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11 agosto, 2026

A vela inteligente






Dries Depoorter é um artista belga, palestrante e "criador de conceitos". Eu duvidaria que essa última função seja um trabalho de verdade, mas meu primeiro conhecimento sobre ele foi através desta "vela inteligente", que queima na mesma proporção do seu custo. A vela custa €30 e tem 30 linhas. Conforme você a usa, o dinheiro gasto nela vai se consumindo.

29 novembro, 2014

"Black Friday" no Brasil é fraude, diz Forbes

A revista Forbes publicou numa reportagem uma crítica pesada contra a Black Friday no Brasil.
Se, nos Estados Unidos da América, a Black Friday é um dia especial de descontos; no Brasil é fraude, diz a revista. É mais uma maneira para os lojistas enganarem os consumidores ansiosos por participar de uma tradição norte-americana.


BLACK FRAUDE: TUDO PELA METADE DO DOBRO

16 outubro, 2014

Há consumo após o consumo?

O que diz o site Unconsumption sobre o assunto:
Consumo é uma palavra usada para descrever atos de aquisição - geralmente, a aquisição de coisas em troca de dinheiro.
Unconsumption ( tradução: "desconsumo") é uma palavra usada para descrever tudo o que acontece depois de um ato de aquisição. Significa a decisão de reciclar corretamente o seu velho celular, em vez de deixá-lo jogado em uma gaveta. Significa a emoção de encontrar um novo uso para algo que você estava prestes a jogar fora. Significa desfrutar ao máximo das coisas que você possui e não apenas no momento da aquisição. Significa o prazer de usar um par de tênis até ficar verdadeiramente gasto, ao contrário de descartá-lo porque saiu de moda Significa sentir-se bem com o simples ato de desligar as luzes ao sair da sala. O "desconsumo", por conseguinte, não é sobre a rejeição ou a demonização das coisas. Não é um monte de regras. É uma ideia, um conjunto de comportamentos, uma nova maneira de pensar sobre o próprio consumo a partir de uma perspectiva inédita.
Exemplo
Se você tem uma velha vara de pescar que não é mais útil pode integrá-la a fotos de suas pescarias na decoração de uma parede:

15 outubro, 2014

Caí do mundo e não sei voltar

Eduardo Galeano, Tribuna da Internet
O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os aparelhos de som uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez. Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que havia em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar. Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de … anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor…. É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com “guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa”, mudar para o “compre e jogue fora que já vem um novo modelo”.
Troca-se de carro a cada três anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado… E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas… por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (porque éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular há poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos…
Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas dos primeiros rádios Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia “esta é um 4 de copas”.
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.
Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue…
Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio. É o autor de "As veias abertas da América Latina".
► O 15 de outubro foi instituído como Dia do Consumo Consciente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em 2009, para despertar a consciência do público para os problemas sociais, econômicos, ambientais e políticos causados pelos padrões de produção e consumo excessivos e insustentáveis ora praticados.

21/10/2014 - Correspondência
Leitor disse...
Este artículo, al igual que (nos) ESTAMOS CONSUMIENDO (http://www.marcianoduran.com.uy/?p=1388), no pertenecen a Eduardo Galeano.

02 novembro, 2012

Consuma...

... sem consumir o mundo em que você vive.
O Instituto Akatu, organização não-governamental com fins ambientais, está em campanha pelo consumo consciente. E para ajudar as pessoas a refletirem sobre seus atos de compras, a ONG lançou uma espécie de guia com o 12 Princípios do Consumidor Consciente.
1. Planeje suas compras: não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.
2. Avalie os impactos de seu consumo: leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo
3. Consuma apenas o necessário: reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.
4. Reutilize produtos e embalagens: não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.
5. Separe seu lixo: recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
6. Use crédito conscientemente: pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.
7. Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas: em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.
8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados: compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.
9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços: adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.
10. Divulgue o consumo consciente: seja um militante da causa, sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.
11. Cobre dos políticos: exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática do consumo consciente.
12. Reflita sobre seus valores: avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo.

05 setembro, 2011

Comendo o amanhã

“Se você correu, correu, correu tanto
E não chegou a lugar nenhum
Baby, oh Baby, bem vinda ao Século XXI”
Refrão de “Século XXI”, música do “Profeta” Raul Seixas, em disco de 1989.

Não adianta esconder o sol com a peneira: a Terra não aguenta o consumismo humano!
E, diga-se de passagem, consumismo de uma parte muito pequena da humanidade. Um mínimo de pessoas que consome o máximo que o mundo produz, enquanto a maior parte consome o mínimo que consegue obter, ou nada, apenas sobrevive.
O fato é que o crescimento industrial, por mais acelerado que seja, NUNCA conseguirá satisfazer a maioria dos seres humanos, nem lhes dar o básico de forma equânime. Muito menos, o básico acrescido do supérfluo. Supérfluo que, para muitas sociedades, se tornou o básico-do-básico, como automóveis, motos, televisões, telefones, computadores, armas... Sem contar o básico-profilático, como perfumes, sabonetes, cremes, desinfetantes, detergentes... Que dizer então do básico-enfeite de móveis, roupas, calçados e comidas?
Até quando o planeta aguenta o acréscimo de mais consumidores para esses produtos? Sem falar no básico-real que consiste em morar, vestir, comer e saciar a sede. Tudo com dignidade.
O acesso de uma Ásia inteira (China, Índia, Paquistão, Coréia do Norte etc.) ao mercado de consumo levará fatalmente ao colapso anunciado do planeta. Afinal de contas estamos falando de “apenas” metade da população do globo. E a população da África miserável? E da América Latina?
Creio que hoje assistimos ao maior dilema que a humanidade já enfrentou. A percepção de que o crescimento econômico mundial não levará a lugar nenhum, ou antes, levará à destruição da Terra, pode fazer com que o desespero dos Donos do Mundo leve-os a enfrentamentos graves neste século. Isto porque as nações desenvolvidas não se conformarão em abrir mão do seu quinhão de bem-estar e as em desenvolvimento também querem sua fatia.
E ninguém fala em tomar outro rumo como, por exemplo, ao invés de crescimento da produção, porque não diminuir o crescimento populacional? O máximo que aconteceria neste caso seria um aumento momentâneo do número de idosos em relação aos jovens, depois a coisa retomaria seu curso natural.
Mas não. Uns preferem colocar obstáculos ao crescimento dos outros. E deixam o mundo caminhar numa direção cada vez mais perigosa. Talvez apostando numa catástrofe natural ou num crescimento indefinido e artificial como hoje se observa, embalado por matanças, roubos e misérias.
A redução da atividade industrial e do crescimento populacional seria benéfica em todos os aspectos, principalmente em relação à violência pois, hoje, o sistema financeiro mundial e, consequentemente, o aumento de produção no mundo, mantém-se em pé graças ao que se chama eufemisticamente de economia informal, mas que, na realidade, trata-se de imensa teia de atividades subterrâneas ilegais, como tráfico de drogas, de gente, de órgãos, pirataria e incentivo à atividades relacionadas à guerra e à segurança (sic), além da imensa fatia de dinheiro oriunda do desvio de dinheiro público de todos os países.
O mundo já teve um padrão-ouro, passou para um padrão-fiducia e, atualmente, vive a era do padrão-ilegalidade, pois a fiducia se foi há muito tempo. E é a ilegalidade que explica a atual liquidez internacional e é o que impede a implosão dessa montanha de capitais que circula sem lastro e sem explicação.
A desaceleração do crescimento econômico, aliada a um rígido controle populacional, talvez seja a única alternativa que resta à humanidade. E as nações industrializadas deveriam começar justamente por estancar totalmente a produção/comercialização/utilização de artefatos bélicos, promovendo a paz entre todos os povos, o que as deixaria livres para atuar nos outros graves problemas que afligem a humanidade, inclusive os relacionados ao meio-ambiente.
Isso exige, no mínimo, sabedoria e esta é a matéria-prima mais rara do mundo, principalmente entre os que mandam nele.
Enquanto isso, vamos continuar comendo o amanhã.

Fernando Gurgel Filho, de Brasília

30 junho, 2009

Amassando uvas

Este cacho de uvas é uma representação do consumo per capita de vinho tinto nos principais países do mundo no ano de 2006.
Nessa ilustração, as maiores uvas simbolizam Luxemburgo (5,91 litros), França, Itália, Portugal, Suíça e Croácia. E o Brasil (com 0,17 litros) não passa de uma uvinha enfezada a se desprender da ponta do cacho.
Comentário
Por não considerar o ato de beber vinho uma questão patriótica, eu vou continuar preferindo o uísque, o rum e a cerveja (PGCS).