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18 maio, 2022

Museus do futuro

Transcrevo Pedro Paulo A. Funari:

"O futuro aparece, cada vez com maior frequência, associado aos museus. Isso contrasta tanto com o sentido popular e pejorativo de museu como sinônimo de velho, como com a trajetória de instituições voltadas para a preservação. No entanto, a própria criação e expansão dos museus contava com o futuro, com a preservação hoje para as pessoas que virão depois. Neste sentido, passado, presente e futuro estão e estiveram sempre no cerne da instituição museológica."

In: O futuro e os museus

Vídeo


OS MUSEUS NA ERA DIGITAL, por Jonei Bauer

Nesta quarta-feira, 18 de maio, é celebrado o Dia Internacional dos Museus.

06 setembro, 2021

O descobrimento do abacaxi

O amor é como
um abacaxi,
doce e
indefinível.

(grook do dinamarquês Piet Hein)

Como um inglês que cresceu entre contos, mitos e lendas de Francis Drake, Walter Raleigh, Almirante Lord Nelson, a invencível Marinha Real Britânica, tendo a não pensar no fato de que a Grã-Bretanha nem sempre foi uma grande nação marítima. Como uma ilha, sempre aqui existiram barcos de pesca fazendo seus negócios nas águas costeiras e a arqueologia nos mostrou que as pessoas têm cruzado a faixa de água entre a Grã-Bretanha e o continente, desde que a ilha foi povoada. No entanto, os marinheiros britânicos só começaram realmente a partir para os oceanos em busca de terras distantes para competir com seus irmãos ibéricos durante a Época Moderna. Antes do início desses empreendimentos marítimos, havia um movimento político na Inglaterra para fazer com que os detentores do poder assumissem o desafio e competissem com os espanhóis e portugueses na aquisição de colônias estrangeiras, ouro, prata e especiarias exóticas. Um homem, hoje virtualmente desconhecido, cujos escritos desempenharam um papel não insignificante neste movimento político foi o alquimista (que se tornou cosmógrafo) Richard Eden (c. 1520–1576).


Outro foi Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés (1478–1557), um colono espanhol que chegou às Índias Ocidentais alguns anos depois de Colombo. Seu "Hystoria Natural de las Indias" (1526) foi o primeiro texto a apresentar aos europeus a rede, o abacaxi (página reproduzida acima) e o fumo.
(Thony Christie, The Renaissance Mathematicus)

Relacionado: O rei dos frutos

07 novembro, 2017

Asas à imaginação

1
A "Farsa da Boa Preguiça" narra a história de Joaquim Simão, poeta de cordel, pobre e "preguiçoso", que só pensa em dormir. Joaquim é casado com Nevinha, mulher religiosa e dedicada ao marido e aos filhos. O casal mais rico da cidade, Aderaldo Catacão e Clarabela, possui um relacionamento aberto. Aderaldo é apaixonado por Nevinha e Clarabela quer conquistar Joaquim Simão. Três demônios fazem de tudo para que o pobre casal se renda à tentação e caia no pecado, enquanto dois santos tentam intervir. Jesus observa e avalia tudo. A partir daí, situações inusitadas e muito divertidas fazem deste texto uma das peças mais divertidas do teatro brasileiro.
Para o autor Ariano Suassuna, a "Farsa da Boa Preguiça" tem dois temas centrais. Nela, Ariano não defende indiscriminadamente a preguiça — coisa que, aliás, não poderia fazer, pois ela é um dos "sete vícios capitais" do Catecismo.
No Teatro antigo, havia uma convenção, segundo a qual, no fim da história, o autor podia dar sua opinião sobre o que acontecera no palco. Era a chamada "licença" ou "moralidade". Pois bem. Na "licença" da “Farsa", numa das estrofes finais do terceiro ato, diz um dos personagens:
"Há uma Preguiça com asas,
outra com chifres e rabo.
Há uma preguiça de Deus
e outra preguiça do Diabo."
http://www.cultura.rj.gov.br/evento/a-farsa-da-boa-preguica
2
Assim como o escritor, a psicóloga Mônica Quinan faz a distinção entre a má preguiça e o descanso ou ócio. "Desconexão laboral", é esse o modo como Mônica chama a famosa Boa Preguiça, o processo de repouso necessário à manutenção de uma qualidade de vida adequada.
"O ócio criativo é absolutamente salutar, tanto física, como mentalmente. Desempenha um papel libertador, uma vez que o tempo livre é necessário para a produção de ideias, que são a matéria dos sonhos, e são os sonhos que dão sentido e alegria à labuta diária", ressaltou a psicoterapeuta.
A psicóloga cita o célebre dissidente da corrente freudiana, Carl Jung, autor da frase “Quem olha pra fora sonha, e quem olha pra dentro acorda”. Sendo matéria prima para os sonhos, a Boa Preguiça que Joaquim Simão cultiva em sua rede de dormir não poderia deixar de ser louvada pelos amantes da arte. Fechar os olhos para o mundo exterior, não é estar alheio à vida. Tantas vezes, é estar ainda mais afinado com ela, conhecendo-se as estradas de dentro.
https://webnoticias.fic.ufg.br/n/70239-a-arte-sob-as-asas-da-boa-preguica
3
Mas voltemos ao oblomovismo. O nome deriva de Oblómov, o incrível romance satírico de Ivan Gontcharóv (1812-1891), publicado em 1859, agora publicado no Brasil (CosacNaify, 736 páginas, R$119) em tradução de Rubens Figueiredo. O herói epônimo do romance é um senhor de terras preguiçoso, que gasta seus dias na cama ou no sofá, sonhando em reformar sua propriedade e recebendo visitas de amigos. Personagens, ações e diálogos ocorrem em torno dele, como se ele fosse o centro de um universo. Seu antagonista é seu amigo, o "alemão" Andrei Stoltz, um empreendedor entusiasmado com as conquistas da indústria. Oblómov não se emociona com o capitalismo que se instala na velha Rússia. Prefere ficar parado. Quando Stoltz o convence a sair para uma festa, ele conhece uma amiga de Stoltz, Olga Ilinskaya. Apaixona-se por ela, pede-a em casamento, mas nada acontece. Em seu pendor pela inação, Oblómov se muda para o subúrbio de São Petersburgo, onde amarga a decadência sem reclamar. Na verdade, consegue ainda se apaixonar pela viúva Agáfa Matviéievna Pchenítsina. O casal tem um filho. Enquanto seu espírito se apaga, Olga e Stoltz se unem e adotam o filho de Oblómov. Para nosso herói, a vida continua igual a ela própria. Assim Goncharóv descreve Oblómov: "Os pensamentos voavam como pássaros pelo rosto, chegavam até os olhos, paravam nos lábios semicerrados, escondiam-se no franzir das sobrancelhas. Depois desapareciam de vez, e então todo o rosto coruscava com a luz da despreocupação".
http://revistaepoca.globo.com/cultura/luis-antonio-giron/noticia/2012/11/preguica-de-alto-desempenho.html
"O melhor da preguiça é dar asas à imaginação."