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20 abril, 2026

Como ser uma árvore

por Maria Popova
(tradução: PGCS)
As árvores nos oferecem algumas das mais ricas metáforas para nossas próprias vidas — uma lente refinada sobre a qualidade da atenção que dedicamos ao mundo. "A árvore que comove alguns até às lágrimas de alegria é, aos olhos de outros, apenas uma coisa verde que atrapalha o caminho", escreveu William Blake. Walt Whitman as considerava nossas maiores mestras em viver com autenticidade . Para Hermann Hesse, a chave para a alegria existencial estava em aprender a ouvir as árvores.
Mas muito além do âmbito das metáforas criadas pelo homem, as árvores são maravilhas soberanas da natureza, deslumbrantes na poética inata de sua realidade biológica e ecológica. Sua fotossíntese é a maneira que a natureza encontra para produzir vida a partir da luz. A clorofila — que compartilha uma afinidade química com a hemoglobina em nosso sangue — permite que uma árvore capture fótons, extraindo uma porção de sua energia para produzir os açúcares que a constituem — a matéria-prima para folhas, casca, raízes e galhos — e liberando os fótons em comprimentos de onda mais baixos de volta para a atmosfera. Uma árvore é um captador de luz que gera vida a partir do ar — um olho enorme sintonizado com a luz do universo.
As árvores absorvem avidamente a luz vermelha — os comprimentos de onda mais longos do espectro visível — mas a luz infravermelha vizinha passa diretamente através delas. Sob a copa das árvores, onde a competição por esses comprimentos de onda é acirrada, a luz vermelha se esgota e a infravermelha domina. Embora as árvores não possam absorver a luz infravermelha, elas, diferentemente dos humanos, conseguem "enxergá-la" com fotorreceptores químicos chamados fitocromos. A proporção entre os dois tipos de luz indica às árvores o quanto devem crescer e em qual direção, com os fitocromos atuando como interruptores liga/desliga para o crescimento. A abundância de luz vermelha sob céus desimpedidos liga o interruptor, sinalizando para a árvore espalhar seus galhos amplamente em quaisquer espaços vazios na copa; na sombra densa onde a luz infravermelha domina, o interruptor desliga, reduzindo o crescimento dos galhos laterais e fazendo com que a árvore cresça verticalmente, buscando o céu aberto.
Com a chegada do outono, que refresca o ar e diminui a luminosidade, a alquimia de transformar a luz em crescimento torna-se metabolicamente muito custosa para as árvores de folha caduca. A clorofila começa a se decompor, revelando os outros pigmentos que sempre estiveram presentes — o amarelo da xantofila, o laranja dos carotenoides, os vermelhos e roxos das antocianinas, transformando a copa das árvores em uma ária de cores. Entretanto, a camada de células que mantém o caule preso ao ramo começa a se desfazer. As folhas começam a se soltar — um processo conhecido como abscisão.
Mas, ao despojarem os galhos, revelam os pequenos botões dos novos brotos que se formaram durante todo o verão, preparando o crescimento para a próxima primavera. Esqueléticas e pulmonares, as árvores de inverno erguem-se contra o céu plúmbeo, sua casca um poema em braille de resiliência.

20 março, 2026

As quatro estações segundo Ver!ssimo

"O outono é a única estação civilizada. A primavera é o descontrole glandular da Natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade." (LFV)

19 março, 2023

Quatro estações 🀩🀦🀧🀨

Winter, Spring, Summer, Autumn (Nihar - YouTube)

Quatro estações (Jorge de Lima, Rainer Rilke, Chico Buarque e Álvares de Azevedo - Arquivo)

09 junho, 2022

Por que as folhas mudam de cor?

A fotossíntese é a maneira da natureza criar vida a partir da luz. A clorofila permite que uma árvore capture fótons, extraindo uma parte de sua energia para fazer os açúcares que a tornam uma árvore - a matéria-prima para folhas e cascas e raízes e galhos - então liberando os fótons em comprimentos de onda mais baixos de volta para a atmosfera
Embora a mente humana tenha se perguntado por que as folhas caem e mudam de cor, pelo menos desde Aristóteles, a clorofila - que tem parentesco químico com a hemoglobina em nosso sangue - só foi descoberta e nomeada em 1817, pela dupla farmacêutica-química francesa Joseph Bienaimé Caventou e Pierre Joseph Pelletier.
Em um adorável toque de humildade que distingue o cientista do explorador - o explorador, tão ansioso para nomear as terras e pontos de referência que ele "descobre" com base em si mesmo - eles escreveram em seu artigo de referência:
"Não temos o direito de nomear uma substância há muito conhecida e à história da qual acrescentamos apenas alguns fatos; no entanto, proporemos, sem lhe atribuir qualquer importância, o nome clorofila, de chloros, verde, e phyllon, folha: um nome que indicaria o papel que desempenha na natureza."
Mas a clorofila, que ainda não foi totalmente compreendida, não é o único pigmento nas árvores. Ao longo da vida de uma folha, quatro pigmentos primários percorrem suas células: o verde da clorofila, mas também o amarelo da xantofila, o laranja dos carotenóides e os vermelhos e roxos das antocianinas.
Na primavera e no verão, quando o dia fica longo e claro, a clorofila satura as folhas enquanto a árvore se ocupa convertendo fótons na doçura do novo crescimento.
Quando a luz do dia começa a diminuir no outono e o ar esfria, as árvores decíduas se preparam para o inverno e param de fazer comida - um gasto de energia metabolicamente caro demais na carência de luz solar. As enzimas começam a quebrar a clorofila desativada, permitindo que os outros pigmentos que estavam lá invisivelmente o tempo todo entrem em cena.
Um processo semelhante ocorre quando a fruta amadurece de verde a vários tons de vermelho, roxo, laranja ou amarelo.

Why the leaves change color?, The Marginalian (a continuar)

23 setembro, 2021

Equinócios

Eduardo Bueno, em seu canal no YouTube, é de opinião que comemorar o Ano-novo em 1.º de janeiro é uma tremenda falcatrua. Deveria ser comemorado como era originalmente entre os egípcios, babilônios, maias, romanos etc. Em março, (que é) quando ocorre o equinócio da primavera.
Se o Ano-novo era comemorado no equinócio de março, significando a entrada da primavera no hemisfério norte, ou seja, a melhor época para os europeus e talvez vem daí (?) esta comemoração, vida nova, e tudo mais. Assim sendo, o nosso Ano-novo aqui no hemisfério sul não deveria ser em setembro (23/09), já que é a nossa primavera?
A refletir.

Equinócio é o momento em que o sol, em seu movimento anual aparente, corta o equador celeste, fazendo com que o dia e noite tenham a mesma duração. 21 de março: temos primavera no hemisfério norte e outono no hemisferio sul. 23 de setembro: temos outono no hemisfério norte e primavera ho hemisfério sul.

22 dezembro, 2020

Quatro estações

→ Do meu outono os desfolhos,
Os astros do teu verão,
A languidez de teus olhos
Inspiram minha canção...
Álvares de Azevedo(1831-1852)

→ Zefa, chegou o inverno!
Formigas de asas e tanajuras!
Chegou o inverno!
Lama e mais lama
chuva e mais chuva, Zefa!
Vai nascer tudo, Zefa,
Vai haver verde,
verde do bom,
verde nos galhos,
verde na terra,
verde em ti, Zefa,
que eu quero bem!
Jorge de Lima (1895-1953)

→ É primavera de novo.
A Terra é como uma criança
que conhece os poemas de cor.
Rainer Rilke (1875-1926)

→ Agora já passa da hora
Está lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão.
Chico Buarque

23 março, 2017

Como prever o tempo (à la russa)

Dária Krilova, GAZETA RUSSA
Muitas das aldeias espalhadas pelo vasto território da Rússia não têm, até hoje, antenas parabólicas ou rádio. Então, como prever as condições climáticas a fim de se precaver e cultivar os campos em um frio intenso ou calor abrasador? É simples: por meio dos sinais presentes na antiga mitologia eslava e no folclore!
Transmitidos pelo boca-a-boca ao longo dos séculos, ainda hoje eles são os “barômetros” e "termômetros" não só daqueles que vivem nas aldeias, mas também dos habitantes das cidades. Abaixo estão alguns sinais que ajudam os russos a enfrentar as intempéries.
Indícios de inverno
O gato que dorme enroladinho, cobrindo o focinho com a pata; a gralha que esconde o bico sob a asa; os pardais que se ocultam em meio à ramagem seca e os dom-fafes (Pyrrhula pyrrula) fazendo alarido: todos eles são indícios que anunciam a iminente chegada do frio.
A explicação é simples: o gato, a gralha e os pardais procuram um lugar quentinho para se proteger do frio, enquanto o dom-fafe é um passarinho bem adaptado ao inverno e está chamando o frio, alegrando-se com a aproximação da "sua" época do ano.
Entre os sinais observados durante o inverno também há aqueles que anunciam a chegada do período de degelo ou a aproximação da primavera. Por exemplo, o céu azul sobre a floresta ou crepúsculos vespertinos que se extinguem rapidamente.
Indícios de primavera
O longo inverno russo obrigava e ainda obriga a procurar indícios de degelo – afinal, quando é que virá o sopro da verdadeira primavera?
Desde tempos imemoriais acredita-se que, se a neve está derretendo do lado norte, se as cotovias aparecem e se o gato começa a dormir no chão, então o calor virá em breve e será duradouro.
Porém, se são os tentilhões que estão voando por aí, se a neve está derretendo do lado sul e muita água está correndo, então, infelizmente, vai esfriar novamente.
Indícios de verão
O verão na Rússia é curto e, em muitos lugares, árido. Se a chuva não vem, também não há colheita. Por isso, no verão, as pessoas ficavam observando se as flores estavam se fechando, se os sapos coaxavam no lago, se os lagostins rastejavam para as margens e se o trovão ribombava ininterruptamente. Tudo isso prenunciava chuva.
As geadas repentinas eram outra ameaça que assombrava os antigos eslavos durante o verão. Por isso, eles observavam os pássaros, as abelhas e o sol. Se os passarinhos estivessem fazendo grande alarido e voando baixo, se enxames de abelhas passassem voando rapidamente e se anéis fossem visíveis em torno do sol, então podia-se esperar pelo frio.
Indícios de outono
No foco do outono estão a sorveira (pequena árvore da família das rosáceas), cogumelos, nozes, patos, coelhos e esquilos. Se a sorveira floresce tardiamente, então o outono será longo. A fartura de frutos prenuncia um inverno frio e se suas folhas murcham e não caem, permanecendo quase até a chegada do inverno nos ramos, então virá um frio intenso.
Se há muitas nozes, mas não cogumelos, pode-se esperar muita neve e frio intenso.
Um bom sinal é ver patos nadando no rio mesmo sob a chuva fria. Isso significa que o frio intenso ainda vai demorar a chegar. Se o pelo das lebres fica branco ou se o esquilo constrói seu ninho no alto, então é preciso se preparar para um inverno bem rigoroso.

"Essencialmente, os sertões dos Inhamuns e alhures..." - Jaime Nogueira

Comentou esta nota: Fernando Gurgel

«à la»
É uma locução adverbial de origem francesa e poderá empregar-se no português, escrita em itálico, para nos referirmos «à maneira de, no estilo de ...» (Dicionário Eletrônico Houaiss). Exemplo: «à la grega».