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07 maio, 2026

Túnel verde

Chandelier Drive Thru Tree, Califórnia
Penso que esculpir/escavar um túnel numa sequoia-costeira gigante de 2400 anos e depois cobrar dinheiro às pessoas para conduzirem um carro/SUV através dele resume, melhor do que qualquer outra coisa, como funciona a cultura estadunidense.
~ HunterNP, Mastodon

Túnel verde, este sim.
Localizada no bairro Independência, em Porto Alegre (RS), a Rua Gonçalo de Carvalho ganhou projeção internacional ao ser frequentemente citada como a rua mais bonita do mundo. As árvores formam um corredor natural (túnel verde) em plena área urbana. E a rua se tornou um dos símbolos de preservação ambiental na capital gaúcha.
https://qr.ae/pCqYLc

20 abril, 2026

Como ser uma árvore

por Maria Popova
(tradução: PGCS)
As árvores nos oferecem algumas das mais ricas metáforas para nossas próprias vidas — uma lente refinada sobre a qualidade da atenção que dedicamos ao mundo. "A árvore que comove alguns até às lágrimas de alegria é, aos olhos de outros, apenas uma coisa verde que atrapalha o caminho", escreveu William Blake. Walt Whitman as considerava nossas maiores mestras em viver com autenticidade . Para Hermann Hesse, a chave para a alegria existencial estava em aprender a ouvir as árvores.
Mas muito além do âmbito das metáforas criadas pelo homem, as árvores são maravilhas soberanas da natureza, deslumbrantes na poética inata de sua realidade biológica e ecológica. Sua fotossíntese é a maneira que a natureza encontra para produzir vida a partir da luz. A clorofila — que compartilha uma afinidade química com a hemoglobina em nosso sangue — permite que uma árvore capture fótons, extraindo uma porção de sua energia para produzir os açúcares que a constituem — a matéria-prima para folhas, casca, raízes e galhos — e liberando os fótons em comprimentos de onda mais baixos de volta para a atmosfera. Uma árvore é um captador de luz que gera vida a partir do ar — um olho enorme sintonizado com a luz do universo.
As árvores absorvem avidamente a luz vermelha — os comprimentos de onda mais longos do espectro visível — mas a luz infravermelha vizinha passa diretamente através delas. Sob a copa das árvores, onde a competição por esses comprimentos de onda é acirrada, a luz vermelha se esgota e a infravermelha domina. Embora as árvores não possam absorver a luz infravermelha, elas, diferentemente dos humanos, conseguem "enxergá-la" com fotorreceptores químicos chamados fitocromos. A proporção entre os dois tipos de luz indica às árvores o quanto devem crescer e em qual direção, com os fitocromos atuando como interruptores liga/desliga para o crescimento. A abundância de luz vermelha sob céus desimpedidos liga o interruptor, sinalizando para a árvore espalhar seus galhos amplamente em quaisquer espaços vazios na copa; na sombra densa onde a luz infravermelha domina, o interruptor desliga, reduzindo o crescimento dos galhos laterais e fazendo com que a árvore cresça verticalmente, buscando o céu aberto.
Com a chegada do outono, que refresca o ar e diminui a luminosidade, a alquimia de transformar a luz em crescimento torna-se metabolicamente muito custosa para as árvores de folha caduca. A clorofila começa a se decompor, revelando os outros pigmentos que sempre estiveram presentes — o amarelo da xantofila, o laranja dos carotenoides, os vermelhos e roxos das antocianinas, transformando a copa das árvores em uma ária de cores. Entretanto, a camada de células que mantém o caule preso ao ramo começa a se desfazer. As folhas começam a se soltar — um processo conhecido como abscisão.
Mas, ao despojarem os galhos, revelam os pequenos botões dos novos brotos que se formaram durante todo o verão, preparando o crescimento para a próxima primavera. Esqueléticas e pulmonares, as árvores de inverno erguem-se contra o céu plúmbeo, sua casca um poema em braille de resiliência.

17 maio, 2024

Poemas em forma de árvores decíduas

Um problema comum ao escrever poemas em forma de árvores decíduas é que, uma vez que cheguem os primeiros movimentos da nova brisa de outono, os poemas começam a ser sacudidos até que suas letras se soltem como folhas, caiam e depois se transformem em cogumelos no chão (tradução: PGCS).

11 setembro, 2021

Arboescultura


Na década de 1940, o arboescultor Axel Erlandson plantou seis sicômoros (*) em círculo e fez enxertias entre eles, de modo a crescerem formando uma unidade "tecida", digamos assim.
Agora é a peça central dos Jardins Gilroy da Califórnia.

(*) sicômoro ou figueira brava (Ficus sycomorus), uma espécie de figueira de raízes profundas e ramos fortes, que produz figos de qualidade inferior, cultivada há milênios no Oriente Médio e em partes da África


Lucas 19
… 3buscava ver quem era Jesus; todavia, sendo ele de pequena estatura, não o conseguia, devido à afluência do povo. 4Por esse motivo, correu adiante da multidão e subiu em uma figueira brava para observá-lo, pois Jesus ia passar por ali. 5Quando Jesus chegou àquele local, olhou para cima e o chamou: “Zaqueu! Desce depressa, pois preciso ficar hoje em tua casa”. …

25 julho, 2016

A provável quebra do recorde de plantação de árvores em um só dia

Centenas de milhares de estudantes, funcionários governamentais e voluntários reuniram-se no estado mais populoso da Índia, Uttar Pradesh (UP), em 11 de julho, para quebrar o recorde mundial do Guinness em plantação de árvores.
Eles acreditam ter plantado 50 milhões de mudas em florestas e ao longo de vias férreas e estradas do país, em 24 horas, e quebrado o recorde anterior do Departamento Florestal de Sindh, no Paquistão, das relativamente insignificantes 847.275 árvores plantadas em 24 horas, em 2012.
Na Conferência sobre Mudanças Climáticas em Paris, o governo indiano comprometeu-se a aumentar a cobertura florestal em 95 milhões de hectares até 2030, e para a qual o governo reservou US $ 6,2 bilhões.
"Este evento de plantação em massa é um grande passo para atingir tal objetivo". disse Akhilesh Yadav, ministro-chefe de UP, aos participantes do evento, "O mundo se deu conta de que são necessários esforços sérios para reduzir as emissões de carbono e mitigar seus efeitos sobre a mudança climática global".
Conforme o oficial florestal sênior Sanjeev Saran, os locais de plantação de árvores serão monitorados através de fotografias aéreas, em intervalos regulares, para acompanhar as taxas de sobrevivência das mudas.
As contas do Guinness World Records também controlam com precisão esses números. "Estamos tentando manter a total transparência. Eles estão no campo e estão supervisionando as unidades do plantio", confirma Saran. "Não sabemos quem são nem onde estão em qualquer momento. Eles estão trabalhando incógnitos, e isso nos convém."
Pode levar até dois meses para que o Guinness Book of World Records e seus incógnitos auditores verifiquem e declarem o novo recorde mundial.

Indian State Planted Guinness World Record-Breaking 50 Million Trees in One Day, por Nidhi Goyal. In: www.industrytap.com
(matéria enviada por Jaime Nogueira)

22 maio, 2016

Seres humanos eliminaram metade das árvores do planeta

Seres humanos causaram um impacto impressionante nos ecossistemas da Terra, seja colocando plástico nos oceanos ou enchendo os céus com carbono. Mas a culpa não é apenas da sociedade moderna -- nosso legado ambiental vai mais longe na história. Desde o surgimento da civilização, nós causamos o desaparecimento de metade das árvores do mundo.
Esta é a triste conclusão de um grande estudo ecológico publicado no periódico Nature, que traz o primeiro censo de árvores global do mundo. De acordo com a pesquisa, há aproximadamente 3,04 trilhões de árvores no planeta Terra hoje -- cerca de 422 por pessoa. A boa notícia é que isto é cerca de sete vezes mais do que calculávamos na última estimativa global. A má notícia? O número de árvores diminuiu 46% desde que os humanos começaram a cultivar a terra.
Para chegar a estes números, os pesquisadores reuniram 429.755 medidas de densidade de árvores com base em dados do solo de todos os continentes na Terra, exceto a Antártida. Combinando estas medidas de campo com dados de satélite sobre clima, topografia e uso da terra por humanos, eles construíram uma série de modelos que deduzem a densidade de árvores por todo o mundo numa resolução de um quilômetro quadrado.
Combinando a densidade de árvores com mapas espaciais das perdas de cobertura de floresta, os autores do estudo estimam que humanos estão removendo algo em torno de 15,3 bilhões de árvores do planeta por ano. A velocidade de perda da floresta é maior nos trópicos, que também possuem a maior parte das árvores do planeta, com cerca de 1,39 trilhões. A perda líquida é próxima de 10 bilhões por ano, graças ao crescimento nas regiões temperadas.
“Eu não esperava que a atividade humana aparecesse como o principal controle da densidade das árvores ao longo de todos os biomas [tipos de habitat]”, diz Thomas Crowther, chefe do estudo, ao Guardian. “Ela foi um dos principais reguladores do número de árvores em quase tudo o mundo. Isto apenas sublinha o tamanho enorme do impacto que os humanos causaram na Terra numa escala global.”
E este impacto deveria nos preocupar? Obviamente. Árvores oferecem serviços cruciais para o ecossistema, seja limpando nossa água, construindo solos férteis ou nos fornecendo comida e materiais crus. Elas também amenizam os efeitos das mudanças climáticas, absorvendo uma enorme parcela das emissões de carbono causadas pela ação do homem. À medida que as florestas desaparecem, diminui a capacidade do planeta de reter carbono e manter um clima estável.
Resumindo, um futuro com menos árvores é um futuro menos seguro para os humanos.
“Nós reduzimos à metade o número de árvores no planeta, e nós vimos os impactos no clima e na saúde humana como resultado”, diz Crowther. “O estudo destaca que precisamos de mais esforços se quisermos restaurar a saúde das florestas por todo o mundo.”
[Leia o artigo científico completo na Nature; via The Guardian]

Vídeo. HOW MANY TREES ARE THERE?

Humor. PAREM O DESMATAMENTO!

05 abril, 2016

Uma árvore dupla

Em Casorzo, Itália, uma cerejeira cresce no topo de uma amoreira.
Não é incomum uma árvore pequena crescer sobre uma árvore maior, mas é raro ela chegar a um tamanho tão grande. A cerejeira bota flores na primavera.
A dupla é conhecida como "bialbero di Casorzo" (árvore dupla de Casorzo).

Imagem: Wikimedia Commons

Epifíticas
São plantas que vivem sobre outras plantas. Grandes epifíticas em geral necessitam ter uma raiz conectada ao solo através do tronco (oco) da árvore de baixo.

18 fevereiro, 2016

A timidez do dossel

O dossel florestal é o estrato superior das florestas. Situa-se, nas florestas tropicais, entre 30 a 60 metros de altura e. ao que tudo indica, ele guarda as maiores biodiversidades do planeta,
Devido à dificuldade de acesso e de observação, é um ambiente ainda pouco conhecido.
A partir da década de 1980, biólogos e ecólogos, interessados em realizar pesquisas neste campo, passaram a adaptar técnicas de escalada utilizadas em alpinismo para a ascensão às copas das árvores. Essa técnica é conhecida como arvorismo.
A timidez do dossel (crown shyness, em inglês) é um fenômeno observado em algumas espécies de árvores. Acontece quando copas de árvores vizinhas de altura semelhante não se tocam, mas ficam separadas por espaços, o que forma bordas persistentes, visíveis a partir do solo, em torno das copas individuais. O fenômeno é mais prevalente entre as árvores da mesma espécie, mas pode também ocorrer entre árvores de espécies diferentes.

Crown shiness, The Presurfer
Discutida na literatura científica desde 1920, a timidez do dossel ainda não é bem explicada. Uma teoria sugere que os espaços entre as copas são resultantes das colisões entre os ramos balançados por ventos e tempestades. Mas não há escoriações que evidenciem esses contatos. Outra teoria, porém, sugere que as pontas em crescimento das árvores parem de crescer ao se aproximarem de folhagens adjacentes por serem mais sensíveis a níveis da luz.
De qualquer modo, este fenômeno deve contribuir para que as larvas de insetos se espalhem menos entre as árvores.

24 agosto, 2015

O dinheiro não cresce em árvores

Na tentativa (infrutífera?) de conter os gastos de um perdulário, apela-se inclusive para a citação da célebre frase acima.
Mas, no Reino Unido, há um bom número de árvores em que o dinheiro "cresce" nelas. São as árvores que carregam as esperanças financeiras de seus "aplicadores". Daqueles que, explico aqui, inserem uma ou mais moedas na casca de uma árvore, acreditando que o dinheiro vai retornar multiplicado para eles.
Pecunia parit pecunia.
A foto ao lado veio do Kuriositas onde tem mais.

Dica de outro local em que você pode aplicar o seu rico dinheirinho:
Moedas na Fonte

15 janeiro, 2014

Simetrização de árvores fotografadas

O fotógrafo Traci Griffin dedicou quase quatro anos a produzir uma série de fotografias intitulada "Mirrors".  O conceito por trás da série é o desconcertante problema de simetria (que não existe na natureza). Para realizar seu projeto, Traci fotografou árvores em vários locais, e, em seguida, criou imagens em espelho de seus ramos.
O resultado é uma compilação impressionante e misteriosa de fotografias. À primeira vista, os ramos que pairam no primeiro plano de suas fotos parecem ser bizarras formações e/ou formas de vida. Alguns espectadores sentiram que as imagens lhes lembravam os Testes de Rorschach.

galeria: site enpudit

Poderá também gostar de ver:
Capicuas, Pulcritude e simetriaAssimetrias e o Teste de Rorschach

21 setembro, 2013

Desfigurando...

NÃO É VERDADE QUE DEPENDEMOS CADA VEZ MENOS DAS ÁRVORES.
MAS O QUE FAZEMOS COM ELAS É COMO SE FOSSE VERDADE.
PGCS

Brasil, 21/09
O Google celebra o Dia da Árvore com um doodle especial.

10 maio, 2013

Inclinações

A série Lean with it, do fotógrafo Paul Octavious, de Chicago, mostra fotos de pessoas inclinadas perto de árvores que cresceram inclinadas.
Os seres humanos estão sempre prestes a cair, captaram isso?

Lean with it

TUTTI INCLINATO
Prêmio Ig Nobel de Psicologia de 2012: "inclinando-se para a esquerda a Torre Eiffel parece menor". Você sabia?