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28 março, 2025

Matemática por cegos

Nicholas Saunderson, um ilustre matemático inglês que sucedeu a Isaac Newton na Universidade de Cambridge no século XVIII, era totalmente cego desde os oito anos de idade. Em outras palavras, toda a matemática de alto nível que ele dominava com perfeição, ele aprendeu sem ver, apenas pela força de sua visão interior.

"Fazer matemática significa aprender a fazer malabarismos mentalmente. (…) Em matemática, tudo acontece no cérebro. Portanto, não é necessário ver de verdade". É o que afirma Emmanuel Giroud, um cego que é também um imenso matemático contemporâneo, que parafraseia muito bem "O Pequeno Príncipe" de Saint Exupéry: na matemática, diz-nos Giroud, o essencial é invisível aos olhos. Só vemos claramente com a mente.

"Eu (Stanislas Dehaene), que bombardeei grupos de estudantes com o meu "não acredito no que vejo, acredito no que entendo" (batendo o pé como o coelhinho Tambor no final da frase), fiquei obviamente sensível a este discurso."

http://clairelommeblog.fr/2024/08/11/on-ne-voit-bien-quavec-lesprit/

11 fevereiro, 2022

Os Cegos e o Elefante

A parábola "Os Cegos e o Elefante" originou-se no subcontinente indiano, a partir de onde ela foi amplamente difundida. É a história de um grupo de homens cegos, que nunca se depararam com um elefante até então, e que tentam conceitualizar o que o elefante é tocando-o. Cada homem cego sente uma parte diferente do corpo do elefante, mas apenas uma parte, tal como o lado ou as presas. Eles então descrevem o elefante com base em suas experiências limitadas, e suas descrições do elefante diferem muito umas das outras.

Encontrada em textos budistas, hindus e jainistas, a parábola tem diversas variações indianas. Mas geralmente é a seguinte:

Um grupo de cegos ouviu dizer que um animal estranho, chamado elefante, havia sido trazido para a cidade, mas nenhum deles estava ciente de sua configuração e forma. Por curiosidade, eles disseram: "Precisamos inspecionar e conhecê-lo pelo toque, do qual somos capazes". Então, eles o procuraram e, quando o encontraram, tentaram tateá-lo. No caso da primeira pessoa, cuja mão pousou na tromba, disse: "Este ser é como uma cobra grossa". Para outro cuja mão chegou à orelha, parecia uma espécie de leque. Quanto a outra pessoa, cuja mão estava sobre a perna, disse, o elefante é um pilar como um tronco de árvore. O cego que colocou a mão de lado disse que o elefante "é uma parede". Outro que sentiu o rabo, descreveu-o como uma corda. O último sentiu sua presa, afirmando que o elefante é aquilo que é duro, liso e como uma lança.

A moral da parábola é que os seres humanos apresentam uma tendência a proferir uma verdade absoluta com base em experiências limitadas e subjetivas, ao mesmo tempo que ignoram as experiências subjetivas e limitadas de outras pessoas, que podem ser igualmente verdadeiras.

06 junho, 2018

O criador do sistema de leitura para cegos

Louis Braille (1809 ― 1852)
Ele nasceu em 4 de janeiro de 1809 em Coupvray, na França, a cerca de 40 km de Paris. Seu pai, Simon-René Braille, foi um fabricante de arreios e selas. Aos três anos, provavelmente ao brincar na oficina do pai, Louis feriu-se no olho esquerdo com uma ferramenta pontiaguda, possivelmente uma sovela (usada para fazer furos no couro) . A infecção que se seguiu ao ferimento alastrou-se ao olho direito, provocando a cegueira total.
Na tentativa de que Louis tivesse uma vida o mais normal possível, os pais e o padre da paróquia matricularam-no na escola local. Louis tinha enorme facilidade em aprender o que ouvia e em determinados anos foi selecionado como líder da turma. Com 10 anos de idade, Louis ganhou uma bolsa do Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris (Instituto Real de Jovens Cegos de Paris).
O fundador do instituto, Valentin Haüy, foi um dos primeiros a criar um programa para ensinar os cegos a ler. As primeiras experiências de Haüy envolviam a gravação em alto-relevo de letras grandes, em papel grosso. Embora rudimentares, esses esforços lançaram a base para desenvolvimentos posteriores. Apesar de as crianças aprenderem a ler com este sistema, não podiam escrever porque a impressão era feita com letras costuradas no papel.
Louis aprendeu a ler as grandes letras em alto-relevo nos livros da pequena biblioteca de Haüy. Mas também se apercebia que aquele método, além de lento, não era prático. Na ocasião, ele escreveu no seu diário:
"Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma."
Em 1821, quando Louis Braille tinha somente 12 anos, Charles Barbier, capitão reformado da artilharia francesa, visitou o instituto onde apresentou um sistema de comunicação chamado de escrita noturna. [1] Tratava-se de um método de comunicação táctil que usava pontos em relevo dispostos num retângulo com seis pontos de altura por dois de largura e que tinha aplicações práticas no campo de batalha, quando era necessário ler mensagens sem usar a luz que poderia revelar posições. Assim, era possível trocar ordens e informações de forma silenciosa. Usava-se uma sovela para marcar pontinhos em relevo em papelão, que então podiam ser sentidos no escuro pelos soldados. A escrita noturna baseava-se numa tabela de trinta e seis quadrados, cada quadrado representando um som básico da linguagem humana. Esta ideia de usar um código para representar palavras em forma fonética foi introduzido no Instituto. Louis Braille dedicou-se de forma entusiástica ao método e passou a efetuar algumas melhorias.
Assim, nos dois anos seguintes, Braille esforçou-se em simplificar o código. Por fim desenvolveu um método eficiente e elegante que se baseava numa célula de apenas três pontos de altura por dois de largura. O sistema apresentado por Barbier, era baseado em 12 pontos, ao passo que o sistema desenvolvido por Braille é mais simples, com apenas 6 pontos. [2] Em 1824, com apenas 15 anos, Louis Braille terminou o seu sistema de células com seis pontos. Pouco depois, ele mesmo começou a ensinar no instituto e, em 1829, publicou o seu método exclusivo de comunicação que hoje tem o seu nome. Exceto algumas pequenas melhorias, o sistema permanece basicamente o mesmo até hoje.


Apesar de tudo, levou tempo até essa inovação ser aceita. As pessoas com visão não entendiam quão útil o sistema inventado por Braille podia ser, e um dos professores principais da escola chegou a proibir seu uso pelas crianças. Felizmente, tal decisão teve efeito contrário ao desejado, encorajando as crianças a usar o método e a aprendê-lo em segredo. Com o tempo, mesmo as pessoas com visão acabaram por perceber os benefícios do novo sistema. No instituto, o novo código só foi adotado oficialmente em 1854, dois anos após a morte de Braille, provocada pela tuberculose em 6 de janeiro de 1852, com apenas 43 anos.
Na França, a invenção de Louis Braille foi finalmente reconhecida pelo Estado. Em 1952, seu corpo foi transferido para Paris, onde repousa no Panthéon. WIKI

[1] Escrevendo no escuro, blog EM
[2] Sistema Braille, blog Nova Acta

03 setembro, 2015

Óculos inteligentes para cegos

Imagem: veio daqui
Os óculos inteligentes do pernambucano Marcos Antônio da Penha, 27, foram os vencedores do WSYA 2014 (World Summit Youth Awards 2014), na noite de 17/06/2015. Com a finalidade de auxiliar pessoas com deficiência visual a se locomoverem, o dispositivo competiu com mais 18 projetos em seis categorias.
Para o presidente do WSYA, Peter Bruck, o projeto do brasileiro "é realmente um salto em inovação tecnológica".
O que você achou do Brasil?
"O que eu acho incrível, e que é completamente diferente de dez anos atrás, é como os jovens são cosmopolitas, falam bem inglês e têm um pensamento progressista, muito mais que gerações passadas."
(trecho da entrevista de Peter Bruck para A Folha)
N. do E.
Os óculos inteligentes, segundo Marcos Antônio, não substituirão a bengala "que tem um aspecto psicológico tátil". Mas, ao identificar os objetos que ficam na "zona cega" da bengala (como os orelhões de telefone, por exemplo), auxiliarão os cegos em suas caminhadas pela cidade.

09 dezembro, 2013

Cegos e surdos

Já pensaram sobre isso?
Tudo que podemos ver e ouvir situa-se na estreita e fina faixa colorida do diagrama abaixo:


Aproveitemos, pois, a beleza que nossos olhos e ouvidos nos mostram. Sabendo que há muito mais que não nos é permitido experimentar.
No grande esquema das coisas do Universo somos todos praticamente cegos e surdos.

22 janeiro, 2011

Um cego em Paris

Um cego, que estava sentado numa calçada em Paris, pedia esmolas com um boné surrado e uma placa de madeira, bem simples, com estes dizeres escritos a giz: “Por favor, ajudem-me, pois sou cego”.
Dentre muitas pessoas que passavam pelo local, apareceu um publicitário.
Ele parou e ficou observando a cena.
Observou também que dentro do boné do cego havia poucas moedas.
Sem pedir licença ao cego, pegou a placa e mudou sua mensagem.
Depois disso, colocou-a no lugar onde estava e foi embora.
No final da tarde, o publicitário retornou ao local.
Observou que o boné estava cheio de cédulas e moedas.
O cego, com a audição aguçada que tem o deficiente visual, reconheceu - pelos passos - que era quem reescrevera a mensagem em sua placa.
Arriscou uma pergunta:
- Meu amigo, qual é a mensagem que agora está escrita em minha placa?
O publicitário respondeu:
- Nada que não esteja de acordo com o anúncio anterior, mas com outras palavras.
E, sorrindo, continuou seu caminho pelas ruas de Paris.
O cego não foi informado, mas o que fora reescrito na placa dizia o seguinte:
“Hoje é primavera em Paris. E eu não posso vê-la!”
(de autor ignorado, reescrita)
NJC disse...
Há um "curta" espanhol de 2006 com esse tema. Depois dele, outros chuparam a ideia e ganharam até o Festival de Cannes com o plágio.
Historia de un letrero

15 abril, 2010

Prelibando a crônica

A fotógrafa Lisa J. Murphy, que produziu um livro de nus especialmente para portadores de visão tátil... direi melhor, para cegos, tem um site em que divulga o seu trabalho, o Tactile Mind.
Essa dica me foi passada pelo oftalmologista e cronista Nelson Cunha, o qual amanhã veste JEANS.