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18 maio, 2017

No Laos, casulos de bambu promovem o ecoturismo

Habitações esféricas de bambu penduradas em árvores no meio de uma floresta, eis o projeto de ecoturismo desenvolvido pela "Cole Company" para a "Nam Et Phou Louey-Biodiversity Conservation Area", no norte do Laos.
Impulsionado pelos valores ambientais em voga, o ecoturismo experimenta um desenvolvimento cada vez maior em todo o mundo. Mais do que uma moda passageira, trata-se de uma crescente consciência na mente dos viajantes ansiosos por combinar a descoberta da natureza com o respeito ao meio ambiente.
Estas estruturas livremente inspirados em ninhos de pássaros devem ser construídas não muito distantes da "vila Nam Poung", para dar emprego e renda aos moradores, além da promessa de um turismo sustentável e limpo para a sua região. Além do aspecto educativo da experiência, as estruturas são projetados para reduzir o impacto sobre o ambiente.
Estas habitações não convencionais permitem aos visitantes uma imersão na natureza, enquanto desfrutam do espetáculo de ver a fauna e a flora. Construído de bambu e madeira, cada "casulo" deve incluir uma base sólida que garanta aos inquilinos alguma privacidade. O tecido utilizado é leve e hermético para protegê-los da chuva e dos ataques furtivos dos mosquitos.
Além destes quartos flutuantes que podem acomodar duas pessoas, o projeto inclui um ponto de observação construído de bambu e madeira, a fim de apreciar a paisagem e, quem sabe, os animais selvagens, já que a floresta é um dos últimos santuários do tigre na Indochina.
Esqueça os hotéis e pousadas de luxo, aqui o visitante sacrifica seu conforto em favor do respeito aos locais visitados.

https://mrmondialisation.org/des-cocons-de-bambou-promeuvent-lecotourisme/

18 outubro, 2016

O bambu na arquitetura de Simón Velez

Genial sua obra pelo extremo bom gosto, sobretudo o bom senso dispensando a inútil alegoria estrutural e suas embiras muito em moda hoje em dia. – Jaime Nogueira

Em 1906, quando se viajava apenas por água ou terra, o visionário Alberto Santos Dumont desenvolveu o primeiro avião do mundo: o biplano 14bis. Parte da estrutura desse invento era feita de bambu, o material que atualmente serve de inspiração ao arquiteto colombiano Simón Velez.
Antes de adotar o bambu como principal elemento em sua arquitetura, o arquiteto "nascido em uma selva de bambu", como ele mesmo diz, compartilhava do desprezo dos seus conterrâneos por este material, que era considerado uma "madeira dos pobres", devido, justamente, a sua maior qualidade: a abundância.
A escolha pelo bambu veio quando o arquiteto começou a perceber suas diversas vantagens e a questionar o uso do concreto e da madeira de formas "predatórias".
A espécie mais utilizada em suas construções é a Guadua angustifolia, que cresce em abundância na região andina da Colômbia, principalmente no Triângulo do Café. Usada nas casas, desde os tempos pré-colombianos, mas até então não substituía materiais como o ladrilho, o aço e o cimento. Seu problema de junção e sua resistência eram motivos para dúvida. Mas, em 1999, foram colocados à prova no terremoto que atingiu o eixo cafeeiro, onde as casas com estrutura de bambu resistiram ao terremoto enquanto as construções de alvenaria foram ao chão.
Para Simón o bambu é um material arquitetonicamente mais "inteligente" do que a madeira, pois não concentra sua estrutura em seu eixo, já que é um elemento oco. Segundo o arquiteto, o bambu não leva vantagem apenas sobre a madeira, mas também sobre o aço, na relação peso/resistência.
Recentemente, o arquiteto utilizou o bambu em projetos na China e continua difundindo as vantagens do material e defendendo seu uso. "Para construir uma casa grande seria necessário derrubar uma pequena floresta com 130 árvores, que demoraram mais de 30 anos para se desenvolver. Com o bambu a história é diferente: como a planta brota rapidamente após o corte, à medida que a casa vai sendo construída uma nova planta já está nascendo. O bambu cresce em média 23 cm por dia. Ao final da construção se tem um novo pé com 20 metros."


No Brasil, o interesse por esse material leve e resistente cresce cada vez mais. Dos 42 tipos de bambu existentes do mundo, 38 são espécies brasileiras, e mesmo algumas delas sendo de pequeno porte e crescendo no meio da floresta, ainda assim têm o potencial de se tornarem alternativas viáveis.
O bambu é um material econômico, tem emissão zero de carbono e é muito competitivo em relação às madeiras, pois dá colheita o ano todo e jamais se esgota. É considerado por muitos a matéria-prima deste milênio.

Notas afins
Esperando o elevador, Trens de bambu e A floração sincronizada dos bambus


11 fevereiro, 2016

A floração sincronizada dos bambus

Bambusoides phyllostachys, uma espécie de bambu com um ciclo de floração de 120 anos.
Foto de Emmanuel Lattes, Alamy
Há uma espécie de bambu que floresce uma só vez, em toda parte do mundo, precisamente a cada 120 anos. Ela floresceu no final dos anos 1960, pela última vez. Há registros históricos de suas florações regulares que remontam ao ano 999.
Outra espécie floresce precisamente a cada 32 anos; e outra, a cada 60 anos.
Como isso acontece?
Um grupo de biólogos computacionais fez a análise e parece ter encontrado por que esses padrões regulares são observados nas três espécies. A floração sincronizada vem de uma necessidade de cada espécie se defender contra os comedores de sementes (ratos, porcos, pássaros e outros animais) . Se não houver um número suficiente de plantas florescendo ao mesmo tempo, e um generoso número de sementes sendo produzidas, provavelmente todas elas serão comidas pelos animais, e a espécie desaparecerá.
Ao longo do tempo, as espécies de maior sucesso adotaram períodos que são múltiplos de números inteiros pequenos – como 32 (= 2 * 2 * 2 * 2 * 2), 60 (= 2 * 2 * 3 * 5), e 120 (= 2 * 2 * 2 * 3 * 5).

Carl Zimmer, em seu artigo Bamboo Mathematician, publicado na National Geographic, dá detalhes sobre o fenômeno.

O bambu chinês

04 janeiro, 2014

Trens de bambu

Estes trens percorrem o campo em torno de Battambang, no Camboja. Eles apresentam uma estrutura extremamente simples e, como o nome sugere, são feitos de uma quantidade considerável de bambu, o que resulta em pouco peso para muita força.
Eles correm nas linhas ferroviárias antigas que foram construídas pelos franceses, quando o Camboja era ainda uma colônia francesa.
Como funciona entre eles o direito de passagem?
Bem, as regras são as seguintes:
O trem com maior número de passageiros tem o direito de passagem. No entanto, se um trem transporta uma moto, ele tem o direito de passagem sobre o outro trem, mesmo que este transporte mais passageiros.
Mas todos ajudam, uns aos outros, a tirar o trem dos trilhos e a colocá-lo de volta.



Mão dupla (uma cerca com dois gatos)

16 junho, 2007

Esperando o elevador

No andar térreo do edifício do Ministério da Saúde em Fortaleza existe um quadro de avisos. Com o nome de “esperando o elevador”, por ficar bem próximo das portas que dão acesso ao chamado “meio de transporte vertical” do edifício. Nesse quadro de avisos, entre alguns papéis burocráticos, estava afixada esta interessante descrição do bambu chinês (abaixo).
Pelo que tem de aplicável ao caráter humano, merece ser lida e refletida. É um grande ensinamento sobre as virtudes da paciência e da persistência.


Mas eu não precisei exercê-las naquele momento, o elevador chegou logo. Isto para falar a verdade (que é outra virtude).