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02 abril, 2022

A loucura do livro

A bibliomania foi frequente durante o século 19 na Europa, em um contexto que os livros eram considerados objetos de luxo, sinônimo de riqueza, sendo obtidos para servir de patrimônio e herança. Os sintomas da bibliomania incluíam uma espécie de obsessão na busca de primeiras edições, cópias raras, livros de determinados tamanhos e acabamentos específicos, entre outras possibilidades.
Com o passar do tempo, a bibliomania deixou de se referir à obsessão. Os dicionários passaram a adotar o significado relacionado ao entusiasmo e à paixão por colecionar. No Michaelis, por exemplo, bibliomania é a “mania de colecionar livros, principalmente antigos ou raros”.
"Bibliomania" é o título de um romance (também do século 19) de Thomas Frognall Dibdin que afirmava explorar a "loucura do livro" - o ato de ser incapaz de parar de colecionar literatura.
Bibliomania não deve ser confundida com bibliofilia, que é o amor (psicologicamente saudável) pelos livros e, como tal, não é considerada um distúrbio psicológico. Um bibliófilo saudável lê seus textos cuidadosamente; um viciado os devora, independentemente da qualidade.
tsundoku é um termo japonês que se refere à prática de comprar livros, empilhá-los e nem sempre lê-los. A palavra está relacionada ao sentimento positivo de estar cercado de livros, que é algo bem comum na vida de leitores ávidos. Isso faz com que as pessoas acabem acumulando e empilhando mais livros do que de fato vão ler.
"Não tenho nenhum sentimento de culpa em relação às pilhas de livros que não li e talvez nunca lerei ; Eu sei que meus tsundokus têm paciência ilimitada. Eles vão esperar por mim até o fim dos meus dias."
(https://www.ecycle.com.br/tsundoku/)

21 junho, 2019

Crestomatia e termos vizinhos

A palavra crestomatia é uma palavra composta, registada no início do século XVII. É composta de dois elementos, ambos gregos, de chrêstos, que significa “útil”, e de máthesis, “aprendizagem”, do verbo manthanein que significa “aprender”. O significado do substantivo crestomatia seria portanto “aquilo que é útil para a aprendizagem, que é útil no processo educativo” e refere-se a colectânea de textos escolhidos em função do ensino: recolha de fragmentos de prosa tirados de autores clássicos, célebres, que escrevem “bem” e são “bons” para o ensino.
O termo vizinho, hoje frequentemente misturado com o de crestomatia é o de antologia. Sendo anthos a “flor” em grego, a antologia seria uma recolha de textos ou excertos de textos, mas escolhidos mais com base num critério estético, não sendo necessariamente conotada com a ideia de ensino. Além disso, o termo antologia usa-se com mais frequência para a poesia, enquanto a crestomatia se referiria mais à prosa.
Existe mais um termo semelhante em português (e não só em português): o de florilégio, de início do século XVIII. O florilégio tem também uma conotação de avaliação estética, embora possa denotar qualquer recolha de textos considerados representativos, conforme vários critérios adotados. Vem do latim moderno florilegium, palavra forjada segundo o modelo de spicilegium, de spica, “ponta, espiga”, que passou a denotar uma espécie de ligadura, utilizada para amassar os documentos ou páginas avulsas de qualquer texto, diplomas, etc. A palavra espicilégio existe, creio, ainda hoje em português, mas mais para a papelada administrativa, lato sensu.
E, por fim, o(s) analecto(s) é mais um termo vizinho aos referidos, que podia ter sido utilizado para a colectânea de fragmentos, literários mas não só, que vem do grego análectos, “recolhido”, através do latim analecta, que designava o coitado escravo que recolhia os restos de refeições ou o compilador de frases e palavras – exatamente como o coitado autor desta Crestomatia de Quarta (Feira).
Želimir Brala, 24 de janeiro de 1996
N. do E.
Seleta, livro em que estão coligidos trechos literários escolhidos das obras de vários autores. Do latim selecta, «coisas escolhidas», particípio passado neutro plural de seligĕre, «escolher; selecionar»

Diz Vasco Arruda:
O que popularizou o vocábulo (crestomatia) no Brasil foi a publicação, em 1931, do livro Crestomatia: excertos escolhidos em prosa e verso dos melhores escritores brasileiros e portugueses, pelo professor gaúcho Radagasio Taborda. Como o próprio título sugere, trata-se de uma antologia com textos em prosa e verso que abordam uma grande diversidade de assuntos tais como literatura, geografia, história, religião etc.
A Crestomatia do professor Radagasio Taborda foi amplamente utilizada nas escolas durante décadas, e suas edições são hoje objeto de disputa entre colecionadores e bibliófilos.
[http://blogs.opovo.com.br/sincronicidade/2011/09/29/no-tempo-da-crestomatia/]
Exemplos de outras crestomatias no Brasil e no mundo:
Inocêncio Francisco da Silva, Crestomatia portuguesa oferecida à mocidade estudiosa, Typ. de José Manuel Mendes, Lisboa, 1850
Bernhard Dorn, A Chrestomathy of the Pushtu or Afghan language, St. Petersburg, 1847
Gustavo Adolfo Otero, Crestomatía Boliviana, Arnó Hermanos Libreros - Editores, La Paz, 1925
Eduardo del Palacio Fontán, Crestomatía Francesa, Imprenta Torrent, Madrid, 1929
F. Viching, Crestomatía Latina, Librería Bastinos de José Bosch, Barcelona, 1932
José Joaquim Nunes, Crestomatia Arcaica, Editora Livraria Clássica, Caxias do Sul, 1970
Takamitsu Muraoka, Siríaco Clásico. Gramática Básica Con Crestomatía, Verbo Divino, Navarra, 2007

11 abril, 2019

A origem do termo "etc."

O termo é a abreviatura da expressão latina et cetera, que significa "e as demais coisas". Por ser uma abreviatura, deve ser sempre escrito com o ponto no final. O vocábulo é normalmente usado no fim de uma série de enumerações, no lugar dos demais elementos que caberiam naquela lista. Aparece em construções da linguagem cotidiana, como no exemplo: "Comprou lápis, borracha, caneta etc.". Nesse caso, o etc. indica o restante do material escolar.
A considerar o seu sentido original, etimológico, não deve ser empregado para fazer menção a pessoas. Por isso, em referências bibliográficas, quando um livro tem mais de um autor, usa-se, a expressão et alii (ou a abreviação et al.). Essa expressão também é latina, mas significa "e outros", sendo, portanto, a mais indicada quando se trata de pessoas. (*)
Outra questão interessante - e polêmica - a respeito do termo é a necessidade de utilizar vírgula antes de introduzi-lo numa frase. Como se trata de uma abreviatura de et cetera e o "et" latino equivale à nossa conjunção "e" a vírgula não é necessária. A discussão, no entanto, ainda divide os teóricos e há quem defenda seu uso, geralmente tendo como base a frequência com que esse tipo de construção aparece na escrita.
- Rita Trevisan (c/ modificação)

(*)  Como no exemplo: G-Dragon, Goku, Naruto et al.

Quando eu uso etc. | Por que eu uso etc. | + etc.

17 maio, 2018

A fabricação intencional da ignorância

Agnotologia, o estudo da ignorância ou da construção da ignorância. O termo vem do grego ἄγνωσις, agnōsis, "desconhecer", e -λογία, -logia.

Ir até http://blogdopg.blogspot.com.br/2013/01/nao-sei.html.
  • A ciência precisa ser transparente.
  • Os resultados e métodos devem ser abertamente compartilhados para que pesquisadores externos possam reproduzi-los e validá-los de forma independente.
  • Os métodos utilizados para coletar e analisar dados devem ser rigorosos e claros, e as conclusões devem ser apoiadas por evidências.


Agnogênese, a fabricação intencional da ignorância. Esta ignorância não é simplesmente a ausência de saber alguma coisa: é uma falta de compreensão deliberadamente criada por agentes que não querem que você saiba...

Ir até https://fivethirtyeight.com/features/the-easiest-way-to-dismiss-good-science-demand-sound-science/

Fontes de desinformação
  • boatos/lendas e obras de ficção;
  • governos e políticos;
  • interesses instituídos (vested interests) e ONGs;
  • mídia/meios de comunicação.
Ir até http://genereporter.blogspot.com.br/2016/06/divagacao-cientifica-divulgando.html

08 fevereiro, 2014

Fruto, fruta e pseudofruto

Entenda a diferença
O professor Chesterson Aguiar, do cursinho Oficina do Estudante, explica a diferença entre fruto, fruta e pseudofruto.
Fruto é o termo botânico aplicado ao órgão que tem função de proteger e disseminar sementes.
Fruta é termo popular aplicado aos frutos doces e comestíveis, como banana e uva, mas não é aplicado ao tomate, que é um fruto, pois não é doce.
Pseudofruto é estrutura carnosa que não se origina do ovário da flor, mas de outras partes florais, como o caju. (*)
Fonte: G1
(*) O fruto propriamente dito do cajueiro é a castanha, sendo o caju o resultado do desenvolvimento do pedúnculo floral.