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25 outubro, 2013

Dos textos com Portuñol

Edificante Poema Escrito em Portuñol
Mario Quintana
Don Ramón se tomo um pifón:
bebia demasiado, don Ramón!
Y al volver cambaleante a su casa,
avistó em el camino:
um árbol
y um toro...
Pero como veia duplo, don Ramón
vio um árbol que era
y um árbol que no era,
um toro que era
y um toro que no era.
Y don Ramón se subió al árbol que no era:
Y lo atropelo el toro que era.
Triste fim de don Ramón!

Si queden tranquilis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocasionalmente recorre ao portunhol (de forma bastante moderada). Mas, em Assunção, Paraguai, há três anos, soltou espontaneamente uma frase antológica. Ele estava entrando para o jantar de presidentes do Mercosul quando percebeu que uma matilha de jornalistas estava esperando que ele fizesse alguma declaração.
- Presideeeente! Presidente!!! Pre-si-deeeeenteeee!!!
O presidente Lula acenou, sem parar de caminhar, e disse:
- Amanhãna eu hablo. Si queden tranquilis!
A frase é uma pérola portunholesca.
O “mañana” juntou-se ao “amanhã” e virou o híbrido “amanhãna” (com o terceiro ‘a’ anasalado, com til mesmo).
O ‘eu’, tudo bem, em português puro.
O ‘hablo’ em espanhol, o equivalente a nosso ‘falo’ (o verbo, hein! Não pensem besteira)
E o “si queden”, uma inversão fonética do espanhol ‘quédense’, isto é, ‘fiquem’.
Mas, o “tranquilis” (para indicar ‘tranquilos’) foi, como dizem os argentinos, la frutilla del postre (o morango da sobremesa), pois era um exemplo da influência de Antônio Carlos Bernardes Gomes, o defunto Mussum (1941-1994), o cômico que integrava ‘Os Trapalhões’, que finalizava boa parte das palavras que pronunciava com ‘is’. ‘Forevis’, ‘Cacildis’, ‘biritis’, p.exemplo.

Veio deste blueg: Ariel Palacios

24 outubro, 2013

Lo Portuñol

por Kiko Nogueira
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo
Hablas portunhol? Non? Pois ainda vas hablar muito
Com nosso instinto de sobrevivência, criamos um idioma de fronteira, com a imensa ajuda dos vizinhos.
O portunhol já foi visto de uma maneira tremendamente negativa no Brasil. Um jeito ignorante de se virar em espanhol. O símbolo disso era a imagem do ex-presidente, Collor de Mello, berrando na televisão, apoplético: “Duela a quien duela!”.
Depois, o técnico Wanderley Luxemburgo, em sua rápida e fracassada passagem pelo Real Madrid, encarregou-se de jogar a pá de cal. Mas o fato é o seguinte: o portunhol existe; não tem nada a ver com o Collor e o Luxa; é, sim, uma língua; e você pode orgulhar-se de se virar com ela.
“Na verdade, são várias línguas de fronteira, praticadas nas bordas do Brasil com os demais países da América do Sul”, diz Maite Celada, professora-doutora de espanhol da USP. Segundo ela, o brasileiro se apropriou da língua do vizinho – e a recíproca não vem na mesma medida.
“Os argentinos, por exemplo, são mais cuidadosos, arriscam-se menos”, afirma a portenha Maite, com seu leve sotaque. “O portunhol é uma arma absolutamente legítima de comunicação. Falando o idioma do outro, você se desloca e se transforma”. O instinto de sobrevivência do brasileiro, o famoso jeitinho, contribui para a nossa capacidade de adaptação a um ambiente hostil. Em Santiago do Chile, presenciei um diálogo em que um carioca começava falando em português e não era entendido. O chileno respondia em espanhol. E nada. Até que ambos começaram a dialogar em portunhol – e a coisa fluiu.
O portunhol ainda não tem o status de idioma ou dialeto. Ele não é estável nem homogêneo, além de depender do repertório de cada interlocutor. Mas já adquiriu uma personalidade própria. O escritor paranaense Wilson Bueno lançou o romance, Mar Paraguayo, todinho em portunhol. Bueno considerava, com algum exagero, que fez pelo portunhol o que Dante fez pelo italiano – ou seja, formalizou-o literariamente.
O livro foi bem recebido em alguns países. No Canadá, houve uma tradução para o “francenglish”, a mistura do francês com o inglês.”É uma língua de errância”, disse-me Bueno. “Uma língua que se faz ao falar, ao caminhar.” Não há gramática, sintaxe, regra. Por isso, não há erro. Para quem tem autocensura baixa, ainda mais, é facílimo. Segundo o site Portunhol Selvagem (há centenas de sites portunhóis na internet), para falar portunhol basta trocar “v” por “b”, “o” por “lo” e “a” por “la”.
O ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, um defensor ferrenho dessa novilíngua, declarou o seguinte: “O portunhol é uma manifestação espontânea, natural, vinda dos corpos e das almas culturais dos nossos povos”. Traduzindo ficaria assim: “Lo portuñol es una manifestación espontánea, natural, vinda de los cuerpos e de las almas culturais de los nostros pueblos”. Viu como é simples? Não sei se essa é a melhor versão. Mas dá para se virar na Calle Florida.


Comentário
Depois do dialeto ingrobrasileño - mistura do ingrês falado por brasileiros em maiame e adjacências com o arremedo de português brasileiro - chegou, para ficar, o segundo dialeto mais falado pelos brasileños: o portuñol.
Fernando Gurgel

10 dezembro, 2010

Sobre "falsos amigos"

Para mostrar as dificuldades em se traduzir do espanhol para o português, circula por e-mail este exemplo:
"LA VIEN UN TARADO PELADO CON SU SACO EN LAS MANOS CORRIENDO DETRAZ DE LA BUSETA, PARA COMIR PORRO Y CHUPAR PINTÓN."
Cuja tradução, conforme a mensagem eletrônica que o traz, não é o que parece ser. É o que se segue:
”LÁ VEM UM LOUCO CARECA COM SEU PALETÓ NAS MÃOS CORRENDO ATRÁS DO MICRO ÔNIBUS, PARA COMER CHURROS E BEBER CACHAÇA.”

Instado a opinar sobre o assunto, Nelson Cunha, que é o consultor desta bitácora para línguas novilatinas, manifestou-se assim:

Paulo,
A frase correta em espanhol é:
"ALLÁ VIENE UN TARADO PELADO CON SU SACO EN LAS MANOS CORRIENDO DETRÁS DE LA BUSETA, PARA COMER PORRO Y CHUPAR PINTÓN."
Além disso, "comer porro y chupar pintón" não fazem sentido porque "porro" é cigarro de maconha e "pintón" não é cachaça. Como se vê, quem pretendeu ensinar espanhol com a frase acima, também não conhece o idioma de Cervantes. Pode ser, no entanto, que "porro" e "pintón" sejam gírias em algum país de lingua espanhola. Perguntei a Conchita (esposa do Nelson) se é giria espanhola e ela disse que não é. Desconfio (pelos erros elementares de grafia) que o autor da brincadeira exagerou na dose para conseguir o efeito que queria.
Nelson