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10 abril, 2017

Jogando bolas de vidro a partir de edifícios altos

Por fim
Uma monografia de matemática para pessoas que gostam de edifícios altos, bolas de vidro, janelas e títulos longos:
"O número máximo de andares que um edifício deve apresentar para você saber qual é o andar mais alto de onde pode lançar uma bola de vidro sem quebrá-la, se você tem 'b' bolas de vidro e são permitidos 't' arremessos, é Σ1 ≤ i ≤ b binômio (t,i)", por Shalosh B. Ekhad.

Por outro lado
Se houver uma competição para escolher o trabalho de pesquisa que apresenta o título mais curto este é um forte candidato ao título:
"Q". por Leon Knopoff. Reviews of Geophysics, vol. 2, no. 4, 1964, pp. 625-660.
Começa assim:
"Se não fosse pela atenuação intrínseca do som no interior da Terra, a energia dos terremotos do passado ainda estaria hoje reverberando no interior da Terra. O caos resultante dessa perspectiva impressionante é uma especulação que está fora do escopo deste artigo. E nossa tarefa aqui é investigar onde, na terra sísmica, a energia é convertida em calor; e se esta conversão é realizada com igual eficiência em todo seu interior, ou se algumas partes do interior são mais capazes de realizá-la do que outras."
Concorre com ele:
"E", por Christopher J. Mulvey, Supplemento ai Rendiconti del Circolo Matematico di Palermo, 1986.
(Em verdade, o título desse trabalho não é a conjunção aditiva "e" em letra maiúscula. É o sinal que representa a conjunção latina "et", o qual é muito usado em nomes de empresas e que, por isso, é também conhecido como "e comercial". Ele é, dentre todos os caracteres, o que mais parece um monograma. E, se até agora você não matou a charada, ele é o que divide a tecla com o número 7 em seu teclado QWERTY. Lamentavelmente, não posso escrevê-lo no blogue porque ele é automaticamente modificado para: "ele mesmo + abreviatura de ampersand + ponto-e-vírgula". Coisas do HTML.)

19 agosto, 2016

A sombra de Golias

Cientistas de elite podem retardar o curso do progresso científico
Max Planck - o físico ganhador do Prêmio Nobel que foi pioneiro na teoria quântica - uma vez disse o seguinte sobre o progresso científico:
Uma nova verdade científica não triunfa convencendo seus oponentes e fazendo-os ver a luz, mas sim porque seus adversários acabam por morrer, e cresce uma nova geração que está familiarizada com ela. O que significa dizer que as novas ideias muitas vezes só prevalecem quando os cientistas mais velhos morrem.
Recentemente, pesquisadores do National Bureau of Economic Research (NBER) divulgaram um documento de trabalho - intitulado "Será que a ciência avança em uma hora de funeral?" - que coloca o princípio de Planck em teste.
Pesquisando as citações na base de dados da PubMed, eles encontraram evidências de que, quando um proeminente pesquisador em um subcampo acadêmico de repente morre, segue-se um período de novas idéias e inovações.
Aqui está o padrão:
Após a morte inesperada de um cientista de elite, seus colaboradores frequentes - os jovens investigadores que escreveram artigos com eles - de repente sofrem uma queda na publicação. A morte de um cientista de elite tem um impacto negativo e aparentemente permanente sobre a produtividade de seus co-autores, relata o estudo. Eles publicaram menos, enquanto outsiders ocuparam o vazio.
Portanto, existe um aumento acentuado de trabalhos publicados por recém-chegados ao campo que possuem menos dívidas com os luminares mortos. Os novos artigos representam contribuições substanciais, pelo menos quando medida pelo impacto de citação de longo prazo.
O fenômeno sugere que existe um efeito de "sombra de Golias". As pessoas ou são impedidos ou têm medo de desafiar um pensador líder em seu campo.
Tudo isso é um exemplo de como o progresso da ciência é influenciado pelo comportamento humano. Vemos isso de muitas maneiras. Cientistas mentem sobre resultados. Ou eles intuem a partir de falhas. A ciência é tão obcecada com as recompensas de resolver os problemas complicados que esquece os mais simples. O campo é esmagadoramente tendencioso para os machos (experimentos mostram que um "John" recebe mais elogios do que uma "Jennifer" com currículos idênticos).
Vale a pena lembrar:
A ciência pode ser uma atividade nobre baseada na lógica fria e na observação racional; mas os seres humanos são animais alimentados por emoções e preconceitos. Como os pesquisadores do NBER concluem: "As posturas idiossincráticas de cientistas individuais podem fazer muito para alterar, ou pelo menos retardar, o curso do progresso científico."

Onde ler este artigo na íntegra: Study: Elite scientists can hold back science, Vox.

14 dezembro, 2015

Sorria... mesmo sem saber a quem

A equipe que julgou recentemente um concurso de trabalhos científicos em Londres deu um duro danado. Teve que escolher, dentre 600 trabalhos, apenas dois deles. Sendo um, na categoria cientistas profissionais (pós-graduação e acima), e outro, na categoria não profissionais (incluindo alunos de graduação).
Richard Stephens foi o vencedor da primeira categoria, com o trabalho "Don't say cheese, say cheeks" ("Não diga queijo, diga bochechas") sobre o ato de sorrir. Não li o artigo, mas imagino que traga conclusões aplicáveis em fotografia.
Na segunda categoria, ganhou Kate Szell, com o trabalho intitulado "Prosopagnosia - um problema comum, comumente ignorado". Também conhecida como "cegueira para feições", a prosopagnosia é a incapacidade de reconhecer as pessoas pelo rosto. Neste distúrbio neurológico, a capacidade de reconhecer os rostos das pessoas está afetada, embora a de reconhecer os objetos possa estar relativamente intacta. As pesquisas disponíveis sugerem que 2 por cento da população sofre de algum grau desse distúrbio.

No Preblog: LAPSOS DE MEMÓRIA

03 setembro, 2014

Trabalhos de pesquisas com títulos curtos

Se houver uma competição para escolher o trabalho de pesquisa que apresenta o título mais curto este é um forte candidato ao título:
“Q“. por Leon Knopoff. Reviews of Geophysics, vol. 2, no. 4, 1964, pp. 625-660.
Começa assim:
"Se não fosse pela atenuação intrínseca do som no interior da Terra, a energia dos terremotos do passado ainda estaria hoje reverberando no interior da Terra. O caos resultante dessa perspectiva impressionante é uma especulação que está fora do escopo deste artigo. E nossa tarefa aqui é investigar onde, na terra sísmica, a energia é convertida em calor; e se esta conversão é realizada com igual eficiência em todo seu interior, ou se algumas partes do interior são mais capazes de realizá-la do que outras."
Concorre com ele:
"E", por Christopher J. Mulvey, Supplemento ai Rendiconti del Circolo Matematico di Palermo, 1986.
(Em verdade, o título desse trabalho não é a conjunção aditiva "e" em letra maiúscula. É o sinal que representa a conjunção latina "et", o qual é muito usado em nomes de empresas e que, por isso, é também conhecido como "e comercial". Ele é, dentre todos os caracteres, o mais parece um monograma. E, se até agora você não matou a charada, ele é o que divide a tecla com o número 7 em seu teclado QWERTY. Lamentavelmente, não posso escrevê-lo no blogue porque ele é automaticamente modificado para: "ele mesmo + abreviatura de ampersand + ponto-e-vírgula". Coisas do HTML.)
Em compensação, no Journal of Applied Behavior Analysis (JABA), há um interessante artigo de Dennis Upper, intitulado The Unsuccessful Self-Treatment of a Case of “Writer’s Block” (O Fracassado Auto-Tratamento de um Caso de “Bloqueio do Escritor”), que pode ser lido de uma assentada, visto que o artigo completo apresenta conteúdo vazio (alguém já disse mais com menos palavras?). Resume-se ao título.
Ele foi publicado – sem revisão – com este entusiasmado comentário do Revisor A:
Eu estudei cuidadosamente este manuscrito, com suco de limão e raios-X, não detectando um só defeito no projeto ou no estilo da apresentação. Sugiro ser publicado sem revisão.
Já na categoria livros com títulos curtos, há-os em maior número. Vão de "A", de Andy Warhol, a "Z", de Vassilis Vassilikos. Confira-os aqui.
Embora a fonte indicada não explique por que Vassilis ignorou o "V".
(PGCS)