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13 agosto, 2008

Captação de órgãos e tecidos para transplantes

O Ministério da Saúde (MS), através da portaria 1.752, determinou que todos os hospitais (públicos, privados e filantrópicos) com mais de 80 leitos constituíssem suas comissões de doação de órgãos e tecidos para transplantes.
Publicada em 23 de setembro de 2005, esta portaria foi uma medida do MS para envolver, de forma efetiva e organizada, os hospitais do Sistema Único de Saúde - SUS no esforço coletivo de captação de órgãos.
No Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, onde funciona uma dessas comissões, a medida já mostra os seus bons resultados . Pois essa comissão, sob a coordenação da enfermeira Dra. Maria das Graças Torres e da qual fazem parte o médico Dr. Alexandre Marcelo, a enfermeira Dra. Suerda Bessa e a assistente social Dra. Beatriz Bezerra, vem conseguindo captar no referido hospital, entre vários órgãos e tecidos, cerca de 20 córneas (a meta é 40) por mês.
O que certamente vai contribuir para reduzir o tamanho da fila de espera (com mais de 500 pacientes, atualmente) para transplantes de córneas no Ceará. E, até mesmo, para que essa fila desapareça, como arrisca predizer o cardiologista Dr. João David, um dos responsáveis por colocar o Hospital de Messejana entre os principais centros transplantadores de coração no Brasil.

10 abril, 2008

Uma história que foi contada

O Sr. Vinício Firmeza, funcionário do Hospital de Messejana, comunicou-me haver encontrado na biblioteca deste hospital um documento que poderia ser de meu interesse. E, atencioso como é de seu feitio, passou-me às mãos uma fotocópia do documento.
Ao examiná-la, identifiquei-a como sendo as respostas que eu dera, há muitos anos, para um questionário do Dr. Carlos Alberto Studart Gomes. Já aposentado do serviço público, após 39 anos no cargo de diretor do Hospital de Messejana, Dr. Carlos Studart encaminhara um certo número de cópias do questionário a profissionais que trabalhavam na instituição. E o preenchimento daquele questionário iria lhe fornecer subsídios para um livro - em fase de elaboração - sobre o Hospital de Messejana.
Foi bom reler o que escrevi naquele momento. A exemplo, pinço aqui a resposta que dei ao item "Visão histórica do hospital e sua importância na medicina do Ceará":

Quando acadêmico de medicina, algumas vezes (eu muito bem vindo de ônibus de algum lugar), passando em frente a este hospital, jamais imaginei fosse acontecer o que o destino me reservara: integrar o corpo clínico do Hospital de Messejana. Mas... aqui estou, o que muito me honra. Nesses anos, tenho feito um bom aprendizado técnico e humanístico, em virtude de ter aqui encontrado as condições propícias para tanto. Da parte dos diretores, que identificam minhas potencialidades e me incentivam, dos companheiros de trabalho, que trocam comigo experiências e compreendem meus erros, e do pessoal de apoio, sem o qual eu não poderia exercer a contento minhas funções. E, ainda, por conta dos excepcionais recursos técnicos e operacionais que tenho encontrado nesta instituição. Falar sobre o Hospital de Messejana, o seu incomensurável papel na cardiologia, na pneumologia e na cirurgia cardíaca e torácica no Ceará, é discorrer sobre o óbvio. Há todo o testemunho da comunidade cearense sobre o que o hospital para ela representa - hoje e sempre! E credite-se a importância da missão que o hospital cumpre, em grande parte, à visão administrativa de Dr. Carlos Studart. Numa época em que a rede sanatorial era um modelo consagrado, este administrador identificou demandas outras (cardiopatias e pneumopatias não-tuberculosas) que estavam a exigir soluções. E, sem excluir o nosocômio da luta anti-tuberculose, soube redirecioná-lo para objetivos mais amplos. Ademais, tão sólida tem sido a estrutura administrativa deixada por Dr. Carlos Studart que, ao afastar-se da direção deste hospital, as freqüentes trocas de seus diretores (pelas inquietudes da política) não têm, até o momento, comprometido o bom desempenho da instituição (PGCS)."

Este livro para o qual enviei meu depoimento foi de fato escrito e publicado.Com o título "Sanatório de Messejana - Uma História a Ser Contada", ele cobre o período de 1933 a 1983, ou seja, 50 anos de existência da instituição. Estive na noite de lançamento do livro, uma festa que aconteceu na residência do autor, Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (nome que já foi oficialmente acrescentado ao do Hospital de Messejana), quando recebi de suas mãos um exemplar autografado. Li-o com o mais profundo interesse. E, por necessidades diversas, não sei quantas vezes já o consultei.

21 abril, 2007

Pneumonias por produtos do petróleo (PPP)

Produtos do petróleo como gasolina, querosene, aguarrás e outros hidrocarbonetos líquidos, após serem ingeridos e/ou aspirados e entrarem em contato com os pulmões, podem ocasionar pneumonias de natureza química (também chamadas de pneumonites) nos seres humanos.
Em nosso meio, pela estocagem de querosene sem os devidos cuidados em muitas residências, tem sido freqüente que crianças ingiram esta substância, acidentalmente. E que, ao fazê-lo, também aspirem o referido produto, que apresenta propriedades irritantes para o aparelho respiratório. Resultando disso um processo inflamatório no pulmão, isto é, uma pneumonia química, a qual poderá ser secundariamente infecciosa.
Dentre as situações de risco para esta doença, também se encontra uma prática observada em algumas oficinas mecânicas. O uso do “torçal” (um tubo flexível), nesses locais de trabalho, com a finalidade de retirar combustível dos tanques dos veículos. Ao iniciar a operação, o trabalhador faz uma forte sucção no “torçal”, cuja outra extremidade está imersa no combustível, e com isto se arrisca a aspirar o produto. No slide abaixo, apresento o resumo de um desses casos. Referente a um paciente que esteve sob meus cuidados profissionais no Hospital de Messejana e que evoluiu bem.

O exibicionismo circense dos engolidores de fogo pode ser outra causa desta forma de pneumonia aspirativa. Chamada de fire eater’s pneumonia pelos autores médicos da língua inglesa. A propósito desta situação, indico a leitura de um caso que foi relatado no Jornal de Pneumologia, de setembro/outubro de 2002. Clique.