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07 agosto, 2018

"Podemos tirar, se achar melhor"

A tradicional agência de notícias internacional Reuters virou um dos assuntos mais comentados no Brasil ao publicar uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e não retirar uma ressalva do repórter dizendo "Podemos tirar, se achar melhor" em um trecho que mencionava a corrupção na Petrobrás durante o governo tucano.
É bastante comum que repórteres façam marcações ao longo do texto no meio jornalístico, mas cabe ao editor a tarefa de avaliar a pertinência do comentário e deletá-lo do texto final. A Reuters já corrigiu a publicação, mas a versão original até hoje circula na internet, confira:

Print Screen: Catraca Livre

No Twitter, a frase virou piada e se tornou um trending topic (o assunto mais comentado na rede social) no Brasil, com a hashtag #PodemosTirarSeAcharMelhor.

22 fevereiro, 2017

O pensamento de FH analisado por MF. Conclusão

LIÇÃO TERCEIRA
Há vezes, e não são poucas, em que FhC atinge níveis insuperáveis.
Vejam, pra terminar esta pequena explanação, este pequeno trecho ainda escolhido ao acaso.
Eu sei, eu sei — os defensores de FhC, a máfia de beca, dirão que o acaso está contra ele. Mas leiam:
“É oportuno assinalar aqui que a influência dos livros como o de Talcot Parsons, The Social System, Glencoe, The Free Press, 1951, ou o de Roberto K. Merton, Social Theory and Social Structure, Glencoe, The Free press, 1949, desempenharam um papel decisivo na formulação desse tipo de análise do desenvolvimento. Em outros autores enfatizaram-se mais os aspectos psicossociais da passagem do tradicionalismo para o modernismo, como em Everett Hagen, On the Theory of Social Change, Homewood, Dorsey Press, 1962, e David MacClelland, The Achieving Society, Princeton, Van Nostrand, 1961. Por outro lado, Daniel Lemer, em The Passing of Traditional Society: Modernizing the Middle East, Glencoe, The Free Press, 1958, formulou em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento, o enfoque do tradicionalismo e do modernismo como análise dos processos de mudança social”.
Amigos, não é genial? Vou até repetir pra vocês gozarem (no bom sentido) melhor: “formulou (em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento) o enfoque (do tradicionalismo e do modernismo) como análise (dos processos de mudança social)”.
Formulou o enfoque como análise!
É demais! É demais! E sei que o vosso sábio governando, nosso FhC, espécie de Sarney barroco-rococó, poderia ir ainda mais longe.
Poderia analisar a fórmula como enfoque.
Ou enfocar a análise como fórmula.
É evidente que só não o fez em respeito à simplicidade de estilo.
Tópico avulso sobre imodéstia e pequenos disparates do eremita preferido dos Mamonas Assassinas.
Vaidade todos vocês têm, não é mesmo? Mas há vaidades doentias, como as das pessoas capazes de acordar às três da manhã para falar dois minutos num programa de tevê visto por exatamente mais ou menos ninguém.
Há vaidades patológicas, como as de Madonas e Reis do Roque, só possíveis em sociedades que criaram multidões patológicas.
Mas há vaidades indescritíveis.
Vaidade em estado puro, sem retoque nem disfarce, tão vaidade que o vaidoso nem percebe que tem, pois tudo que infla sua vaidade é para ele coisa absolutamente natural. Quem é supremamente vaidoso, se acha sempre supremamente modesto.
Esse ser existe materializado em FhC (superlativo de PhD). Um umbigo delirante.
O que me impressiona é que esse homem, que escreve mal — se aquilo é escrever bem o meu poodle é bicicleta — e fala pessimamente — seu falar é absolutamente vazio, as frases se contradizem entre si, quando uma frase não se contradiz nela mesma, é considerado o maior sociólogo brasileiro.
Nunca vi nada que ele fizesse (Dependência e Desenvolvimento na América Latina, livro que o elevou à glória, é apenas um Brejal dos Guajas, mais acadêmico) e dissesse que não fosse tolice primária.
“Também tenho um pé na cozinha”, “(os brasileiros) são todos caipiras”, “(os aposentados) são uns vagabundos”, “(o Congresso) precisa de uma assepsia”, “Ser rico é muito chato”, “Todos os trabalhadores deviam fazer checape”, “Não vou transformar isso (a moratória de Itamar) num fato político”. “Isso (a violência, chamada de Poder Paralelo) é uma anomia”. E por aí vai.
Pra não lembrar o vergonhoso passado, quando sentou na cadeira da prefeitura de São Paulo, antes de ser derrotado por Jânio Quadros, segundo ele “um fantasma que não mete mais medo a ninguém”.
Eleito prefeito, no dia seguinte Jânio Quadros desinfetou a cadeira com uma bomba de Flit.
E, sempre que aproxima mais o país do abismo no qual, segundo a retórica política, o Brasil vive, esse FhC (superlativo de PhD) corre à televisão e deita a fala do trono, com a convicção de que, mais do que nunca, foi ele, the king of the black sweetmeat made of coconuts (o rei da cocada preta), quem conduziu o Brasil à salvação definitiva e à glória eterna.
E que todos querem ouvi-lo mais uma vez no Hosana e na Aleluia. Haja!
Millôr Fernandes
LIÇÃO PRIMEIRA
LIÇÃO SEGUNDA

15 fevereiro, 2017

O pensamento de FH analisado por MF

LIÇÃO SEGUNDA
Como sei que todos os leitores ficaram flabbergasted (não sabem o que quer dizer? Dumbfounded, pô!) com a LIÇÃO PRIMEIRA sobre Dependência e Desenvolvimento da América Latina, boto aqui outro trecho — também escolhido absolutamente ao acaso — do Opus Magno de gênio da “profilática hermenêutica consubstancial da infra-estrutura casuística”, perdão, pegou-me o estilo.
Se não acreditam que o trecho foi escolhido ao acaso, leiam o livro todo. Vão ver o que é bom!
Estrutura e Processo: Determinações Recíprocas
“Para a análise global do desenvolvimento não é suficiente, entretanto, agregar ao conhecimento das condicionantes estruturais a compreensão dos ‘fatores sociais’, entendidos estes como novas variáveis de tipo estrutural. Para adquirir significação, tal análise requer um duplo esforço de redefinição de perspectivas: por um lado, considerar em sua totalidade as ‘condições históricas particulares’ — econômicas e sociais — subjacentes aos processos de desenvolvimento no plano nacional e no plano externo; por outro, compreender, nas situações estruturais dadas, os objetivos e interesses que dão sentido, orientam ou animam o conflito entre os grupos e classes e os movimentos sociais que ‘põem em marcha’ nas sociedades em desenvolvimento. Requer-se, portanto, e isso é fundamental, uma perspectiva que, ao realçar as mencionadas condições concretas — que são de caráter estrutural — e ao destacar os móveis dos movimentos sociais — objetivos, valores, ideologias —, analise aquelas e estes em suas relações e determinações recíprocas. (…) Isso supõe que a análise ultrapasse a abordagem que se pode chamar de enfoque estrutural, reintegrando-a em uma interpretação feita em termos de ‘processo histórico’ (1). Tal interpretação não significa aceitar o ponto de vista ingênuo, que assinala a importância da seqüência temporal para a explicação científica — origem e desenvolvimento de cada situação social — mas que o devir histórico só se explica por categorias que atribuam significação aos fatos e que, em conseqüência, sejam historicamente referidas.
(1) Ver, especialmente, W. W. Rostow, The Stages of Economic Growth, A Non-Communist Manifest, Cambridge, Cambridge University Press, 1962; Wilbert Moore, Economy and Society, Nova York, Doubleday Co., 1955; Kerr, Dunlop e outros, Industrialism and Industrial Man, Londres, Heinemann, 1962.”
Comentário do Millôr Fernandes, intimidado:
A todo momento, conhecendo nossa precária capacitação para entender o objetivo e desenvolvimento do seu, de qualquer forma, inalcançável saber, o professor FhC faz uma nota de pata de página.
Só uma objeçãozinha, professor.
Comprei o seu livro para que o senhor me explicasse sociologia.
Se não entendo o que diz, em português tão cristalino, como me remete a esses livros todos? Em inglês!
Que o senhor não informa onde estão, como encontrar.
E outra coisa, professor, paguei uma nota preta pelo seu tratado, sou um estudante pobre, não tenho mais dinheiro.
Além do que, confesso com vergonha, não sei inglês.
Olha, não vá se ofender, me dá até a impressão, sem qualquer malícia, que o senhor imita um velho amigo meu, padre que servia na Paróquia de Vigário-Geral, no Rio.
Sábio, ele achava inútil tentar explicar melhor os altos desígnios de Deus pra plebe ignara do pequeno burgo e ensinava usando parábolas, epístolas, salmos e encíclicas.
E me dizia: “Millôr, meu filho, em Roma, eu como os romanos. Sendo vigário em Vigário-Geral, tenho que ensinar com vigarice”.

22 dezembro, 2015

Millôr, sarcástico

De uma coisa ninguém podia me acusar — de ter perdido meu tempo lendo FhC (superlativo de PhD). Achava meu tempo melhor aproveitado lendo o Almanaque da Saúde da Mulher. Mas quando o homem se tornou vosso Presidente, achei que devia ler o Mein Kampf (Minha Luta, em tradução literal) dele, quando lutava bravamente, no Chile, em sua Mercedes ("A mais linda Mercedes azul que vi na minha vida", segundo o companheiro Weffort, na tevê, quando ainda não sabia que ia ser Ministro), e nós ficávamos aqui, numa boa, papeando descontraidamente com a amável rapaziada do Dops-DOI-CODI.
Quando, afinal, arranjei o tal Opus MagnoDependência e Desenvolvimento na América Latina — tive que dar a mão à palmatória. O livro é muito melhor do que eu esperava. De deixar o imortal Sir Ney morrer de inveja. Sem qualquer partipri, e sem poder supervalorizar a obra, transcrevo um trecho, apanhado no mais absoluto acaso, para que os leitores babem por si:
"É evidente que a explicação técnica das estruturas de dominação, no caso dos países latino-americanos, implica estabelecer conexões que se dão entre os determinantes internos e externos, mas essas vinculações, em que qualquer hipótese, não devem ser entendidas em termos de uma relação 'casual-analítica', nem muito menos em termos de uma determinação mecânica e imediata do interno pelo externo. Precisamente o conceito de dependência, que mais adiante será examinado, pretende outorgar significado a uma série de fatos e situações que aparecem conjuntamente em um momento dado e busca-se estabelecer, por seu intermédio, as relações que tornam inteligíveis as situações empíricas em função do modo de conexão entre os componentes estruturais internos e externos. Mas o externo, nessa perspectiva, expressa-se também como um modo particular de relação entre grupos e classes sociais de âmbito das nações subdesenvolvidas. É precisamente por isso que tem validez centrar a análise de dependência em sua manifestação interna, posto que o conceito de dependência utiliza-se como um tipo específico de 'causal-significante' — implicações determinadas por um modo de relação historicamente dado e não como conceito meramente 'mecânico-causal', que enfatiza a determinação externa, anterior, que posteriormente produziria 'conseqüências internas'."
Fonte: site Reflexões Radicais, de Claudio Mafra

22 abril, 2015

A redescoberta do Brasil

De nau a pior
Os brasileiros não conseguiram repetir (1) em 2000 o que os portugueses fizeram em 1500. O governo federal e um grupo de empresas investiram 3,5 milhões de reais na construção de uma réplica incrementada com motores e camarotes da nau capitânia (2) usada por Pedro Álvares Cabral.
O objetivo (3) era fazer a viagem entre Salvador e Santa Cruz Cabrália, a tempo de participar da festa dos 500 anos.
Um festival de defeitos fez com que a embarcação voltasse rebocada para o porto de origem.
A caravela pifou, Rafael Greca foi demitido, (4) índio apanhou no dia de sua festa. (5) Nem carnavalesco teria imaginação para esse enredo.
N. do E.
(1) Como farsa.
(2) Não era a frota portuguesa completa.
(3) O objetivo de Cabral era ir de Portugal à Índia.
(4) O ministro Greca, do Esporte e Turismo do governo FHC, já estava marcado para a demissão, desde que começaram os rumores sobre uns negócios esquisitos com bingos.
(5) Quando aqui desembarcaram há 500 anos, os portugueses não evitaram o contato físico com os índios. E com as índias, principalmente. Cinco séculos depois, as autoridades de Brasília jogaram gás lacrimogêneo na turma da tanga para mantê-la a distância.
O jogo dos 7 erros segundo VEJA
Revista Veja, 03/05/2000

03 outubro, 2014

Carta aberta a FH

Caro FH,
Votei no senhor mais vezes que em qualquer outro candidato.
A última vez em que fiquei pessoalmente arrasado com a derrota de alguém foi quando o senhor perdeu a prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros.
Deixei de votar no PSDB quando o partido começou a se tornar o que é hoje: uma reedição da UDN de Lacerda, em que ao moralismo demagógico e cínico se soma um conservadorismo petrificado.
Atribuí este movimento rumo à direita, em certo momento, a Serra. Mas hoje tenho clareza de que o senhor também empurrou o PSDB para o neoudenismo que o vai transformando em quase nada.
Faz já algum tempo que não espero muita coisa do senhor, dadas suas manifestações públicas.
Ainda assim, mesmo com expectativas baixas, fiquei surpreso com seu palavreado chulo numa entrevista dada à Veja.
O senhor é a Veja. A Veja é o senhor. É uma comunhão patética para um sociólogo que entrou para a política com o propósito de renová-la, na redemocratização do país, no final da década de 1970.
A frase que simboliza seu mergulho nas trevas foi destacada e louvada pela Veja: “É preciso tirar essa gente do poder.”
Essa gente.
Fosse outra a época, e os militares estivessem à espera de uma chance para derrubar um governo eleito, o senhor estaria certamente dizendo aquela frase a generais, como Lacerda. E a repetiria, em inglês, a representantes do governo americano.
Votos, senhor. É com votos que o seu partido poderia tirar “aquela gente” do poder.
Mas onde estão estes votos? O senhor imaginava que o apoio da plutocracia e da mídia traria votos para o PSDB? Foi o mesmo delírio que teve, no passado, a UDN.
Como um estudioso, o senhor deveria conhecer isso, para não repetir o mesmo erro. Esta miopia, hoje, me faz duvidar até de sua capacidade como intelectual.
Como demagogo, o senhor repete que o maior problema do país é a corrupção, para enganar o povo. Partindo de um homem que se reelegeu graças à compra de votos no Congresso, é algo que mistura comédia com tragédia, descaro com mistificação.
Ora, a real tragédia nacional é a abjeta desigualdade, e contra ela suas realizações, como presidente, são medíocres.
A idade melhora certas pessoas. Um contemporâneo seu, o Papa, é um dos combativos propagadores da causa da justiça social.
Quando comparamos a essência das declarações de Francisco e as suas, vemos grandeza épica de um lado e pequenez míope de outro.
Com tudo isso, não me arrependo dos votos que dei para o senhor. Prefiro pensar que votei num outro homem, com outras ideias e outros propósitos. E não na versão do século 21 de Carlos Lacerda, o Corvo, com o mesmo reacionarismo mas sem a verve da versão original.
Sinceramente.
Paulo Nogueira, diretor do DCM

"Que paulada, hein, Paulo?"

Carta extraviada a Aecim
Será que Aécio acha que os funcionários administrativos dos Correios, todos de carreira, mesmo tampando o nariz ao olhar a cara dele, são tão pouco profissionais ou tão tolos que iriam atirar milhões de papéis no lixo?
É assim que ele acha que servidor público age?
A palhaçada é tão grande que os Correios mantêm uma página na Internet para convidar e orientar qualquer candidato que deseje mandar material postal. ~ Tijolaço


"Uai, essa carta é assim: você lê, só ele que não lê."

04/10/2014 - Atualizando...
O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, acaba de antecipar ao 247 uma decisão tomada pela direção da estatal neste fim de semana. "Vamos processar o senador Aécio Neves e o PSDB", disse ele. "Estão fazendo ataques levianos, mentirosos e irresponsáveis aos Correios, uma empresa que tem 350 anos de história e tem a confiança de praticamente todos os brasileiros".
Pinheiro afirma que todos os materiais de mala direta contratados pelo PSDB, assim como pelos demais partidos políticos, foram entregues dentro dos prazos e condições pactuadas – salvo nos casos em que houve restrições dos condomínios. Numa entrevista coletiva concedida dois dias atrás, ele também informou como foi a entrega das mais de 11 milhões de peças contratadas pelo PSDB. "Uma empresa séria, como os Correios, não pode ser alvo de uma leviandade para criar um factoide eleitoral", afirma.
Indignado, Wagner diz que a decisão de processar Aécio foi tomada neste sábado (4). "Ele continua mentindo, mesmo depois de todas as explicações que foram dadas", afirma. "Desconfio até que isso faça parte de um projeto político para fragilizar a imagem da instituição para uma eventual privatização. Como eles devem estar acreditando que podem vencer as eleições, o que eu duvido que aconteça, podem querer retomar o projeto de privatização dos Correios, que foi iniciado quando o Pimenta da Veiga (atual candidato do PSDB ao governo de Minas) era ministro das Comunicações".

06 janeiro, 2014

No túnel do contratempo

Tradução: Nhenhenhém
“O ano que termina não foi dos melhores para o país: nuvens pesadas rondam a economia, contas públicas se complicam, inflação perigosa. Felizmente, a massa salarial não caiu nem o desemprego voltou a assustar. Mas, até quando?
Há, entretanto, sinais alentadores: a população tomou as ruas para exigir melhor qualidade de vida, demonstrando inconformidade com a patifaria política e com a corrupção. E o Supremo Tribunal Federal mostrou que mesmo os poderosos têm de obedecer às leis, pagando os desvios de comportamento com o preço da liberdade. Sopra, pois, a esperança.
Meus votos para 2014, além dos relativos ao bem estar das pessoas e ao aumento da solidariedade entre nós, são de que o início de despertar do povo brasileiro encontre eco em lideranças responsáveis, capazes de abrir caminhos novos, mais seguros. Líderes que ofereçam prosperidade duradoura e garantam as liberdades individuais e coletivas. Ano eleitoral é sempre ano de expectativas de mudanças. Que elas venham e nos levem a um futuro melhor."
FHC

"Uma rápida análise, parágrafo a parágrafo, mostra que o “rapaz” realmente está com problemas – no mínimo, de memória. “Nuvens pesadas” atormentaram a economia durante o seu triste reinado – com o Brasil de joelhos para o FMI, inflação em alta e desajustes das contas públicas em prol do capital financeiro. Na sua época, a “massa salarial” foi achatada e o desemprego bateu recorde. O agourento pergunta “até quando?”. Se depender do PSDB, basta o seu cambaleante candidato vencer a disputa presidencial para estas chagas voltarem!
Quanto à “inconformidade com a patifaria política e com a corrupção”, FHC devia tomar mais cuidado com o que escreve – mesmo que peça para esquecer depois. É só relembrar da compra de votos para a sua reeleição, da criminosa privatização das estatais (a famosa privataria tucana), do socorro amigo aos banqueiros (Proer) e de outras sujeiras. Pena que o STF e a mídia nunca investigaram estes casos escabrosos – e há dúvidas se investigarão o mensalão tucano de Minas Gerais ou o “trensalão” tucano de São Paulo. Isto talvez explique o seu “sopro de esperança”.
Já no último parágrafo, FHC expressa seus “votos para 2014” ao desejar que o “povo brasileiro encontre eco em lideranças responsáveis, capazes de abrir caminhos novos, mais seguros”. Não cita Aécio Neves talvez porque nem ele acredite seriamente nesta candidatura tão cambaleante. Na prática, FHC prega o retorno ao reinado neoliberal de desmonte do Estado, da nação e do trabalho. Ou seja: é uma mensagem de péssimo 2014! A nossa sorte é que o ex-presidente é um dos mais rejeitados e odiados da história do Brasil. Poucos darão muita atenção aos seus votos de ano novo!"
Altamiro Borges, em seu Blog
Vídeo
Em 1999, o então presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso foi à Florença (Itália) para um encontro de governantes dos países da chamada terceira via. O Brasil estava quebrado, pendurado no FMI. FHC fez o discurso da choradeira dos quebrados, pedindo aos líderes dos EUA e Europa, que criassem uma espécie de CPMF mundial para salvar o Brasil da fuga de capitais especulativos. Bill Clinton, Tony Blair, e Schroeder receberam mal a proposta. Clinton passou um verdadeiro sermão em FHC, sugerindo que faltava CONFIANÇA, HONESTIDADE, eficiência e boa governança sob FHC. Enquanto outros países haviam resolvido estes problemas, citando Chile e Uganda, como exemplos para FHC seguir. Clinton e os demais líderes agiram na defesa dos interesses de seus países, que eram os vencedores naquela ordem mundial. FHC agiu mal, com incompetência política, ao não se articular previamente para o encontro a fim de não passar esse vexame. E agiu pior, de forma humilhante e envergonhando o Brasil, ao não defender o país diante do sermão de Clinton (se é que tinha jeito, naquele governo submisso e dependente, sob intervenção do FMI).



09 junho, 2013

Uma linda peça de propaganda

O tucanato botou o dinheiro para trabalhar
Com os juros a 8%, FHC saiu da paz da renda fixa, que durante seu governo pagava 26,6%, e foi para a produção.
A repórter Vera Magalhães publicou uma informação que encheu de júbilo o comissariado petista.
FHC, dois de seus ex-ministros e mais seis sócios criaram uma empresa que investirá num empreendimento imobiliário. Chama-se Sarlat e tem R$ 1,9 milhão de capital, com R$ 222 mil dele.
O ex-presidente explicou:
:( 
"É difícil encontrar investimento em renda fixa que dê alguma coisa."
Investimento em renda fixa é aquele em que o sujeito fica em casa e seu dinheiro rende os juros fixados pelo Banco Central. Durante o tucanato, esse tipo de aplicação rendeu, na média, 26,6% ao ano, com um pico de 45%. Hoje, a Selic paga 8%.
Em 1995, quem botava dinheiro em fundos de renda fixa nos Estados Unidos faturava 10,9%. Em Pindorama, naquele ano, renderam 18% em valores reais.
FHC tem toda razão: "É difícil encontrar investimento em renda fixa que dê alguma coisa". Portanto, é melhor botar o dinheiro para trabalhar.
Os tucanos da Sarlat mostraram que confiam no país e patrocinaram uma linda peça de propaganda para a doutora Dilma.
Elio Gaspari, Folha

07 fevereiro, 2011

Os calotes do iFHC

iFHC dá calote pela 4ª vez no Ministério da Cultura. Valor envolve R$ 5,7 milhões.
O Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) está inadimplente, ou seja, em situação de calote, junto ao Ministério da Cultura, novamente.
A ONG do ex-presidente tucano tinha as obrigações assumidas de acabar o projeto de digitalização do acervo do ex-presidente, com dinheiro público (PRONAC n. 045808), e de entregar a prestação de contas do projeto até 31/01/2011.
Mas não cumpriu o prazo pela quarta vez, apesar de ter captado a verba necessária, de R$ 5,7 milhões, através do abatimento no imposto de renda das empresas (Lei Rouanet), inclusive da SABESP do governo tucano de São Paulo, e da Cutrale Citrosuco, envolvida com disputa de terras públicas com a União e com o MST.
O primeiro calote foi em 2006, demandando a prorrogação do prazo de 2006 para 2007.
O segundo calote foi em 2007, com a segunda prorrogação para 31/12/2009.
O terceiro calote foi em 2009, com a terceira prorrogação para 31/01/2011.
E nada do serviço ficar pronto, passados 6 anos.
O caso já desperta preocupação com o possível sumiço do dinheiro. A persistir o calote, é imprescindível uma auditoria da Controladoria Geral da União, com o acompanhamento do Ministério Público Federal, afinal são R$ 5,7 milhões subtraídos do Tesouro Nacional.

Vídeos
O "serviço ficar pronto" não significa que o iFHC vá disponibilizar:
1) O vídeo do vexame de FHC em Florença, ao levar um sermão de Bill Clinton, apesar de o vídeo cobrir um evento oficial da Presidência da República, em 1999.
"Que o sistema financeiro brasileiro não era honesto...
Que a desigualdade social era inaceitável...
Que o Brasil não era exemplo para ninguém...
E que se o Brasil quebrava a culpa era do Brasil."
2) O vídeo do vexame de FHC ao ser entrevistado no programa Hard Talk da BBC.
A ONG só se interessa por assuntos que massageiam o ego de seu idealizador.