Mostrando postagens com marcador protestos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador protestos. Mostrar todas as postagens

14 fevereiro, 2022

O protesto dos artistas contra a Torre Eiffel

A torre proposta foi objeto de controvérsia, atraindo críticas de quem não acreditava que fosse viável e daqueles que se opuseram por motivos artísticos. Antes da construção da Torre Eiffel, nenhuma estrutura jamais havia sido construída com uma altura de 300 m ou mesmo 200 m para o assunto, e muitas pessoas acreditavam que isso era impossível. Essas objeções foram a expressão de um debate de longa data na França sobre a relação entre arquitetura e engenharia. O ponto culminou quando o trabalho começou no Champ de Mars: um "Comitê dos Trezentos" (um membro para cada metro de altura da torre) foi formado, liderado pelo proeminente arquiteto Charles Garnier e incluindo algumas das figuras mais importantes das artes, como William-Adolphe Bouguereau, Guy de Maupassant, Charles Gounod e Jules Massenet. Uma petição intitulada "Artistas contra a Torre Eiffel" foi enviada ao Ministro das Obras e Comissário para a Exposição, Adolphe Alphand, e foi publicada por Le Temps em 14 de fevereiro de 1887:
"Nós, escritores, pintores, escultores, arquitetos e devotos apaixonados da beleza até então intocada de Paris, protestamos com todas as nossas forças, com toda a nossa indignação em nome do desprezado gosto francês, contra a construção ... desta inútil e monstruosa Torre Eiffel ... Para trazer nossos argumentos para casa, imagine por um momento uma torre vertiginosa e ridícula dominando Paris como uma gigantesca chaminé negra, esmagando sob seu vulto bárbaro Notre Dame, o Tour Saint-Jacques, o Louvre, o Domo de les Invalides, o Arco do Triunfo, todos os nossos monumentos humilhados irão desaparecer neste sonho horrível. E por vinte anos ... veremos se esticando como uma mancha de tinta a sombra odiosa da coluna odiosa de chapas de metal aparafusadas."
Gustave Eiffel respondeu a essas críticas comparando sua torre às pirâmides egípcias : "Minha torre será o edifício mais alto já erguido pelo homem. Não será também grandioso à sua maneira? E por que algo admirável no Egito se tornaria hediondo e ridículo em Paris?" Essas críticas também foram tratadas por Édouard Lockroy em uma carta de apoio escrita para Alphand, dizendo ironicamente: "A julgar pela imponência dos ritmos, pela beleza das metáforas, pela elegância do seu estilo delicado e preciso, pode-se dizer que este protesto é fruto da colaboração dos mais famosos escritores e poetas do nosso tempo", e explicou que o protesto era irrelevante, uma vez que o projeto havia sido decidido meses antes e a construção da torre já estava em andamento (imagem).


Na verdade, Garnier era um membro da Comissão da Torre que examinou as várias propostas e não levantou objeções. Eiffel também se mostrou despreocupado, apontando para um jornalista que era prematuro julgar o efeito da torre apenas com base nos desenhos, que o Champ de Mars estava distante o suficiente dos monumentos mencionados no protesto, que por isso haveria pouco risco da torre esmagá-los. E apresentou este argumento estético em favor da torre: "As leis das forças naturais não se conformam sempre com as leis secretas da harmonia?"
Alguns dos manifestantes mudaram de ideia quando a torre foi construída; outros permaneceram não convencidos. Supostamente, Guy de Maupassant almoçava no restaurante da torre todos os dias porque era o único lugar em Paris de onde a torre não era visível.
Em 1918, tornou-se um símbolo de Paris e da França depois que Guillaume Apollinaire escreveu um poema nacionalista em forma de torre (um caligrama) para expressar seus sentimentos sobre a guerra contra a Alemanha. Hoje, é amplamente considerado uma notável obra de arte estrutural e é frequentemente apresentado em filmes e literatura. A Torre Eiffel é o monumento pago mais visitado do mundo.

15 abril, 2015

Protesto com classe

Carlos José Holanda Gurgel
Foi um domingo de gala. Maravilhoso esse último protesto contra o PT e sua súcia. Isso sim é que é um protesto bem organizado e limpo. Todos bem vestidos com suas camisetinhas básicas amarelas, Lacoste "of course", um tênis Nike e um óculos ray-ban estiloso. Não vi nenhuma camisa de time de futebol nem ninguém calçando as bregas sandálias havaianas. Ninguém usando roupas compradas em feiras ou na Uruguaiana. (1) Coisa de pobre, de militante do PT, do MST ou de beneficiário do Bolsa-Família. E o melhor de tudo, não choveu. Assim ninguém ficou descabelado, não estragou a escova nem borrou a maquiagem das mulheres. Chamou atenção uma garota com um relógio que certamente nem com umas 20 Bolsas-Família uma infeliz eleitora do PT compraria. Os lugares escolhidos para os protestos não poderiam ser melhores. Em São Paulo, na Paulista. No Rio de Janeiro, em Copacabana e Ipanema. Melhor que isso, somente se tivesse ocorrido na Vieira Souto. Já imaginou um desfile, digo, um protesto desse na Zona Norte. Se duvidar ia ter até gente das favelas. Favelado numa hora dessa e num protesto desse nível? Nem pensar. Até lá no Nordeste miserável tiveram cuidado na escolha dos locais. Em Recife o protesto foi na praia de Boa Viagem e em Salvador, no Farol da Barra. (2) E para minha maior surpresa nem na Bahia apareceram militantes mal vestidos e mesmo "escurinhos". Em todos os locais, todos limpinhos, chics e organizados. Está duvidando? Entra em qualquer site de jornal ou no "face" e veja um vídeo da mobilização. (3) Tudo organizado e sem gente feia, suja ou faminta. Ninguém carregando cartazes para ganhar um sanduíche. E que inveja dos brasileiros demonstrando sua indignação contra a roubalheira e a corrupção lá em New York, na Times Square. E o que falar da turma protestando lá em Londres e Paris. Também pudera, com o dólar nas alturas (maldita política econômica) gritar "Fora Dilma" nesses locais civilizados realmente foi um privilégio para poucos e felizes patrícios. E foi por conta da cotação do dólar e da elevada inflação que, depois de mais de dez anos, não comi meu bacalhau norueguês com vinho do Porto na Semana Santa. Tive que me contentar com um bacalhauzinho qualquer com vinho chileno. Se essa corja do PT continuar mandando no país vou terminar comendo tilápia frita com vinho nacional na Sexta-Feira Santa. Coisa que os esfarrapados e famintos beneficiários do Bolsa-Família devem sonhar o ano todo e quando conseguem comprar e comer se lambuzam todo. Como dizia aquele personagem do Chico Anísio: eu odeio pobre!
Mas voltando aos protestos, ainda estou comemorando a mobilização e o nível dos participantes. Ainda bem que em SP a polícia barrou os caminhoneiros que queriam participar do movimento na Av. Paulista. Já imaginou um bando de carretas com seus motoristas barrigudos e fedidos no meio da passeata (confesso que não gosto desse termo pois parece coisa de sindicalista) e dos indignados cidadãos de bem. Podem fazer seus protestos sim, mas longe de nós e lá nas suas estradas e periferias. Vale ainda registrar que o acesso para os militantes do PT - MST somente foi liberado depois dos protestos. Para permitir essa cambada catar as garrafinhas e as latinhas de cerveja que deixamos espalhadas nas ruas e avenidas. (4) Não participei diretamente dos protestos nas ruas, mas atuei intensamente nas redes sociais, mobilizando e incentivando as pessoas de bem a participar. Ninguém aguenta mais e estamos todos revoltados com a atual política e com essa onda de escândalos que assola o país. Confesso, porém que não imaginava que os protestos por todo país fossem ser nesse nível. Se continuar assim nas próximas mobilizações e protestos certamente estarei lá, fazendo coro e gritando: FORA DILMA E LEVE O PT JUNTO! IMPEACHMENT JÁ!
N. do E.
(1) Eram compradas no local sem notas fiscais.
(2) Em Fortaleza. na Praça Portugal.
(3) Pode ser o "Vai Pra Rua Que Uma Hora Eu Tô Lá", do Aécio.
(4) E...

16/04/2015 - Atualizando...
Lideranças de partidos de oposição ao governo receberam, na quarta-feira (15), alguns dos agitadores dos protestos dos dias 15 de março e 12 de abril - entre eles, Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. Durante o encontro, figurões como Agripino Maia (DEM), Ronaldo Caiado (DEM), Mendonça Filho (DEM), Paulinho da Força (SD), Aécio Neves (PSDB) e Roberto Freire (PPS) tiveram a oportunidade de esbravejar contra os casos de corrupção que desgastam o PT e a gestão Dilma Rousseff.
Chama atenção, entretanto, a ficha dos defensores da ética e do combate indiscriminado à corrupção. Associação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, prisão por fraudes e desvios em grandes obras, contas em paraísos fiscais em nome de familiares, recebimento de propina, recursos de campanha questionados na Justiça e até falsificação de documentos para criação de partido fazem parte do histórico de acusações e dos relacionamentos intrigantes que envolvem as estrelas políticas do encontro em tela.
Cíntia Alves, Luiz de Queiroz e Patricia Faermann fizeram uma breve seleção para o GGN: Puxando a capivara,

19 junho, 2013

Protestos nas grandes cidades brasileiras

Recebi ontem estes dois textos. Seus autores apresentam pontos de vista divergentes sobre as motivações das ondas de protestos que assolam atualmente o país. Acrescentei uma linha órfã.
1. Considerações sobre os protestos
Amigos,
Esta imagem, extraída do Blog do Juca Kfouri, é a cara da insatisfação que assola o povo brasileiro e deveria ganhar um Prêmio Esso de Fotografia pela arte, pela contemporaneidade e síntese jornalística.
Sou a favor das duas Copas. Logo eu, apaixonado por futebol, ex-atleta esforçado, torcedor fanático... Não poderia ser contra.
Mas, ao ver os protestos, estou parando para pensar, também, um pouquinho como eles: e a educação? E a saúde? E a fome que ainda assola milhões de brasileiros? Aqui no Nordeste, então, é brincadeira.
Enquanto isso, o ganho com as Copas vai quase todo para a FIFA. O que sobra alimenta empreiteiras, "educa" empresários e políticos na fina arte da corrupção. E o pequeno ganho do vendedor de bandeiras, de sorvetes e de churrasquinho dura 15 dias. E a vida depois? Mais miséria, que a ganância dos (ir)responsáveis é incapaz de resolver.
Desculpem o protesto, tenho que fazer a minha parte também. Que venha a Copa, estarei lá, o Brasil precisa, também, de se impor aos olhos do mundo como nação competente e organizada.
Mas, cuidado pessoal! As passeatas podem ser a quebra do silêncio do "povo marcado". Podem avançar num crescendo ensurdecedor, até que os dirigentes destapem os ouvidos. E criem vergonha na cara!!!
José Afrânio de Oliveira Bizarria, de Fortaleza
2. Não se iludam
Eles odeiam o Bolsa Família, o programa de cotas em universidade, o Minha Casa, Minha Vida, bem como qualquer programa governamental de inclusão social.
Não andam de ônibus, não utilizam os serviços do SUS, moram em condomínios fechados e têm segurança 24 horas.
Mas andam com um medo terrível desse negócio de Copa do Mundo dar certo. E o Brasil sair ganhando com isso.
Isso acontece apenas no Patropi ou alguém já viu em outro lugar do Mundo?
Fernando Gurgel Filho, de Brasília
3. Entre aspas
"As pessoas enlouquecem rapidamente e em bandos. Mas recuperam a lucidez lentamente e um a um."

20/06/2013 - Atualizando a postagem com um comentário
De subsídio em subsídio a economia vai se desorganizando. A composição dos preços fica à mercê dos grupos de pressão, populares ou empresariais. O calendário eleitoral se impõe sobre a lógica econômica. As ruas vão pedir agora transporte gratuito para todos e em seguida outras gratuidades.
Como a aritmética é invencível, chegará a hora de cobrar o seu preço com juros e muito sofrimento para todos.
Contudo, sou otimista. Ainda resta o suicídio!
Nelson José Cunha, de João Monlevade - MG