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09 agosto, 2023

Autoengano insustentável

por Fernando Gurgel Filho
Nem sei o porquê, mas quando ouço ou leio algo indicando que uma obra humana é "autossustentável" fico logo achando uma tremenda bobagem. Enganação mesmo.
Vejamos um exemplo: um prédio de apartamentos. Em primeiro lugar, ele não produz água nem oxigênio. Se usar energia solar, como não produz seu próprio calor, precisa do sol. Todo o meio ambiente embaixo e ao redor do prédio foi destruído para todo o sempre. Ao ser habitado, vai produzir tanto lixo que vai degradar ainda mais o meio ambiente. Onde está, então, a tal autossustentabilidade?
Ora, se analisarmos com cuidado, nem o planeta onde moramos e destruímos é "autossustentável". Está inserido dentro de um sistema de onde capta energia, capta calor, etc. Além de ter sua velocidade totalmente influenciada por este sistema onde está circulando.
Então, vamos parar de autoenganação e entender de que o planeta precisa - e o ser humano, se quiser sobreviver um pouco mais por aqui - é de ações efetivas e, mesmo assim, parece que a efetividade de ações humanas positivas para o meio ambiente está cada vez menor.
Ou seja, depois de um longo período de aumento de temperaturas no planeta, já estão falando em um próximo período de aumento da torrefação. E não haverá floresta ou oceano que reverta o quadro.

Slideshow HENRIQUETA E A AUTOSSUFICIÊNCIA
Henriqueta tem um motivo justo para não se enquadrar no esquema. (PGCS)

18 outubro, 2016

O bambu na arquitetura de Simón Velez

Genial sua obra pelo extremo bom gosto, sobretudo o bom senso dispensando a inútil alegoria estrutural e suas embiras muito em moda hoje em dia. – Jaime Nogueira

Em 1906, quando se viajava apenas por água ou terra, o visionário Alberto Santos Dumont desenvolveu o primeiro avião do mundo: o biplano 14bis. Parte da estrutura desse invento era feita de bambu, o material que atualmente serve de inspiração ao arquiteto colombiano Simón Velez.
Antes de adotar o bambu como principal elemento em sua arquitetura, o arquiteto "nascido em uma selva de bambu", como ele mesmo diz, compartilhava do desprezo dos seus conterrâneos por este material, que era considerado uma "madeira dos pobres", devido, justamente, a sua maior qualidade: a abundância.
A escolha pelo bambu veio quando o arquiteto começou a perceber suas diversas vantagens e a questionar o uso do concreto e da madeira de formas "predatórias".
A espécie mais utilizada em suas construções é a Guadua angustifolia, que cresce em abundância na região andina da Colômbia, principalmente no Triângulo do Café. Usada nas casas, desde os tempos pré-colombianos, mas até então não substituía materiais como o ladrilho, o aço e o cimento. Seu problema de junção e sua resistência eram motivos para dúvida. Mas, em 1999, foram colocados à prova no terremoto que atingiu o eixo cafeeiro, onde as casas com estrutura de bambu resistiram ao terremoto enquanto as construções de alvenaria foram ao chão.
Para Simón o bambu é um material arquitetonicamente mais "inteligente" do que a madeira, pois não concentra sua estrutura em seu eixo, já que é um elemento oco. Segundo o arquiteto, o bambu não leva vantagem apenas sobre a madeira, mas também sobre o aço, na relação peso/resistência.
Recentemente, o arquiteto utilizou o bambu em projetos na China e continua difundindo as vantagens do material e defendendo seu uso. "Para construir uma casa grande seria necessário derrubar uma pequena floresta com 130 árvores, que demoraram mais de 30 anos para se desenvolver. Com o bambu a história é diferente: como a planta brota rapidamente após o corte, à medida que a casa vai sendo construída uma nova planta já está nascendo. O bambu cresce em média 23 cm por dia. Ao final da construção se tem um novo pé com 20 metros."


No Brasil, o interesse por esse material leve e resistente cresce cada vez mais. Dos 42 tipos de bambu existentes do mundo, 38 são espécies brasileiras, e mesmo algumas delas sendo de pequeno porte e crescendo no meio da floresta, ainda assim têm o potencial de se tornarem alternativas viáveis.
O bambu é um material econômico, tem emissão zero de carbono e é muito competitivo em relação às madeiras, pois dá colheita o ano todo e jamais se esgota. É considerado por muitos a matéria-prima deste milênio.

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Esperando o elevador, Trens de bambu e A floração sincronizada dos bambus