os pássaros não conseguem desviar.
“Muitos deles morrem. O que chega para a gente foi o que, na realidade, acabou sobrevivendo à queda e à lesão imediata. Muitas vezes, pode cortar a asa inteira, ou até pode cortar o animal ao meio”, explica o veterinário Jeferson Pires.
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01 julho, 2011
04 julho, 2009
Acidentes com arraias
No mês de julho, a combinação de um período de férias escolares com o aumento dos ventos que sopram em Fortaleza torna mais comum as brincadeiras com arraias (ou pipas) em nossa cidade. Essas brincadeiras, porém, não se mostram tão inocentes assim. Acompanham-se de certos riscos para os brincantes e também para aquelas pessoas que, inadvertidamente, passam pelos locais desses folguedos.Senão, vejamos:
Há o risco de a linha da arraia, em contato com fios da rede elétrica, causar choques em quem está brincando.
Outro risco é o de a linha também poder conduzir, em dias de chuva, descargas elétricas (raios) a partir das nuvens.
Correr nas ruas, em busca das arraias cujas linhas foram cortadas, expõe quem o faz a quedas e atropelamento.
E, por fim, a questão do cerol, essa mistura de cola com pó de vidro que é passada na linha da arraia para que a mesma fique cortante. Já tem causado muitos acidentes, alguns deles fatais. E, destes últimos, as maiores vítimas têm sido os motoqueiros.
A propósito das arraias, ler aqui uma crônica de 21/07/08.
RecomendaçõesEmpinar as arraias somente em espaços abertos (praias, campos).
Não brincar com elas sob a chuva.
Não aplicar o cerol na linha da arraias.
E (para os motoqueiros) instalar nas motocicletas antenas ou arcos protetores.
Não aplicar o cerol na linha da arraias.
E (para os motoqueiros) instalar nas motocicletas antenas ou arcos protetores.
21 julho, 2008
Arraias, paquetões e bolachinhas
O mês em curso me faz lembrar os julhos da minha infância. Quando o céu de Fortaleza ficava povoado de vistosas arraias fazendo as suas belas evoluções aéreas. Um fenômeno explicado pelas férias escolares que incidiam, ontem como hoje, num mês de muitos ventos.
As arraias (ou "raias" como pronunciavam os moleques), as quais, em outras partes do Brasil, seriam chamadas de pipas, pandorgas ou papagaios.
Para a confecção de uma delas, não se necessitava de muita coisa. Palitos secos de coqueiro, linha, papel-seda e um pouco de grude. Com os palitos secos, em número de três, amarrados nos cruzamentos por pedaços de linha (e com um destes pedaços utilizado para delimitar o perímetro) fazia-se o esqueleto da arraia. A seguir, nesta armação se colavam os retalhos do papel-seda por meio de um grude preparado na cozinha de casa.
Os complementos do brinquedo eram o cabresto e o rabo da arraia. Para o cabresto, que servia para prender a arraia, bastava um pequeno pedaço de linha. E, para o rabo da arraia, além de uma maior porção de linha, à qual se atavam pequenas tiras de pano (molambo era o ideal), a intervalos regulares, ficando uma tira maior, a ponteira, para ser colocada no final da linha. O rabo (ou rabiola) era então preso na extremidade da arraia para lhe conferir estabilidade. Sem ele, ao ser posta no ar, a arraia ficaria a girar loucamente e sem ganhar altura.
Havia uma versão gigante da arraia, o paquetão, cujo esqueleto era feito de taboca. O qual era colocado no ar apenas por quem tinha a robustez suficiente para controlá-lo. E existiam também as bolachinhas, umas imitações baratas das arraias, que serviam de divertimento para as crianças menores. Feitas de algum papel grosso, cortado na forma redonda, e a seguir perfurado por palitos de coqueiro que funcionavam como armação, eram feias e não ganhavam grande altura.
Empinava-se a arraia com a ajuda de um companheiro que a elevava bem acima da cabeça. Até que, a um sopro mais forte do vento, a arraia era largada enquanto o outro a puxava. O outro era o dono da arraia que, muitas vezes, tinha de correr contra o vento para que ela subisse. Não havendo o auxílio de um companheiro para empiná-la, a alternativa era o "soltador" de arraia se posicionar num local elevado como um muro ou o terraço de casa.
E a arraia subia em movimentos coleantes sob o incentivo de repetidos puxões aplicados em sua linha. Com esta, a cada instante, sendo liberada de um carretel que rolava entre os dedos do "soltador". Até que a arraia se encontrasse na altura desejada (ou a linha chegasse ao fim). Neste ponto, começava o bonito espetáculo da arraia a movimentar-se no espaço em resposta aos "lanceios" feitos no chão.
Uns contentavam-se com esse aspecto "pacífico" da brincadeira. Outros, porém, preferiam praticar o "corte" de arraias. Uma peleja entre arraias em que, ao cruzamento das linhas, uma delas (às vezes, ambas) sofria o "corte". E, ficando sem o controle da linha que a prendia, passava a ser arrastada pelo vento até terminar enganchada num fio elétrico, árvore ou telhado. Sendo, nessa "agonia", acompanhada pelos moleques em louca correria como se fora um troféu.
A muitos frustrava a arraia "cortada" ser também "aparada". Quando essa arraia "derrotada" não caía em domínio público, por haver sido em pleno ar capturada e recolhida pela arraia "vencedora", graças à habilidade do dono desta.
Não seria possível o "corte" de arraias sem a participação do cerol. Preparado com vidro moído e cola derretida, assim que secava na linha em que era aplicado, o cerol a transformava num instrumento verdadeiramente cortante. Capaz de causar acidentes nos brincantes e em terceiros, aliás, como acontece até hoje. E, o que é pior, com alguns destes acidentes a se mostrarem terrivelmente letais.
As arraias (ou "raias" como pronunciavam os moleques), as quais, em outras partes do Brasil, seriam chamadas de pipas, pandorgas ou papagaios.
Para a confecção de uma delas, não se necessitava de muita coisa. Palitos secos de coqueiro, linha, papel-seda e um pouco de grude. Com os palitos secos, em número de três, amarrados nos cruzamentos por pedaços de linha (e com um destes pedaços utilizado para delimitar o perímetro) fazia-se o esqueleto da arraia. A seguir, nesta armação se colavam os retalhos do papel-seda por meio de um grude preparado na cozinha de casa.
Os complementos do brinquedo eram o cabresto e o rabo da arraia. Para o cabresto, que servia para prender a arraia, bastava um pequeno pedaço de linha. E, para o rabo da arraia, além de uma maior porção de linha, à qual se atavam pequenas tiras de pano (molambo era o ideal), a intervalos regulares, ficando uma tira maior, a ponteira, para ser colocada no final da linha. O rabo (ou rabiola) era então preso na extremidade da arraia para lhe conferir estabilidade. Sem ele, ao ser posta no ar, a arraia ficaria a girar loucamente e sem ganhar altura.
Havia uma versão gigante da arraia, o paquetão, cujo esqueleto era feito de taboca. O qual era colocado no ar apenas por quem tinha a robustez suficiente para controlá-lo. E existiam também as bolachinhas, umas imitações baratas das arraias, que serviam de divertimento para as crianças menores. Feitas de algum papel grosso, cortado na forma redonda, e a seguir perfurado por palitos de coqueiro que funcionavam como armação, eram feias e não ganhavam grande altura.

Empinava-se a arraia com a ajuda de um companheiro que a elevava bem acima da cabeça. Até que, a um sopro mais forte do vento, a arraia era largada enquanto o outro a puxava. O outro era o dono da arraia que, muitas vezes, tinha de correr contra o vento para que ela subisse. Não havendo o auxílio de um companheiro para empiná-la, a alternativa era o "soltador" de arraia se posicionar num local elevado como um muro ou o terraço de casa.
E a arraia subia em movimentos coleantes sob o incentivo de repetidos puxões aplicados em sua linha. Com esta, a cada instante, sendo liberada de um carretel que rolava entre os dedos do "soltador". Até que a arraia se encontrasse na altura desejada (ou a linha chegasse ao fim). Neste ponto, começava o bonito espetáculo da arraia a movimentar-se no espaço em resposta aos "lanceios" feitos no chão.
Uns contentavam-se com esse aspecto "pacífico" da brincadeira. Outros, porém, preferiam praticar o "corte" de arraias. Uma peleja entre arraias em que, ao cruzamento das linhas, uma delas (às vezes, ambas) sofria o "corte". E, ficando sem o controle da linha que a prendia, passava a ser arrastada pelo vento até terminar enganchada num fio elétrico, árvore ou telhado. Sendo, nessa "agonia", acompanhada pelos moleques em louca correria como se fora um troféu.
A muitos frustrava a arraia "cortada" ser também "aparada". Quando essa arraia "derrotada" não caía em domínio público, por haver sido em pleno ar capturada e recolhida pela arraia "vencedora", graças à habilidade do dono desta.
Não seria possível o "corte" de arraias sem a participação do cerol. Preparado com vidro moído e cola derretida, assim que secava na linha em que era aplicado, o cerol a transformava num instrumento verdadeiramente cortante. Capaz de causar acidentes nos brincantes e em terceiros, aliás, como acontece até hoje. E, o que é pior, com alguns destes acidentes a se mostrarem terrivelmente letais.
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