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02 outubro, 2024

Bantustões

Como foram apelidadas as áreas negras que o governo sul-africano criou no século 20 para sustentar o apartheid, a política de segregação racial do país.
Eram dez os bantustões, sendo quatro declarados "independentes": Botsuana, Ciskei, Transkei e Venda.
A partir de 1994, esses estados fantoches deixaram de existir, marcando o fim de mais de 300 anos de domínio dos brancos.
Uma estratégia de dominação que, em seu devido tempo, o resto do mundo se recusou a apoiar. Nem mesmo Israel, um aliado próximo do regime do apartheid, reconheceu essas "pátrias". Embora tenha adotado mais tarde na Palestina os fundamentos dessa repudiada estratégia.

27 fevereiro, 2023

A Vênus Hotentote

por Justin Parkinson, da BBC
(texto condensado)
Há dois séculos, Sarah Baartman morreu após passar anos sendo exibida em feiras europeias de "fenômenos bizarros humanos". Ela morreu em 29 de dezembro de 1815, mas o show, sob uma perspectiva ainda mais macabra, continuou.
Seu cérebro, esqueleto e órgãos sexuais continuaram sendo exibidos em um museu de Paris até 1974. Seus restos mortais só retornaram à África em 2002, após a França concordar com um pedido feito por Nelson Mandela.
Ela foi levada para a Europa, aparentemente, sob promessas falsas por um médico britânico. Recebeu o nome artístico de "A Vênus Hotentote" e foi transformada em uma atração de circo em Londres e Paris, onde multidões observavam seu traseiro.
Hoje em dia, ela é considerada por muitos como símbolo da exploração e do racismo colonial, bem como da ridicularização das pessoas negras muitas vezes representadas como objetos.
História
A vida de Baartman foi marcada por penúrias.
Acredita-se que ela tenha nascido na Província Oriental do Cabo da África do Sul, em 1789.
Sua mãe morreu quando ela tinha dois anos e seu pai, um criador de gado, morreu quando ela era adolescente.
Ela começou a trabalhar como empregada doméstica na Cidade do Cabo, quando um colono holandês assassinou seu companheiro, com quem havia tido um bebê que também morreu.
Em outubro de 1810, apesar de ser analfabeta, ela supostamente assinou um contrato com o cirurgião inglês William Dunlop e o empresário Hendrik Cesars, dono da casa em que ela trabalhava, que disse que ela viajaria para a Inglaterra para aparecer em espetáculos.
Atração
Quando ela foi exibida em um estabelecimento em Piccadilly Circus, em Londres, causou fascinação.
"É preciso lembrar que, nesta época, nádegas grandes estavam na moda, e por isso muitas pessoas invejavam o que ela tinha naturalmente", diz Rachel Holmes, autora de "A Vênus Hotentote: vida e morte de Saartjle Baartman".
Clientes mais abastados podiam pagar por demonstrações privadas em suas casas, em que era permitido que os convidados a tocassem.
O motivo para isso é que Baartman, também conhecida como Sarah ou Saartjle, tinha esteatopigia, uma condição genética que faz com que a pessoa tenha nádegas protuberantes devido à acumulação de gordura. Essa condição é mais frequente em mulheres e principalmente entre aquelas de origem africana.
Mas a própria palavra é motivo de debate, porque, para muitos, seria racista o fato de ela sugerir que se uma mulher tem nádegas grandes e é negra, sofre de uma doença.

Pensamento do dia
Uma bunda incomoda muita gente. Duas bandas incomodam muito mais.

03 junho, 2018

O sole mio

Assista a jovem e talentosa Amira Willighagen interpretando a canção "O sole mio", ao lado de Patrizio Buanne, no concerto "Classic is Groot" (de 2016), na África do Sul.



Composta em 1898, "O sole mio" ("Meu sol", em português) é uma das mais famosas canções napolitanas. A letra é de Giovanni Capurro e a melodia foi feita por Eduardo di Capua (posteriormente, foi descoberto que Alfredo Mazzucchi também participou da composição).
Já foi interpretada por muitos cantores em todo o mundo, dentre eles o tenor Luciano Pavarotti. Em língua inglesa, a letra de "O sole mio" recebeu duas versões: "There's no tomorrow" (1949), gravada por Tony Martin, e It's now or never" (1960), gravada por Elvis Presley.

14 junho, 2017

Falhanços militares

Por falhanço entende-se um confronto armado onde um dos oponentes sofre uma derrota marcante, desproporcional ou inesperada que pode ou não ter tido consequências no rumo da história. As razões para o falhanço militar são diversas e podem incluir mau planejamento, incompetência de tropas e/ou comandantes, condições atmosféricas, problemas técnicos e/ou capacidades excepcionais do inimigo.
Um dos falhanços da Era Moderna foi a Batalha de Isandlwana (África do Sul, 1879), na qual o exército zulu, formado por cerca de 20 mil homens, enfrentou dois batalhões da infantaria britânica.
Os zulus estavam equipados principalmente com lanças de ferro azagaia e escudos tradicionais, mas também tinham um número significativo de espingardas e rifles antigos, embora eles não tivessem sido formalmente treinados para utilizar este tipo de armamento.
Já as tropas coloniais estavam armadas com o estado da arte: rifles Martini-Henry e uma artilharia de montanha composta por dois canhões de 76 mm implantados como canhões de campanha, bem como uma bateria de foguetes.
Apesar da grande desvantagem tecnológica, os zulus (numericamente superiores) acabaram por derrotar os mal conduzidos britânicos.
O dia da lua morta
Em zulu, "Isandlwana" significa "o dia da lua morta". É que, por volta das 14h30, ocorreu localmente um eclipse solar anular (em que a Lua é visualmente pequena para encobrir o Sol), embora isso não tivesse influência sobre o resultado final da batalha.
(Josué, que não estava por lá, certamente teria procurado tirar vantagem do eclipse.)

Ver também: Um militar trapalhão