É um fato bem conhecido que uma Mary Shelley de 18 anos escreveu "Frankenstein" na casa de Lord Byron (na verdade uma mansão alugada no Lago Genebra) após o poeta, durante uma onda de mau tempo, desafiar seus convidados a escreverem suas próprias histórias de fantasmas. "Eu me ocupei pensando em uma história", Shelley escreveu mais tarde em uma introdução a seu famoso romance.
Uma história que rivaliza com aquelas que nos empolgaram para essa tarefa. Uma que falaria com os medos misteriosos de nossa natureza e despertaria um horror emocionante - uma que faria o leitor ter pavor de olhar em volta, gelar o sangue e acelerar as batidas do coração. Se eu não fizesse essas coisas, minha história de fantasmas seria indigna de seu nome. Eu pensei e ponderei - em vão. Senti aquela impassível incapacidade de invenção que é a maior miséria da autoria, quando nada responde às nossas ansiosas invocações. Você já pensou em uma história? Perguntavam-me todas as manhãs e todas as manhãs era forçada a responder com uma negativa mortificante.
Mas então, uma noite, quando ela foi para a cama tarde - depois que "a hora das bruxas havia passado" - ela se lembrou. "Quando coloquei minha cabeça no travesseiro, não dormi, nem poderia ser dito para pensar", escreveu ela.
Minha imaginação, espontaneamente, me possuiu e guiou, presenteando as imagens sucessivas que surgiam em minha mente com uma vivacidade muito além dos limites habituais do devaneio. Eu vi - com os olhos fechados, mas com visão mental aguda - eu vi o estudante pálido das artes profanas ajoelhado ao lado da coisa que ele havia montado. Eu vi o horrível fantasma de um homem estendido e então, ao trabalhar em alguma máquina potente, mostrar sinais de vida e se mexer com um movimento inquieto, meio vital. Deve ser assustador; pois supremamente assustador seria o efeito de qualquer esforço humano para zombar do estupendo mecanismo do Criador do mundo. Seu sucesso aterrorizaria o artista; ele fugia correndo de seu odioso trabalho manual, tomado pelo terror. Ele esperaria que, abandonada a si mesma, a ligeira centelha de vida que ele havia comunicado se desvanecesse; que esta coisa, que tivesse recebido animação tão imperfeita, cairia em matéria morta; e ele poderia dormir na crença de que o silêncio da sepultura extinguiria para sempre a existência transitória do cadáver hediondo que ele considerava o berço da vida. Ele dorme; mas ele está acordado; ele abre os olhos; eis que a coisa horrível está ao lado de sua cama, abrindo suas cortinas e olhando para ele com olhos amarelos, lacrimejantes, mas especulativos.
Eu abri os meus, aterrorizada. A ideia dominou minha mente, enquanto um arrepio de medo percorreu meu corpo, e eu desejei trocar a imagem medonha de minha fantasia pelas realidades ao redor. Eu ainda os vejo; o próprio quarto, o parquete escuro, as venezianas fechadas, com a luz da lua entrando e a sensação que tive de que o lago vítreo e os altos Alpes brancos estavam além. Eu não poderia me livrar tão facilmente de meu horrível fantasma; ainda me assombrava. Devo tentar pensar em outra coisa. Recorri à minha história de fantasmas - minha cansativa e azarada história de fantasmas! Oh! se ao menos eu pudesse inventar um que assustasse meu leitor como eu mesmo tinha ficado naquela noite!
Os relatos divergem quanto ao tempo que levou Shelley para contar sua história - uma noite? três? - e alguns estudiosos questionaram a linha do tempo de Shelley. Mas, dez anos atrás, astrônomos da Texas State University usaram tabelas astronômicas e medições topográficas para localizar a hora exata em que a visão fatídica ocorreu a ela. Como qualquer boa lenda, tudo dependia da posição da Lua. O professor de astronomia do estado do Texas, Donald Olson, junto com dois colegas e dois alunos, visitaram o Lago Genebra em agosto de 2010 para descobrir quando, exatamente, o luar de Shelley teria penetrado pelas venezianas. "Não há menção explícita de uma data para a sugestão da história de fantasmas em qualquer uma das fontes primárias - as cartas, os documentos, os diários, coisas assim", disse Olson. "Ninguém sabe essa data, apesar de supor que tenha acontecido no dia 16". E, de fato, eles determinaram que teria sido entre 2h e 3h da manhã de 16 de junho, pela luz de uma Lua minguante, que, a essa altura, teria clareado a colina do lado de fora de sua janela.
"Mary Shelley escreveu sobre o luar brilhando através de sua janela, e por 15 anos eu me perguntei se poderíamos recriar aquela noite", disse Olson. "Nós o recriamos. Não vemos razão para duvidar de seu relato, com base no que vemos nas fontes primárias e usando a pista astronômica."
Portanto, à medida que entramos na estação mais assustadora, fique de olho em sua própria Lua gibosa de inspiração - e em quaisquer fantasmas horríveis que ela possa trazer.
Nossa opinião é que Adão não perdeu uma costela na criação de Eva. Espera-se que qualquer israelita antigo (ou qualquer criança brasileira) saiba que existe um número igual (e par) de costelas em homens e mulheres. Além disso, as costelas carecem de qualquer capacidade generativa intrínseca. Achamos que é muito mais provável que o báculo de Adão tenha sido removido para formar Eva.
Se bem que o cartunista Gary Larson, exclusivamente no que se trata da Criação da Terra, parece ser uma pessoa bem informada. Ele flagrou o exato instante em que o Criador acrescentava umas pitadas de estupidez para tornar o nosso planeta mais interessante.
A Terra é redonda, vê-se. E as pitadas de estupidez explicam muitas coisas que acontecem por aqui, inclusive o terraplanismo.
Deus é quântico!
Não joga dados, como disse Einstein. Mas, joga sinuca e bilhar, digo eu.
No Final dos Tempos, é possível que deixe a furna em que vive a transformar energia em massa à velocidade da luz ao quadrado e vice-versa, para dar sua tacada de Mestre. http://blogdopg.blogspot.com/2016/06/a-terra-encacapada.html
Façam suas apostas.
NOMES DOS BICHOS
Deus delegou a Adão a responsabilidade de dar nomes aos bois e aos bichos em geral. Então, Adão saiu por aí dando os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo.
(Gênesis 2:20)
Alguns vieram à mente do primeiro homem com certa facilidade. O nome da rã, por exemplo. Outros, nem tanto, dentre estes os nomes para o hipopótamo e o ornitorrinco.
Adão levou seis dias para concluir o nomeamento, e no sétimo descansou.
Uma folga que, aliás, não merecia. Pois deixou por aí um rastro de nomes enganosos tais como urso d'água e escorpião voador. E cobra de duas cabeças para a anfisbena. Contudo, Deus gostou do que viu e, meio que sondando, comentou que Adão seria a pessoa mais indicada para designar os animais pelos nomes científicos.
Adão é que não gostou do que ouviu. E tratou logo de arranjar uma boa desculpa: não ser fluente em latim, lhe pareceu a melhor. Sabe Deus, a primeira flor do Lácio não é para já. Deixemos com Lineu para começar essa taxonomia. Etc.
A Olimpíada é um lugar onde os sonhos se tornam realidade – inclusive para os designers, que criam tudo para o acontecimento, desde o logotipo, o mascote até as medalhas relacionadas com os diversos jogos.
Para a Rio 2016, o logotipo foi criado pela Tátil Design, a agência brasileira que venceu outras 138 agências concorrentes que apresentaram projetos.
«A ideia deste logo tridimensional me veio enquanto estava nadando na praia de Ipanema», explica o diretor de criação da Tátil, Frederico Gelli. «Estava sob a água e, quando emergi, vi o Dois Irmãos e pensei que teríamos de incorporar as formas e as curvas de todas as montanhas do Rio de Janeiro.»
Quanto à fonte - sim, há um tipo exclusivo de caracteres para o logotipo - a mesma foi desenvolvida por Dalton Maag, uma empresa britânica que tem escritório no Brasil. O processo oferece um estudo de caso na área da criação em que duas empresas de diferentes culturas colaboraram à distância para a obtenção de produtos finais que serão vistos por bilhões de pessoas.
A evidência de existência da partícula chamada de Bóson de Higgs, apenas confirma que a explosão primordial se deu a partir de algo existente e que aquela partícula foi ativada ou surgiu da reação desencadeada por esses elementos, sejam eles apenas ondas ou ondas e partículas.
Quanto ao Universo que se mostra aos nossos olhos, a ciência demonstra que não é muito diferente do Universo que se esconde em tamanhos infinitesimais, inclusive com os mesmos espaços não preenchidos entre os seus componentes. Logo, a ideia de massa é apenas uma convenção humana, ditada pelo que podemos ver, apalpar, medir e pesar. Mas essas propriedades que atribuímos à massa depende mais de nossos sentidos do que da realidade que nos cerca.
Se existisse um ser tão grande a ponto de observar o Universo inteiro do seu exterior, creio que ele veria apenas algo assemelhado a uma pedra, mas não teria como mensurar seu peso pois este depende da força gravitacional e esta está contida no Universo. Na própria massa do Universo, enfim. Ou seja, independentemente do elemento responsável por aquilo que vemos como um objeto palpável, esse mesmo elemento já fazia parte da imensidão de partículas comprimidas que deram origem à grande explosão primordial.
Caso aquele ser imenso sofresse um processo de redução gradativo, ele iria observar que aquela pedra tem imensos espaços vazios e entre estes existem zilhões de pedrinhas idênticas ao todo. Reduzindo seu tamanho até o infinitesimal, sua visão seria a mesma. Até onde, não sabemos.
Concluindo, se há um elemento estruturador da matéria ele está no micro e no macrocosmo, ou seja, no Universo inteiro e já existia na matéria comprimida originária da explosão primordial. É o aforismo de Lavoisier sendo demonstrado em grande estilo. Nada mais, nada menos.
Apenas para esclarecer esta ideia, os dicionários normalmente apresentam o ato de criar e de inventar como tendo o mesmo significado. Entretanto, para fins de análise, faremos uma distinção nítida entre as duas ações. Assim, definiremos criação como o ato de produzir algo que nunca existiu a partir do nada, ou seja, a partir de elementos também inexistentes. Por exclusão, definiremos o ato de inventar como a produção de algo totalmente novo a partir de coisas existentes.
Se considerarmos o universo como um sistema fechado, dadas as exatas definições para os atos de criar e inventar, podemos afirmar, com toda a certeza, que não há espaço para a ideia de criação no mundo que conhecemos, o que existe são apenas invenções.
Lavoisier, partiu da análise de casos particulares, mas generalizou de forma intuitiva e brilhante ao falar da inalterabilidade das massas em um sistema fechado, de onde extraiu uma lei que evoluiu até chegar ao famoso aforismo: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Apesar de os religiosos serem pródigos em relatos de criação, seja do universo ou dos seres que o compõe, esses mitos ou metáforas, que normalmente falam em criaturas, apontam corretamente, de forma brilhante e intuitiva, para as invenções que ocorreram, ou seja, para as transformações que a natureza promove seja "por acaso ou por necessidade" (Monod, Jacques, 2006).
Seus seguidores não têm necessidade, então, de ficarem propagando coisas como o criacionismo, haja vista não existir em seus próprios livros sagrados referências à criação, apenas à invenção. Tome-se como exemplo o relato da origem do homem a partir do barro e da mulher, a partir da costela do homem. Brilhante, científico e intuitivo. Tudo junto.
Ora, como a vida surgiu de moléculas, estas podem, metaforicamente, ser comparadas ao barro primordial, mas ali não há criação, apenas invenção. E a diferenciação entre os sexos surgiu muito depois da invenção dos seres vivos. Daí, podemos dizer que a metáfora da costela é brilhante, científica e intuitiva. Tudo junto.
Como se vê, os próprios religiosos constatam que no universo que conhecemos não há espaço para a ideia de criação. Apenas para a de transformação, invenção, mudanças constantes. Apesar de ser um tiro certeiro em qualquer presunção da existência de algo ou alguém que tenha "criado" qualquer coisa existente no Universo, é o que temos como verdade absoluta.
Creio que essa verdade pode ser transposta para tudo que envolve a engenhosidade humana, de onde nem a arte escapa, pois não podemos definir como criações – na plena acepção desta palavra – nenhuma obra ou artefato que o ser humano diz ter criado. São apenas invenções, justaposição de matérias, ideias e possibilidades descobertas pelo artista, cientista ou pensador.
Em suma, o homem gostaria de criar, mas o que ele faz na realidade é inventar. Pega uma coisa daqui outra dali, junta com uma descoberta acolá com um modelo dos muitos que a natureza oferece, e está pronto mais um engenho da mente humana.
Como o Universo, enfim.
ooOoo
Apertem os cintos e aproveitem esta viagem pelo Universo. Um fascínio renovado para os que gostaram de assistir a série Cosmos, de Carl Sagan. A música do vídeo é de Vangelis.
A novidade no blog é o Copyleft em sua página principal. Mas o que é isso? Copyleft é uma forma de usar a legislação de proteção dos direitos autorais com o objetivo de retirar barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa devido à aplicação clássica das normas de propriedade intelectual, exigindo que as mesmas liberdades sejam preservadas em versões modificadas. O Copyleft difere assim do domínio público, que não apresenta tais exigências.
É um trocadilho com o termo Copyright que, traduzido literalmente, significa "direitos de cópia".
Richard Stallman popularizou o termo Copyleft a partir de 1988. De acordo com ele, o termo foi-lhe sugerido pelo artista e programador Don Hopkins, que incluiu a expressão "Copyleft - all rights reversed." numa carta que lhe enviou. A frase é um trocadilho com a expressão "Copyright - all rights reserved." usada para afirmar os direitos de autor. Wikipédia
O símbolo do copyleft é um "C" invertido. Não é preciso explicar porquê.