Mostrando postagens com marcador golpismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador golpismo. Mostrar todas as postagens

18 março, 2015

Paulo Freire – para os que dispensam seus ensinamentos

Em meio a uma coleção de faixas estapafúrdias que ilustraram os protestos contra a presidente Dilma Rousseff (PT), no último domingo (15), uma chamou a atenção:
CHEGA DE DOUTRINAÇÃO MARXISTA. BASTA DE PAULO FREIRE
Para quem não sabe, o pernambucano Paulo Freire foi um educador e filósofo brasileiro de grande influência na área da educação, não só no Brasil mas em todo o mundo, tendo sido homenageado em vida por instituições como Harvard, Cambridge e Oxford. Desde 2012, ele é considerado o Patrono da Educação Brasileira.
Conhecido por sua "Pedagogia da Libertação", a qual estava relacionada a uma visão marxista do Terceiro Mundo, Freire foi preso durante a ditadura militar no Brasil (1964–1985) e teve a publicação de algumas de suas obras barrada pela censura do regime ditatorial.

Esculturas em Estocolmo, Suécia.
A segunda, da esquerda para direita, retrata Paulo Freire. 
Alguns pensamentos de Freire
"Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo."
"Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvam uma forma de educação que permitisse às classes dominadas perceberem as injustiças de forma crítica."
"Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor."
"Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.''
"A través de la manipulación, las élites dominadoras intentan conformar progresivamente las masas a sus objetivos."
"La humildad nos ayuda a reconocer esto: nadie lo sabe todo, nadie lo ignora todo. Todos sabemos algo, todos ignoramos algo."
"No hay palabra verdadera que no sea unión inquebrantable entre acción y reflexión."
"Aprender no es el acto de consumir ideas, sino de crearlas y recrearlas."

04 novembro, 2014

É meu dever dizer aos jovens o que é um Golpe de Estado

Hildegard Angel
Há cheiro de 1964 no ar. Não apenas no Brasil, mas também nas vizinhanças. Acho então que é chegada a hora de dar o meu depoimento.
Dizer a vocês, jovens de 20, 30, 40 anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.
Se a Ditadura Militar tivesse sido contada na escola, como são a Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais de usurpação da liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada a passar sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.
Fazer as feridas sangrarem é obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para falar.
Alguns já se calaram para sempre. Outros, agora se calam por vontade própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por desânimo. O coração tem razões…
Eu falo e eu choro e eu me sinto um bagaço. Talvez porque a minha consciência do sofrimento tenha pegado meio no tranco, como se eu vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar atenção, caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação, apalpando o ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda, só vi o vazio de minha própria cegueira.
Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.
Siga lendo...


Em 28 de outubro, dois dias após a vitória de Dilma, uma ala da direita nacional golpista, descontente com o resultado da eleição, deu início a uma petição em que cobrava o posicionamento de Barack Obama sobre a "expansão do comunismo no Brasil". (1)
Nesta segunda-feira, 3, a petição pública contra a reeleição de Dilma Rousseff atingiu mais de 100 mil assinaturas. (2)
Em resposta a esta petição, apresentada na página We The People, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília lembrou que a Casa Branca já se manifestou sobre as eleições no Brasil "ao publicar uma declaração parabenizando a presidente Dilma Rousseff por sua reeleição" (leia aqui). O texto divulgado pelo governo estadunidense diz inclusive que "o Brasil é um importante parceiro para os Estados Unidos e que estamos empenhados em continuar a trabalhar com a presidente Dilma Rousseff a fim de fortalecer as nossas relações bilaterais".
A página We The People foi criada durante o governo Obama, para que os estadunidenses pudessem criar petições com demandas ou sugestões acerca de assuntos de interesse nacional. E, se a petição alcança um volume expressivo de assinaturas, a Casa Branca emite um posicionamento oficial sobre o assunto. (3)

(1) O Tea Party não se cansa de chamar Mr. Obama de comunista.
(2) Mais de 100 mil traidores da Pátria! Pedir o posicionamento do governante de uma nação estrangeira nos assuntos internos do Brasil foi, é e será um ato lesivo à soberania nacional. E agora pouco eficaz, pois o embaixador Lincoln Gordon já morreu. 
(3) Como, por exemplo, aconteceu com a petição da Estrela da Morte.

Intervenção militar
"Respeito a democracia e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso à democracia (tentativa de impeachment da presidente Dilma) terá a nossa mais veemente oposição." ~ Aécio Neves

23 junho, 2013

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade

Foi o nome de uma série de manifestações públicas organizadas em março e abril de 1964 por setores conservadores da sociedade brasileira, nos Estados de São Paulo e da Guanabara, em reação ao anúncio do programa de reformas de base do presidente João Goulart.
A Marcha 2.0
A pauta das reivindicações difusas dos manifestantes também inclui temas "democráticos" como a volta dos anos de chumbo:


A verdade sobre a corrupção no Brasil
[...]Esses meninos, que passaram os melhores anos de sua infância e pré-adolescência eliminando monstros alienígenas no videogame e "tcl msg" (teclando mensagens) nas redes sociais, de repente se deram conta de que "nesse governo" há corrupção. Coisa nova para eles, que decerto creem ser algo nunca antes havido na história deste país, e de país algum. Não identificam a qual governo se referem, se federal, estaduais ou municipais, mas é de se supor que sua artilharia esteja voltada para o da presidente Dilma, por ser o mais visível de todos.
O que não sabem esses valorosos meninos e meninas, valentes guerreiros dispostos sinceramente a mudar o Brasil (o vandalismo é coisa de um pequeno grupo, sabemos), que dizem ter acordado agora para a dura realidade, é que desde o governo do presidente Lula a Polícia Federal vem combatendo duramente a corrupção. Toda semana, praticamente, há notícias de operações que levam legiões de corruptos e sonegadores de impostos para a cadeia.[...]
Não devem saber esses garotos, também, até porque não tinham idade para isso, que desde sua criação até a posse de Lula a Polícia Federal vivia numa letargia profunda, desaparelhada e mal remunerada. Mal se ouvia falar da corporação. Basta ver que, no primeiro ano do mandato do ex-presidente (2003), a PF realizou apenas 9 operações, que resultaram em 223 prisões. Não bastava, porém, aparelhar a Polícia Federal e inspirar-lhe a vontade política para passar a agir. Foi necessário primeiro higienizar a corporação. Naquele primeiro ano, foram presos 39 policiais federais, entre 122 servidores públicos mandados para a cadeia.[...]
Desde então, os números só cresceram. Esses dados estatísticos (citados e a seguir) foram extraídos do portal da Polícia Federal e, naturalmente, referem-se a outros crimes, além da corrupção e da sonegação fiscal. Há tráfico internacional de drogas e de pessoas, por exemplo.
O empenho da Polícia Federal continuou durante o governo de Dilma Rousseff. Em 260 operações realizadas em 2011, a PF prendeu 2089 pessoas, sendo 246 funcionários públicos, 4 deles policiais federais. Em 2012, foram 289 operações que resultaram em 1660 prisões (102 servidores públicos; 13 policiais federais).
Em 2013, a Polícia Federal já realizou até agora 94 operações e prendeu 561 acusados de corrupção, sonegação fiscal e outros crimes, sendo que 36 eram servidores públicos. Neste ano, nenhum policial federal foi preso.
É fácil assimilar manchetes de jornais e revistas, como as da rancorosa Veja, ou frases prontas que circulam pela internet, que atribuem casos de corrupção a este ou àquele governo - eles têm especial predileção pelo governo federal, do PT. Difícil é checar, aprofundar a pesquisa e conhecer a verdade.
Corrupção não se combate apenas com gritos de guerra em manifestações de rua. É preciso desenvolver técnicas especiais de investigação, ter vontade política e firmeza para executar as ações necessárias. Via de regra, é briga contra cachorro grande - afinal, os criminosos são políticos, governadores, prefeitos, secretários, empresários, advogados, gente graúda e influente. Feito o serviço de investigação e prisão, o resto será por conta do Judiciário, que é outro poder, que não se submete ao controle do Executivo.[...]

Manual de Ouro do Manifestante Idiota, Blue Bus

09 novembro, 2012

As raízes do golpismo da direita brasileira

por Emir Sader, Carta Maior
Antes, a direita recorria aos quartéis, agora usa a mídia para apelar ao Judiciário
Até 1930 a direita brasileira dispunha a seu bel prazer do Estado, colocava-o totalmente a serviço dos interesses primário-exportadores, desconhecendo as necessidades das classes populares. Getúlio fez a brusca transição de um presidente – Washington Luiz, carioca adotado pela elite paulista, como FHC – que afirmava que “Questão social é questão de polícia”, para o reconhecimento dos direitos dos trabalhadores pelo Estado.
Com o surgimento da primeira grande corrente de caráter popular, a direita passou a ficar acuada. A democratização econômica e social foi seguida da democratização politica, com o processo eleitoral consagrando as candidaturas com apoio popular, Sucessivamente, em 1945, 1950, 1955, a direita foi derrotada e acostumou-se a bater na porta dos quarteis, pedindo golpe militar.
Sentido-se esmagada pelas derrotas, a direita chegou a pregar o voto qualitativo, em que, segundo eles, o voto de um médico ou de um engenheiro valeria 10, enquanto o de um trabalhador (“marmiteiro”, diziam eles, zombando dos trabalhadores que levavam marmitas pro trabalho) devia valer 1. Só assim poderiam ganhar.
A efêmera vitória de 1960, com a renúncia do Jânio, foi sucedida pela nova tentativa e golpe militar de 1961 e, logo depois, pelo golpe efetivamente realizado em 1964. Só pela força e pelo regime de terror a direita conseguiu triunfar e colocou em prática sua revanche contra o povo, pela repressão e pela expropriação dos direitos da grande maioria.
Foi no final da ditadura, com uma votação indireta, pelo Colégio Eleitoral, passando pela morte de Tancredo, que a direita deu continuidade a seus governos, agora com um híbrido de ditadura e de democracia, mas que favoreceu a eleição de Collor, outra versão da direita. Tal como Jânio, teve presidência efêmera.
O governo FHC foi a melhor expressão da direita, renovada, reciclada para a era neoliberal. Naqueles 8 anos a direita brasileira pode realizar seu programa, que terminou numa profunda e prolongada recessão e a derrota sucessiva da direita, por três vezes.
A direita repete, na Era Lula, os mesmos mecanismos da Era Getúlio. Enquanto os governos desenvolvem políticas econômicas e sociais que favorecem à grande maioria, recebem dela o apoio majoritário e derrotam sistematicamente a direita, resta a esta atividades golpistas. Se antes batiam às portas dos quartéis (eram chamadas de “vivandeiras de quartel”), agora usam a mídia para bater às portas do Judiciário.
São partidos e mídias cada vez mais minoritários, derrotados em 2002, em 2006, em 2010, voltaram a ser derrotados agora em 2012. São governos que os derrotam com o apoio das grandes maiorias beneficiárias das suas políticas sociais. Quem não tem povo, apela para métodos golpistas, ontem com os militares e a mídia, hoje com a mídia e o Judiciário. [FIM DO ARTIGO]
Macartismo à brasileira
Estamos assistindo ao surgimento de um macartismo à brasileira. A Ação Penal 470 transformou-se em um julgamento político contra o PT. O que se acusa como crime são as mesmas práticas reputadas apenas como ilícito eleitoral quando se trata do PSDB, que desfruta de todos os atenuantes daí decorrentes. É indecoroso. São absolutamente idênticas. Só as distingue o tratamento político diferenciado do STF, que alimenta assim a espiral macartista. O mesmo viés se insinua com relação à mídia progressista. A publicidade federal quando dirigida a ela é catalogada pelo macartismo brasileiro como suspeita e ilegítima.Dá-se a isso ares de grave denúncia. Quando é destinada à mídia conservadora , trata-se como norma. O governo erra ao se render a esse ardil. Deveria, ao contrário, definir políticas explícitas de apoio e incentivo aos veículos que ampliam a pluralidade de visões da sociedade brasileira sobre ela mesma. Sufocar economicamente e segregar politicamente a imprensa alternativa é abrir espaço ao macartismo à brasileira.
Bernardo Kuscinski, jornalista, professor e romancista, autor do premiado "K", a angustiante romaria de um pai em busca da filha nos labirintos da ditadura militar brasileira.