Mario Quintana
Don Ramón se tomo um pifón:bebia demasiado, don Ramón!
Y al volver cambaleante a su casa,
avistó em el camino:
um árbol
y um toro...
Pero como veia duplo, don Ramón
vio um árbol que era
y um árbol que no era,
um toro que era
y um toro que no era.
Y don Ramón se subió al árbol que no era:
Y lo atropelo el toro que era.
Triste fim de don Ramón!
Si queden tranquilis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocasionalmente recorre ao portunhol (de forma bastante moderada). Mas, em Assunção, Paraguai, há três anos, soltou espontaneamente uma frase antológica. Ele estava entrando para o jantar de presidentes do Mercosul quando percebeu que uma matilha de jornalistas estava esperando que ele fizesse alguma declaração.
- Presideeeente! Presidente!!! Pre-si-deeeeenteeee!!!
O presidente Lula acenou, sem parar de caminhar, e disse:
- Amanhãna eu hablo. Si queden tranquilis!
A frase é uma pérola portunholesca.
O “mañana” juntou-se ao “amanhã” e virou o híbrido “amanhãna” (com o terceiro ‘a’ anasalado, com til mesmo).
O ‘eu’, tudo bem, em português puro.
O ‘hablo’ em espanhol, o equivalente a nosso ‘falo’ (o verbo, hein! Não pensem besteira)
E o “si queden”, uma inversão fonética do espanhol ‘quédense’, isto é, ‘fiquem’.
Mas, o “tranquilis” (para indicar ‘tranquilos’) foi, como dizem os argentinos, la frutilla del postre (o morango da sobremesa), pois era um exemplo da influência de Antônio Carlos Bernardes Gomes, o defunto Mussum (1941-1994), o cômico que integrava ‘Os Trapalhões’, que finalizava boa parte das palavras que pronunciava com ‘is’. ‘Forevis’, ‘Cacildis’, ‘biritis’, p.exemplo.
Veio deste blueg: Ariel Palacios
