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01 dezembro, 2024

Dia Mundial da Antártica

O Dia Mundial da Antártica é celebrado em 1.º de dezembro por conta da data de ratificação do Tratado da Antártica, assinado em 1959. O Brasil é um dos países signatários e atuantes nas decisões e pesquisas no Continente Gelado.
Ao comemorar esta data, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, dá-nos um vislumbre da seção da BN dentro da Estação Antártica Comandante Ferraz.

A ler:
"A Biblioteca Nacional é dos mais belos ecossistemas do Brasil. Floresta de exemplos, natureza e cultura, memória social, que cada geração buscou guardar. Não se limita ao curto prazo. Namora a longa duração. O presente infinito não esgota suas forças. O passado distante não é exílio e o futuro pode-se apressar. Biblioteca sem fronteiras, projeto de igualdade, construção de paz e saber."

31 maio, 2023

Investimentos e a posse de Marco Lucchesi na Biblioteca Nacional

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) vai receber, este ano, investimentos de R$ 30 milhões, anunciou a ministra da Cultura, Margareth Menezes, ao dar posse, nesta terça-feira (30), no Rio de Janeiro, ao novo presidente do órgão, professor Marco Lucchesi. Estes investimentos serão direcionados à modernização do prédio anexo da biblioteca, destinado a abrigar parte dos 10 milhões de obras que compõem o acervo da instituição, em especial a coleção de periódicos.
Foi anunciada durante a cerimônia a criação de uma nova categoria dentro do Prêmio Literário Biblioteca Nacional - o Prêmio Akuli. O novo prêmio objetiva a fixação de cantos ancestrais e narrativas da oralidade, recolhidos no Brasil, entre povos originários, ribeirinhos e de matrizes culturais. Íntimo dos saberes da floresta, Akuli foi um exímio narrador de histórias ancestrais. A literatura oral sobre Macunaíma, que Akuli transmitiu ao cientista alemão Theodor Koch-Grünber, foi determinante para a obra de Mário de Andrade.


Crédito: http://pbs.twimg.com/media/Fxc6vDdXwAM9ZPG?format=jpg...
FBN
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) é um órgão público federal vinculado ao Ministério da Cultura. A fundação inclui a Biblioteca Nacional, mais antiga instituição brasileira e maior biblioteca da América Latina, além da Biblioteca Euclides da Cunha (BEC) e a Casa de Leitura. Inaugurada em 1810 por D. João VI, a Biblioteca Nacional ocupa, desde 1910, o prédio localizado na Avenida Rio Branco, número 219, na Cinelândia, região central do Rio de Janeiro. É considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo.
Fonte: Agência Brasil

02 agosto, 2016

Um portal sensacional


Jaime Nogueira envia-me a dica de um portal, que ele define como sensacional, e no qual é possível a gente ver um vasto acervo digital para lá de legal. Trata-se da BNdigital, de propriedade da Biblioteca Nacional.
Não peço calma, pessoal. É essencial fazer logo uma visita geral ao recomendado portal. Antes que esse bagaçal (e meio que asnal) governo dê a ele um final, com funeral a cargo do boçal Alexandre Frota.
(nota redigida com muitos ecos em "al")



Jaime Nogueira: perfil de um colaborador
Seus genes são oriundos da Serra da Mantiqueira onde nasceu (Itajubá, MG), por parte de sua mãe (Da Costa Machado) e dos sopés do Serrote de Quinamuiú (Tauá, CE) – seu pai (Alexandrino Nogueira). De um total de 5 irmãos formados na Escola de Engenharia da UFC, Jaime Nogueira desgarrou-se após casar e concluir o Mestrado no Instituto da Pesquisas Hidráulicas da UFRGS e começar a trabalhar no Rio, na então CVRD,  por cerca de 30 anos – sempre envolvido com projetos de exploração mineral na Serra dos Carajás, PA (Fe, Au, Cu) e um trabalho de desenvolvimento tecnológico para purificação de SiO2 na Zona da Mata, MG. Em '87 passou uns 3 meses na DDR (Alemanha Oriental), na Escola de Minas de Freiberg, com direito ao Checkpoint Charlie, em Berlim, e a Autobahn usada para a Invasão dos Sudetos e, lógico, a fantástica cerveja da Saxônia.

20 setembro, 2015

Portugueses na África

Crônica inédita de Lima Barreto encontrada na Biblioteca Nacional
A crônica "Portugueses na África", escrita por Lima Barreto – provavelmente em 1907 –, nunca foi publicada; nem mesmo na coluna "Echos", da revista A Floreal, à qual ela se destinava, segundo indicação do autor no verso de uma das folhas em que foi escrita. O original foi encontrado recentemente numa pasta do Arquivo Lima Barreto – que está preservado na Divisão de Manuscritos – pelo doutor em "Estudos Brasileiros (Literatura e Cultura)" pela Universidade de Lisboa, João Marques Lopes, hoje bolsista do Programa Nacional de Apoio a Pesquisadores Residentes (PNAP-R), da Biblioteca Nacional. João Marques Lopes estuda o modo como a obra de Lima Barreto, um dos mais importantes escritores brasileiros, foi recebida em Portugal.
Os srs. já conhecem a coisa. De ano em ano, os jornais daqui e de além-mar noticiam estrondosas vitórias dos portugueses sobre os indígenas de suas possessões de África. No tempo dos “Lusíadas”, talvez por não existir o jornalismo periódico, não davam tanta importância a feitos idênticos. Pelo menos não tenho notícia que Lisboa festejasse retumbantemente Antônio Salema, que, aí pelos fins de Quinhentos, matou dez mil índios perto de Cabo Frio; e se ainda nos resta memória das proezas da gente assinalada em Diu e Goa é porque alguns cronistas precavidos e meia dúzia de poetas entusiastas registraram-nas em prosa de bronze, ainda áspero, e em grandiosos versos, um tanto monótonos.
Hoje, não havendo farta messe de ações heroicas, lá pelo velho Portugal, os jornais e o governo não deixam escapar uma só vitoriazinha. Os heroísmos são narrados um a um, em frases cheirando ainda à Ilíada; os retratos são publicados e os plutarcas afiam a pena para mais essa centena de varões ilustres.
O que há em suma? Esta coisa simples: um destacamento português, de cem ou duzentas praças, derrota uma partida de desgraça dos negros, duplamente desgraçados por serem negros e por viverem em possessões do Portugal necessitado de vitórias.
Pelo jeito, o governo lusitano precisa demonstrar a vitalidade da nação; precisa lembrar ao mundo que o sangue heroico dos varões assinalados ainda não está de todo acabado; e para tal organiza, de quando em quando, umas justas art-nouveau em que morrem algumas dezenas de negros (ora, os negros!) e os portugueses praticam heroísmos dignos de versos gregos e do triunfo romano.
Tenho para mim que esses negros flexíveis e adaptáveis a toda a sorte de misteres, desde o de bestas de carga até o nobilíssimo de adversários dos esforçados varões do Portugal moderno, têm que acabar um dia. Se isso se der, a velha metrópole vai se ver atrapalhada para arranjar quem se preste à demonstração experimental de sua heroicidade eterna; e, a menos que a gente a quem outrora Marte obedeceu queira combater os chimpanzés e os gorilas de África, Lisboa só terá festas com franco cunho guerreiro quando o governo das Necessidades sabiamente resolver condecorar com grandiosas solenidades os valentões da Baixa que se portarem heroicamente nas rijas com tripulações de barcos estrangeiros de passagem pelo Tejo. Então é que havemos de ver o indigesto Teófilo a explicar esse afloramento do Heitor português na população da sarjeta alfacinha e o velho Camões a bimbalhar nas colunas dos jornais:
Cale-se de Alexandre e de Trajano,
A fama das vitórias…
E poderá assim Portugal, e por muito tempo, achar nos seus registos de nascimento, nomes que se possam contar naqueles outros em quem, como o Albuquerque terrível e o Castro forte, a morte não teve poder.
É ainda de Camões que, a meu ver, deve sofrer modificações convenientes para se adaptarem ao novo heroísmo de Portugal, se os nossos irmãos do Tejo querem um adaptador excelente, temos aqui à mão alguns experimentados em guerra. O Barão de Paranaguá calha, por exemplo…
N. do E.
[1] Extraído de: http://www.bn.br/noticia/2015/09/cronica-inedita-lima-barreto-encontrada-bn
[2] A ortografia foi atualizada.
[3] Grato a Fernando Gurgel pela informação sobre a descoberta do original desta crônica no Arquivo Lima Barreto da Biblioteca Nacional.