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24 agosto, 2023

Asas ideais para frutas voadoras

Se você fosse projetar asas para frutas voadoras, qual seria a melhor forma de otimizar o formato da asa?
Se você ainda não sabe a resposta para isso, pode começar sua aventura de conhecimento lendo este estudo:
Curving to Fly: Synthetic Adaptation Unveils Optimal Flight Performance of Whirling Fruits, Jean Rabault , Richard A. Fauli e Andreas Carlson , Physical Review Letters , vol. S122, nº. 024501, 2019.
Os autores, da Universidade de Oslo, Noruega, relatam:
Apêndices de sementes, frutos e outros diásporos (unidades de dispersão) são essenciais para sua dispersão pelo vento, pois atuam como asas e permitem que voem. Frutas rodopiantes geram um movimento autogirante de suas sépalas, uma estrutura semelhante a uma folha, que se curva para cima e para fora, criando uma força de elevação que neutraliza a força gravitacional. A ligação da forma de sépala da fruta com o desempenho de voo, no entanto, ainda é desconhecida. Desenvolvemos um modelo teórico e realizamos experimentos para frutas biomiméticas de asas duplas impressas em 3D, onde assumimos que a planta possui uma quantidade limitada de energia que pode converter em massa para construir sépalas e, adicionalmente, permitir que elas se curvem. Tanto a teoria hidrodinâmica quanto os experimentos envolvendo frutas sintéticas de asas duplas mostram que, para produzir um tempo de voo máximo, existe um ângulo de dobra ideal para as sépalas dessecadas. 



Marc Abrahams, Improbable Research

29 maio, 2020

Os geógrafos têm asas

A maioria dos seres humanos precisa de asas. Digo a maioria, pois os geógrafos já as têm. Pois com a Geografia conhecemos, como os pássaros, as relações e o espaço onde se encena a história da humanidade. Não sinto mais inveja dos pássaros, pois voo nas asas da Geografia.
~ Claudio Pereira

19 março, 2020

Asas caleidoscópicas

A asa de uma mosca da fruta (Closterocerus coffeellae), vista contra um fundo branco, parece monótona. É transparente, sem cores óbvias, exceto por algumas pequenas manchas acastanhadas.
Mas esta aparência pode ser enganosa. Se você colocar a asa na frente de um fundo preto, ela de repente explode em um caleidoscópio de cores. Laranjas, azuis, verdes, violetas - praticamente todo o arco-íris dança através da asa, exceto o vermelho.
Um cientista francês chamado Claude Charles Goureau notou pela primeira vez esses tons vívidos em 1843. Desde então, eles definhavam na obscuridade, "aparentemente despercebidos pelos biólogos contemporâneos". Sempre que novas espécies de vespas ou moscas são descritas, seus descobridores quase nunca mencionam os padrões coloridos das asas. Os pigmentos visíveis foram até descritos como " evolução em preto e branco ". É como andar por uma galeria de arte com os olhos vendados.
Esqueça borboletas
Agora, Ekaterina Shevtsova, da Universidade de Lund, levantou voo. Ao fotografar várias espécies contra fundos escuros, ela revelou um mundo de cores ocultas, rivalizando com o de obviamente mais belos insetos. "A alegação de que os padrões de asas de mosca e vespa não são páreo para a incrível diversidade de padrões coloridos de asas de borboleta é obsoleta", diz ela.


Ao estudar esses padrões, ela conseguiu diferenciar cinco espécies de vespas, três das quais eram novas para a ciência. À primeira vista, todas elas poderiam ser confundidos uma com as outras, mas seus padrões coloridos de asas denunciavam-nas.
Referências:
http://bit.ly/2y36js4
http://dx.doi.org/10.1073/pnas.1017393108

09 novembro, 2018

Asas à imaginação [continuação]

4
«A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando à luz à evolução.» Um pensamento de Albert Einstein, publicado no livro "Sobre Religião Cósmica e Outras Opiniões e Aforismos", em 1931.
http://blogdopg.blogspot.com.br/2016/06/a-imaginacao-e-tudo.html
5
«O melhor da preguiça é dar asas à imaginação.»
(aqui era para haver uma imagem gif, que bateu asas, escafedeu-se)
Então:

6
Dar asas (ou azo?) à imaginação?
Estamos perante duas expressões com significados diferentes.
«Dar asas à imaginação» é uma bela metáfora porque quer dizer que deixamos a imaginação voar.
«Dar azo à imaginação» significa dar ocasião à imaginação ou dar oportunidade à imaginação.
A. Tavares Louro, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
(Azo é um substantivo masculino que possui etimologia no antigo termo provençal “aize” e no latim “actum” com sentido de comodidade, estar confortável ou bem à vontade.)

Asas à imaginação, 1 - 3
(07/11/2017)

07 novembro, 2017

Asas à imaginação

1
A "Farsa da Boa Preguiça" narra a história de Joaquim Simão, poeta de cordel, pobre e "preguiçoso", que só pensa em dormir. Joaquim é casado com Nevinha, mulher religiosa e dedicada ao marido e aos filhos. O casal mais rico da cidade, Aderaldo Catacão e Clarabela, possui um relacionamento aberto. Aderaldo é apaixonado por Nevinha e Clarabela quer conquistar Joaquim Simão. Três demônios fazem de tudo para que o pobre casal se renda à tentação e caia no pecado, enquanto dois santos tentam intervir. Jesus observa e avalia tudo. A partir daí, situações inusitadas e muito divertidas fazem deste texto uma das peças mais divertidas do teatro brasileiro.
Para o autor Ariano Suassuna, a "Farsa da Boa Preguiça" tem dois temas centrais. Nela, Ariano não defende indiscriminadamente a preguiça — coisa que, aliás, não poderia fazer, pois ela é um dos "sete vícios capitais" do Catecismo.
No Teatro antigo, havia uma convenção, segundo a qual, no fim da história, o autor podia dar sua opinião sobre o que acontecera no palco. Era a chamada "licença" ou "moralidade". Pois bem. Na "licença" da “Farsa", numa das estrofes finais do terceiro ato, diz um dos personagens:
"Há uma Preguiça com asas,
outra com chifres e rabo.
Há uma preguiça de Deus
e outra preguiça do Diabo."
http://www.cultura.rj.gov.br/evento/a-farsa-da-boa-preguica
2
Assim como o escritor, a psicóloga Mônica Quinan faz a distinção entre a má preguiça e o descanso ou ócio. "Desconexão laboral", é esse o modo como Mônica chama a famosa Boa Preguiça, o processo de repouso necessário à manutenção de uma qualidade de vida adequada.
"O ócio criativo é absolutamente salutar, tanto física, como mentalmente. Desempenha um papel libertador, uma vez que o tempo livre é necessário para a produção de ideias, que são a matéria dos sonhos, e são os sonhos que dão sentido e alegria à labuta diária", ressaltou a psicoterapeuta.
A psicóloga cita o célebre dissidente da corrente freudiana, Carl Jung, autor da frase “Quem olha pra fora sonha, e quem olha pra dentro acorda”. Sendo matéria prima para os sonhos, a Boa Preguiça que Joaquim Simão cultiva em sua rede de dormir não poderia deixar de ser louvada pelos amantes da arte. Fechar os olhos para o mundo exterior, não é estar alheio à vida. Tantas vezes, é estar ainda mais afinado com ela, conhecendo-se as estradas de dentro.
https://webnoticias.fic.ufg.br/n/70239-a-arte-sob-as-asas-da-boa-preguica
3
Mas voltemos ao oblomovismo. O nome deriva de Oblómov, o incrível romance satírico de Ivan Gontcharóv (1812-1891), publicado em 1859, agora publicado no Brasil (CosacNaify, 736 páginas, R$119) em tradução de Rubens Figueiredo. O herói epônimo do romance é um senhor de terras preguiçoso, que gasta seus dias na cama ou no sofá, sonhando em reformar sua propriedade e recebendo visitas de amigos. Personagens, ações e diálogos ocorrem em torno dele, como se ele fosse o centro de um universo. Seu antagonista é seu amigo, o "alemão" Andrei Stoltz, um empreendedor entusiasmado com as conquistas da indústria. Oblómov não se emociona com o capitalismo que se instala na velha Rússia. Prefere ficar parado. Quando Stoltz o convence a sair para uma festa, ele conhece uma amiga de Stoltz, Olga Ilinskaya. Apaixona-se por ela, pede-a em casamento, mas nada acontece. Em seu pendor pela inação, Oblómov se muda para o subúrbio de São Petersburgo, onde amarga a decadência sem reclamar. Na verdade, consegue ainda se apaixonar pela viúva Agáfa Matviéievna Pchenítsina. O casal tem um filho. Enquanto seu espírito se apaga, Olga e Stoltz se unem e adotam o filho de Oblómov. Para nosso herói, a vida continua igual a ela própria. Assim Goncharóv descreve Oblómov: "Os pensamentos voavam como pássaros pelo rosto, chegavam até os olhos, paravam nos lábios semicerrados, escondiam-se no franzir das sobrancelhas. Depois desapareciam de vez, e então todo o rosto coruscava com a luz da despreocupação".
http://revistaepoca.globo.com/cultura/luis-antonio-giron/noticia/2012/11/preguica-de-alto-desempenho.html
"O melhor da preguiça é dar asas à imaginação."

17 maio, 2014

Voo livre

Fernando Gurgel Filho
Não, não quero ter asas!
Se as tivesse, voando,
Sonharia, lá do alto,
Como seria bom ir caminhando.

Prefiro meu passo lento,
Brisa no rosto, sol queimando,
A imaginação solta, livre,
Para o alto, leve, me levando.

Deixo as asas para os pássaros,
Que não sabem andar, voando,
Eu tenho asas nos pés de chumbo,
Que me levam livre a voar, andando.