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06 maio, 2019

O suicídio dos Hausdorff

Felix Hausdorff (Breslávia, 8 de novembro de 1868 — Bonn, 26 de janeiro de 1942) foi um matemático alemão.
É considerado um dos fundadores da topologia moderna e contribuiu significativamente para a teoria dos conjuntos e para a análise funcional. Também publicou trabalhos literários e filosóficos sob o pseudônimo de "Paul Mongré".
Hausdorff estudou na Universidade de Leipzig, onde ensinou matemática até 1910, quando se tornou professor de matemática na Universidade de Bonn. Foi também professor na Universidade de Greifswald, de 1913 a 1921. Quando os nazistas tomaram o poder, Hausdorff, que era judeu, achou que, como um respeitado professor de universidade, seria poupado da perseguição. Entretanto, sua matemática abstrata foi denunciada como judia, sem utilidade e não-germânica. Assim, perdeu sua posição em 1935.
Em 1941, ele estava relacionado para ser conduzido a um campo de concentração, mas conseguiu evitar que fosse enviado. A Universidade de Bonn solicitou que os Hausdorff (Felix, sua esposa e uma cunhada) pudessem permanecer em sua casa e isso foi concedido. Em outubro, eles foram forçados a usar a "estrela amarela" e, ao final do ano, foram informados de que seriam enviados para Colônia.
Eles não foram enviados para Colônia, mas em janeiro de 1942 foram informados de que deveriam ser internados em Endenich.
Em 25 de janeiro, Felix Hausdorff escreveu esta carta a um amigo:
Caro amigo Wollstein,
Quando você receber essas linhas, nós três teremos resolvido o problema de outra maneira  da maneira que você continuamente tentou nos dissuadir. [...]
O que foi feito contra os judeus nos últimos meses desperta uma fundada ansiedade de que não teremos mais tempo para viver uma situação susceptível de suportar. [...]
Perdoe-nos, que ainda lhe causemos problemas além da morte. Estou convencido de que você fará o que você puder fazer (e que talvez não seja muito). Perdoe-nos também a nossa deserção. Desejamos que você e todos os nossos amigos vivenciem momentos melhores. 
Fielmente, Felix Hausdorff
Naquela noite de domingo, todos os três tomaram barbitúricos. Tanto Hausdorff quanto a esposa Charlotte foram encontrados mortos na manhã do dia 26 de janeiro. Edith, a irmã de Charlotte, sobreviveu por alguns dias em coma antes de morrer.
Fontes: Wiki e Pat's Blog

20 julho, 2016

Como o judeu ortodoxo corta as unhas

O Rema cita, no Shulchan Aruch, que não se deve cortar as unhas pela ordem natural dos dedos, mas sim por uma sequência em particular, em que os dedos da mão esquerda antecedem os da mão direita (Shemiras Shabat KeHilchoso) (42:46). O Arizal não concorda com esta prática e outros, como o Maharam MiRuttenberg, não têm uma posição definida sobre o assunto. O Aruch HaShulchan (OC260: 6) escreve que, seguir o Rema, não incide na categoria das obrigações "haláchicas", mas em um nível mais alto dos deveres. O Mogen Avrohom recomenda que sejamos rigorosos. O Chazon Ish cita que esta ordem não se aplicaria ao corte das unhas dos pés. No geral, os Ashkenazim estão inclinados a essa prática, daí a presente postagem.
Local Jewish News, da Comunidade Judia Ortodoxa de Cleveland


Eu nunca assimilaria essa sequência. Começo a cortar as unhas da mão esquerda, indo do polegar ao mindinho. Depois, passo para as unhas da mão direita e vou cortando-as na mesma ordem das unhas da mão esquerda. Mas reconheço que a sequência do Rema é imbatível para as situações que exigem o emprego de números aleatórios.

02 abril, 2016

Ó pedaço de mim...

por Sammy Lachmann (*)
Sempre que ouço aquela música do Chico, "ó pedaço de mim, ó pedaço arrancado de mim", me bate uma deprê braba. Lembro da minha infância e acabo voltando no tempo.
Estava eu deitado no meu bercinho, ainda com uma semana de vida, quando começou a chegar gente em casa. Era dia de festa. E festa de judeu lembra muito reunião do PSDB: só tem tucano. Cada nareba que não tem mais tamanho.
Mamãe convidou só 30 pessoas, mas como era boca livre, veio judeu de tudo quanto foi canto. Se mamãe cobrasse ingresso, corria o risco de nem o papai aparecer. Não precisa dizer que os presentes não trouxeram presentes. Metade esqueceu em casa e a outra metade disse que não tinha dado tempo de comprar. Coisas da religião.
Cada um que chegava, vinha até o meu bercinho. Quando se abaixavam para me ver mais de perto, virava um autêntico ataque do exército israelense. Contabilizei pelo menos umas 30 narigadas na barriga. Em vez de olharem para os próprios umbigos, vinham olhar pro meu. Acho que era por causa da "faixa de gaze".
De repente, se fez o silêncio. Um ser estranho, trajando um terno preto pra lá de surrado, com barba até a cintura, chapéu e cabelo ponhonhóin dos lados adentrou a sala. Parecia o Capitão Caverna na versão judaica. Ele veio na minha direção. Tirou um bisturi reluzente. Ficamos frente a frente. Ele, o lobo mau, e eu, o Solidéu Vermelho.
Para que esse nariz tão grande, perguntei. Por uns segundos, cheguei a pensar que mamãe tinha resolvido fazer uma plástica no meu nariz que, com menos de uma semana de vida, já era avantajado. Mas o negócio era mais embaixo. Bem mais embaixo.
Ele tirou a minha fraldinha descartável, que mamãe tinha acabado de lavar, e eu gritei, abri o berreiro: Tira esse Michael Jackson ortodoxo daqui! Esse comunista judeu quer comer criancinha!!! E no rabino, não vai nada? Apesar de tanta tecnologia, buááááá não vem com legenda. Não sei por que ainda não inventaram uma tecla SAP para bebês.
Parti então para a minha última tentativa: um ataque com armas químicas. Soltei duas bombas de efeito moral. PUM! PUM! Mas o bigode do sujeito cobria o nariz como uma máscara antigases. Ataquei com meus jatos poderosos, mas o xixi não conseguiu furar o bloqueio da barba blindada do velho. Não teve jeito. O Jacozinho virou o Jacozinhozinho. Vai entender o que esse povo tem na cabeça, além desse chapeuzinho medonho?
Em vez de sacrificarem uma galinha como na velha e boa macumba, eles sacrificam o pinto. Cortaram o meu pausówsky, meu penisberg. Ficou só o "cara". O "lho" foi-se. Uma parte de mim estava agora que nem pinto no lixo, literalmente.
Depois de circuncidado, passei a entender o porquê daquele muro das lamentações. Eu, pelo menos, lamento até hoje.
Ó pedaço de mim...
(*) cronista judeu, de "O Pasquim 21"

26 outubro, 2015

Juntos

Paris, 1942, sob a ocupação nazista. As prisões e deportações dos judeus prosseguem na França, mas uma criança, Isaac, escapa da perseguição nazista. Ele busca refúgio em um lugar que, nos dias atuais, provocaria em muitas pessoas sentimentos de incredulidade: a Grande Mesquita de Paris. Lá, ele recebe a proteção de Si Kaddour Benghabrit, o ímã da mesquita, juntamente com outras crianças judias. Diante da terrível situação, o ímã e sua comunidade, arriscando-se a torturas e mortes, cuidam na Grande Mesquita das crianças perseguidas.
Com a transferência delas para a Argélia, Kaddour Benghabrit e seus irmãos salvaram entre 600 e 1.500 vidas.