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12 junho, 2023

O touro de Wall Street

Conhecido em inglês como "Charging Bull" ("Touro em investida", em tradução livre), é uma escultura de bronze que fica em Bowling Green, no distrito financeiro de Manhattan, na cidade de Nova Iorque.
A obra pesa 3,5 toneladas e mede 3,4 metros de altura por 4,9 metros de comprimento. Ela representa um touro em posição de ataque, como a simbolizar um mercado financeiro pujante (bull market).
Arturo di Modica idealizou essa estátua, após o crash da bolsa de valores de Nova Iorque de 1987, a "segunda-feira negra", como um presente para a cidade, um "símbolo da força e poder do povo americano". O artista gastou suas economias, 360 mil dólares, na obra, que foi instalada em 15 de dezembro de 1989 na Broad Street, em frente ao prédio da Bolsa de Valores. 
A escultura foi apreendida pela polícia de Nova Iorque e levada a um pátio de veículos. O protesto público que se seguiu levou o Departamento de Parques e Recreação da cidade a reinstalá-la dois quarteirões ao sul da Bolsa, em Bowling Green, com uma cerimônia em 21 de dezembro de 1989.
O touro de Wall Street tem sido muitas vezes alvo de críticas a partir de uma perspectiva anticapitalista. Os protestos do Occupy Wall Street usaram o touro como uma figura simbólica, em torno da qual direcionaram suas críticas à ganância corporativa.
A estátua já foi também comparada ao bezerro de ouro, que foi adorado pelos israelitas em seu Êxodo do Egito. Durante o Occupy, em várias ocasiões, um grupo interreligioso de líderes religiosos liderou uma procissão com um "bezerro de ouro" que foi modelado com base no touro.
Em 7 de março de 2017, véspera do Dia Internacional da Mulher, a estátua de uma menina em pose de desafio foi instalada em frente ao touro, como forma de chamar atenção para a desigualdade de gênero no mercado financeiro. A nova escultura ficou conhecida como "Fearless Girl" (Menina sem medo).

17 março, 2023

O touro Ferdinando

"Era uma vez na Espanha um jovem touro e seu nome era Ferdinando." Assim começa o clássico infantil de 1936 sobre um touro que prefere as flores à luta. "Ferdinand the Bull" (El toro Ferdinand) foi um sucesso instantâneo, popular entre todos os usuários de sandálias e bebedores de suco de frutas, de Eleanor Roosevelt a Gandhi. Hitler, naturalmente, mandou queimar o livro pois continha propaganda pacifista.
Eu? Sempre tive uma queda por isso – uma fraqueza compartilhada pelo matador mais famoso de todos, Juan Belmonte. Adorei a versão do filme animado de 2017, com sua representação impecável de Las Ventas, a praça de Madri.
O que a maioria das pessoas não sabe é que a história de Munro Leaf, de 1936, foi baseada em fatos reais. O Ferdinando da vida real era um belo touro preto chamado Civilón, nascido nos pastos de sobreiro em torno de Salamanca. Os touros jovens aprendem a usar seus chifres praticando esgrima com seus irmãos e, após um grave corte, Civilón fez amizade com Carmelita, a filha de sete anos de seu criador.
Algo inédito. Um touro lutador é criado para arremessar em qualquer desafiante que ele percebe. Exclusivamente entre os herbívoros, ele atacará, não por autodefesa ou medo, mas por aquilo que só pode ser chamado de coragem. No entanto, ali estava um touro bravo que, aparentemente, havia  renunciado à sua herança.
As pessoas vinham de toda a Espanha para ver a visão extraordinária de um touro de briga comendo na mão de uma menina. Civilón era tão conhecido que os comentaristas de direita começaram a zombar do nome do infeliz primeiro-ministro republicano Santiago Casares Quiroga (coincidentemente, "civilón" também era um termo pejorativo que os soldados espanhóis usavam para civis).
Em junho de 1936, o astuto gerente da antiga praça de touros de Barcelona, La Monumental, contratou Civilón como um dos cordelinhos. Era a corrida da época: todo mundo queria ver se, assim que pisasse na arena, Civilón se lembraria de seu pedigree e atuaria. Ele o fez, sem hesitar, abaixando a cabeça e se lançando sobre o cavalo do picador.
A platéia levantou-se como um só homem para exigir o indulto, a preservação de um touro excepcional para que ele pudesse ser colocado em reprodução. O presidente, confrontado com uma petição unânime, consentiu, acenando com o lenço laranja, o que raramente é visto no ringue. Então o criador, o pai de Carmelita, Juan, chamou Civilón para o canto do ringue – e o touro, tão letal momentos antes, trotou mansamente para acariciar sua mão.
Um aficionado pode passar muitas temporadas sem ver um indulto . As touradas devem terminar com a morte do protagonista. Essa morte pode ser realizada espetacularmente ou não, dependendo da qualidade e coragem do matador (e de sua espada encontrar a aorta). Mas os próprios eventos são tão predeterminados quanto em uma tragédia grega – com a qual eles se assemelham muito. Se um touro ferir gravemente ou matar um matador, outro matador completará o rito.
Essa, pelo menos, é a teoria. Na realidade, a tourada passa por espasmos ocasionais de "indultismo". O problema é que todos ganham com esses perdões. Os espectadores sentem que fizeram parte de algo especial. O matador é poupado da parte mais perigosa da tarde - ter que passar por cima dos chifres do touro, para que um impulso para cima o estripe. O criador recebe sua mercadoria de volta. Mas se o indulto for banalizado, todo o ritual corre o risco de se tornar nulo.
O "indultismo" chegou perto de destruir a festa no México. E há sinais alarmantes de que está em ascensão na Espanha. Durante a primeira década deste século, havia, em média, dez indultos por ano – aproximadamente um para cada 300 touros. Em 2019 foram 43. Este ano, como os leitores regulares saberão, vi um indulto em cada uma das temporadas que assisti – Olivenza na Espanha e Béziers e Nîmes na França.
Quase 90 por cento das corridas espanholas foram canceladas nesta temporada, e o punhado que aconteceu teve pouca ou nenhuma audiência. No entanto, houve indultos em Astorga, Mérida, Valdepeñas, Andújar e Villanueva (assim como o de Olivenza). Os espectadores estão claramente compensando demais a triste temporada de bloqueio. Mas, ao fazer isso, eles estão criando uma ameaça que durará mais que o coronavírus.
Ah, e Civilón? A vida real não é uma história para crianças, e a Espanha tem uma confiabilidade mórbida. Duas semanas depois de sua aparição em Barcelona, a guerra civil eclodiu e Civilón foi massacrado e comido por milicianos vermelhos.

NORTH, Christopher. The pardoner's tale. The Critic. Trad.: PGCS

27 agosto, 2019

¡No viene el toro!

O que está abaixo do nível dos olhos do touro aparentemente não o ameaça. É a conclusão que se tira após assistir a este vídeo.


Nova modalidade de tourada na Espanha.

04 abril, 2014

Riscos e aproveitamento do gás metano das vacas

Gás metano expelido por vacas sofre explosão
Um acidente com gás metano aconteceu em 24 de março, num celeiro do vilarejo de Rasdorf, na região central da Alemanha. Além de ferir um dos animais, a explosão danificou o teto do celeiro.
O metano, com origem nos flatos e arrotos expelidos por cerca de 90 vacas, acumulou-se em grande quantidade no celeiro. E um foco de energia elétrica estática, segundo a polícia local, provocou a explosão do gás.
Cada vaca é capaz de produzir 500 litros de gás metano por dia. O impacto ambiental da pecuária é alto, já que o metano é nocivo ao meio ambiente.
Além disso, as vacas expelem a amônia que pode acidificar o solo e a água.
Cientistas criam um dispositivo que coleta o gás metano
Esta é a última arma na luta contra o aquecimento global. É de fabricação argentina: um dispositivo preso ao dorso de um touro que evita o escapamento de metano quando o animal arrota.
O gás é coletado diretamente do estômago do touro, através de um pequeno tubo, e em seguida é comprimido em um botijão. Todo dia o animal gera combustível suficiente para fazer um carro andar por um quilômetro.
De acordo com a ONU, 18 por cento das emissões de gases causadores do efeito estufa provêm de animais criados em fazendas.