14 março, 2019

Versos para Marielle


Na cara preta, a bala é sempre um ornamento previsível.

Entre as sobrancelhas, como uma pinta, uma marca de nascença.

Não é algo que faça a diferença. Algo que distinguiria.

Quem olha não nota. Toma como um traço comum da etnia.

A menos que o conjunto resulte inesperadamente belo. O teu caso. Não por acaso.

A bala e teus cabelos anelados. A bala e teu sorriso aberto. De repente, descoberto.

A bala e essa tua cor de pele. Meu deus! Que é da bala e esse brilho nos olhos teus?

É quase uma afronta à ordem pública. Impudica, tanto que fascina.

Quando passas, enchem-se as praças – portas as bandeiras da raça.

Para te ver, encerro mais cedo os trabalhos da Oficina.

Mas lembra, mulher, que correm maior perigo as belas. Às balas.

Dos homens que te desejam impotentes. E de outras mulheres, naturalmente.

É deles que a bala virá, como presente. Como uma homenagem insolente.

De mim, apenas alguns versos imprudentes.

o caso Marielle: 365 dias sem resposta; onde estão os mandantes?

Questão para gincana
Encontrar uma foto em que o capetão NÃO esteja fazendo o gesto da arminha.

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