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27 maio, 2026

ARGUMENTUM EX SILENTIO

Frances Wood baseou seu controverso livro "Marco Polo foi à China?" num argumento pelo silêncio. Ao argumentar que Marco Pólo (gravura)jamais foi até à China e que ele teria apenas inventado seu relato. Baseando-se na falta de elementos que deixa de citar, como o chá, a Grande Muralha da China e a prática de amarrar os pés das moças (pés de lótus). Ela argumentou que nenhum estrangeiro que tivesse passado quinze anos na China teria deixado de perceber e de relatar estes elementos. A maior parte dos historiadores, porém,discorda da sinóloga.

09 agosto, 2020

Música e silêncio

1 Alguns dos maiores escritores da humanidade exaltaram o singular encantamento da música. Walt Whitman considerou-a "a expressão mais profunda da natureza". Maurice Sendak encontrou, em sua fusão da fantasia com o sentimento, "a chave para uma grande narrativa". "Sem música, a vida seria um erro", proclamou Nietzsche. "Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música", escreveu Aldous Huxley.

2 Ecoando a requintada afirmação de Aldous Huxley, Pieper escreveu: "A música abre um caminho para o reino do silêncio".
(A pausa de uma semibreve sob uma fermata indica que a pausa deve durar o tempo que o músico quiser.)

3 Músicas silenciosas
1897 - Marcha fúnebre composta para os funerais de um homem surdo, de Alphonse Allais
1919 - In futurum, (part III de "Fünf Pittoresken"), de Erwin Schulhoff  VÍDEO
1952 - 4'33", de John Cage
Acho simpática essa ideia de 4'33" durar mais tempo. Pois evita a peça terminar quando a gente já está se empolgando com ela.


07 agosto, 2019

Um caminho para o reino do silêncio

O filósofo alemão Josef Pieper (4 de maio de 1904 - 6 de novembro de 1997) explorou a permanente perplexidade do poder da música em um discurso proferido durante um intervalo em um concerto de Bach. em 1952, mais tarde publicado sob o título "Thoughts About Music", em sua pequena-grande coleção de ensaios póstuma "Somente o Amante Canta: Arte e Contemplação".
Ecoando a requintada afirmação de Aldous Huxley de que "depois do silêncio o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música", Pieper escreveu:
"A música abre um caminho para o reino do silêncio. A música revela a alma humana em total 'nudez', por assim dizer, sem as costumeiras cortinas linguísticas."
Que é isto?

A fermata sobre uma pausa é chamada de suspensão. A execução fica por conta do intérprete. Entretanto, palavras como "longa" ou "curta" podem ser colocadas com a fermata, sinalizando maior ou menor sustentação da pausa.

O resto é silêncio

08 maio, 2017

Um santuário do silêncio

“Silence is not the absence of something,
but the presence of everything.”
Após 30 anos de pesquisa, o ecologista acústico Gordon Hempton acha que encontrou "a polegada quadrada mais silenciosa dos Estados Unidos". Está marcada por uma pedra vermelha que ele colocou sobre um tronco cortado a 47 ° 51'57.5 "N, 123 ° 52'13.3 "W, em um canto da Floresta de Hoh, no Parque Nacional Olímpico, no ocidental estado de Washington.
A área é realmente cheia de sons, mas os sons são naturais - - por mais silencioso, para Hempton, significa que este ponto está sujeito a menos poluição sonora feita pelo homem do que qualquer outro lugar selvagem no país.
Hempton espera proteger o espaço através da criação de uma lei que proíba a sobrecarga de tráfego aéreo. "A partir de um lugar tranquilo como esse, você pode fortemente sentir o impacto de um único jato no céu", disse ele à BBC . "É o som mais alto a ameaçar. O cone de ruído que se arrasta atrás do avião se expande para preencher mais de 1.000 milhas quadradas. Queríamos ver se um ponto de silêncio poderia ondular para fora do lugar da mesma maneira."



Seu site One square Inch (Uma Polegada Quadrada) tem mais informações sobre a sua campanha. "A menos que algo seja feito", disse ele a Outside online, "vamos testemunhar a completa extinção do silêncio nos EUA em nossas vidas".
(http://www.futilitycloset.com/2016/07/19/a-separate-peace/) c/ vídeo

Poderá também gostar de ouvir
Os sons da natureza (postagem de 8 de maio de 2013)

05 janeiro, 2015

Músicas silenciosas

O 4'33", de John Cage, é comumente descrito como quatro minutos e meio de silêncio. Mas, na verdade, não é isso. Cage esperava levar o público a ouvir como música os sons ambientais da sala de concerto, aceitando-os como sons de arte, apesar de normalmente não serem assim considerados.
"O que eles pensavam que era silêncio, porque não sabiam como ouvir, estava cheio de sons acidentais", disse ele na estréia da peça, em 1952. "Você podia ouvir a agitação do vento do lado de fora durante o primeiro movimento. Durante o segundo, pingos de chuva começaram a tamborilar no telhado, e no terceiro, os próprios ouvintes é que fizeram todos os tipos de sons enquanto falavam ou saíam".
Em sentido mais amplo, 4'33" foi o trabalho mais significativo de Cage. Mas a noção de uma forma específica de arte sem substância constitui um quebra-cabeças intrigante. A obra estreou como uma peça de piano, tendo uma duração especificada de tempo, porém Cage disse depois que "a peça podia ser tocada por qualquer instrumento ou pela combinação de vários instrumentos, e durar um período de tempo maior".
Vídeos
4'33", de John Cage
Marcha fúnebre composta para os funerais de um homem surdo, de Alphonse Allais
Comentário
Acho simpática essa ideia de 4'33" durar mais tempo. Pois evita a peça terminar quando a gente já está se empolgando com ela.

29 agosto, 2014

Silêncio, funeral



Apesar da péssima fama de como se comportam em uma loja de louças, os macacos são muito respeitosos quando um deles morre.
Nada de dar caráter festivo ao acontecimento. Eles não soltam fogos, não fazem mimimi nem tiram selfies.
Macacos me mordam, se estes, ao invés daquele barulho de sempre, não guardam um minuto de silêncio em homenagem ao que morreu. Sim, um minuto e... até mais. O tempo que for necessário para realizar o sepultamento.
Vejam, para confirmar o que digo, como foi O enterro de Dorothy.

Já os pinguins quando morrem...

04 março, 2012

Silêncio, Biblioteca


Este produto (acima) desenvolvido por cientistas japoneses não pertence ao mundo da fantasia. É uma arma que afeta a capacidade de falar das pessoas. Funciona a até 30 metros de distância.
O dispositivo inventado produz um áudio com um atraso de 0,2 segundos que dificulta a capacidade humana de gerar palavras e frases corretamente. A técnica que ele emprega, chamada de realimentação auditiva atrasada, não apresenta impacto físico que cause danos, além da frustração gerada pela incapacidade de se comunicar.
Não neutraliza gritos. Mas se prevê o emprego dessa ferramenta nos locais em que as pessoas devam permanecer em silêncio. Como nas bibliotecas.
SpeechJammer: A System Utilizing Artificial Speech Disturbance with Delayed Auditory Feedback

22 agosto, 2007

E por falar em silêncio

Não sei se os antigos romanos contavam com alguma divindade para acudir a loquacidade. Tinham-na para o silêncio, uma deusa chamada Tácita (conforme lembrou Airton Soares em seu blog, recentemente). O que me leva a crer que os povos antigos da península itálica não viam as mulheres como seres tagarelas. Ressalvada a hipótese de que, com uma representante feminina do silêncio no panteão de suas divindades, não passasse tudo de uma ironia dos romanos.
O fato é que Tácita não pertence a nossos altares. Partiu há séculos, sem dar um pio, para ir fazer parte da memória mitológica da humanidade. Restando, porém, de sua influência em nosso idioma, o legado de umas poucas palavras. Como os adjetivos "tácito" e "taciturno".


Acima, uma imagem da deusa Tácita esculpida em mármore de Carrara.
Abaixo, alguns pensamentos selecionados em homenagem a ela.

“O silêncio é o único amigo que jamais trai.” (Confúcio)
“É melhor seres rei de teu silêncio que escravo de tuas palavras.” (Shakespeare)
“Manejar o silêncio é mais difícil que manejar a palavra.” (Clemenceau)
“Se o que vais dizer não é mais belo que o silêncio: não o digas.” (provérbio árabe)
“Em virtude da palavra, o homem é superior ao animal; pelo silêncio, ele se supera a si mesmo.” (Masson)
"É melhor ficar calado e parecer estúpido do que falar e acabar com todas as dúvidas." (Mark Twain)