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23 julho, 2014

Ariano Suassuna, o homem da esperança

ROMANCE D’A PEDRA DO REINO, de Ariano Suassuna
por Fernando Gurgel Filho
Carlos Drummond de Andrade disse: "Extraordinário romance-memorial-poema-folhetim que Ariano Suassuna acaba de explodir. Ler esse livro em atmosfera de febre, febril ele mesmo, com a fantasmagoria de suas desaventuras, que trazem a Idade Média para o fundo Brasil do Novecentos, suas rabelesiadas, seu dramatismo envolto em riso. Ah, escrever um assim deve ser uma graça, mas é preciso merecer a graça da escrita, não é qualquer vida que gera obra desse calibre".
Faltou pouco para o Suassuna escrever "o" romance do Brasil. A partir de fatos históricos, como a chacina ocorrida no sertão de Pernambuco em que inocentes foram assassinados para fazer ressuscitar o Rei Dom Sebastião - a própria contradição do fato é tragicômica - Suassuna coroa o Movimento Armorial com um romance de armas, brasões, fidalguias, reis e vassalos, existentes apenas na imaginação doentia de sertanejos fanáticos.
O narrador, que se autodenomina Dom Dinis Quaderna, em estilo que ele mesmo chama de régio-sertanejo, transforma "uns cavalos pequenos, magros e feios, uma porção de gente suja, magra faminta e empoeirada, arrastando ... uma porção de velhos animais de Circo, famélicos e desdentados, numa tropa pobre e amontoada" em uma "Cavalgada fidalga composta de Ciganos, vestidos de gibões medalhados e cravejados, trazendo onças,veados, gaviões e cobras... ...precedida por duas bandeiras, uma com onças e contra-arminhos, outra com coroas e chamas de ouro em campo vermelho."
Essa visão distorcida da realidade revela, tão-somente, a má formação do narrador e as suas visões de um mundo fantástico em que ele almeja implantar uma monarquia sertaneja-negro-tapuia em oposição à elite ibérica-mouro-portuguesa. A caricatura do País é perfeita, onde a elite e a intelectualidade estão representadas por um filósofo de direita que se diz oriundo da melhor estirpe dos coronéis de engenho e outro de esquerda que diz representar a alma sertaneja e mestiça do índio e do escravo. Os dois vivem às custas do narrador que, em tudo, parece representar o Povo. E se servem dele até para firmar suas ideias caricatas de um País tragicômico.
É um livro que merece ser lido e relido, atentando para os tangenciamentos com a realidade dos sertões e para os fatos históricos narrados - na forma distorcida pelo narrador, claro. (FGF)
Em tempo
O escritor paraibano Ariano Vilar Suassuna, autor de "Auto da Compadecida" e "A Pedra do Reino", morreu nesta quarta-feira (23), aos 87 anos, no Recife.
Nascido em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, em 16 de junho de 1927, era filho do político João Suassuna, que ocupou o governo da Paraíba e foi assassinado no Rio de Janeiro, em 1930.
A família passou a viver em Taperoá, onde Suassuna começou a estudar e viu a primeira peça de mamulengos (fantoches típicos do nordeste brasileiro), que depois teria influência em sua produção teatral.
Em 1942, o autor se mudou para Recife e aos 16 anos começou a escrever poesias. Aos 20 publicou a primeira peça, "Uma Mulher Vestida de Sol".
Em 1950, formou-se advogado, profissão à qual se dedicou durante anos sem abandonar a literatura.
Em 1955, publicou o "Auto da Compadecida", sua obra mais famosa, que em 2000 seria adaptada para uma minissérie e um filme de sucesso, estrelados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello.
Com projeção nacional, deixou a advocacia e viu suas peças serem montadas em outros Estados.
Na década de 1970, lançou o Movimento Armorial, com o objetivo de criar arte erudita a partir de elementos da cultura popular, como literatura de cordel e música de viola. Seu livro "O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta", de 1971, é baseado nesses preceitos.
"Eu digo sempre que das três virtudes
teologais , sou fraco na fé e fraco
na caridade, só me resta a esperança.
Eu sou o homem da esperança."
As principais obras de Ariano Suassuna
1947 - "Uma Mulher Vestida de Sol"
1949 - "Os Homens de Barro"
1950 - "Auto de João da Cruz"
1952 - "O Arco Desolado"
1953 - "O Castigo da Soberba"
1954 - "O Rico Avarento"
1955 - "Auto da Compadecida"
1957 - "O Casamento Suspeitoso"
1957 - "O Santo e a Porca"
1958 - "O homem da Vaca e o Poder da Fortuna"
1959 - "A Pena e a Lei"
1960 - "Farsa da Boa Preguiça"
1962 - "A Caseira e a Catarina"
1971 - "O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta"
1976 - "História d'O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao sol da Onça Caetana"
1980 - "Sonetos com Mote Alheio"
1985 - "Sonetos de Albano Cervonegro"
1987 - "As Conchambranças de Quaderna"
Leia +
Ariano e os computadores, Por causa de uma gravata e Aboio

02/08/2014 - Atualizando a nota com Literatura de Cordel
A chegada de Ariano Suassuna no Céu, por Klévisson Viana e Bule Bule. In: Livro Errante
(obrigado a Winston Graça pela lembrança)

17 março, 2011

Revelações de um Maquisard. Lançamento de livro

CONVITE
A Universidade Estadual do Ceará, a Unimed Fortaleza e a Aliança Francesa de Fortaleza convidam para a noite de autógrafos de "Revelações de um Maquisard - Révélations d'un Maquisard", novo livro do médico e economista Marcelo Gurgel Carlos da Silva.
Trata-se de uma edição bilingue, com tradução francesa da Profa. Cristiene Ferreira da Silva, e prefácio do jornalista e teatrólogo Gilmar de Carvalho.
A obra foi editada sob os auspícios da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, mediante aprovação no Edital do Prêmio Literário para Autor(a) Cearense, na Categoria Dramaturgia (Prêmio Eduardo Campos), patrocinado pelo Governo do Estado do Ceará.
A renda integral desse lançamento será revertida para as ações sociais do "Movimento Emaús - Vila Velha".
O autor e seu livro serão apresentados pelo Diretor de Ensino da Organização Educacional Farias Brito e membro da Academia Cearense de Letras, Prof. Genuíno Sales.

Serviço
Local: Faculdade Farias Brito - Espaço da Palavra, na Rua Castro Monte, 1.364, esquina com a Avenida Júlio Abreu, Fortaleza - CE.
Data: 17 de março de 2011 (hoje), às 19h30min.