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27 novembro, 2025

Dipendra do Nepal

Ao nos reunirmos com a família para o banquete anual de Ação de Graças, alguns de nós ficamos apreensivos com as tensões entre os membros da família e a possibilidade de que algo venha a estragar a ocasião. Afinal, há razões pelas quais vivemos tão longe uns dos outros e não nos reunimos com mais frequência. 
Algumas famílias levaram essa tensão ao extremo.

Por exemplo, um homem chamado Dipendra (foto) foi a uma festa de família (em 2001) e matou o pai, a mãe, um irmão, uma irmã, além de seus tios e tias e um primo. 
Ele matou nove pessoas naquela noite. E tornou-se o rei do Nepal porque sua família era real. 
No entanto, Dipendra passou o tempo de reinado em coma (três dias), porque, no final do massacre, atirou também na própria cabeça.
(Não é tão fácil apontar uma submetralhadora MP5 para si mesmo.)
Um tio que sobreviveu às más avenças do sobrinho, então se tornou o último rei do país. É que ter uma monarquia no Nepal já não andava muito bem.

Fontes:

07 janeiro, 2020

Georges Wolinski

Ria -- enquanto é tempo -- com Wolinski:

-- Por que prendeu meu pai?
-- Por nada! Isso não é razão suficiente?
-- O que vai fazer com ele?
-- Vai ser torturado até confessar.
-- Mas ele não tem nada para confessar.
-- Isso é problema dele.

apud @palmeriodoria

Georges Wolinski (Túnis, 28 de junho de 1934 — Paris, 7 de janeiro de 2015) foi um cartunista e escritor de HQ francês. Foi assassinado no massacre do Charlie Hebdo, um ataque terrorista ocorrido em 7 de janeiro de 2015 em Paris.
Há 5 anos.


Lembrando a irreverência de Wolinski
"Wolinski (um dos quatro cartunistas do Charlie Hebdo trucidados) dizia para a esposa que, quando morresse, queria que suas cinzas fossem atiradas no vaso sanitário. Assim, ele veria a bunda dela todos os dias. Espero que a viúva faça essa delicadeza." – Marco St.

10 fevereiro, 2017

Levantem-se como leões

E de La Boétie (que escreveu aos 18 anos, em 1548, um pequeno grande livro chamado “Servidão Voluntária”) vamos para Percy Shelley, o grande poeta inglês da era da Revolução Industrial.
Shelley não era apenas um mestre na arte de juntar palavras. Era um ativista, um homem inconformado com a desigualdade social de seu tempo.
Shelley ficou tocado, em 1819, com o que passou para a história como o “Massacre de Peterloo”, em Manchester.
Manifestantes – alguns falam em 50 000, outros em 150 000 — se juntaram no centro da cidade para pedir coisas como o sufrágio universal. Naqueles dias, apenas 3% dos ingleses podiam votar – os ricos, naturalmente.
A polícia dissolveu o encontro brutalmente. Montados em cavalos, espadas nas mãos, policiais investiram contra as pessoas. Foram dez minutos de derramamento de sangue, ao fim dos quais 500 manifestantes estavam feridos. Houve pelo menos quinze mortes.
Inspirado pelo massacre, Shelley escreveu:
Rise like lions after slumber
In unvanquishable number
Ye are many – they are few.
Coloquemos assim:
Levantem-se como leões depois de dormir
Num número que ninguém haverá de destruir
Vocês são muitos – eles são poucos.
Grande Shelley, o poeta dos humilhados e ofendidos, a voz lírica dos desfavorecidos.
Que ele e La Boétie nos inspirem algum dia.

Paulo Nogueira, DCM
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-o-povo-brasileiro-aceita-tao-passivamente-as-barbaridades-da-plutocracia-por-paulo-nogueira/