O bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) é um pássaro da família dos tiranídeos, típico das Américas, que habita desde o sul do Texas até a Argentina.
Seu epíteto específico provém do latim sulphuratus ("semelhante a enxofre"), pela cor amarela como enxofre no ventre desta ave.
Possui um canto peculiar: o canto trissilábico característico que enuncia as sílabas BEM-TE-VI, que dão o nome à espécie. Portanto, seu nome popular tem origem onomatopaica.
Onomatopeia é uma figura de linguagem onde os sons são transcritos por meio de palavras. Muitos nomes populares de aves têm origem em onomatopeias. Entre os exemplos, destacam-se o bem-te-vi, o fogo-apagou, o tem-farinha-aí, o quero-quero, o amanhã-eu-vou (a carimbamba), o três-potes,o ui-pi, o joão-teneném, entre muitos outros!
Nos diversos países, cada um denomina o pássaro conforme a onomatopeia é compreendida.
No Brasil, é chamado de "bem-te-vi"; em países de língua espanhola, de "bien-te-veo" ou "bicho-feo"; em países falantes de inglês (EUA, Belize), de "kiskadee"; e, na Guiana Francesa, é chamado de "quiquivi".
Em alemão, é chamado de "Schwefelmaskentyrann"! Hahaha! Acho que não tem nada a ver com o canto do pássaro… :-)
No Brasil, as pessoas se referem ao capote (galinha-de-angola) como "tô-fraco". Já escrevi um texto em que provo que o capote é, na verdade, uma ave bilíngue.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2018/05/o-criador-de-capotes.html
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05 julho, 2026
21 fevereiro, 2026
O tangará, inteligência em um dedal
por Nelson José Cunha
A esperteza do tangará toca em um ponto que sempre me intrigou: a desproporção entre o tamanho do cérebro das aves e a inteligência efetiva de suas ações. Um cérebro diminuto, leve o bastante para voar, é capaz de produzir soluções que desafiam nossa intuição mais elementar sobre o que seja pensar.
O tangará não constrói seu ninho apenas para abrigar ovos. Ele o adorna. Não para agradar, mas para confundir. Suas estruturas visuais quebram padrões, criam ruído perceptivo, sabotam o olhar do predador. É camuflagem disruptiva - conceito que engenheiros e estrategistas humanos demoraram séculos para formular.Ele usam fiapos de musgo e líquen, e funciona. Pesquisadores descobriram que tal estratégia reduz em 90% a pilhagem dos seus ninhos. O pássaro não sabe disso. Mas faz. E faz melhor do que muitos projetos conscientes.
Aqui reside o desconforto: chamamos isso de instinto, como se a palavra resolvesse o mistério. Não resolve. O instinto do tangará produz efeitos inteligentes, ajustados ao ambiente, eficientes e parcimoniosos. Não há desperdício cognitivo, nem exuberância inútil. Há inteligência brotando de um cérebro que cabe em um dedal.
Quando ampliamos o olhar, o espanto cresce. Corvos fabricam ferramentas, testam hipóteses, aprendem observando outros e transmitem soluções entre gerações. Papagaios reconhecem símbolos, quantidades e relações. Joões-de-barro erguem arquiteturas termicamente eficientes, orientadas ao sol, resistentes à chuva — sem engenheiro, sem cálculo formal, sem erro acumulado. Nenhuma dessas aves precisa de um cérebro grande. Precisa de um cérebro suficiente.
Essa constatação obriga a uma revisão incômoda de nossas certezas sobre nós mesmos. Há cérebros maiores do que o humano no mundo animal, e nem por isso há ciência, tecnologia ou história acumulada. O cérebro do homem primitivo não era menor nem menos complexo que o nosso; era, em essência, o mesmo cérebro, lançado em um mundo que ainda não havia aprendido a se lembrar de si. O salto humano não está no órgão, mas fora dele. Está na linguagem simbólica e em sua derivada decisiva: a escrita. Foi ela que criou algo radicalmente novo — memória fora do corpo, inteligência distribuída no tempo. Cada geração deixou de começar do zero e passou a herdar erros, acertos, técnicas e narrativas. O conhecimento deixou de morrer com quem o produziu. Somar tornou-se mais importante do que inventar. Sem isso, haveria inteligência, como há nas aves, mas não civilização.
A isso se somam as mãos. Não apenas como ferramentas anatômicas, mas como mediadoras entre símbolo e mundo. Ideias puderam virar gesto; gestos, artefatos; artefatos, tradição. Macacos têm mãos, mas não têm linguagem simbólica complexa. Papagaios vocalizam, mas não constroem cultura acumulada. O humano reuniu essas dimensões e, com isso, rompeu um limite que nenhuma outra espécie atravessou.
É nesse ponto que a comparação com a inteligência artificial se impõe. Para produzir resultados impressionantes, a IA depende de redes neurais gigantescas, consumo energético elevado, volumes colossais de dados e infraestrutura planetária. Ainda assim, o que ela faz é, em larga medida, imitação: recombina padrões já existentes. As aves, com alguns gramas de tecido neural, fazem algo mais radical — agem no mundo com economia, precisão e finalidade biológica. Um cérebro biológico tão pequeno faz, em termos proporcionais, muito mais do que nossas máquinas. Não porque seja “mais inteligente”, mas porque é inseparável da vida.
Ele não processa o mundo à distância; está imerso nele. Não calcula cenários abstratos; responde a pressões reais. Não simula consequências; sofre-as. Essa diferença ilumina algo essencial também sobre nós. Nos animais, a astúcia não se emancipa da natureza. Ela serve à sobrevivência, não ao poder.
O tangará não engana outros tangarás, não transforma sua habilidade em sistema, não cria narrativas para justificar desvios. Sua inteligência tem limite, e é justamente esse limite que a torna funcional. O humano, ao contrário, munido de linguagem, memória histórica e mãos capazes de transformar ideia em instrumento, passou a usar a astúcia não apenas para viver, mas para dominar, explorar, contornar responsabilidades. Quando a astúcia se separa da prudência, deixa de ser virtude e se torna risco sistêmico.
Nenhuma ave ameaça o ecossistema ao aprimorar sua técnica. Nós frequentemente o fazemos. Talvez, então, o espanto não devesse estar no quão inteligentes são os pássaros, mas no quão ineficientes nos tornamos ao confundir inteligência com volume — de dados, de neurônios, de discursos.
O tangará ensina, sem saber, que pensar não é acumular, mas ajustar. Não é impressionar, mas funcionar. A inteligência verdadeira não está no tamanho do cérebro nem na grandiosidade da máquina, mas na capacidade de agir sem destruir o chão que sustenta a ação.
Em um dedal de cérebro, o tangará constrói pontes invisíveis entre percepção e sobrevivência. Nós, com todo o nosso aparato simbólico e técnico, ainda insistimos em provar que sabemos mais — mesmo quando já esquecemos para quê.
19 setembro, 2025
Falcões de fogo
São aves que se especializaram em usar o fogo para caçar. Notadamente, são três espécies de aves de rapina pertencentes a duas famílias diferentes: o milhafre-preto (Milvus migrans), o milhafre-assobiador (Haliastur sphenurus) e o falcão berigora (Falco berigora).
Conforme relatado por aborígenes e bombeiros australianos (Journal of Ethnobiology, 2018), essas aves se reúnem em grupos quando um incêndio se forma. Lá, eles pegam gravetos em chamas, transportam-nos e depois os jogam em áreas ainda não afetadas a fim de atear novos focos de incêndio.
O objetivo desse comportamento é óbvio: forçar suas presas a saírem de seus esconderijos para que possam se banquetear num bifê gigante.
Pourquoi des rapaces déclenchent-ils volontairement des incendies en Australie? GEO
Conforme relatado por aborígenes e bombeiros australianos (Journal of Ethnobiology, 2018), essas aves se reúnem em grupos quando um incêndio se forma. Lá, eles pegam gravetos em chamas, transportam-nos e depois os jogam em áreas ainda não afetadas a fim de atear novos focos de incêndio.
O objetivo desse comportamento é óbvio: forçar suas presas a saírem de seus esconderijos para que possam se banquetear num bifê gigante.
Pourquoi des rapaces déclenchent-ils volontairement des incendies en Australie? GEO
29 janeiro, 2024
Asteroides: do "Quack Quack" ao "Honk Honk"
Deu no JPost:
Um asteroide do tamanho de mais de 64 gansos canadenses deverá passar sobre a Terra na terça-feira, 30 de janeiro, de acordo com o Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), o rastreador de asteroides da NASA. Cálculos da agência espacial preveem que este asteroide, o 2007 EG, não chegará perto da Terra durante seu sobrevôo.
Conhecidas como Branta canadensis, essas aves aquáticas nojentas são famosas em todo o mundo, especialmente em suas regiões nativas, por seu comportamento agressivo e desagradável.
Mas como eles se comparam a um asteroide, cuja agressividade e detestabilidade ainda estão em questão (embora, em defesa do asteroide, ele não buzine nem cubra o solo em movimentos de tigela verde)?
De acordo com a Universidade de Michigan, o ganso médio do Canadá pode crescer até 1,10 metros de comprimento. Isso significa que o asteroide 2007 EG pode equivaler ao tamanho de 64 gansos canadenses, todos alinhados da cauda ao bico, sem dúvida grasnando extremamente alto enquanto voam em uma cacofonia irritante.
O asteróide a caminho atingirá a Terra?
Um asteroide do tamanho de mais de 64 gansos canadenses deverá passar sobre a Terra na terça-feira, 30 de janeiro, de acordo com o Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), o rastreador de asteroides da NASA. Cálculos da agência espacial preveem que este asteroide, o 2007 EG, não chegará perto da Terra durante seu sobrevôo.
Conhecidas como Branta canadensis, essas aves aquáticas nojentas são famosas em todo o mundo, especialmente em suas regiões nativas, por seu comportamento agressivo e desagradável.
Mas como eles se comparam a um asteroide, cuja agressividade e detestabilidade ainda estão em questão (embora, em defesa do asteroide, ele não buzine nem cubra o solo em movimentos de tigela verde)?
De acordo com a Universidade de Michigan, o ganso médio do Canadá pode crescer até 1,10 metros de comprimento. Isso significa que o asteroide 2007 EG pode equivaler ao tamanho de 64 gansos canadenses, todos alinhados da cauda ao bico, sem dúvida grasnando extremamente alto enquanto voam em uma cacofonia irritante.
O asteróide a caminho atingirá a Terra?
Não.
Afinal, ele deverá passar a uma distância de mais de 4,8 milhões de quilômetros.
No entanto, outros asteróides não são o caso. Na verdade, a Terra já foi atingida pelo asteróide 2024 BX1, ainda no início deste mês.
O asteroide em questão, vulgo "Quack Quack", tinha aproximadamente o tamanho de dois patos e impactou inofensivamente sobre a Alemanha no início de janeiro.
No entanto, outros asteróides não são o caso. Na verdade, a Terra já foi atingida pelo asteróide 2024 BX1, ainda no início deste mês.
O asteroide em questão, vulgo "Quack Quack", tinha aproximadamente o tamanho de dois patos e impactou inofensivamente sobre a Alemanha no início de janeiro.
E podemos impedir que um asteroide atinja a Terra?
Cientistas de todo o mundo têm trabalhado arduamente para tentar fazer exatamente isso, e avanços suficientes feitos neste campo ajudariam a criar uma medida de protecção para a defesa planetária.
O mais promissor até agora é a deflexão cinética, conforme demonstrado pela missão Double Asteroid Redirection Test (DART) da NASA, que conseguiu alterar o caminho orbital de um asteróide distante.
Portanto, fique tranquilo, o asteróide "Honk Honk" não representa nenhum risco para a Terra.
Na verdade, com a sua tendência de voar contra aeronaves e causar danos, inclusive o de provocar acidentes de avião que podem matar dezenas, senão centenas de pessoas, os gansos canadenses são muito mais perigosos do que este asteróide é neste momento.
Cientistas de todo o mundo têm trabalhado arduamente para tentar fazer exatamente isso, e avanços suficientes feitos neste campo ajudariam a criar uma medida de protecção para a defesa planetária.
O mais promissor até agora é a deflexão cinética, conforme demonstrado pela missão Double Asteroid Redirection Test (DART) da NASA, que conseguiu alterar o caminho orbital de um asteróide distante.
Portanto, fique tranquilo, o asteróide "Honk Honk" não representa nenhum risco para a Terra.
Na verdade, com a sua tendência de voar contra aeronaves e causar danos, inclusive o de provocar acidentes de avião que podem matar dezenas, senão centenas de pessoas, os gansos canadenses são muito mais perigosos do que este asteróide é neste momento.
11 junho, 2020
Pássaros do fogo
Aborígenes australianos sustentam que há pássaros que incedeiam a vegetação carregando paus com fogo em seus bicos ou garras. Planando e pousando perto das frentes de fogo, essas aves fazem prosperar os incêndios que assolam as savanas tropicais da Austrália.
A cada ano, até 75% das savanas tropicais da Terra queimam. A Austrália não é exceção a esta regra. De 1997 a 2011, cerca de 18% das 730.000 milhas quadradas de savanas da Austrália foram afetadas por incêndios a cada ano, em média. Algumas regiões veem incêndios uma vez a cada dois anos.
A idéia é que algumas aves usem suas fogueiras para ajudar a obter comida - facilitando refeições com insetos e outros pequenos animais que tentam fugir dos incêndios.
Falcões marrons (imagem) e papagaios pretos chegam a essas frentes que são, literalmente, um frenesi mortal", disse o ornitólogo Bob Gosford, em uma entrevista à Australian Broadcasting Corporation (2016). "É um frenesi alimentar, porque dessas pastagens surgem pequenos pássaros, lagartos, insetos, tudo fugindo da frente de fogo".
https://www.nationalgeographic.com/news/2018/01/wildfires-birds-animals-australia/
A cada ano, até 75% das savanas tropicais da Terra queimam. A Austrália não é exceção a esta regra. De 1997 a 2011, cerca de 18% das 730.000 milhas quadradas de savanas da Austrália foram afetadas por incêndios a cada ano, em média. Algumas regiões veem incêndios uma vez a cada dois anos.
A idéia é que algumas aves usem suas fogueiras para ajudar a obter comida - facilitando refeições com insetos e outros pequenos animais que tentam fugir dos incêndios.
Falcões marrons (imagem) e papagaios pretos chegam a essas frentes que são, literalmente, um frenesi mortal", disse o ornitólogo Bob Gosford, em uma entrevista à Australian Broadcasting Corporation (2016). "É um frenesi alimentar, porque dessas pastagens surgem pequenos pássaros, lagartos, insetos, tudo fugindo da frente de fogo".
"Eu vi um falcão (Falco berigora) pegar uma vara fumegante em suas garras e jogá-la em um punhado de grama seca a 800 metros de distância, e depois esperar com seus companheiros pelo êxodo louco de roedores e répteis chamuscados e assustados", escreveu Waipuldanya Phillip Roberts em "I, the Aboriginal", uma autobiografia de Roberts de 1964, compilada pelo jornalista australiano Douglas Lockwood.Em 8 de janeiro de 2018, saiu um artigo na National Geographic sobre como os pesquisadores esperavam obter provas de fotos ou vídeos dessa prática, uma vez que os relatos de testemunhas oculares pareciam plausíveis.
https://www.nationalgeographic.com/news/2018/01/wildfires-birds-animals-australia/
05 abril, 2020
Distanciamento social
A TURMA TODA ESTÁ SEGUINDO A ORIENTAÇÃO
Ruído por ruído
O fato é que esse vírus tem mudado radicalmente o comportamento das pessoas. Antes tossiam para esconder o peido, agora peidam para esconder a tosse.
10 agosto, 2019
Venha de chapéu!
Provérbio português com rimas internas
Arrenego do mouro e do judeu e do homem de Viseu,
mas lá vem braguês que é pior que todos três;
e o do Porto, no seu contrato, é o pior de todos os quatro,
mas o ilhéu é de se lhe tirar o chapéu.
05 maio, 2019
Pernalta
É uma designação imprecisa e taxonomicamente incorreta utilizada para descrever diversas espécies de aves aquáticas que apresentam em comum a característica dos membros inferiores alongados.
A designação aplica-se essencialmente a gatos, mas não a todos.
29 novembro, 2018
Cada um vê o que precisa
Nossos dois olhos estão virados para o mesmo lado. Isso faz com que tenhamos um campo de visão pequeno, mas um grande senso de perspectiva (visão estereoscópica). Somamos, no cérebro, as duas imagens do objeto.
Comparem a visão dos seres humanos com a visão das aves.
1. A maioria dos pássaros tem olhos muito separados, com vasto campo de visão. Eles percebem os movimentos em quase toda a sua volta. Até conseguem ver com perspectiva quando olham bem de frente, pois há uma pequena zona onde os dois olhos captam simultaneamente as imagens dos objetos.
2. O pombo é um caso especial. Como passa boa parte do tempo ciscando, com o bico no chão, sua visão traseira é melhor do que a dianteira. Assim, ele evita que algum predador o surpreenda durante a refeição.
3. Já as corujas são uma exceção. Seus dois olhos ficam à frente, como os olhos dos homens. É que elas não se preocupam com surpresas pelas costas. Querem mais é calcular a distância das presas lá embaixo.
As corujas ajudam a controlar as populações de roedores. Uma família de corujas famintas pode consumir mais de 3.000 roedores em uma época de nidificação, mantendo a cadeia alimentar naturalmente equilibrada.
Comparem a visão dos seres humanos com a visão das aves.
1. A maioria dos pássaros tem olhos muito separados, com vasto campo de visão. Eles percebem os movimentos em quase toda a sua volta. Até conseguem ver com perspectiva quando olham bem de frente, pois há uma pequena zona onde os dois olhos captam simultaneamente as imagens dos objetos.
2. O pombo é um caso especial. Como passa boa parte do tempo ciscando, com o bico no chão, sua visão traseira é melhor do que a dianteira. Assim, ele evita que algum predador o surpreenda durante a refeição.
3. Já as corujas são uma exceção. Seus dois olhos ficam à frente, como os olhos dos homens. É que elas não se preocupam com surpresas pelas costas. Querem mais é calcular a distância das presas lá embaixo.
Fonte da imagem: https://buff.ly/2FI7wNT
As corujas ajudam a controlar as populações de roedores. Uma família de corujas famintas pode consumir mais de 3.000 roedores em uma época de nidificação, mantendo a cadeia alimentar naturalmente equilibrada.
15 junho, 2017
Uma técnica de caça usada por crocodilos
Algumas espécies de aves como garças fazem seus ninhos em árvores que crescem em lagoas onde há um grande número de crocodilos ou jacarés. Possivelmente para evitar a escalada das árvores por predadores de ninhos como cobras e macacos.
Estariam as garças contando com os crocodilos para protegê-los?
Ora, de vez em quando, eles podem querer um pássaro saboroso para o almoço!
No Madras Crocodile Bank, Vladimir Dinets observou crocodilos agressivos (Crocodylus palustris) que ficavam submersos por longas horas com paus equilibrados em seus focinhos. Mais tarde, ele resolveu investigar na Flórida a possibilidade deste comportamento em jacarés americanos (Alligator mississippiensis).
Ele constatou que os jacarés americanos também usavam galhos e paus para atrair as aves, especialmente durante a época de construção dos ninhos.
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03949370.2013.858276
Estariam as garças contando com os crocodilos para protegê-los?
Ora, de vez em quando, eles podem querer um pássaro saboroso para o almoço!
No Madras Crocodile Bank, Vladimir Dinets observou crocodilos agressivos (Crocodylus palustris) que ficavam submersos por longas horas com paus equilibrados em seus focinhos. Mais tarde, ele resolveu investigar na Flórida a possibilidade deste comportamento em jacarés americanos (Alligator mississippiensis).
Ele constatou que os jacarés americanos também usavam galhos e paus para atrair as aves, especialmente durante a época de construção dos ninhos.
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03949370.2013.858276
17 fevereiro, 2014
Vade retro
Parece extremamente improvável que um dia possamos recriar os dinossauros a partir do sangue fossilizado dos mesmos. Credite-se aos cientistas do "Parque Jurássico" a falsa esperança de que, com o sangue dos dinossauros extraído de mosquitos preservados em âmbar, teríamos esse DNA para recriá-los. (1) (2)Isto porque o DNA, em condições ideais, tem uma meia-vida de 521 anos e os dinossauros deixaram de existir há 65 milhões de anos.
Em recente artigo publicado no Telegraph, o Dr. Alison Woollard, da Universidade de Oxford, considera mais exequível modificar os genomas das aves modernas para fazer reviver os dinossauros. Já que as aves são descendentes diretas dos dinossauros, como comprova a linha ininterrupta de fósseis entre estes e aqueles.
"O mais famoso exemplo é o Archaeopteryx, um fóssil que mostra claramente a transição dos dinossauros com penas para os pássaros modernos.
Segundo Dr. Woollward, poderíamos algum dia ser capazes de recriar esses animais antigos "rebobinando" o DNA das aves.
N. do E.
Involução: o mundo precisa disso. Novos predadores gigantes no topo da cadeia alimentar.
16 junho, 2012
O turista calçudo
Em 2010, funcionários da alfândega do aeroporto de Rochambeau, em Caiena, Guiana Francesa, depois de perceberem algumas saliências suspeitas num turista holandês, conduziram-no para uma revista mais detalhada.
O que encontraram foi perturbador. Pequenas "jóias de penas iridescentes" embrulhadas em pano, uma a uma, e alojadas em bolsos costurados no interior do calção do turista.
Do falso turista, aliás, o qual estava sendo reincidente. Dois anos antes, ele fora interceptado, com um cúmplice - no mesmo aeroporto -, transportando 53 beija-flores.
A taxa de letalidade dessas aves durante a viagem seria em torno de 50 por cento. Ainda assim os traficantes consideram o contrabando de aves um bom negócio.
Enquanto houver demanda, não é mesmo?
Ver mais fotos da apreensão, aqui.
Ler também: Fazendas de papagaios, a postagem 224 do Acta Pulmonale.
O que encontraram foi perturbador. Pequenas "jóias de penas iridescentes" embrulhadas em pano, uma a uma, e alojadas em bolsos costurados no interior do calção do turista.
Do falso turista, aliás, o qual estava sendo reincidente. Dois anos antes, ele fora interceptado, com um cúmplice - no mesmo aeroporto -, transportando 53 beija-flores.
A taxa de letalidade dessas aves durante a viagem seria em torno de 50 por cento. Ainda assim os traficantes consideram o contrabando de aves um bom negócio.
Enquanto houver demanda, não é mesmo?
Ver mais fotos da apreensão, aqui.
Ler também: Fazendas de papagaios, a postagem 224 do Acta Pulmonale.
21 outubro, 2011
Piar também é piada
Rubem Braga gostava de contar esta historieta do tempo em que passarinhava.
Certa feita, depois de haver piado macuco uma boa meia hora, a danada da ave lhe apareceu. Mas, ao tentar levar a arma à cara, teve um grande dissabor. Ouvir isto do macuco: "Não atire não, moço, eu só vim ver quem é que estava piando macuco tão mal."
"Tarde piaste!"
Duas explicações anedóticas são apresentadas como provável origem dessa locução. Uma se refere ao milhafre, ave que não costuma apanhar presas vivas, mas, por exceção, às vezes pega uns pintainhos e os devora. Embora piem de nada adianta, porque tarde piaram... A outra versão é a de um galego, que indo comer ovos crus, ao engolir um que não estava fresco, já na garganta lhe piou um pinto, ao que teria observado: "Tarde piaste!" (Raimundo Magalhães Jr.)
Portanto, "tarde piaste!" é uma resposta que se dá a um protesto quando a situação se tornou irreversível. Quem pia tarde perde o prazo e deixa de impugnar um ato em tempo hábil.
Certa feita, depois de haver piado macuco uma boa meia hora, a danada da ave lhe apareceu. Mas, ao tentar levar a arma à cara, teve um grande dissabor. Ouvir isto do macuco: "Não atire não, moço, eu só vim ver quem é que estava piando macuco tão mal."
"Tarde piaste!"
Duas explicações anedóticas são apresentadas como provável origem dessa locução. Uma se refere ao milhafre, ave que não costuma apanhar presas vivas, mas, por exceção, às vezes pega uns pintainhos e os devora. Embora piem de nada adianta, porque tarde piaram... A outra versão é a de um galego, que indo comer ovos crus, ao engolir um que não estava fresco, já na garganta lhe piou um pinto, ao que teria observado: "Tarde piaste!" (Raimundo Magalhães Jr.)
Portanto, "tarde piaste!" é uma resposta que se dá a um protesto quando a situação se tornou irreversível. Quem pia tarde perde o prazo e deixa de impugnar um ato em tempo hábil.
01 julho, 2011
Acidentes com arraias - 2
Julho é tradicionalmente o mês das arraias (pipas) em Fortaleza. Essas brincadeiras, porém, quando incluem o "corte das arraias", podem causar acidentes nas pessoas.
Os acidentes estão relacionados com as seguintes situações:
A linha da arraia, ao ter contato com fios da rede elétrica, poder dar choques.
A linha também poder conduzir, em dias de chuva, descargas elétricas (raios) a partir da atmosfera.
Quedas e atropelamentos dos brincantes que correm nas ruas atrás das arraias "cortadas".
E, por último mas não menos importante, os acidentes relacionados com o cerol, essa mistura de cola com pó de vidro, que é passada na linha da arraia para que fique cortante. Já tem causado muitos acidentes, alguns deles fatais, principalmente em motoqueiros.
Uma reportagem apresentada no "Bom Dia Rio" (28/03/11) mostrou que os acidentes não são exclusivos dos seres humanos:
"Um perigo ameaça os pássaros nos céus do Rio de Janeiro. As linhas de pipa com cerol têm causado ferimentos e mortes das aves. Animais atingidos são tratados por veterinários de uma clínica mantida por uma universidade particular, em Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio.
A clínica recebe cerca de 80 animais por mês, que sofreram algum tipo de lesão, seja por acidente ou por maus tratos. Mas um tipo de ferimento vem chamando a atenção: aves de diferentes espécies são levadas com cortes profundos, todas elas atingidas pela linha de pipa com cerol. Somente no mês de janeiro deste ano, foram mais de 20.
Do alto não dá para perceber, mas o cerol - feito à base de vidro moído e cola - continua sendo usado. Como a linha fica transparente, os pássaros não conseguem desviar.
“Muitos deles morrem. O que chega para a gente foi o que, na realidade, acabou sobrevivendo à queda e à lesão imediata. Muitas vezes, pode cortar a asa inteira, ou até pode cortar o animal ao meio”, explica o veterinário Jeferson Pires.
Os acidentes estão relacionados com as seguintes situações:
A linha da arraia, ao ter contato com fios da rede elétrica, poder dar choques.
A linha também poder conduzir, em dias de chuva, descargas elétricas (raios) a partir da atmosfera.
Quedas e atropelamentos dos brincantes que correm nas ruas atrás das arraias "cortadas".
E, por último mas não menos importante, os acidentes relacionados com o cerol, essa mistura de cola com pó de vidro, que é passada na linha da arraia para que fique cortante. Já tem causado muitos acidentes, alguns deles fatais, principalmente em motoqueiros.
Uma reportagem apresentada no "Bom Dia Rio" (28/03/11) mostrou que os acidentes não são exclusivos dos seres humanos:
"Um perigo ameaça os pássaros nos céus do Rio de Janeiro. As linhas de pipa com cerol têm causado ferimentos e mortes das aves. Animais atingidos são tratados por veterinários de uma clínica mantida por uma universidade particular, em Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio.
A clínica recebe cerca de 80 animais por mês, que sofreram algum tipo de lesão, seja por acidente ou por maus tratos. Mas um tipo de ferimento vem chamando a atenção: aves de diferentes espécies são levadas com cortes profundos, todas elas atingidas pela linha de pipa com cerol. Somente no mês de janeiro deste ano, foram mais de 20.
Do alto não dá para perceber, mas o cerol - feito à base de vidro moído e cola - continua sendo usado. Como a linha fica transparente, os pássaros não conseguem desviar.
“Muitos deles morrem. O que chega para a gente foi o que, na realidade, acabou sobrevivendo à queda e à lesão imediata. Muitas vezes, pode cortar a asa inteira, ou até pode cortar o animal ao meio”, explica o veterinário Jeferson Pires.
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