Aos 12 anos, Josephine abandonou a escola, dormia em caixas de papelão e tentava ganhar a vida como dançarina de rua. Em fevereiro de 1920, aos 13 anos, casou-se pela primeira vez. Uma união que durou apenas um ano. Casou-se novamente aos 15 anos com William Baker, de quem se separou dois anos depois para seguir a carreira em Paris. Mesmo assim, manteve o novo nome de Josephine Baker.
Na década de 1920, Joséphine Baker juntou-se a uma companhia de Music Hall, a Dixie Steppers, que fazia turnês pelo sul dos Estados Unidos. Contratada como simples figurinista, ela deu seus primeiros passos no palco ao substituir uma dançarina lesionada. Em 1922, integrou o elenco do musical Shuffle Along, o primeiro espetáculo apresentado inteiramente por artistas negros.
Em Paris, o teatro Champs-Élysées buscava uma nova vida. A estética "negra" estava em voga durante os loucos anos 20, e o pintor cubista Fernand Léger aconselhou o administrador do teatro a montar um espetáculo com elenco inteiramente negro. Vinte e cinco artistas, incluindo o músico Sidney Bechet e a dançarina Joséphine Baker, foram chamados a Paris. Assim nasceu a famosa "Revue Nègre" (Revista Negra).
Explorando os clichês da mulher negra "selvagem", o sucesso de Josephine Baker deve-se tanto às suas roupas quanto às suas excentricidades. Seu corpo, que se desdobra ao ritmo de danças ainda desconhecidas na França – em particular o Charleston – e suas caretas fascinam o público em busca de folclore. Ela se juntará ao Folies Bergère, que a consagrará, aos 20 anos.
Uma faceta menos conhecida da artista é sua participação na resistência durante a Segunda Guerra Mundial. A estrela de cabaré aproveitou as recepções para as quais foi convidada em embaixadas europeias para coletar informações valiosas para a contraespionagem. Ela fugiu da França em 1940 e juntou-se à resistência francesa no Norte da África, onde usou suas conexões para obter passaportes para judeus que fugiam do nazismo.
Após o desembarque, a cantora realizou concertos perto da frente de batalha para soldados e civis, e se apresentou na Alemanha depois de maio de 1945 para deportados libertados dos campos de concentração. Ela recebeu a Medalha da Resistência em 1946.
Embora seus espetáculos tenham suscitado duras críticas da Igreja ou de círculos conservadores, com toques de racismo, Joséphine Baker sempre elogiou a abertura e a tolerância francesas em seu país natal.
Em 1963, ela participou da Marcha pelos Direitos Civis em Washington, que ficou famosa pelo discurso de Martin Luther King, e discursou para 250 mil pessoas, exaltando, em particular, a recepção dos artistas afro-americanos em Paris. Uma ode à liberdade em um país afetado pelo segregacionismo, contra o qual ela já lutava há muitos anos. Durante um concerto na Flórida, em 1951, ela havia estipulado em seu contrato que todos fossem permitidos na sala. Foi a primeira vez que negros puderam entrar nos elegantes cabarés de Miami.
Se seu sucesso lhe atraiu muitos admiradores (e outros tantos amantes…), diz-se que ela teria recebido mais de 1.500 propostas de casamento ao longo da vida! Ela ainda aceitou cinco. Após seus dois casamentos na juventude nos Estados Unidos, em 1935 casou-se com um rico corretor, Jean Lion, e obteve a nacionalidade francesa. Casou-se novamente em 1947 com o compositor e maestro Jo Bouillon, que a acompanhou por muitos anos em suas turnês. Juntos, compraram o Château des Milandes, na Dordonha, e criaram doze filhos ali, todos adotados e de diferentes nacionalidades, um símbolo de harmonia entre as raças humanas. De forma mais prosaica, uma histerectomia a impediu de engravidar. Ela finalmente se casou com Robert Brady, um artista americano de quem se separou após apenas um ano, pouco antes de sua morte.
Fonte: Un Jour de Plus à Paris (Trad.: PGCS)
Por fim, como evocar Josephine Baker sem sua chita!
Chiquita teria sido oferecida a ela por um diretor do Casino de Paris, no início da década de 1930. O animal acompanhou Josephine Baker aos quatro cantos do mundo e era parte integrante de seu espetáculo. Ela até a deixava circular livremente no fosso da orquestra para o terror dos músicos e o deleite dos espectadores.

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