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31 maio, 2024

Com cinzas e com afeto

Caso verídico que escutei de uma aeromoça da Alitalia.
A historia começa na porta de entrada do avião quando uma passageira sai da fila para se aproximar da aeromoça e pedir com toda polidez que ela permita que sua adorável mãezinha viaje em primeira classe.
- É o sonho dela, disse com emoção.
A aeromoça sensibilizada negou educadamente alegando que não tinha autorização da empresa para tanto, mas faria algo especial pela mãe da passageira. Daria a ela toda atenção e mimos como se na primeira classe estivesse. Bastava que lhe dissesse o número da poltrona da classe turística.
- 34B, corredor.
O avião decolou e a gentil aeromoça,depois de alguns minutos, se dirigiu à poltrona assinalada levando um pote de caviar com um vinho espumante. Lá estava comodamente sentada a passageira.
- Onde está sua mãezinha? perguntou a aeromoça.
A passageira então abriu a mochila e sacou de lá um vidro com as cinzas da mãe.
Disse, emocionada:
- Estou levando suas cinzas para lançá-las no lago de Como na Italia.
A adorável aeromoça não se fez de rogada, pegou o vidro com cinzas e o acomodou discretamente no melhor local da primeira classe.
Achei a história linda e trouxe para vocês como o exemplo de que o afeto ainda existe até entre pessoas que mal se conhecem.
Nelson Cunha

02 março, 2018

Uma história comicamente triste

Conheça o caso de um súdito canadense. É tão triste que você quase não tem escolha, senão ficar feliz por não ser ele. O cara é anônimo, e por uma boa razão: ele está processando um hospital de Quebec por uma cirurgia maliciosa em seu pênis que resultou na perda de uma polegada deste órgão.
Perder uma polegada de masculinidade sempre faz do dia um péssimo dia. Mesmo que, uma hora depois, o infeliz ganhe na loteria. E, pior ainda, é por que ele teve de ir para a cirurgia.
Três anos atrás, ele estava tendo relações sexuais com sua esposa e, de alguma forma, fraturou o pênis. Provavelmente, quando tentava alguma louca posição pornô que, se fosse bem-sucedida, qualificaria-o para o Cirque du Soleil.
Ele foi ao hospital, e a enfermeira simplesmente "fez uma breve inspeção visual do pênis  sem tocá-lo". Normalmente, não é a atitude que um cara espera ao expor o pênis a outra pessoa.
Infelizmente, a enfermeira estava errada, e o pênis não estava bem. Meses depois, ele finalmente foi diagnosticado com uma fratura do pênis e, debaixo de faca, deu adeus a uma polegada do órgão. Desde então, ele afirma que não conseguiu mais fazer sexo, e sua esposa o deixou. Outro caso triste de um homem que esqueceu que os dedos e a língua existem por algum motivo.
Como se isso não fosse ruim o suficiente, depois da cirurgia urológica, ele foi visto dizendo: "Isso causou um impacto maior em minha vida do que quando eu perdi as minhas pernas". Se a história desse cara é real, então ele é oficialmente o mais triste dos homens. Sem pernas, sem ereção e com a esposa que o abandonou por alguém que não é o Halfy, do South Park.
Halfy
Eu acho que o primeiro-ministro do Canadá deveria passar uma Ordem Executiva, exigindo que todos deem um grande abraço no cara desta história porque ele claramente precisa disso.
(http://www.holytaco.com/a-parapalegic-losing-part-of-his-penis-is-the-most-comically-sad-story-ever/)

24 novembro, 2016

Um jantar em família

Muitas confraternizações de família ainda se assemelham a estes desenhos feitos por Caran d'Ache em 1898.
Legendas
No 1º desenho: "Principalmente, não vamos discutir o Caso Dreyfus!"
No 2º desenho: "Eles sempre discutem isso."

29 novembro, 2015

O caso do arremesso de anão

Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.
Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.
E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.
Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.
Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.
Como patrono da turma de 2014 da faculdade de Direito da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, proferiu o discurso "A vida e o Direito: breve manual de instruções", que foi publicado na íntegra no site Migalhas, e do qual extraí o trecho acima.
Arremesso de anão, na Wikipédia
França - O arremesso de anões foi proibido na pequena cidade francesa de Morsang-sur-Orge em 1992, e o caso passou pelas cortes administrativas de apelação por iniciativa do dublê Manuel Wackenheim – que ganhava a vida como arremessado – até chegar ao Conselho de Estado, que em 1995 decidiu que uma autoridade municipal poderia proibir a prática sob a alegação de que ela não respeitava a dignidade humana, sendo portanto contrária à ordem pública. A polêmica levantou debates legais a respeito do que seria admissível como motivo para uma autoridade administrativa banir atividades por questões de ordem pública, especialmente pelo conselho não pretender confundir "moralidade pública" com ordem pública. A decisão foi tomada pela assembléia completa, prova da dificuldade da questão.O conselho chegou a um parecer semelhante em outro caso do tipo envolvendo uma companhia de entretenimento e a cidade de Aix-en-Provence.
Manuel Wackenheim levou o caso então à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que em 27 de setembro de 2002 julgou que a decisão não era discriminatória aos anões, estabelecendo que o banimento do arremesso não era abusivo, e sim necessário para manter a ordem pública, fazendo ainda considerações a respeito da dignidade humana.
Lançamento de anão, no YouTube
Austrália - Vídeo.

10 julho, 2015

O episódio da "La Cumparsita"

O caso, eu vou contar como o caso foi:
Um dia, em casa de Francisco Brennand – seu colega de turma e o artista extraordinário a quem todos admiramos – chega o padre vigário da Várzea, o bairro recifense, hoje tão renomado, por conta desse pintor ceramista, e o anfitrião, feliz, exclama:
– Padre, veja quem está aí!
O padre olha para Suassuna, desconfiado, sem saber quem era. Brennand, no afã de salvar as aparências:
– É porque eu não disse o nome dele. Quando eu disser o senhor identifica.
E o padre:
– Quem é?
E ele:
– É Ariano Suassuna.
O padre confessou, honestamente, nunca ter ouvido falar. Então, Brennand, no esforço derradeiro:
Mas, padre, é o autor do "Auto da Compadecida".
O rosto do padre se iluminou:
– Ah! Essa eu conheço – e emendou logo a pergunta: – O senhor tem composto muito?
Foi quando Suassuna, sem entender nada, observou-lhe:
– Não, padre; eu não sou compositor.
O padre, novamente perdido, rebate:
– Mas o Dr. Brennand não acaba de dizer que o senhor é o autor de "La Cumparsita"?

(relatado por Marcos Vilaça em seu Discurso de Recepção ao Acadêmico Ariano Suassuna na Academia Brasileira de Letras)

Ariano e os computadores |  Por causa de uma gravata |  Ariano Suassuna, o homem da esperança |  Para que serve o secretário de um poeta?

21 junho, 2015

Uma (e outra) para o santo

O fato curioso começou na cidade de Paracatu, em Minas Gerais, quando um casal ingressou com uma ação que pedia a retificação de uma área de 45 hectares que teriam sido subtraídas de seu terreno. O terreno - ou pelo menos uma parte dele - pertencia ninguém menos que São Sebastião.
O casal inicialmente ganhou a causa e teve o terreno retificado, mas a Mitra Diocesana de Paracatu foi à Justiça para anular a retificação e saiu vitoriosa. O casal resolveu, então, recorrer e a apelação foi desprovida.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Comentário
O caso é bastante interessante, envolvendo temas de Direito Civil e Processual Civil, mas uma das principais questões era basicamente:
Um santo tem personalidade jurídica? Santo pode receber doação? Quem representa o santo judicialmente?
Publicado por Matheus Galvão no JusBrasil
Enviado por Fernando Gurgel

Leia como votou o Exmo. Sr. Ministro João Otávio de Noronha, o relator deste caso no STJ.

Fernando;
A São Sebastião (acima retratado por Botticelli) faltou quem o defendesse anteriormente. Falo da questão movida contra ele, por ser cristão, à época do imperador Diocleciano. Mas, como o santo se apresentou ao imperador, depois de dado como morto a flechadas e jogado num rio, talvez ele não tivesse mesmo jeito. E deram-lhe outra oportunidade para se tornar mártir, desta vez por espancamento.
PG
O que é mais uma flechada?
A origem desta frase:
Tenho um grande amigo, com quem viajamos recentemente, que, quando surgia uma despesa inesperada ou quando questionávamos sobre o preço alto de alguma coisa, sempre repetia: "O que é mais uma flechada para São Sebastião?"
Gozação total.
E este amigo mandou-me um artigo sobre Santo Antônio, quase na mesma linha do tal processo:
António Militar
Fernando Gurgel

30 outubro, 2014

Gelatina explosiva confeitada

Gelignite, ou gelatina explosiva, é uma mistura de nitroglicerina, algodão e uma substância combustível como polpa de madeira. Assemelha-se a dinamite (também inventado por Alfred Nobel), e pode ser facilmente moldada com as mãos nuas. Um cartucho de gelignite da Segunda Guerra Mundial foi encontrado em 2012, em Kalbarri, Australia.
A 6 de outubro de 1904, o Roussky vratch (Русский врач , ou "Doutor russo", um jornal que ainda hoje existe) relatou o caso de uma jovem, em Kavalieroff, que "encontrando um cartucho com essa substância, comeu-o, tomando-o por um produto de confeitaria".
Os sintomas eram os de envenenamento com nitroglicerina, nitrito de amila etc. E a dose de nitroglicerina tomada pela paciente fora de seis mil vezes a dose terapêutica.
Apesar dos receios, ela não explodiu até seis semanas depois. quando já haviam expirados os efeitos do veneno.
Em vista do fato de que a gelatina explosiva emite vapores de ácido nitroso, quando em decomposição, o seu estômago foi lavado com uma solução de bicarbonato de sódio. Uma dose de óleo de rícino foi administrada por sonda gástrica, e a paciente recebeu injeções subcutâneas de cafeína, benzoato de sódio, e ergotina, além de café per os.
Ela teve uma evacuação abundante e se recuperou rapidamente.
Podemos encontrar relatos posteriores de russos que confundiram explosivos à base de nitroglicerina com doces, havendo rumores de que o ministério imperial de minas tenha mudado a formulação da gelignite para ser menos apetitosa.

The dangers of delicious dynamite, Improbable Research

26 junho, 2012

Um homem com duas caras

O sol tornou o motorista de caminhão Bill McElligott, 69, um homem com duas caras.
O lado direito de seu rosto parece o de uma pessoa de 69 anos. O lado esquerdo, devido à forte exposição ao sol durante 28 anos, parece o rosto de alguém 20 anos mais velho.
Bill dirigiu um caminhão de entrega em Chicago, EUA, por 28 anos, em uma rota diária de nove horas.
Os raios solares (radiação ultravioleta A - UVA), penetrando através da janela do caminhão, foram, ao longo dos anos, devastando a pele do rosto do caminhoneiro, à esquerda, segundo o dermatologista Dr. Jennifer RS Gordon, que descreveu este caso no The New England Journal of Medicine
É um caso acentuado de dermatoheliose unilateral.

21 abril, 2007

Pneumonias por produtos do petróleo (PPP)

Produtos do petróleo como gasolina, querosene, aguarrás e outros hidrocarbonetos líquidos, após serem ingeridos e/ou aspirados e entrarem em contato com os pulmões, podem ocasionar pneumonias de natureza química (também chamadas de pneumonites) nos seres humanos.
Em nosso meio, pela estocagem de querosene sem os devidos cuidados em muitas residências, tem sido freqüente que crianças ingiram esta substância, acidentalmente. E que, ao fazê-lo, também aspirem o referido produto, que apresenta propriedades irritantes para o aparelho respiratório. Resultando disso um processo inflamatório no pulmão, isto é, uma pneumonia química, a qual poderá ser secundariamente infecciosa.
Dentre as situações de risco para esta doença, também se encontra uma prática observada em algumas oficinas mecânicas. O uso do “torçal” (um tubo flexível), nesses locais de trabalho, com a finalidade de retirar combustível dos tanques dos veículos. Ao iniciar a operação, o trabalhador faz uma forte sucção no “torçal”, cuja outra extremidade está imersa no combustível, e com isto se arrisca a aspirar o produto. No slide abaixo, apresento o resumo de um desses casos. Referente a um paciente que esteve sob meus cuidados profissionais no Hospital de Messejana e que evoluiu bem.

O exibicionismo circense dos engolidores de fogo pode ser outra causa desta forma de pneumonia aspirativa. Chamada de fire eater’s pneumonia pelos autores médicos da língua inglesa. A propósito desta situação, indico a leitura de um caso que foi relatado no Jornal de Pneumologia, de setembro/outubro de 2002. Clique.