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20 outubro, 2024

O Ciúme

1987. Esta canção surgiu às margens do rio São Francisco, o Velho Chico, obviamente na ponte que "divide" a Bahia (Juazeiro) de Pernambuco (Petrolina). Caetano Veloso voltava de carro para Salvador quando resolveu entrar em um restaurante na citada divisa. Sobre a mesa em que se acomodou havia um jornal cuja manchete chamou a atenção do poeta: "Mulher morre esfaqueada na garganta, por ciúme, pelo marido". Comovido com o fato, estupefato com a informação e, somando-se a outras referências que as duas cidades, o rio, a ponte traziam para si, o compositor compôs este hino que verseja sobretudo sobre o sentimento do ciúme (o causador da violência fatal).
Dorme ponte, Pernambuco, rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme
O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta.

Na letra de "O Ciúme", se tomamos os gêneros das palavras Petrolina e Juazeiro para compor a analogia de um casal, é preciso que identifiquemos um terceiro, o causador do ciúme entre ambos. Não havendo a possibilidade do terceiro, não existiria razão causadora do ciúme. Este terceiro é o Rio São Francisco, que se interpõe entre as duas cidades: “Entre Petrolina e Juazeiro canta”. A estrofe central começa por tratar diretamente do rio: “Velho Chico vens de Minas”... O grande rio é o viajante que vem de longe e se coloca entre Juazeiro e Petrolina. Porém, esse ciúme logo é superado, pois o viajante segue seu curso, a admiração que causa a um e o outro a beleza do rio, logo é compreendida pelo outro, apenas, como tal, admiração. A ponte que se constrói, unifica ambos, fazendo com que seja superada a dificuldade causada pela passagem do rio. (Fernando Graça)

19 agosto, 2015

Vai jorrar!

Na sexta-feira (21) a presidente Dilma Rousseff vai inaugurar, em Cabrobó-PE, a primeira etapa de uma das obras mais importantes para o Nordeste, em todos os tempos: a transposição das águas do Rio São Francisco para o semiárido nordestino. O projeto, iniciado pelo ex-presidente Lula em 2007, será a redenção hídrica para 12 milhões de pessoas que enfrentam a falta de água nesta região, mesmo quando não há seca grave.
Quando Lula lançou o projeto enfrentou o ceticismo dos opositores que afirmavam que o projeto era inviável e não sairia do papel. Agora ele começa a virar realidade. As obras sofreram atraso, mas o governo promete concluí-las no ano que vem. A transposição retirará do São Francisco apenas 1% do volume de água do rio que é despejado inutilmente no mar.
Serão beneficiados os estados do Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, nos quais se concentra o polígono das secas, e um total de 390 municípios onde vivem 12 milhões de habitantes. 
A transposição das águas acontecerá através de dois grandes eixos, representados por 402 km de canais cortados em terreno acidentado, em que muitas vezes foram necessários dinamitar pedreiras e remover obstáculos: o eixo Norte, que sai de Cabrobó, em Pernambuco, rumo aos estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. e o eixo Leste, que vai da usina de Itaparica (BA) até o rio Paraíba do Norte, na Paraíba. E ainda haverá um canal de 70 km, ligando Cabrobó ao Rio Ipojuca, no agreste pernambucano.
Ao longo dos canais existirão, quando a obra estiver totalmente pronta, 30 represas que guardarão água para os períodos de estiagem ou para abastecer os canais quando as estações bombeadoras estiverem desligadas, economizando energia. Serão nove estações de bombeamento, três no eixo Norte e seis no eixo Leste, que darão impulso às águas nas regiões de maior aclive.
O vídeo abaixo mostra a incontida alegria dos peões nordestinos, que gritam: "vai jorrar!", no momento em que o primeiro teste da obra está sendo realizado. E as águas do Velho Chico vão jorrando para levar alívio ao sofrido povo nordestino. A viabilidade da obra aqui começa a ser provada.


03 janeiro, 2008

O "guardião" do rio

Praticando a sua caridade franciscana nas águas do Velho Chico:

- Sai daí, cearense. Este rio é só para os ribeirinhos.