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29 julho, 2019

Como escapar das braçadeiras plásticas (zip ties)

Usando cadarços:

Demonstração desta manobra em vídeo.

Infelizmente, essa dica também ensina os sequestradores a tirar os sapatos da vítima. Mas pelo menos pode ajudar a frustrar os sequestradores não alfabetizados por computador!

LINKS internos para cadarços
1, 2, 3 e 4

10 outubro, 2018

O cadarço de nó duplo

Como você sabe, o nó padrão de cadarço é projetado para ser desfeito facilmente quando uma de suas pontas é puxada. Assim, a maioria das pessoas pensa que amarrar o cadarço em um nó duplo (figura) é um método eficaz de tornar o nó "permanente".
Mas isso é verdade?


A resposta é não.
Você conseguirá desatar o cadarço sem tocar em seu nó duplo, desde que você puxe com firmeza uma das pontas soltas.
Veja a prova visual deste resultado em www.archimedes-lab.com.

Cadarços: 1, 2 e 3

06 setembro, 2017

Cadarços - 3

O Proceedings of the Royal Society publicou um trabalho de pesquisa sobre os papéis do impacto e da inércia no desfazimento de um nó de cadarço. Em outras palavras, por que seus cadarços se desamarram tanto. O estudo é impressionante, com oscilações de pêndulo, medições de forças e abundância de dados. A versão curta é mais fácil de entender.
Explorando este tópico, num vídeo em câmera lenta de um nó se desatando com um corredor usando a esteira mecânica, os pesquisadores descobriram que a causa e o efeito eram notavelmente os mesmos de quando alguém desamarra o cadarço manualmente.
É tudo causado pela combinação do pé ao golpear o chão com o balanço do pé.
O pé atinge o solo com cerca de sete vezes a força da gravidade. Este impacto faz com que o nó estique e, em seguida, relaxe quando o efeito da força desaparece, o que por sua vez afrouxa o nó. Na sequência, quando o pé balança durante a passada, a inércia encarrega-se de puxar as extremidades do cadarço com força suficiente para o laço se desfazer por completo.


Isso explica por que os sapatos de velcro são os preferidos por pessoas idosas e mães de crianças pequenas.

N. do E.
Resolvi este problema inventando um nó górdio para cadarços.
Ver também: Cadarços 1 e 2.

24 outubro, 2015

Cadarços - 2

Os tênis com cadarços que se amarram sozinhos

A Nike prometeu para 2015 os tênis que se amarram sozinhos. Como aqueles que aparecem em "De Volta Para o Futuro".
E a promessa foi cumprida.
Michael J. Fox, o ator que interpreta Marty McFly na trilogia, acaba de ganhar o primeiro par de tênis MAG cujos cadarços se amarram sozinhos.
Fox até tirou fotos e postou um vídeo na internet calçando os tênis futuristas da Nike.
Por enquanto, apenas o par entregue a ele foi produzido, mas outros serão feitos no ano que vem. Deverão ser leiloados e o valor levantado irá para a Michael J. Fox Foundation, que realiza pesquisas sobre o mal de Parkinson.

Michael J. Fox sofre da doença de Parkinson desde 1991. Por conta disso, escreveu uma autobiografia, intitulada "Lucky Man" (Homem de Sorte), sobre a sua experiência com o aparecimento da doença de Parkinson em pessoas jovens.

Cadarços - 1

08 novembro, 2013

Cadarços

Para reposição
Quando foi a última vez que eu fui a uma loja procurando cadarços de sapatos para reposição?
Eu nem me lembro, mas tenho certeza de que já fiz isso.
Isto significa que:
(a) cadarços de sapatos estão melhorando:
(b) sapatos estão piorando.
John Walkenbach, Google +

Colombiano produz quadros com cadarços coloridos
O artista colombiano Federico Uribe se destaca por produzir obras de arte usando matérias-primas inusitadas. Sua mais nova série inclui um conjunto de quadros feitos com cadarços de tênis. Intitulada de “Shoe Laces” (cadarços, em inglês), as obras foram feitas com centenas de metros de cadarços coloridos. Em alguns pontos, ele precisou de usar alfinetes para dar suporte às estruturas.
Ver +.

A menina do cadarço desamarrado
Conto escrito em 13 de junho de 2005 por Aline Cavalcanti
Uma das muitas coisas que me lembro dela é a sua risada de quem não está nem aí quando eu dizia "ei, seu cadarço está desamarrado". Linda. Com a certeza de que nunca vai cair estampada nos olhos verdes feitos sobre medida.
Foi a primeira vez que falei com ela. No caos do centro da cidade, passa essa garota olhando seu reflexo nas vitrines, com o pensamento muito, muito longe, e o cadarço arrastando no chão, escapando, como que por milagre, de outros pés apressados que passavam. Fiz o que qualquer pessoa faria, avisei do cadarço, mas ela não parou pra amarrar. Aí pensei em como essas pessoas que levam a vida com tanta displicência são felizes.
Alguns anos mais tarde, o destino quis que frequentássemos as mesmas aulas na faculdade. E eu vi, pelos trabalhos impecáveis e notas invejáveis que ela não era displicente coisa nenhuma. Mas o cadarço continuava desamarrado. Um dia, tomei coragem e perguntei por que ela não amarrava o cadarço, se era perfeccionista até o último fio de cabelo. Depois de rir por 5 minutos inteiros, ela dá a mais improvável das respostas: "ah, é que eu nunca aprendi a amarrar".
Eu poderia não ter acreditado, como quase é o caso agora. Deveria haver outro motivo, não era possível que alguém com um cérebro brilhante daqueles, e perfeccionista ao ponto de apagar uma palavra um milhão de vezes só porque as letras não estavam simétricas, não soubesse amarrar os sapatos. Talvez fosse uma válvula de escape para a educação rígida que tivera na infância, ou um sinal de que ela não era tão inatingível como parecia. Mas seus olhos apertados naquele sorriso que dispensa explicações me convenceram, e eu caí como um patinho. O fato é que me apaixonei pela menina do cadarço desamarrado. Menos por sua beleza indefectível que pelo mistério que envolvia esse detalhe que só eu parecia notar.
Meus modos pareciam os de um menino de 14 anos com a primeira namorada quando a chamei para ir ao cinema pela primeira vez. Já éramos mais ou menos amigos, e com certeza ela viu meu rosto ficar de todas as cores quando fiz o convite. A sorte é que as mulheres adoram um bobo apaixonado, e ela aceitou. Algumas horas e muita pipoca depois, era minha namorada.
Com o tempo, fui descobrindo as outras coisas que ela gostava, e que só a tornavam mais fascinante pra mim. Tudo parecia ótimo, mas eu continuava intrigado com o caso do cadarço. Aquela história não me convenceu. Um dia, resolvi pressioná-la para contar a verdade. Disse que estaria tudo acabado se ela não abrisse o jogo. Mas como são as mulheres... Veio com uma conversa de que desse jeito não dá, um relacionamento sem confiança não vai pra frente e, antes que eu percebesse, ela é que havia terminado comigo. Por causa de um cadarço. E saiu, tentando conter as lágrimas, pisando forte com o mesmo cadarço desamarrado. Eu quase falei "cuidado, vai cair", como sempre fazia, brincando. Mas dessa vez sabia que não iria receber um sorrisinho malandro, mas um livro na cabeça, possivelmente. Quem sabe ela teria voltado se eu me atrevesse...
Nunca mais tive notícias dela. Vivia dizendo que ia para a Europa, deve ter ido mesmo. Passei meses tentando entender como pude ser idiota a esse ponto. Se era o mistério que me fascinava, por que acabar com ele?... Tive outras namoradas depois dela, mas nenhuma tão inexplicável e que mexesse tanto comigo. Agora ando na rua de cabeça baixa, olhando para todos os pés, pra ver se o acaso, destino ou sei lá o que nos põe juntos de novo, eu e a menina do cadarço desamarrado.
Veio daqui.

E se você tem um nó no cadarço e não sabe desfazê-lo
Reze a quem sabe: Maria Desatadora dos Nós.