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24 março, 2023

Livros envenenados: fake e fato

Em "O nome da Rosa", romance de Umberto Eco, um manuscrito, escondido na impenetrável biblioteca da abadia onde a história se passa, é descrito como a única cópia ainda existente de uma obra de Aristóteles dedicada à comédia. Quem folheá-lo para lê-lo será envenenado com arsênico, espalhado na borda de cada página, onde passa o dedo molhado para virar. Tudo, porém, acabará por ser destruído em um incêndio desastroso.
Saindo da narrativa ficcional de Umberto Eco para os manuscritos reais de Marie Curie. Os papéis de Marie Curie (mesmo seu livro de receitas) são mantidos em caixas de chumbo, devido aos altos níveis de radiação.
Se você visitar a coleção de Pierre e Marie Curie, na Bibliothèque Nationale de France, verá que muitos de seus antigos pertences - de seus móveis a seu livro de receitas - requerem roupas de proteção para serem manipulados com segurança. Você também terá que assinar um termo de isenção de responsabilidade para vê-los.

10 março, 2022

Elixires radioativos

O elemento químico rádio foi descoberto em 1898 por Marie e Pierre Curie. [1]
Naqueles dias, porém, as pessoas não tinham ideia de seus efeitos nocivos. De fato, as pessoas encaravam esse metal luminoso como uma cura médica - algo que, de alguma forma poderia melhorar quase tudo.
Não demorou muito para as pessoas começarem a usar o rádio em produtos domésticos como batom, chocolate (na Alemanha), tônicos e até em relógios. [2] No entanto, logo se descobriu que muitas pessoas que consumiam rádio para aumentar sua vitalidade ou beleza estavam desenvolvendo efeitos colaterais horríveis e permanentes e morrendo.
Isso, finalmente, fez o público perceber que colocar rádio em tudo não era uma resposta a seus problemas.
Uma história
O Radithor [3] foi fabricado de 1918 a 1928 pela Bailey Radium Laboratories, Inc., de East Orange, New Jersey. Dizia-se que o caro produto curava a impotência, entre outros males. Eben Byers , um rico socialite americano, atleta, industrial e graduado do Yale College, morreu de envenenamento pelo rádio do Radithor em 1932. Byers foi enterrado em um caixão forrado de chumbo; [4] quando exumado em 1965 para estudo, seus restos mortais ainda eram altamente radioativos. A morte de Byers levou ao fortalecimento dos poderes da Food and Drug Administration e ao fim da maioria dos medicamentos patenteados baseados em radiação . Um artigo do Wall Street Journal (1.º de agosto de 1990) descrevendo o incidente de Byers foi intitulado "A água do rádio funcionou bem até que sua mandíbula caiu". [5]

10 dezembro, 2020

Radium Girls

Nos Estados Unidos, no início do século XX, tornaram-se comuns o uso de relógios que brilhavam no escuro.
Para fazer com que os relógios brilhassem, os fabricantes usavam um material à base de rádio em pó, goma arábica e água. Em três diferentes fábricas da Radium Corporation, mulheres encarregavam-se de pintar os mostradores desses relógios.
Os pincéis eram feitos de pelos de camelo. Quando as pontas desses instrumentos começavam a ficar rombas, as operárias eram recomendadas que "afinassem" as pontas com a boca. Por diversão, muitas trabalhadoras também pintavam suas unhas, rosto e dentes com a tinta radioluminescente.
(Enquanto isso, familiarizados com os efeitos prejudiciais do rádio, proprietários e químicos evitavam cuidadosamente qualquer exposição a ele.)


As consequências vocês podem imaginar. Expostas a um elemento radioativo, muitas trabalhadoras passaram a apresentar anemia, fraturas ósseas e necrose da mandíbula, uma condição que é conhecida como mandíbula de rádio.
Aquelas que ingressaram na justiça com processos por indenizações trabalhistas ficaram conhecidas como Radium Girls.

02 julho, 2018

O livro de receitas em caixa de chumbo

Ainda hoje, os papéis de Marie Curie (mesmo seu livro de receitas) são mantidos em caixas de chumbo, devido aos altos níveis de radiação
Marie Curie fez algumas das contribuições mais importantes para a ciência no século XX. E, como a maioria das pessoas já sabe, ela fez isso com um ônus para sua própria saúde. O que a maioria das pessoas provavelmente não sabe, no entanto, é que os níveis de radiação a que ela estava exposta eram tão elevados que seus cadernos agora devem ser mantidos em caixas de chumbo.
É verdade. E não são apenas os manuscritos de Curie que são perigosos de serem tocados. Se você visitar a coleção de Pierre e Marie Curie, na Bibliothèque Nationale de France, verá que muitos de seus antigos pertences - de seus móveis a seu livro de receitas - requerem roupas de proteção para serem manipulados com segurança. Você também terá que assinar um termo de isenção de responsabilidade para vê-los.

Uma lareira de alto risco

16 março, 2016

Robôs "morrem" em Fukushima

(Reuters) – Os robôs enviados para remover o combustível nuclear de Fukushima, a usina nuclear que foi danificada por terremoto e posterior tsunami, em março de 2011, já "morreram" devido à grande quantidade de radiação a que foram expostos no local de trabalho.
É o que se lê neste artigo: The robots sent into Fukushima have "died".
Cada robô tinha sido feito sob medida para cada edifício após anos de projeto e fabricação. Mas eles não duraram muito tempo. Bastou se aproximarem dos reatores para que a radiação destruísse a sua fiação, deixando-os inúteis.


Cinco anos após: a situação dos desalojados pela catástrofe
(R7 Notícias) – Podem ser necessários mais cinco anos para transferir os desabrigados pela tragédia nuclear de Fukushima, no Japão, dos centros de acolhimento onde vivem até hoje para moradias permanentes.
Atualmente, quase 60 mil pessoas estão abrigadas em estruturas pré-fabricadas para receber os desalojados pela catástrofe de 11 de março de 2011. Segundo uma investigação da agência "Kyodo", as operações para entrega das habitações fixas só devem terminar em 2021, uma década depois do desastre.

27 julho, 2015

As margaridas bizarras do Japão

Um usuário do Twitter chamado San Kaido fotografou estas flores, em maio último, na cidade de Nasushiobara, a cerca de 100 quilômetros de Fukushima.


A estranha descoberta destas flores com a aparência bizarra, perto do local do desastre nuclear de Fukushima, pode não ter a ver com radiação, afirma um especialista.
O botânico Guy Barter, da Royal Horticultural Society (RHS), disse que as imagens são consistentes com um fenômeno conhecido como fasciação, encontrado em todo o mundo.
A fasciação faz com que as flores, folhas ou caules de uma planta se apresentem em números e formas anormais. Ela pode ser causada por mutação genética, infecções virais e bacterianas, lesão física e radiação.
Barter disse a The Independent:
"É provável que o fenômeno seja apenas aleatório. Temos muitos exemplos de fasciação enviados para o RHS a cada ano. Mas, neste caso, não é possível dizermos, com certeza, se está ligado à radiação. Para ter certeza, teríamos de examinar a sua incidência, ao longo de vários anos, na área em que o excesso de radiação esteja presente,"
O nível de radiação perto das margaridas foi considerado um pouco acima do normal, mas seguro para a habitação.

11 outubro, 2014

Atomic Energy Lab


É o nome de um brinquedo da década de 1950.
Com esse kit (imagem) a criança podia realizar "mais de 150 excitantes experiências" na área da energia atômica.
Incluía: fontes emissoras de raios alfa, beta e gama , um contador Geiger, um guia sobre "como fazer prospecção de urânio" e outros apetrechos para brincar com a radiação.
Não incluía: qualquer proteção, nem qualquer advertência contra os possíveis perigos da radiação.

Não está mais no catálogo do fabricante.

21 junho, 2014

Simbologia para depósitos de resíduos nucleares

por Paulo Gurgel
Conceber um sistema de marcação que possa ser facilmente compreendido por qualquer pessoa, em qualquer lugar e em qualquer língua, nunca vai ser uma tarefa fácil. Agora, imagine também que esse sistema tenha que permanecer intato e eficaz nos próximos dez mil anos.
Para ser mais específico: um sistema a ser adotado em depósitos de resíduos nucleares em grande escala que sirva para informar e desencorajar as pessoas que, inadvertidamente ou não, penetrem nessas áreas.
Um relatório de 351 páginas a respeito do sistema, o SANDIA REPORT, já foi produzido, na década de 1990, por uma equipe de peritos. No meio da simbologia proposta pelo relatório, destaco alguns dos símbolos que são sugeridos para a utilização nas placas de advertência:
1 - A figura humana que o artista norueguês Edvard Munch imortalizou em seu quadro "The Scream".
Do agito ao grito
2 - O Mr. Yuk, o símbolo icônico que é usado para educar crianças e adultos, nos EUA e internacionalmente, quanto ao problema das intoxicações e envenenamentos. Infelizmente, este símbolo é protegido por direitos autorais. Mas tem até uma musiquinha-tema (vídeo)


Mr. Yuk is mean / Mr. Yuk is green / When you see him /Stop and think / Do not smell / Do not drink / Mr. Yuk is mean / Mr. Yuk is green.
3 - O símbolo perfeito que foi proposto por Carl Sagan:
"Queremos um símbolo que será compreensível não só para os membros mais instruídos da população, mas para qualquer pessoa que possa vir ao depósito. Existe o tal símbolo. É testado e verdadeiro. Ele tem sido usado transculturalmente, há milhares de anos, com o significado inconfundível. É o símbolo usado nas vergas das habitações dos canibais, nas bandeiras dos piratas, como insígnia das divisões da SS e das gangues de motociclistas e nos rótulos das garrafas de venenos - o crânio com ossos cruzados. A anatomia do esqueleto humano, podemos estar razoavelmente certos, não vai mudar que o símbolo fique irreconhecível nas próximas dezenas de milhares de anos."

15 novembro, 2012

Recuerdos


É uma brincadeira. O correto seria: MEU PAI ESTEVE EM CHERNOBYL. Os efeitos genéticos da radiação ionizante - que podem resultar em mal-formações - manifestam-se apenas na descendência dos indivíduos que sofreram exposição a este agente físico.

26 junho, 2012

Um homem com duas caras

O sol tornou o motorista de caminhão Bill McElligott, 69, um homem com duas caras.
O lado direito de seu rosto parece o de uma pessoa de 69 anos. O lado esquerdo, devido à forte exposição ao sol durante 28 anos, parece o rosto de alguém 20 anos mais velho.
Bill dirigiu um caminhão de entrega em Chicago, EUA, por 28 anos, em uma rota diária de nove horas.
Os raios solares (radiação ultravioleta A - UVA), penetrando através da janela do caminhão, foram, ao longo dos anos, devastando a pele do rosto do caminhoneiro, à esquerda, segundo o dermatologista Dr. Jennifer RS Gordon, que descreveu este caso no The New England Journal of Medicine
É um caso acentuado de dermatoheliose unilateral.

03 abril, 2011

Para entender os riscos da radiação

Um excelente trabalho de David McCandless para Information is Beautiful: Radiation Dosage Chart, um gráfico de computador para ajudar a compreender os efeitos de várias doses de radiação entre 0,1 microsieverts (μSv) e 100.000 milisieverts (mSv).

0,1 μSv - Comendo uma banana
0,4 μSv - Radiação natural do corpo humano
1 μSv - Usando o monitor do computador por um ano
5 μSv - RX dentário
10 μSv - Dose ambiental diária por pessoa
40 μSv - Voo de Nova Iorque a Los Angeles
70 μSv - Vivendo em casa / apto de tijolo, pedra ou concreto por um ano
100 μSv - RX de tórax
400 μSv - Dose alimentar anual por pessoa
1.000 μSv - Exposição anual à radiação por pessoa (em média)
1.000 μSv = 1 mSv
3 mSv - Mamografia
10 mSv- Tomografia computadorizada (em média)
36 mSv - Fumando 30 cigarros por dia durante um ano
50 mSv - Dose máxima anual permitida para trabalhadores com a radiação
100 mSv - Dose anual em que o aumento de risco para o câncer é evidente
250 mSv - Dose máxima permitida para trabalhadores com a radiação em operações de salvamento
500 mSv - Diminuição das células sanguíneas com retorno para a normalidade após alguns dias
1.000 mSv - Náuseas e vômitos com recuperação.
10.000 mSv - Dose fatal
30.000 mSv - Dose fatal com morte em 2 a 3 semanas
100.000 mSv - Dose fatal com morte em poucas horas

No momento a radioatividade liberada em Fukushima é aproximadamente 1 por cento de tudo o que foi liberado em Chernobyl. E, segundo a fonte que se consulte, as mortes atribuíveis a Chernobyl desde o desastre nuclear variam entre 50 (Organização Mundial de Saúde) e 200.000 (Greenpeace) pessoas.

10 fevereiro, 2011

A dose banana-equivalente

Avanços em unidades de medida
A dose banana-equivalente (ou a dose equivalente a banana) é uma medida alternativa das mais curiosas e, ao mesmo tempo, compreensível.
É um conceito ocasionalmente empregado pelos defensores da energia nuclear para comparar os riscos da exposição à radiação com a radiação naturalmente produzida por uma banana comum.
Explicação
A banana (assim como o feijão, o abacate e as nozes) é uma fonte rica em potássio, o terceiro mineral mais abundante no corpo humano. Por sua vez, o potássio contém 0,0117 por cento de potássio 40, o isótopo K-40, que é naturalmente radioativo.Tendo uma banana comum (com o peso de 150 g) cerca de 450 mg de potássio, o qual contém 0,0528 mg de sua forma radioativa, calcula-se em 520 picocuries a dose que alguém recebe ao ingerir uma banana [Wikipedia].
Falsos alarmes
As bananas são suficientemente radioativas para disparar alarmes em portos e aeroportos.