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27 março, 2025

Relógio do Juízo Final (2)

Um relógio simbólico adotado por cientistas atômicos para mostrar o quão próximos os seres humanos podem estar de uma catástrofe global, com a meia-noite significando aniquilação ou "dia do juízo final". Metaforicamente, o ponteiro dos minutos do relógio aproxima-se ou afasta-se da meia-noite, dependendo do nível de ameaça que se pensa estar representado pelas armas nucleares, pelas alterações climáticas ou pelas tecnologias disruptivas.
Desde a sua invenção em 1947, o relógio já foi acertado 25 vezes. Em janeiro de 2023, o relógio foi acertado para 90 segundos antes da meia-noite, o mais próximo que já esteve do dia do juízo final, em resposta à "erosão das normas de conduta internacional" e às "ameaças veladas de uso de armas nucleares" feitas pelo governo russo na guerra da Rússia com a Ucrânia.
Em ocasiões anteriores, porém, o Relógio do Juízo Final foi atrasado a partir da meia-noite, quando as condições políticas melhoraram e reduziram a ameaça das armas nucleares. Em 1991, por exemplo, o relógio foi redefinido para 17 minutos para a meia-noite, o ponto mais distante do dia do juízo final até agora. Essa decisão veio após a assinatura do Tratado de Redução de Armas Estratégicas pela União Soviética e pelos Estados Unidos, que foi um acordo destinado a reduzir os arsenais de armas nucleares de ambos os países.
Fontes:
https://blogdopg.blogspot.com/2020/12/o-relogio-do-juizo-final.html
https://www.britannica.com/topic/Doomsday-clock
https://olhardigital.com.br/2023/08/05/olha-isso/o-que-e-o-relogio-do-juizo-final/

26 setembro, 2016

A jurisdição papal

Conta uma antiga tradição que um dia, enquanto Miguel Ângelo (Michelangelo Buonarroti) pintava o seu afresco foi visitá-lo o Papa Paulo III seguido de numeroso cortejo.
Entre estes estava Braz (Biagio) de Cesena, homem perverso e de ideias extravagantes.
Paulo III, conhecedor dos modos de pensar de Cesena, perguntou-lhe:
– Que lhe parece o trabalho?
– Senhor – disse – não me parece digno de figurar como ornamento de um templo.
Miguel Ângelo ouviu isto, mas fez como se não tivesse ouvido.
Algum tempo depois, Paulo III voltou ao ateliê do pintor e notou, no "Juízo Final", uma figura mais: Braz de Cesena achava-se em um grupo de condenados, com uma serpente enrolada no corpo e com duas enormes orelhas de asno.
Logo que se reconheceu, Braz gritou ao pintor que o livrasse daquele tormento.
Miguel Ângelo foi inexorável.
Então, Cesena recorreu ao papa para pedir justiça.
Paulo III ouviu-o sorrindo e depois respondeu:
– Se Miguel Ângelo te houvesse colocado no purgatório, podia eu fazer alguma coisa, mas te meteu no inferno e até lá não chega o meu poder.
E Braz de Cesena passou à posteridade (como Minos) no afresco da Capela Sistina.

Poderá também gostar de ver
O Juízo Final (Das letzte Gericht), de Hieronymus Bosch