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03 agosto, 2020

Números autobiográficos

O ano de 2020 apresenta uma curiosidade numérica. Este ano não é apenas uma introdução
redonda para a próxima década, mas pertence a uma espécie extremamente rara de números. 2020 é um número autobiográfico.
O próximo ano com propriedades semelhantes acontecerá em 21200.
Existem apenas sete números autobiográficos no total. Números autobiográficos possuem a propriedade extraordinária de cada dígito poder indicar ordenadamente o número de dígitos de 0 a 9 que estão contidos neles.
Vamos ver como isso funciona em 2020.
O primeiro dígito indica a quantidade de zeros num determinado número autobiográfico. Em 2020, existem 2 zeros - está correto. O segundo dígito diz sobre a quantidade de "1" no número autobiográfico - em 2020 não temos nenhum. O terceiro dígito indica a quantidade de "2" - e temos dois "2" em 2020. E o quarto dígito diz sobre a quantidade de "3", que aqui é zero.
Os seis outros números autobiográficos que existem são: 1210, 21200, 3211000, 42101000, 521001000 e 6210001000.
Fonte: http://pt.quora.com Paulo Gorecki

N. do E.
Os números autobiográficos possuem no máximo 10 dígitos.
A soma dos dígitos de um número autobiográfico é igual a soma da quantidade de dígitos que esse número possui, consequentemente a soma dos dígitos não é maior do que 10
Como o primeiro dígito informa a quantidade de zeros, então um número autobiográfico possui pelo menos um zero

Arquivo
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Números vampiros
Números com apelidos
Números felizes
Números brincões

28 julho, 2020

Uma faísca inesperada de percepção

"Por mais longa que seja a vida de um ator, ele não tem como declarar: 'Estou pronto'. E se fizer, não é do ramo, Embora no teatro se repita, dia após dia, o mesmo gesto, a mesma intenção, o mesmo texto, dentro da mesma encenação, repentinamente 'uma faísca inesperada de percepção' revela outra zona a seguir – que depende de sua inquietação, Em Reflexões de um comediante, de Jacques Copeau, lê-se sobre essa 'anomalia':
"Nisto consiste o mistério – que um ser humano possa pensar e tratar a si próprio como matéria de sua arte. Ao mesmo tempo agir e ser o que é manobrado. Homem natural e marionete."
— Fernanda Montenegro, em sua autobiografia Prólogo, ato, epílogo: Memorias.

26 outubro, 2018

O corretor automático de texto

O corretor automático tem seus pontos fracos bem documentados, mas ele é muito bom para transformar os termos sem sentido que você digita no computador em algo compreensível. E, por isso, temos que agradecer a um homem chamado Bill Vignola.
O corretor automático, no início, tinha problemas com os palavrões. E a Microsoft não podia sugerir ao usuário a palavra "motherfucker", por exemplo! Então, a tarefa de extirpar as palavras vulgares do dicionário esteve nas mãos de Christopher Thorpe, na época um estagiário de 19 anos.
1
Como Thorpe diz à Wired, tudo foi inspirado por um cara que enviou um e-mail a Bill Gates reclamando que seu sobrenome era corrigido para algo, digamos, anatômico. Sempre que Bill Vignola digitava seu próprio nome no MS Word, explicava o e-mail para Gates, ele era automaticamente alterado para Bill Vaginal. Acredita-se que Vignola notou isso às vezes, mas não sempre… Seu e-mail passou pela cadeia de comando até chegar a Thorpe. E Bill Vaginal não foi o único a reclamar: Thorpe lembra que o banco Goldman Sachs estava irritado, pois o Word alterava o nome para "Goddamn Sachs" (Maldito Sachs).
[https://gizmodo.uol.com.br/criador-corretor-automatico/]
2
Dizem que eu não gosto dos computadores, mas são os computadores que não gostam de mim. Um dia uma moça foi me ajudar com um trabalho e levou um computador. Agora eles têm um recurso que corrige palavras. Então a moça foi digitar meu nome. Meu nome completo é Ariano Vilar Suassuna. "Ariano" passou sem problemas. Aí, quando a moça digitou "Vilar", o computador sugeriu "Vilão". E "Suassuna", talvez pelo número de "esses", virou "Assassino"! "Ariano Vilão Assassino"! É por isso que eu digo, são os computadores que não gostam de mim...
– Ariano Suassuna, em uma entrevista no "Programa do Jô".
[https://blogdopg.blogspot.com/2007/06/ariano-e-os-computadores.html]
3
Escrevia-se a autobiografia de um modo absolutamente solitário - sem a "peruação" de estranhos. Os originais eram escritos à pena (molhando o bico na tinta frequentemente), com a caneta ou numa máquina de escrever.
Mas isso, antigamente.
Hoje, sabe o que acontece quando alguém mal começa a digitar a autobiografia?
 O Clippy aparece!
[http://blogdopg.blogspot.com/2011/11/autobiografia.html]
4
Lembrando Clippy...
"Como é que eu não sei sobre isso? Eu perdi Clippy (por razões óbvias), e nunca entendi o ódio que algumas pessoas tinham por ele (ela? Eu não sou muito bom em sexagem de clipes)." ~ Linus Torvalds
Os nostálgicos podem agora adicionar Clippy (ou qualquer um de seus amigos) em suas páginas na internet. Clippy me passou seu endereço, o do "retiro dos artistas" em que ele curte seu ócio com dignidade.
[https://www.smore.com/clippy-js]

04 fevereiro, 2018

Autobiografia burlesca de Mark Twain

Em tempos de supremacistas brancos que procuram saber o sangue puro de onde vieram, penso que é hora de trazer o gênio de Mark Twain (1835 - 1910). Ele já resolveu a questão há muitos anos, quando pesquisou a origem histórica dos seus antepassados muito além do DNA. Em dúvida, acompanhem o resultado da pesquisa de Mark Twain sobre uma das melhores famílias dos Estados Unidos.

"Venho de uma ascendência ilustre. A minha família tem uma trajetória de antiguidade incalculável. O primeiro Twain que a História registra não era um Twain, mas um amigo da família, de sobrenome Higgins. Isso aconteceu no século XI, e nossos antepassados moravam em Aberdeen, County Cork, na Inglaterra.
Até hoje não conseguimos verificar a misteriosa razão da nossa família ter o nome maternal Twain, em lugar do paterno Higgins. Devemos ter motivos domésticos poderosos para não continuar a investigação desse enigma histórico. Em alguns casos, o Twain adotou alguns apelidos, e sempre o fez para evitar transtornos irritantes com a polícia. Mas voltando ao caso Higgins, se meus leitores tiverem uma curiosidade inconveniente, que se contentem em saber que o mistério se reduz a um incidente vago e romântico. Que família antiga e linhagem não mantêm o perfume dessas sombras poéticas em sua paternidade e filiação?
Ao primeiro Twain sucedeu Artur Twain, cujo nome se tornou famoso nas crônicas da encruzilhada inglesa.
Artur teria trinta anos quando se dirigiu a uma das praias mais aristocráticas da Inglaterra, vulgarmente chamada de prisão Newgate, e muitas pessoas testemunharam sua morte súbita naquele lugar de recreio.
Seu descendente, Augusto Twain, esteve na moda lá pelo ano 1160.
Esse Twain era um humorista extraordinário. Ele era dono de uma velha espada do melhor aço naquele tempo. Augusto Twain afiava muito bem a folha brilhante de sua espada e se escondia em um lugar do bosque para saudar os caminhantes. À medida que passavam, Augusto os espetava só pelo prazer de vê-los saltarem, porque, como já falei antes, ele era muito original em suas diversões.
Parece que, para a perfeição artística do seu trabalho, ele chamou a atenção pública muito além do que seria conveniente. Algumas autoridades que cuidavam do assunto, e tinham conhecimento do humor de Augusto, espionavam-no à noite e terminaram por se apropriar da sua pessoa no momento em que ele estava aplicando mais uma de suas piadas. Os representantes dessas autoridades receberam a ordem de separar a extremidade superior de Augusto e levar essa parte a um lugar alto em Temple Bar.
Toda a vizinhança se reunia diariamente para ver aquela parte superior de Augusto Twain, que jamais havia ocupado um lugar tão destacado.
Durante os duzentos anos seguintes, quero dizer, até o século XIV, minha família foi enaltecida pelas façanhas de muitos heróis. Os que tiveram sorte – senão teriam morrido na obscuridade – seguiram o caminho vitorioso de exércitos, sempre cobrindo a retirada e sempre à frente dos primeiros na ordem de volta aos quarteis depois da batalha. Um estudioso se enganou quando escreveu que a árvore genealógica de nossa família tinha apenas dois ramos em ângulo reto ao tronco, e que se distinguia de outras árvores pela exceção dos bons frutos. Isso é uma calúnia e uma idiotice.
Chegamos ao século XV. Nessa época floresceu Twain o Formoso, também conhecido como O Letrado ou o Pena de Ouro. Ele possuía uma habilidade insuperável de imitar a letra e a assinatura de todos os comerciantes da época. As pessoas riam muito quando tinham notícia de como ele tirava lucro desse talento em que alcançou a perfeição.
Infelizmente, parece que, por causa de uma dessas assinaturas, meu ilustre antepassado se comprometeu a cortar pedras em estradas por muitos anos, uma aspereza que estragou a sua mão para o delicado trabalho da arte."

Traduzido por Urariano Mota para o Jornal GGN com o título de Mark Twain e a supremacia branca.
Original: http://albalearning.com/audiolibros/twain/autobiografia-sp.html

O epítome da vida | Do pó ao pó | Genealogia e política

06 maio, 2017

Antes de morrer...


Estou escrevendo a respeito de tudo o que eu poderia ter sido e que não fui. 
É minha ALTERBIOGRAFIA.

27 novembro, 2014

Único relato autobiográfico de um ex-escravo do Brasil será traduzido

"Que aqueles 'indivíduos humanitários' que são a favor da escravidão coloquem-se no lugar do escravo no porão barulhento de um navio negreiro, apenas por uma viagem da África à América, sem sequer experimentarem mais que isso dos horrores da escravidão: se não saírem abolicionistas convictos, então não tenho mais nada a dizer a favor da abolição." ~ Baquaqua

A história de Mahommah Gardo Baquaqua, único relato autobiográfico sobre a vida de um escravo do Brasil, vai ser traduzida para o português. Baquaqua foi levado da África Central no século 19 e entrou para a história por seus relatos ao americano Samuel Moore, que, em 1854, publicou com detalhes as histórias do tráfico de escravos. Filho de um próspero comerciante da cidade de Djougou (hoje o Norte de Benin), no continente africano, ele foi trazido à força ao Litoral Norte de Pernambuco.
Baquaqua, mesmo tendo "direito à liberdade", foi vítima do tráfico de escravos e chegou a Olinda em 1845 (ainda que o tráfico estivesse proibido no Brasil desde 1831). Seu livro é objeto de investigação, por Bruno Véras, apoiada pelo Ministério da Educação e pelo Consulado do Canadá (onde Baquaqua viveu, depois de livre), e deverá difundir pela internet as histórias dos locais onde o ex-escravo passou.
Agora, a memória dos escravos ganha ainda mais voz, para que jamais esqueçamos o que passou.

26 novembro, 2011

A autobiografia

Era escrita de um modo absolutamente solitário, sem a "peruação" de estranhos. Podia o original ser feito à pena, caneta ou na máquina de escrever.
Mas isso, antigamente.
Hoje, sabe o que acontece mal alguém começa a digitar a autobiografia?

- O Clippy aparece!

Inspiração: Hilarious error messages. PGCS