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16 novembro, 2018

POEMA. O Grande Circo Místico

Jorge de Lima (1893 - 1953). In: "A Túnica Inconsútil" (1938)

O médico de câmara da imperatriz Teresa - Frederico Knieps -
resolveu que seu filho também fosse médico,
mas o rapaz fazendo relações com a equilibrista Agnes,
com ela se casou, fundando a dinastia de circo Knieps
de que tanto se tem ocupado a imprensa.
Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown,
de que nasceram Marie e Oto.
E Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora
que tinha no ventre um santo tatuado.
A filha de Lily Braun - a tatuada no ventre
quis entrar para um convento,
mas Oto Frederico Knieps não atendeu,
e Margarete continuou a dinastia do circo
de que tanto se tem ocupado a imprensa.
Então, Margarete tatuou o corpo
sofrendo muito por amor de Deus,
pois gravou em sua pele rósea
a Via-Sacra do Senhor dos Passos.
E nenhum tigre a ofendeu jamais;
e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos,
quando ela entrava nua pela jaula adentro,
chorava como um recém-nascido.
Seu esposo - o trapezista Ludwig - nunca mais a pôde amar,
pois as gravuras sagradas afastavam
a pele dela o desejo dele.
Então, o boxeur Rudolf que era ateu
e era homem fera derrubou Margarete e a violou.
Quando acabou, o ateu se converteu, morreu.
Margarete pariu duas meninas que são o prodígio do Grande Circo Knieps.
Mas o maior milagre são as suas virgindades
em que os banqueiros e os homens de monóculo têm esbarrado;
são as suas levitações que a plateia pensa ser truque;
é a sua pureza em que ninguém acredita;
são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo;
mas as crianças creem nelas, são seus fiéis, seus amigos, seus devotos.
Marie e Helene se apresentam nuas,
dançam no arame e deslocam de tal forma os membros
que parece que os membros não são delas.
A plateia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos.
Marie e Helene se repartem todas,
se distribuem pelos homens cínicos,
mas ninguém vê as almas que elas conservam puras.
E quando atiram os membros para a visão dos homens,
atiram a alma para a visão de Deus.
Com a verdadeira história do grande circo Knieps
muito pouco se tem ocupado a imprensa.

DO POEMA AO ÁLBUM
A partir do tema, Chico Buarque e Edu Lobo criaram a trilha sonora para a apresentação do balé Guaíra, contando musicalmente, a saga da família austríaca proprietária do Grande Circo Knieps e do amor entre um aristocrata e uma acrobata, que vagavam de cidade em cidade, apresentando os seus números circenses. O sucesso do espetáculo musical originou uma longa turnê e um álbum clássico e imprescindível da MPB, reunindo grandes cantores como Gal Costa, Gilberto Gil, Simone, Tim Maia, Jane Duboc, Zizi Possi, Chico Buarque e Edu Lobo. Lançado em 1983 pela Som Livre, o álbum trazia 11 canções; mais tarde, quando lançado em CD, Edu Lobo acrescentou mais duas canções instrumentais, “Oremus” e “O Tatuador”, que pelo condicionamento do formato em vinil, ficaram de fora na época.

23 agosto, 2014

O surrealista Giger

O lendário artista suíço Hans Rudolph Giger morreu recentemente, aos 74 anos, em consequência de uma queda.
Artista prolífico durante mais de cincos décadas, ele ficou conhecido por seu trabalho em "Alien – O Oitavo passageiro", o clássico sci-fi, com que ganhou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, em 1980. Em suas imaginações e sonhos assombrados por visões de criaturas biomecânicas, Ginger encontrou a inspiração para sua obra.
H.R. Giger:
"Algumas pessoas diriam que minhas pinturas mostram um mundo futuro e talvez mostrem, mas eu pinto a realidade."
"Eu gosto de combinar seres humanos, criaturas e biomecânica."
"E eu adoraria trabalhar com ossos – que são elementares – e, afinal, fazem parte dos seres humanos."
"Algumas pessoas dizem que meu trabalho é, muitas vezes, deprimente e pessimista..."
"Com a ênfase na morte, sangue, superlotação, seres estranhos e, assim por diante, mas eu realmente não acho assim."
"Há uma esperança e um tipo de beleza em algum lugar, se você olhar para o que faço."
"Se as pessoas querem interpretar meu trabalho como avisos sobre superpopulação, doenças e a mecanização no futuro, então isso é com elas."
"Onde, diabos, acham que eu poderia ter ido buscar meus súditos? No inferno, talvez?"


Ridley Scott, cineasta inglês:
"Uma da grandes preocupações (em "Alien") era como realizá-lo. Quem iria fazer os projetos? Quando Ginger me mostrou o livro Necronomícron (de Lovecraft), eu quase caí da cadeira. E disse 'é isto'. Eu nunca estive tão certo sobre qualquer coisa em minha vida. Os projetos de Giger foram uma experiência única, especialmente para o público. O mundo simplesmente nunca tinha visto nada igual a isso antes. E seu trabalho contribuiu significativamente para o sucesso do filme."

Ver: www.buzzfeed.com

P.S.
Este post foi republicado em 26/08/2014 no jornal GGN, recebendo no site 5 comentários.

07/04/2015 - Atualizando...
Uma nova planta carnívora foi cultivada e registrada com o nome de Nepenthes ‘H.R. Giger’ na Sociedade Internacional de Plantas Carnívoras.

08 maio, 2008

Com sete mulheres nuas

O fotógrafo judeu Philippe Halsman realizou, em 1951, esta fotografia que sugere a imagem de um crânio humano. Além das mulheres fotografadas, Halsman contou com a colaboração do pintor catalão Salvador Dali (na cena), cuja obra foi fonte de inspiração para a Voluptas Mors, o nome que tem esta imagem.
Esta modalidade de arte fotográfica é chamado de tableau vivant.

Fonte: Wikipedia

28 dezembro, 2007

Os gerúndios estão florindo

Conto é tudo aquilo que o escritor chama de conto, já disse alguém (Tchekhov?). Eu considerei "Os gerúndios estão florindo" um conto (surreal) e, nessa condição, o inscrevi num concurso promovido, em 1984, pelo Movimento Cultural dos Servidores do INAMPS em Fortaleza. Deu-me o primeiro lugar e uma cédula de dez da moeda nacional vigente. E a farra que fiz com o dinheiro da premiação foi comprar um livro na livraria mais próxima.

Vi em sonho, noite próxima passada, três cavaleiros. O primeiro, Calígula, montado em seu Incitatus, o segundo, Ricardo III, num eqüídeo que trocara pelo reino, e o terceiro, Napoleão, em seu famoso cavalo branco; traziam um quarto cavalo, selado e arreado, que me ofereceram dizendo:

- Vamos. O apocalipse é logo ali.

Leia o conto na íntegra no Preblog.