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28 maio, 2009

A síndrome de Münchhausen

A síndrome de Münchhausen é uma doença psiquiátrica em que o paciente, de forma compulsiva, deliberada e contínua, causa, provoca ou simula sintomas de doenças, sem que haja uma vantagem óbvia para tal atitude que não seja a de obter cuidados médicos e de enfermagem.
Nessa síndrome, a pessoa afetada exagera ou cria sintomas nela mesma para ganhar atenção, tratamento e simpatia. Em casos extremos, uma pessoa com esta síndrome (seus portadores costumam desenvolver algum grau de conhecimento sobre a medicina) consegue produzir sintomas para operações desnecessárias. Por exemplo, ao injetar na veia um material infectado que, por lhe causar uma infecção, possa prolongar a estada no hospital. Ou, ainda, ao praticar alguma forma de auto-mutilação.
A história clínica que o doente apresenta é inicialmente plausível, embora depois se verifique ser falsa. Ao ser desmascarado, ele abandona a instituição em que está internado para reaparecer na sala de emergência de outro hospital. 
Um portador dessa síndrome pode ser extremamente dispendioso para um sistema de saúde. Há o relato de um paciente  que custou ao serviço de saúde britânico 4 milhões de dólares, nos 50 anos em que se sumeteu a 400 operações de diversos portes, em 100 diferentes hospitais nos quais usou 22 nomes.
Observação - De forma diferente da hipocondria, o paciente com Münchhausen sabe que está exagerando, enquanto o hipocondríaco acredita que está de fato doente.

O epônimo
A denominação eponímica para essa síndrome foi dada por Richard Asher em 1951. Inspirado no Barão de Münchhausen, um tipo criado em histórias escritas pelo humorista Rudolf Erich Raspe (1737-1794), a partir de incidentes compilados em várias fontes, dentre as quais as inacreditáveis narrativas de Hyeronimus Karl Friedrich von Münchhausen, um oficial alemão que serviu no exército russo. 

P.S.>
Na CID-10 (versão 2008) a síndome de Münchhausen corresponde ao código F68.1.

16 julho, 2008

Epônimos médicos

O whonamedit.com é um site em inglês que dicionariza os epônimos médicos. Já descrevendo 8.141 deles, relacionados com os nomes de 3.223 pessoas, pode-se dizer que o site é o mais completo no gênero. Inclusive por trazer as biografias das pessoas associadas aos epônimos que registra.
Epônimo, para quem não sabe, é uma expressão formada com a incorporação do nome de uma ou mais pessoas.
Eis alguns exemplos de epônimos (em português) com as categorias a que pertencem:
- Reflexo de Babinski (semiologia)
- Espaço de Traube (anatomia)
- Manobra de Valsalva (fisiologia)
- Paralisia de Bell (clínica)
- Bacilo de Koch (microbiologia)
- Ciclo de Krebs (bioquímica)
- Incisão de McBurney (cirurgia)
- Cateter de Swan-Ganz (equipamento)
Muitos dos epônimos colocados no site apresentam-se em desuso, mas é inegável que o registro mesmo destes tem importância histórica.

09 maio, 2008

O loteamento humano

Encontrava-me no diário jardinar, entre muitas flexões e reflexões, quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma carta na mão. Ante surpresa tão rude, não sei como pude chegar ao portão. Mas, cheguei e ... Ah, como eu já conhecia aquela letrinha gótica! Pois lendo o envelope bonito, em seu sobrescrito eu reconheci: Dr. Carta Pácio, o missivista-filósofo da mirabolância!
Eis a sua última carta:

"Prezado senhor,
O assunto ao qual chamo a sua atenção é da mais alta importância, uma vez que se relaciona com algo que nos é muito precioso: o corpo. Alicerçado em que consultei, à exaustão, os compêndios de anatomia de minha privada biblioteca (privada enquanto adjetivo, bem entendido). E que, após a tal consulta, acabo de chegar a uma irrefutável constatação. O homem tem - pasme o senhor! - o domínio útil do seu corpo, mas em verdade não é dele proprietário. Quer dizer, ele ganhou o corpo do qual deve tirar proveito (antes de o dar aos vermes); no entanto, ele chegou tarde, muito tarde.
Isto porque os homens da ciência - anatomistas, na maioria - estabeleceram o loteamento da carcaça humana. Nada deixando a que não se reportassem através de um de - partícula que confere relação de posse. A começar por Adão, não propriamente um anatomista (apenas um nomeador dos seres vivos em geral). Quando deu o nome a este belo pomo que o senhor carrega no pescoço, integrando os seus caracteres sexuais masculinos. O que é, aliás, aceitável, Adão, o super Adão, foi o pai primordial. Em nenhuma hipótese, porém, eu coonesto o que aconteceu depois.
Por exemplo, um guerreiro grego, naquilo que ele tinha de mais frágil, emprestar o nome ao mais robusto tendão do corpo humano. O guerreiro Aquiles, e chega a ser irônico o fato. Como também não coonesto o loteamento do homem pelos anatomistas de todos os tempos e lugares, só porque o dissecaram com o fim de estudo. E aproveito aqui para nobilitar os precursores da ciência que trata da forma e da estrutura do ser humano. Demócrito, Anaxágoras, Alcméon, Empédocles... mas esses homens eram uns filósofos!

Leia a carta inteira no Preblog.